2005-09-30

Sem título...

Há dias em que nos sentimos mesmo mal neste mundo. Nos noticiários ouvimos que, num bairro que tem o nome abominável de "fim do mundo", morreu uma família inteira, mãe e cinco filhos, vitímas de um incêndio, numa casa que não tinha as mínimas condições de habitabilidade.
Noutro local, morrem várias pessoas, porque tentam por todos os meios, até com a própria vida, fugir de uma terra que é a sua, porque nela não têm condições para viver com um mínimo de condições.
E, cresce uma raiva imensa, porque estes não são actos isolados, acontecem todos os dias, um pouco por todo o mundo.

Como é que conseguimos viver, confiantes nas nossas vidas, aconchegados nas comodidades que a cultura e o desenvolvimento económico nos trazem?
Votamos em quem nos governa, mediante a promessa de baixar e reduzir os impostos. Em quem não belisque os patamares que já alcançámos e de que não queremos abdicar.
Quem é que vota preocupado em escolher um projecto onde as políticas da cultura, da acção social, do desenvolvimento económico mais justo e mais de acordo com as necessidades de todos, sejam prioridade?

2005-09-29

impressões...

Da noite sobrou a ternura.

Não. Não há coincidências!

Há momentos em que o grito sai expontâneo:
- Não sei como, meu Deus, mas estás metido nisto!

Ensinamento

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"coitado, até essa hora no serviço pesado."
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.

Adélia Prado

2005-09-27

Papa dialoga com teólogo Hans Kung

"No sábado, dia 24 de setembro de 2005, aconteceu um colóquio de Sua Santidade o Papa Bento XVI com o professor Hans Küng (Tubinga). O encontro desenvolveu-se em um clima amigável. Ambos estavam de acordo em que não tinha sentido entrar, no marco do encontro, em uma disputa sobre as divergências doutrinais persistentes entre Hans Küng e o Magistério da Igreja católica. O colóquio concentrou-se, portanto, em dois temas que têm particular interesse para o trabalho recente de Hans Küng: a questão da ética mundial («Weltethos») e o diálogo da razão das ciências naturais com a razão da fé cristã. O professor Küng sublinhou que seu projeto de ética mundial não é nem muito menos uma construção intelectual abstrata; mas põe de manifesto os valores sobre os quais convergem as grandes religiões do mundo, apesar de todas as diferenças, e que podem perceber-se como critérios válidos --por causa de seu convincente caráter racional-- pela razão secular. O Papa apreciou o esforço do professor Küng para contribuir em um renovado reconhecimento dos valores essenciais da humanidade através do diálogo das religiões e no encontro com a razão secular. Sublinhou que o compromisso por uma renovada consciência dos valores fundamentais da vida humana é também um objetivo importante de seu pontificado. Ao mesmo tempo, o Papa reafirmou seu acordo sobre o intento do professor Küng de reavivar o diálogo entre fé e ciências naturais e de fazer valer, em relação ao pensamento científico, a sensatez e a necessidade da questão sobre Deus («Gottsfrage»). Por sua parte, o professor Küng aplaudiu os esforços do Papa por favorecer o diálogo das religiões e também o encontro com os diferentes grupos sociais do mundo moderno. "

Notícia Agência Zenit

2005-09-24

Lc 9, 43-45

"Jesus continua acentuando a dimensão dolorosa de seu messianismo. Entretanto, os discípulos ainda não conseguem compreender e Jesus começa a se sentir sozinho. A obscuridade e a incompreensão daquilo que falam os discípulos de Jesus só se dissiparão depois da ressurreição. O significado da morte de Jesus só será compreendido após a experiência da páscoa. Agora estão perplexos, confusos e com medo de fazer perguntas a Jesus. O processo de amadurecimento da fé dos discípulos tem necessariamente que passar pela fase da obscuridade. Ao contrário, resultaria em assunto ambíguo, superficial, desconectado totalmente do projeto de Jesus. Aqui está a experiência do fiel. Diante das situações adversas da vida nos sentimos perplexos, confusos, sem esperança alguma. Tempos atrás uma pessoa de muita fé perguntava angustiada por que Deus havia permitido a morte de seu filho nas mãos de uns bandidos. Era uma pessoa alegre, serviçal, generosa, que tinha boas relações com todos. Não podia entender porque Deus permitia semelhante crime. Dar uma resposta convincente às perguntas carregadas de dor e confusão de uma mãe transpassada pelo sofrimento não é coisa fácil. Muitos perguntam, porque a vítima só sabia fazer o bem aos demais. Sem dúvida, somente a partir da experiência de fé podemos encher de sentido as situações mais absurdas da vida. Nossa experiência cristã deve ser acrisolada pelo fogo da crise. Quem nunca teve uma experiência de crise de fé provavelmente não solidificou seu seguimento de Jesus. Mas é preciso saber encontrar o caminho para superar a noite escura."

2005-09-23

"Quem canta, seus males espanta"...

Eu Vou Te Amar

Eu sei que eu vou-te amar
Por toda a minha vida
Eu vou-te amar
Em cada despedida
Eu vou-te amar
Desesperadamente,
Eu sei que vou-te amar
Ahhh
Por cada verso meu, cada verso meu
Será para te dizer que
Eu sei que vou-te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou-te amar
Por toda a minha vida
Eu vou-te amar
Em cada despedida
Eu vou-te amar
Desesperadamente
Eu sei que eu vou-te amar
Eu sei que eu vou-te amar
Por toda a minha vida
Eu vou-te amar
Em cada despedida
Eu vou-te amar
Desesperadamente
Eu sei que eu vou-te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua
Eu vou chorar
Mas cada volta tua
Há-de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver
Ao lado teu
Por toda a minha vida
Eu sei que vou-te amar

Vinícius de Morais

2005-09-22

Vão por mim!

"A TVI vai passar a classificar todos os seus programas. É uma boa ideia?"
Como lixo! SIM!

de todos...

"Desistir dos outros é desitir de deus"

in vizinho do mar

Verdadeiro corpo do Senhor...

"A eucaristia simboliza o acesso de todos à comida e à bebida, aos bens da vida, irmanados em torno da mesma mesa e unidos sob as bençãos de Deus, nosso Pai.
Todas as vezes que uma sociedade exclui desse acesso uma parcela de sua população, caminha na contramão da direcção eucarística. Nega o dom de amor de Deus em Cristo. Nesse sentido, toda a luta por justiça, por direitos humanos, por maior igualdade social, possui um carácter eucarístico. É o próprio corpo de Cristo que é profanado na miséria do pobre ou na contaminação da natureza. Pois como assinalam os Actos dos Apóstolos, "nele vivemos, nos movemos e existimos" (17,28). A criação é toda ela, sacramento divino, coroada pelo ser humano, imagem e semelhança de Deus."

Frei Betto

2005-09-21

Mistério da salvação...

Participo na missa das 19H00. O celebrante eleva a hóstia consagrada, fruto da terra e do trabalho do homem. "Vejo" nela a minha vida, cheia de contradições, de sonhos não realizados, de batalhas que ainda hão-de vir, de algumas alegrias inesperadas, de pequenos "milagres" que lhe dão cor e sabor...sinto-me confiante; é O Senhor que redime. Pela Fé, estou inserida no Mistério da Salvação.

Terra da alegria

É a colheita das quartas...

Parece que são bruxos!

Peixes:
"É natural que durante o dia de hoje, sinta uma divisão interior; entre o real e o imaginário, entre o que tem e o que gostaria de ter."

2005-09-20

Para o padre do "confessionário":

"Que a estrada se abra à sua frente,
que o vento sopre levemente nas suas costas,
que o sol brilhe morno e suave na sua face,
que a chuva caia de mansinho nos seus campos,
e, que até que nos encontremos de novo,
Deus o guarde na palma das Suas mãos"

Prece irlandesa

2005-09-19

É tão verdade, como eu chamar-me; Maria!

"Não são algumas operações plásticas no rosto da Igreja, da pastoral, da liturgia e das missões que se podem chamar "nova evangelização"

Frei Bento Domingues - Público

Terra da alegria

Os frutos da terra!

Creio...

"Creio em Jesus Cristo
que sendo
"um homem só que não podia realizar nada"
como também nós nos sentimos,
lutou, no entanto, para que tudo mudasse
e foi por isso mesmo executado,
que é critério para verificar
o quanto esclerosada está a nossa inteligência,
sufocada a nossa imaginação,
desorientado nosso esforço,
porque não vivemos como ele viveu,
que nos faz temer cada dia
que a sua morte tenha sido em vão
quando o enterramos nas nossas igrejas
e atraiçoamos sua revolução,
medrosos e obedientes diante dos poderosos,
que ressuscitou dentro das nossas vidas
para que nos libertemos
de preconceitos e prepotências,
do medo e do ódio,
e levemos adiante sua revolução
em direcção do Reino."

2005-09-15

Carta aos Autarcas

"Estão aí as eleições autárquicas. Paira no ar a dança das palavras e das imagens, exibem-se cartazes gigantes com fotos de personagens de olhar generoso e frases arrojadas. Tudo dentro dos valores normais para a época. A maturidade democrática inclui, na lista, o desconto aos exageros e gabarolices com que se adjectivam os discursos e se enaltecem os concorrentes.Para se governar a cidade é preciso ter uma concepção de cidade. Mesmo que se trate duma pequena aldeia que nunca chegará a metrópole. Por isso me atrevo a aconselhar a candidatos e votantes um documento notável - a última Carta Pastoral do Patriarca de Lisboa, intitulada A Igreja na Cidade. Enquadra-se no próximo Congresso - Nova Evangelização. Dirige-se à cidade de Lisboa. Envolve-se numa perspectiva pastoral e não cívica ou política no sentido convencional. Mas não é possível gerir a cidade hoje sem ter em conta (para além dos aspectos de evangelização) a reflexão sobre o urbe que cada um constrói. Tendo em conta a sua história, os seus contextos geográficos, culturais, os seus novos tecidos, as mudanças que se operaram. Importa lembrar que as cidades têm alma, evolução nas populações, imigração, mobilidade, alterações demográficas, ambiente, transportes, riscos, silêncios, esquecimentos, medos, fugas. E pobres, marginais, anónimos em excesso. Tudo isto somos nós."...

Padre António Rego - ecclesia

2005-09-14

A cruz

Nos nossos dias, falar da cruz é motivo de perplexidade e de rejeição. Sobretudo, no nosso mundo ocidental, onde as conquistas da técnica, da ciência, do desenvolvimento humano e social, nos fariam supor que o sofrimento seria de vez erradicado da vida do homem moderno. Não é assim. O sofrimento, adquire formas muito variadas, mas está bem presente na vida dos homens. Se muito do sofrimento é consequência das acções indignas do homem - guerras, terrorismo, roubos, assassínios, ambição desmedida, uso abusivo da natureza, etc, etc. - outro há para o qual não encontramos explicação.
Perante o sofrimento, qualquer homem de boa vontade, só pode ter uma atitude, empenhar todas as suas forças para o minorar.

Para o cristão, a cruz tem uma simbologia muito própria é o sinal do amor de Deus. Na cruz, Cristo, O Enviado do Pai, assume as nossas dores e dá-lhes o sentido pleno, a salvação. Na cruz, encontramos um Deus, que se fez um de nós e o assume até ao limite, a morte.
Assumir a nossa cruz é aderir ao projecto de Deus. É saber que não será a morte que tem a última palavra, mas que a nossa libertação plena ocorre na medida em que seguimos Cristo e inserimos a nossa cruz, na sua cruz libertadora.

"Homens na sua angústia se chegam a Deus,
imploram auxílio, felicidade e pão;
que salve da doença, da culpa e da morte os seus.
Assim fazem todos, todos: Cristãos e Pagãos.

Homens se aproximam de Deus quando Ele em dor,
acham-no pobre, insultado, sem agasalho, sem pão.
Vêem-no por nosso pecado vencido e morto, o Senhor;
cristãos permanecem com Deus na paixão.

Deus está com todos na sua angústia e dor.
Ele dará de corpo e alma o eterno pão.
Morre por cristãos e pagãos como Salvador,
e a ambos perdoa em sua Paixão"

Bonhoeffer

Terra da alegria

Os frutos que a terra dá!

2005-09-12

Citando...

...Ana Gomes:

..."Reagan tornou-se Presidente alegando que o Estado, o governo, não eram a solução mas o problema. Bush pai, embora reluctante, e Bil Clinton, embora Democrata, não conseguiram resistir à vaga. Que com George W. Bush cresceu, cresceu e... rebentou com a força arrasadora dum tsunami, insuflado pelo sopro furioso do Katrina. Desde 2001, só as despesas militares não sofreram cortes no orçamento desta América, com um Presidente que passou a vida a salivar pela guerra, a invocar Deus e a desdenhar do Estado. Mas o Katrina, o mais previsto e anunciado dos desastres naturais na história americana, expôs os limites e consequências catastróficas do «conservadorismo com compaixão» dos defensores do «small government»: depois de décadas a desmantelar o Estado, não admira que ele não funcionasse quando mais era preciso. "...

Pranto para comover Jonathan

Os diamantes são indestrutíveis?
Mais é o meu amor.
O mar é imenso?
Meu amor é maior,
mais belo sem ornamentos
do que um campo de flores.
Mais triste do que a morte
mais desesperançado
do que a onda batendo no rochedo,
mais tenaz que o rochedo.
Ama e nem sabe mais o que ama.

Adélia Prado

Terra da alegria

"A ressurreição é viver tornando Cristo presente aqui e hoje, acreditando que no final não estamos condenados ao vazio, mas ao encontro pleno com Aquele que será tudo em todos."

Zé Filipe - Enchamos tudo de Futuros

Citações...

"Em vez de dizermos:
- Creio em Deus Pai todo poderoso.
Deveríamos dizer:
- Creio em Deus Pai misericordioso, com o coração a derreter-se de amor."

(padre João Caniço - Homilia missa RTP)

2005-09-10

Por estes dias...

...O meu guia preferido comemora dois anos de vida. Num daqueles acasos felizes, descobri-o logo no seu início. Era a alegria de descobrir coisas, com as quais me identificava, e identifico - a partilha da mesma fé, a forma de a viver, uma forma diferente de a expressar- é isso, e muito mais, o Guia dos Perplexos.
Para o José, que sempre, simpaticamente, respondeu aos e-mails desta anónima que sou, envio deste modo e desta vez, publicamente, o meu enorme abraço, com muito afecto e gratidão.
E, para melhor dar expressão à minha admiração pelo que o José tem escrito no Guia, deixo as suas próprias palavras, as quais faço minhas.

"Meu Deus e meu Pai,
perdoa-me porque pequei conta Ti
e contra aquilo que de Ti existe em mim.
A Fé que em Ti tenho
não deveria apenas consolar o meu coração
nem satisfazer a minha inteligência.
Deveria sim fazer-me tremer
por não ter a minha vida segundo ela.
Deveria sim fazer-me envergonhar
por querer ser rico em espírito,
por a minha caridade ser uma promessa adiada,
por a minha misericórdia ser tão precária,
por a minha mansidão ser tão calculada,
por o meu amor ser tão condicional,
por a minha humildade ser capa de tão imenso orgulho.
Tão imenso e absurdo é o meu orgulho,
orgulho de ter Fé, orgulho de ser humilde,
que chego a recear pela minha salvação.
Não valho assim mais do que o beato de sacristia
que julga ter já guardado o seu lugarzinho no Céu.
Meu Deus e meu Pai,
eu devia simplesmente agradecer
as graças e dons que me destes
e não comprazer-me nelas
e não orgulhar-me deles.
Meu Deus e meu Pai,
Tu deste-me o dom da Fé
e ela aperfeiçoa-me, ela alimenta-me.
Mas, por essa Fé, eu deveria consumir-me,
alimentando dela o meu próximo.
Triste pecador é aquele que, como eu,
tem uma Fé demasiado tranquila
e se serve dela só para si.
Meu Deus e meu Pai,
perdoa-me por ser assim.
Transforma-me"

2005-09-09

A Igreja na Cidade

..."É a esta cidade concreta que a Igreja é hoje enviada, anunciando a esperança que brota da mensagem evangélica. A missão da Igreja na cidade é uma realidade permanente, porque a Igreja partilha a vida, as tristezas e alegrias, os problemas e as esperanças da cidade. A missão evangelizadora da Igreja deve sempre harmonizar a dimensão perene da perspectiva evangélica da vida e da história, com as respostas, situadas no tempo, aos problemas actuais da comunidade. Trata-se de ler o Evangelho de sempre, como Palavra de Jesus Cristo, vivo na Sua Igreja, discernindo e interpretando os “sinais dos tempos”, isto é, captando as incidências entre o Evangelho e a vida concreta dos homens, em cada momento e em cada tempo.
O Congresso Internacional para a Nova Evangelização, procura essa síntese: anunciar a verdade perene, o Evangelho de Jesus Cristo, não de forma abstracta, mas como mensagem dirigida a homens concretos, num tempo concreto. Isso exige dos evangelizadores uma dupla experiência: de contacto profundo com Jesus Cristo vivo e com a Sua Palavra e de empenhamento generoso na vida dos homens. É uma dupla paixão, que é afinal a mesma, porque a paixão de Jesus Cristo é o homem. Quanto mais o conhecemos e amamos, mais nos sentimos enviados por Ele para o amor dos homens."

Carta pastoral - D. José Policarpo

2005-09-08

Citações...

"...-Não deixam os pobres viver... Não deixam nem o deus dos pobres em paz. Pobre não pode dançar, não pode cantar pra seu deus, não pode pedir uma graça a seu deus - sua voz era amarga, uma voz que não parecia da mãe-de-santo Don'Aninha. - Não se contentam de matar os pobres à fome...Agora tiram os santos dos pobres... - e alçava os punhos.
Pedro Bala sentiu uma onda dentro de si. Os pobres não tinham nada. O padre José Pedro dizia que os pobres um dia iriam para o reino dos céus, onde Deus seria igual para todos. Mas a razão jovem de Pedro Bala não achava justiça naquilo. No reino do céu seriam todos iguais. Mas já tinham sido desiguais na terra, a balança pendia sempre para um lado."

Jorge Amado - Capitães da Areia

2005-09-07

A política como forma de amor

"...A experiência de participação popular na política - por meio de movimentos sociais, sindicatos, pastorais sociais, e partidos políticos - é uma conquista e um patrimônio histórico do povo brasileiro; não pode ser perdida pela ação nefasta de políticos que buscam o poder e vantagens pessoais a qualquer custo.

Queremos, nesse sentido, estimular os cristãos que, em nome da sua fé, se engajaram no mundo da política, dizendo-lhes que vale a pena se doar por uma causa que nos ultrapassa: a política pode ser uma forma de exercício de um amor maior.

O povo brasileiro já deu, ao longo de sua história, muitas provas de energia e capacidade de superar crises. A atual crise política poderá se tornar uma ocasião de amadurecimento das instituições democráticas do País, de comprometimento maior com a verdade que nos liberta e de luta por um Brasil justo, solidário e livre, onde "justiça e paz se abraçarão".

Confiamos nas suas convicções éticas e cristãs, capazes de sempre se reanimar e se levantar com mais coragem e esperança. Está em nossas mãos a mudança do Brasil... "

Comunicado da CNBB

Terra da alegria

O Timshel, traz-nos algumas palavras sobre o irmão Roger e de Bento XVI na JMJ.
O CC, alerta-nos para a tentação de manipular Deus.

Felizes os pobres...

"As bem-aventuranças questionam as escala de valores predominante na sociedade judaica, estratificadora e discriminatória. A proposta de Jesus "subverte" a ordem estabelecida no mundo e propõe uma nova ordem de coisas baseada na igualdade fraterna. Os pobres, os que têm fome, os que choram, os perseguidos são os prediletos de Deus. Eles são os beneficiários da práxis e da pregação de Jesus. Não são os ricos, os satisfeitos, os que riem, os famosos e privilegiados os que herdarão os bens do Reino. Eles fizeram da riqueza, do poder e do prestígio uma idolatria. Além do mais, construíram seu pedestal sobre a injustiça e o choro dos pobres. "

As bem-aventuranças, frequentemente, são mal entendidas. Os pobres vêem-nas como fraca consolação, porque lhes parece que Jesus apenas lhes promete a felicidade para além-túmulo, como "prémio de consolação", por uma vida cheia de dificuldades. Para os ricos é um bom motivo para ficarem quietos; "que chorem", que "sejam pobres", que "se cuidem", que se "façam à vida", outro tanto eles fazem. Um dia, o Senhor os recompensará.

Não é Deus, que quer, que o mundo se divida numa minoria rica, e numa imensa maioria pobre. Os pobres, os que choram, têm obrigação de se empenharem com todos os meios ao seu alcance para se libertarem do que os oprime. O que o Senhor lhes diz é que a sua condição não os pode impedir de procurar os valores do Reino, que é o próprio Deus.
Aos ricos, Deus dá uma forte admoestação, sobretudo, porque muitas vezes a sua riqueza é conseguida oprimindo os outros, explorando, escravizando, com leis injustas, com fugas aos impostos e responsabilidades sociais.

No discurso da Igreja ao longo destes dois mil anos, também este "sermão da montanha", foi mal entendido. Remetendo-se tantas vezes, para a condição espiritual do homem, esquecendo que Deus quer libertar o homem todo. Será difícil uma libertação espiritual, numa vida onde as necessidades básicas não são garantidas. Isso é tarefa nossa. A admoestação permanece: "Ai de vós os ricos..."

2005-09-06

Mural

Recolhe do ninho os ovos
a mulher
nem jovem nem velha,
em estado de perfeito uso.
Não vem do sol indeciso
a claridade expandindo-se,
é dela que nasce a luz
de natureza velada,
é seu próprio gosto
em ter uma família,
amar a aprazível rotina.
Ela não sabe que sabe,
a rotina perfeita é Deus:
As galinhas porão seus ovos,
ela porá sua saia,
a árvore a seu tempo
dará suas flores rosadas.
A mulher não sabe que reza:
que nada mude, Senhor.

Adélia Prado

2005-09-05

alegre notícia

O Vitor Mácula, criou um blog: Ser cristão

Edição de hoje...

A Terra e os seus frutos

Citações...

"Numa época e num país no qual todos se pelam por proclamar opiniões ou juízos, o senhor Palomar ganhou o hábito de morder a língua três vezes antes de fazer qualquer afirmação. Se, à terceira dentada na língua, ainda está convencido daquilo que estava para dizer, di-lo; se não, fica calado. Com efeito, passa semanas e meses inteiros em silêncio.
Boas ocasiões para ficar calado nunca faltam, mas também acontece que o senhor Palomar lamente não ter dito alguma coisa que teria podido dizer no momento oportuno. Apercebe-se que os factos confirmaram aquilo que ele pensava e que, se então tivesse expresso o seu pensamento, talvez tivesse tido uma influência positiva qualquer, ainda que mínima, sobre o que aconteceu. Nestes casos o seu espírito divide-se entre a satisfação de ter visto com acerto e um sentimento de culpa pela sua excessiva reserva. Sentimentos ambos tão fortes que é tentado a traduzi-los por palavras; mas após ter mordido a língua três vezes, aliás, seis, convence-se de que não tem motivo nenhum de orgulho ou de remorso."

Italo Calvino - Palomar

2005-09-03

É por amor?

Lc 6, 1-5
"A primazia da lei e a supervalorização dos costumes e tradições são as piores formas de escravidão e opressão que podem existir sobre a terra. Normas e instituições que em outro tempo serviram para garantir a liberdade e o descanso do povo agora se convertem em pesadas cargas que esmagam os seres humanos. Damos mais importância ao cumprimento exato da lei e à conservação dos costumes que à pessoa humana. Frente a esta realidade Jesus se rebela. A ordem estabelecida pelo legalismo judeu havia transformado a lei num instrumento de submissão e exploração do Povo. Essa mesma lei, que em outro tempo foi garantia da aliança entre Deus e o Povo, se transformou agora numa estrutura pesada e desumana. A misericórdia e a solidariedade são ofuscadas pelo excesso da lei. A Torá havia se transformado numa verdadeira idolatria na medida em que punha em segundo plano o próprio Deus. Jesus não apenas questiona a primazia da lei, mas ele mesmo se coloca acima da Lei. A lei, o sábado (dia de descanso) está em função dos seres humanos e não ao contrário. Para Jesus, as pessoas estão acima de toda lei e tradição por mais religiosa que ela seja. Um grande desafio para a Igreja de hoje é enfatizar a dimensão gratuita, misericordiosa e libertadora, acima de qualquer norma que não permita o crescimento integral das pessoas. Do contrário estaríamos à contra-mão da mensagem de Jesus. Quais são os valores mais importantes em nossas relações interpessoais e na vida de nossa comunidade cristã? "

Como é que os cristãos vivem hoje o domingo? Como um tempo de liberdade e gratuidade? Ou ainda estão reféns do preceito a cumprir?
O domingo deve ser tempo de encontro. Encontro do homem consigo mesmo, encontro com os outros e encontro com Deus.

2005-09-02

New Orleans...

"Senhor, porque Te conservas à distância
e Te escondes nos tempos de angústia?" (Sl 10,1)

O meu coração desfalece de dor.
Não tenho mais que a confiança em Ti.
Sei que não permaneces impassível
perante o meu infortúnio.
Ao contrário de deuses prefabricados
que miram de longe o meu descalabro.

No Te he negado

Por causa de Tú causa me destrozo
como un navio, viejo de aventura,
pero arbolando ya el joven gozo
de quien corona fiel la singladura.

Fiel, fiel..., es un decir. El tiempo dura
y el puerto todavía es un esbozo
entre las brumas de esta Edad oscura
que anega el mar en sangre y en sollozo.

Siempre esperé Tú paz. No Te he negado,
aunque negué el amor de muchos modos
y zozobré teniéndote a mi lado.

No pagaré mis deudas; no me cobres.
Si no he sabido hallarte siempre en todos,
nunca dejé de amarte en los más pobres.

D. Pedro Casaldáliga

2005-09-01

Jesus nunca usou a palavra obediência

" A ordem estabelecida é relativizada e o homem libertado de seus tentáculos que o mantinham preso. Sujeição à ordem se chama comumente obediência. A pregação e as exigências de Cristo não pressupõem uma ordem estabelecida (establishement). Antes pelo contrário, por causa da sua fantasia criadora e espontaneidade, a põe em causa. A palavra obediência (e derivados) que ocorre 87 vezes no NT, enquanto podemos julgar, nunca foi usada por Cristo. Com isso não quer dizer que Cristo não tenha feito duras exigências. Obediência para Ele não é cumprimento de ordens, mas decisão firme para aquilo que Deus exige dentro de cada situação concreta. Nem sempre a vontade de Deus se manifesta na lei. Normalmente ela se revela na situação concreta onde a consciência é surpreendida por uma pro-posta que exige uma res-posta com res-ponsa-bilidade. A grande dificuldade encontrada por Jesus em suas disputas com os teólogos e os mestres do seu tempo consistiu exatamente nisso: o que Deus quer de nós não pode ser resolvido com um simples recurso às Escrituras. Devemos consultar os sinais dos tempos e o imprevisto da situação (cf. Lc 12, 54-57) Isso é um apelo claro à espontaneidade, à liberdade e ao uso da nossa fantasia criadora. Obediência é ter os olhos bem abertos para a situação. Consiste em decidir-se e arriscar-se na aventura de responder a Deus que fala hoje e agora. O Sermão da Montanha, que não quer ser lei, é um convite dirigido a todos para terem a consciência extremamante clara e uma capacidade ilimitada de compreender, simpatizar, sintonizar e amar os homens em todas as suas limitações e realizações."

Leonardo Boff - Jesus Cristo Libertador (pág. 105,106)

Beslan - 1 de Setembro de 2004

Mais uma vez correu sangue inocente. A maioria, crianças. As crianças, foram e continuam a ser, ao longo da História da Humanidade, a maior quantidade de vítimas da violência. Porquê?
Mudou alguma coisa na Russia e na Chechênia, para que tão hediondo acto não volte a acontecer?