não percebo nada do que aqueles senhores estão ali a falar
Sexta-feira treze, a Ritinha ainda sondou sobre as razões da minha mal disfarçada nostalgia, eu aleguei que só se fosse efeito de alguma desastre retroactivo.
Mas agora estão ali uns senhores a falar de regime contributivo. Bagão Félix fala em aumentos de taxas para agricultores, pescadores e trabalhadora(e)s doméstica(o)s e reduções de dois por cento para administradores e gestores. Mas não tenho a certeza se o ouvi bem.
A seguir fala em jacobinos (eles andam aí) e tirar nomes a hospitais (a propósito, ando há três dias a tentar marcar uma RM, já telefonei várias vezes, pedi número de fax, tentei enviar e nada. Vai daí, tenho de ir a Lisboa fazer o que podia fazer sem sair de casa, se isto fosse um país decente...mas adiante), arrasar feriados religiosos e tal. Não percebi qual era o drama dele, já me bastam os meus.
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Deus
2009-11-11 em 11/11/2009 06:32:00 PM
Deus meu, fizeste-me tão rica, deixa-me, por favor, partilhar generosamente essa riqueza. A minha vida tornou-se um diálogo ininterrupto Contigo, meu Deus, um grande diálogo. Quando estou em algum canto do campo, de pés plantados na tua terra, os olhos levantados para o Teu céu, há alturas em que me correm lágrimas pelas faces, brotadas de uma comoção e gratidão interiores, que procuram uma saída. Do mesmo modo, à noite, quando estou deitada e descanso em Ti, meu Deus, as lágrimas de gratidão correm-me, por vezes, pelo rosto, e isso é, também, a minha prece.(...)Não me revolto contra Ti, meu Deus, a minha vida é um diálogo ininterrupto Contigo. Talvez nunca venha a tornar-me a grande artista que, na verdade, gostaria de ser, mas já estou demasiado protegida em Ti, meu Deus. Por vezes, gostaria de registar pequenas sabedorias e relatos vibrantes, mas volto sempre à mesma palavra - Deus - que compreende tudo, pelo que nada mais necessito de dizer. E toda a minha força criativa se converte em diálogos interiores Contigo, o bater do meu coração tornou-se aqui mais amplo e agitado e tranquilo ao mesmo tempo, e é como se a minha riqueza interior crescesse cada vez mais...
Etty Hillesum in Cartas 1941-1943
Ainda há dias constatávamos que a palavra Deus anda um tanto destruída. Culpa nossa, sem dúvida. Não vivemos situações extremas de vida, como a de Etty Hillesum - prisioneira no campo de Westerbork na Holanda - mas nem por isso deixamos de precisar de ter cuidado em enriquecer a nossa vida interior.
O dom da Fé é um mistério tão absoluto como o próprio Deus, os que nos vamos deixando tocar por ele, temos a missão de o guardar, aprofundar e testemunhar com a vida. E agradecê-lo como o dom mais precioso de que dispomos.
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duas histórias de mulheres:
2009-11-10 em 11/10/2009 10:41:00 PM
Dois casos passados no tempo do Estado Novo, em que as famílias e as mulheres tinham os tais valores de que os nossos bispos tanto gostam:
1º caso:
Um casal rural vivendo da terra e dos produtos que a mesma dispensa. Homem e mulher casados no sacramento do matrimónio, dividem as tarefas fora de casa. Dentro, trabalhava ela sozinha. À segunda-feira era o dia de mercado. Era ele que ia sozinho. O produto da venda raramente chegava a casa. Também era ele sozinho que se encarregava dessa tarefa.
O dinheiro faltava para as despesas necessárias, mas havia perto um compadre disposto a dispensar o crédito. Era ela sozinha que ia pedir ajuda para providenciar às situações mais aflitivas. Uma doença, um remédio para os filhos, um pagamento em falta.
Dos cinco filhos, dois são muito parecidos com o compadre e vizinho.
2º caso:
A D. Gracinda casada com o Senhor Raúl, já tinha sido mãe uma vez. Não queria ter uma família, como tantas que conhecia, em que cada filho que aparecia era considerado uma fatalidade. Fez vários abortos. E a maioria dos dias, levanta-se ainda antes de o sol aparecer. E do marido acordar.
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um bispo que até começa bem...mas fala da família, da mulher e acaba mal
Do "Discurso de D. Jorge Ortiga na abertura da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa" retirei estes apontamentos positivos:
Esta nova consciência missionária e a reflexão que dela fazemos, obriga-nos a repensar, à luz do Concílio Vaticano II, o papel da Igreja no mundo. Durante muito tempo apenas vimos “o mundo da Igreja”. Hoje, é inequívoco que não existe o “mundo da Igreja”, mas que Ela deve estar no meio do mundo, não como senhora mas como serva. Estar no coração do mundo é já uma luta a travar, uma vez que a mudança que modernidade ocidental trouxe consigo deslocou o cristianismo do centro para a “periferia dos dispensáveis e dos irrelevantes”.
Curiosamente, na fragilidade desta periferia podemos reencontrar a nossa identidade cristã, a qual se plasma na única segurança que vem de Cristo. É neste contexto de humildade, que teremos de passar duma atitude de detentores da verdade para uma transparência da verdade, de emissores únicos e autoritários a peregrinos dialogantes nesta mesa comum da procura.
Ao falar da família, referencia, apenas, os aspectos mais problemáticos, veiculando um pessismismo que não corresponde a uma visão real das fa mílias. Se existem os problemas que enumera, também existem muitos outros aspectos que são o resultado de mais e melhores meios de que a família dispõe.
"Hoje, a família encontra-se exposta ao relativismo dos valores, o que estará a degenerar em anti‑valores: rupturas familiares, crise social da figura do pai, dificuldade em assumir compromissos estáveis, graves ambiguidades acerca da relação de autoridade entre pais e filhos, o número crescente dos divórcios, a praga do aborto, o recurso cada vez mais frequente à esterilização e a instauração de uma verdadeira e própria mentalidade contraceptiva (cf. FC 6)."
E, mesmo previsíveis, são as considerações sobre a mulher:
Continua a infiltrar‑se, em muitos casos de uma maneira camuflada, a “teoria do género”, como verdadeira ideologia apostada em redefinir a família, a relação matrimonial, a procriação e a adopção. Ninguém ignora os problemas reais com os quais a instituição familiar se debate quotidianamente. Perante estas novas problemáticas, vão surgindo tentativas de solução baseadas nos valores tradicionais de liberdade, igualdade e saúde que, para além dos seus significados verdadeiros, começam a ficar mergulhados num conjunto de ambiguidades, desviando-se duma antropologia sadia e verdadeiramente confirmada pela genuína cultura.
Em muitos casos, a justa liberdade da mulher já não encerra uma verdadeira emancipação das discriminações sociais e do poder autoritário do homem. Enveredou por uma competição entre os dois sexos, onde aparece com evidência a rivalidade e o antagonismo que conduzem a uma procura da afirmação individual, quando deveria estruturar-se em termos de solidariedade e complementaridade responsável. A violência doméstica prolifera e o desencanto familiar multiplica-se.
Não sei como é que se consegue estruturar uma relação em termos de solidariedade e complementariedade sem uma afirmação individual. Porque é que têm de ser imcompatíveis?
E sobre a sexualidade é melhor nem ler:
Também na área da saúde reprodutiva, sob o pretexto da prevenção e da preocupação por evitar as doenças, aconselha-se o exercício meramente amistoso, ou até simplesmente lúdico, da sexualidade, não a integrando numa perspectiva de verdadeiro amor aberto, responsavelmente, à procriação. Neste terreno, o aborto é banalizado com orientações legais que desrespeitam o valor indiscutível da vida e assim o decréscimo da natalidade atinge níveis preocupantes, motivados por interpretações egoístas do dom da sexualidade.
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confissão de um padre
2009-11-09 em 11/09/2009 10:16:00 PM
Deus, a oração de petição, a Igreja, o celibato...uma abordagem pessoal e íntima feita por um padre que deixou a Igreja.
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Takó acreditava que todos celebravam com ele o luto pelo seu pai. Mas eles estavam de luto pelos milhares de húngaros mortos pelo nazismo.
Um filme de Istiván Szavó (que também tem as suas nebulosas), 1966
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celebremos, pois
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quanta ternura
2009-11-08 em 11/08/2009 07:18:00 PM
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à luz da Palavra
8Então o SENHOR disse-lhe: 9*«Levanta-te, vai para Sarepta de Sídon e fica lá, pois ordenei a uma mulher viúva de lá que te alimente.» 10Ele levantou-se e foi para Sarepta; ao chegar à entrada da cidade, eis que havia lá uma mulher viúva que andava a apanhar lenha; chamou-a e disse-lhe: «Vai-me arranjar, te peço, um pouco de água numa vasilha, para eu beber.» 11Ela foi buscar a água e Elias chamou-a e disse-lhe: «Traz-me também um pedaço de pão nas tuas mãos.» 12*Então ela respondeu: «Pela vida do SENHOR, teu Deus, não tenho pão cozido; tenho apenas um punhado de farinha na panela e um pouco de azeite na ânfora; mal tenha reunido um pouco de lenha entrarei em casa para preparar esse resto para mim e para meu filho; vamos comê-lo e depois morreremos.»13Elias disse-lhe: «Não tenhas medo; vai a casa e faz como disseste. Disso que tens faz-me um pãozinho e traz-mo; depois é que prepararás o resto para ti e para o teu filho. 14Porque assim fala o SENHOR, Deus de Israel: 'A panela da farinha não se esgotará, nem faltará o azeite na almotolia até ao dia em que o SENHOR mandar chuva sobre a face da terra.'»15Ela foi e fez como lhe dissera Elias: comeu ele, ela e a sua família, durante alguns dias. 16Nem a farinha se acabou na panela, nem o azeite faltou na almotolia, conforme dissera o SENHOR pela boca de Elias.
(1ºReis, 17, 8-16)
Nestes tempos, que são os nossos, em que o incitamento à riqueza e à acumulação de todo o tipo de bens, nos condiciona e impele, é consolador o elogio de Deus à pobreza e ao despojamento. Hoje Deus desafia-nos a um menos que nos é desconhecido e motivo de escândalo.
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