A Dona F., tem 84 anos. Ouvi-a, e ia imaginando Maria a medir litro a litro a água necessária a este “cantinho”. Deixei-a feliz. Satisfeita com a sua oração, e pensei ; o que conta não é só o que fazemos, mas a intenção com que o fazemos. E a dela, um pouco enviesada, mas era boa.
Uma das grosseiras e também das mais subtis caricaturas de Deus é a do mágico supremo, o Deus considerado como útil para satisfazer as nossas necessidades, o todo-poderoso a quem apelamos quando nos vemos constrangidos a reconhecer-nos impotentes. A oração converte-se, então, numa oração útil dirigida a um Deus considerado como útil, como objecto de consumo espiritual, como o provedor das nossas necessidades.
Se queremos ser autenticamente cristãos, temos de chegar a acreditar que Deus é absolutamente inútil. E é a partir de um Deus do qual não se tem necessidade que poderemos aceder a uma adoração totalmente gratuita. O amor é gratuito ou não existe.
François Varillon in Alegria de Crer e de Viver
Devemos buscar a face de Deus e não as suas mãos...
ResponderEliminarIsso que escreve é muito lindo. E completamente inútil. Acredito em si.
ResponderEliminarA fé não é inútil, Cristo disse que a fé move montanhas. Ele tinha razão. A face e as mãos. Temos que procurar Deus completo dentro de nós. E colocar tudo nele, é querer faze-lo sentir útil, Deus quer que lhe faça-mos sentir útil. É Deus, e assim mesmo, quer participar nas nossas vidas como nosso amigo, eu, particularmente, gosto de ter Deus como amigo, ele me entende exatamente como sou, me aceita. O único que pede e não dá é o homem e quando dá pede alguma coisa em troca. Deus oferece sempre o amor incondicionalmente, sem nada em troca. O homem não conhece Deus, mas Deus conhece o coração do homem.
ResponderEliminarSe o homem tivesse apenas uma pequenina,não, ainda mais, muito pequenina, minúscula idea de como é o amor de Deus..não acreditaria! e o acharia inútil, sabe porquê? por quê para o homem esse amor tão enorme é fora do normal, é irreal, do que ele conhece como amor. O amor do homem é mezquino, pequenino, insignificante, interessado. O amor de Deus é todo o amor sentido até hoje por todos os homens, mulheres e crianças do mundo na sua historia..e ainda, é infinitamente maior. Será que algum homem, mulher ou mesmo criança é capaz de acreditar num amor assim?. Não conseguiria !.
ResponderEliminarCara MC.
ResponderEliminarMas isto "aqui" é sempre a abrir, diariamente a interpelar... Seja como fôr, a paz de Cristo não deve deixar ninguém em paz...
Não tendo mesmo e talvez um pouco paradoxalmente a ver com os modos de fé e oração da Dona F. (que estritamente só a Deus pertencem e compete) sinto-me interpelado a fazer notar que Nossa Senhora não é uma deusa, seja da chuva seja de outra coisa, e que não pode "directamente" enviar chuva ou o que fôr. Pode talvez e como se sabe, rogar por nós...
Quanto à oração puramente cristã que indicas, tens toda a "razão" mas... como é difícil. Penso que Deus permite que nos dirijamos a Ele pedindo coisas como a uma mãe ou pai terrestres... "desde" que no fim aceitemos o "fiat". É também uma das formas de gratuidade do amor.
Essa da gratuidade e da necessidade, vai-me dar para anos de interpelação.
Obrigado, e um abraço.
Olá,
ResponderEliminarNäo conhecia o seu blogue. Vi e gostei. Parabéns! Aproveitei para o linkar...
O que é "fiat" ?
ResponderEliminarCaro Chute.
ResponderEliminar"Fiat" é a expressão latina para "faça-se", ou qualquer coisa do género. Remete para a aceitação "incondicional" da vontade de Deus, tal como se deu na Anunciação e no Jardim das Oliveiras.
Mesmo que eu gostasse que fosse assim, assado ou cozido... que seja feito segundo a Tua vontade.
Paul Ricoeur fazia notar que pedir algo a Deus é assaz peculiar, visto que Ele na verdade é o bem supremo e Sua vontade é a Ele nos (re)conduzir - e o resto virá por acréscimo ou decorrência, e sempre bem, mesmo que doloroso.
Um abraço.
ahh, esta bem ! você sim que sabe coisas !. Eu cá não entendo nada disso.
ResponderEliminarCaro Chute.
ResponderEliminarCaraças, um acrescento: o "fiat" remete também, embora aqui não fosse directamente o caso, para a criação. Faça-se a luz etc etc
Outro abraço.
Caro Chute.
ResponderEliminarCaraças, outro acrescento, porque o anterior foi sem eu ler o seu último comentário.
Que é "isso" de que você não entende nada? Porque pelos seus comentários, não consigo ver nem o isso nem o nada...
Mais um abraço.
Caro Chute.
ResponderEliminarCaraças, caraças, deve ser da gripe, enfim mais um acrescento que ao reler o meu anterior comentário pareceu-me que talvez não esteja claro que o que quero dizer é que você algo entende e vive disso que aqui comentamos e que portanto...
Quarto abraço!
O que é que teêm os meus comentarios?.
ResponderEliminarVocê tem gripe?.
ResponderEliminarCaro Chute.
ResponderEliminarExpressam que "algo" você sabe e vive da relação com Deus, com o cristianismo... e por aí fora.
E daí: O que quer dizer com não entender nada disso?...
Quinto abraço!
lol ! estou a brincar....
ResponderEliminarrelax...
ResponderEliminarCaro Chute.
ResponderEliminarE que gripe!... Mas a febre já me passou...
Sexto abraço!
Caro Chute.
ResponderEliminarAh, ah! O que é "lol", que já tenho visto por aí, e que me parece qualquer coisa como "'tá-se bem" mas que não sei ao certo...
Sexto abraço!
Pronto, as melhoras caro amigo
ResponderEliminarlol? "risas" "Lot of laugh" acho...
ResponderEliminarCaro Chute.
ResponderEliminarAh, ok.
E agora me vou relaxar e ver se melhoro.
Obrigado, e um afinal oitavo e por agora último abraço!
Dão licença?
ResponderEliminarVitor estás doente? Eu também já tive que marchar com uma dose porque a minha sinusite está no ponto. Até vejo estrelas.
Quanto ao assunto do post, é lixado é. Também ando há muito tempo às voltas com ele e com Ele.
Isto é para ir "digerindo".
Não te amofines Chute, ninguém tem o todo da Revelação, neste mundo. Carecemos uns dos outros e ainda bem, digo eu.
Continuem os abracinhos trasantlânticos.
Vitor, pois...Maria, Nossa Senhora de Fátima, milagres, sacrifícios, pedinchar, comprar, ...
É sim... o "fiat" é que conta.
Digo eu; "cumpra-se em mim, segundo a Tua Palavra".
A Encarnação, acontece, hoje, agora, sempre, em mim, em ti, em nós...
Até logo!
Abraços, abraços, abraços...
Paula, baralho-me um pouco nessa "anatomia", mas...procurar, procurar, procurar, sempre, sim!
ResponderEliminarManuel, obrigada pela visita. Linke à vontade. E qual é o seu blog?
ResponderEliminarEu também não entendí bem isso da face, já fui lá perguntar a ela..e que sou muito curioso.
ResponderEliminarChute,
ResponderEliminaracho que o que a Paula quer dizer; é que devemos procurar Deus por aquilo que Ele é: Amor. E não pelo que queremos obter Dele.
Daí a simbologia das mãos. Geralmente, é com as mãos que damos ??!!!
O sentido do post é esse.
Não sei qual é a tua imagem de Deus, mas normalmente temos a ideia de um Deus ao nosso serviço, de quem ignoramos na maior parte das decisões da nossa vida, mas que queremos sempre ao nosso dispor. E está, mas Deus fez-nos livres, não nos fez marionetas, nem bonequinhos tele-comandados.
Um padre meu amigo, costuma dizer, que nós acreditamos num deus para-quedas. Sabemos que o trazemos sempre connosco, mas só o quermos "abrir" em último caso. No fundo, desejamos irmo-nos desnrascando com a nossa vidinha e Ele que não chateie muito...
Deus, não nos pede nada para Ele. É Amor totalmente gratuito. Pede-nos é que cuidemos uns dos outros.
Desculpa, se não perceberes o meu "dialecto", pergunta.
Abraço para ti
Lindissimo e inteiramente verdade!
ResponderEliminarcara mc, acredito mais em você porquê é mais genuina. Pensa e sente com a cabeça, isso é lindo e pouco usual. Inteligente e sensitiva. Muito bem. Também, achei lindíssimo o último comentario seu. Muito mais humano, verdadeiro e natural que qualquer coisa que uma religião pregone. Um abraço.
ResponderEliminarQuero dizer, há um grande equilibrio em você, não perca nunca!
ResponderEliminarClaro que o "Deus é absolutamente inútil" é uma espécie de provocação, que funciona bem no contexto em que está.
ResponderEliminarConcordo com o post. A ideia dos deuses (a senhora em causa não se dirigia a Deus) como bombeiros para as nossas aflições está profundamente errada.
Mas a ideia de um deus "inútil", pode querer significar também um deus tão distante que não quer saber do nosso dia-a-dia. E assim podemos cair no erro precisamente oposto. Não é por acaso que a ideia agrada ao Lutz, que não é crente. Um deus quase abstrato, filósófico, não tem nada a ver com o Deus cristão, um Deus pessoal, um Pai. Os pais preocupam-se com o dia-a-dia dos filhos, não é? Deus também se preocupa com os seus filhos. Claro que Ele é Deus e nós somos suas criaturas. Não estamos no mesmo nível. Mas a relação que pode existir entre nós é algo bem diferente do deísmo (um deus que dá corda ao Universo e se vai embora) que o post pode sugerir.
Pedro
Chute
ResponderEliminarjá tive de ler 3 vezes os teus elogios, tantos eles são. Tens a certeza que não te enganaste no blog? :)
Pronto, se tu o dizes, aceito. Gosto de pessoas que falam verdade :)
A minha fé é a fé da Igreja. Se calhar, tens razão, ponho a minha sensibilidade de mulher nas coisas que aqui escrevo.
Mas o texto que aqui trancrevi foi escrito por um homem.
O livro chama-se "Alegria de Crer e de Viver" e é do padre François Varillon. É meu livro de cabeceira.
Como vês, há muitas maneiras de "dizer" Deus. Nas várias religiões e dentro delas próprias.
A fé é um enorme previlégio, que para mim, está na ordem do mistério.
No meu caso pessoal, vivo em constante procura, não sei qual é o caminho, vou-o fazendo passo a passo. Tenho a sensação, isso sim, que não sou eu que possuo a fé, é ela que me possui a mim. Não consigo desligar a fé que tenho, de uma profunda humildade.
Acrescento que tenho o maior respeito pelos que não crêem. Crei-os todos no "coração" de Deus, por isso, não me inquieta a aparente falta de fé deles.
Nós, que por aqui vamos falando de Deus, estamos tão distantes, de certeza, daquilo que Ele é.
Abraços
Pedro
ResponderEliminarobrigada pela visita e comentário. Creio que o texto é bem claro.
E a minha intenção em colocá-lo aqui, também.
Quanto ao Lutz não sei quais são as intenções por que ele gostou do texto. O comentário dele é muito breve. Depois, ser crente, não ser crente, é um caminho sempre em começo.
Abraço
Excelente esta entrada.
ResponderEliminarCara mc,
ResponderEliminarParabéns pelo seu blog que, tal como diz o Vitor Mácula, nos interpela diariamente.
Só um reparo: sempre que posta um texto que não é da sua autoria, não deveria referir o nome do autor e a obra em que ele se insere?
Achei o texto muito interessante e ia dar-lhe os parabéns por ele, mas quando li os comentários percebi que é da autoria do Padre François Varillon.
De qualquer forma, obrigado por no-lo dar a conhecer.
Miguel Góis
Amélia,
ResponderEliminarObrigada.
Miguel
ResponderEliminarVai "obrigar-me" a confessar aqui outro defeito meu: Sou preguiçosa.
Nas citações utilizo o itálico, acho que isso assinala que não são de minha autoria os textos. Por vezes, ponho o autor, outras não. Juro-lhe, é por preguiça.
Assim como escrevo mal, mal, mal, mal. Dou erros que é uma vergonha. Neste blog, não se aprende português. É um facto.
Este autor, já o citei algumas vezes. É uma referência para mim. Umas vezes, se reparar, coloquei o nome, outras como o caso deste post, não.
Prometo que das próximas vezes que citar, e serão muitas, porei o nome para que não restem dúvidas. O seu a seu dono.
Obrigada, pelo reparo.
A M.C. nunca pediu nada a Deus?
ResponderEliminarJesus diz:
"Pedi e dar-se-vos-á. Procurai e achareis. Batei e abrir-se-vos-á.
Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, encontra. A quem bate, abrir-se-á.
Quem dentre vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir pão?
E, se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente?
Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que Lhe pedirem". (Mateus,7, 7-11)
O que se poderá pôr em dúvida é o pedido ser feito à Mãe de Jesus.
Mas esta é uma tradição bem antiga no cristianismo, que não ouso pôr de lado.
Ver para crer
ResponderEliminarrespondendo à sua 1ª pergunta, vou confessar (isto é só confissões, meto-me nas alhadas, depois tenho de sair delas. Benfeita!)Por natureza não sou nada pedinchona, sou orgulhosa ao quadrado, ao cubo, sei lá. É o meu maior pecado! Porque assim sendo, sei que o meu orgulho é um poderoso, imenso impedimento ao acolhimento a Deus.
Há uma coisa, que eu peço, sim. Ter força suficiente, para aguentar as várias vicissitudes que me vão surgindo, como a toda a gente.
Por exemplo, quando participo na eucaristia, tenho por hábito, ir pensando na minha família, amigos, conhecidos, amigos da net :), desconhecidos, os que estão perto, longe, procuro no meu coração tê-los ali "presentes" e participarem do mistério em que participo.
Têm havido momentos (graves) na minha vida, em que faço mais ou menos esta oração:"Não sei como ultrapassar isto, confio-me na Tua misericórdia infinita". Este acto de fé costuma dar-me alento, até que a "tempestade" passe. De referir, muito importante o papel que as pessoas têm na minha vida (família, amigos) que para mim são enviados de Deus. A sua ajuda é preciosa.
Depois, sei muito bem que não é fácil a aceitação a um católico romano, com tudo o que a doutrina nos tem ensinado sobre Deus, aceitar esta "imagem" de Deus que o padre François Varillon nos partilha. Eu ando a "digerir" isto há muito tempo. Mas para mim faz cada vez mais sentido.
Que imagem é que Jesus, nos mostra de Deus, quando na última ceia, se ajoelha e lava os pés aos díscipulos, não é um truque, não foi só para nos dizer que é assim que nos devemos relacionar uns com os outros. Foi para nos mostrar o que Deus é; Amor. Um Amor que vive para o outro.
Ou a parábola do filho pródigo onde vemos um filho que é dependente do amor e dos bens do pai, mas também vemos um pai, totalmente dependente do amor e regresso do filho.
S. João o evangelista mais com uma maior reflexão teológica nos seu evangelho e cartas, não nos apresenta Deus como Amor?
A Bíblia tem que ser lida como um todo, não devemos retirar partes para ilustrar situações de qyualquer maneira. Depois também temos a Tradição e toda a reflexão teológica neste 2000, que são indispensáveis para a podermos ler.
Depois, só para terminar, quando diz que a tradição respeitante a Maria por ser muito antiga não se pode pôr de parte, absolutamente em desacordo. Há muito de errado no culto mariano e não é por ser antigo que se vai deixar. Então andaríamos todos vestidos com peles de carneiros e com o bolso cheio de pedras a ver se caçamos qualquer coisa que se coma, não?
Se vemos que esta´algo de errado no culto mariano, porquê continuarmos. É claro que eu quando falo, com velhinhas de oitenta anos, como a que refiro acima, não lhes falo desta maneira. Se estou a falar ou a dar catequese a um grupo de jovens, ponho as coisas de outra maneira.
Se eu sei que uma coisa é erro não vou continuar a repeti-lo, só por que assim se diz há não sei quantos anos.