2019-06-16

esta noite sonhei-me a ler a poesia de Emily Dickinson




Nossa porção de noite -
Nossa porção de aurora -
Nossa ausência de amor -
Nossa ausência de agrura -

Uma estrela, outra estrela
Que se extravia!
Uma névoa, outra névoa
Depois - o Dia!

Emily Dickinson


2019-06-11

(Foz do Arelho, 2019)


Pudesse eu um dia escrever uma espécie de tratado sobre a culpa. Como descrevê-la, aquela que é irremissível, a que não se pode corrigir?  Quando a sinto, ela é até fisicamente constrangedora: um punho fechando o peito, abaixo do pescoço: e aí está ela, a culpa. A culpa? O erro, o pecado. Então o mundo passa a não ter refúgio possível. Aonde se vá e carrega-se a cruz pesada, de que não se pode falar.
Se se falar - ela não será compreendida. Alguns dirão -"mas todo o mundo..." como forma de consolo. Outros negarão simplesmente que não houve culpa. E os que compreenderem abaixarão a cabeça também culpada.
Ah, quisera eu ser dos que entram numa igreja, aceitam a penitência e saem mais livres. Mas não sou dos que se libertam. A culpa em mim é algo tão vasto e tão enraizado que o melhor ainda é aprender a viver com ela, mesmo que tire o sabor do menor alimento: tudo sabe mesmo de longe a cinzas.


Clarice Lispector in "Todas as Crónicas"

2019-06-06


Quanto maior é a minha tristeza mais os meus queixumes são breves, sussurrados ao ouvido de ninguém.



Sebastião Alba in "ventos da minha alma"