2005-12-15

estado de alma

Mau, mau, mau.
Queria escrever sobre a tolerância, porque me senti espicaçada por um post do Tiago (Voz do deserto). Depois, o Rui Almeida ainda reincidiu, na Terra da Alegria. A Helena provoca-nos para dizermos o que faz de nós um justo. A par disto tudo, vai-se sabendo pormenores de uma menina que foi violentada pelos próprios pais desde o seu nascimento, e ninguém fez nada.
Só me ocorre: meu Deus é preciso que nos ames de tal modo, que permites que façamos tanta merda.

Peço desculpa pela falta de links, pelo palavrão não.

12 comentários:

  1. Fico sem perceber se concordas ou discordas do q digo na TdA sobre a "tolerância", mas talvez diminua uma eventual falha de sintonia de sentido se te chamar a atenção para uma expressão q uso no texto: "o sentido frouxo que se dá à tolerância por estes dias".

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  2. Rui
    por saber que deixamos corromper pelo uso (acto) algumas palavras vou sempre à sua raiz. Assim sendo, no dicionário "PRIBERAM" diz:
    Tolerância (lat.):
    -qualidade de tolerante
    -acto ou efeito de tolerar
    -atitude de admitir a outrém uma maneira de pensar e agir diferente da adoptada por si mesmo
    -acto de não exigir ou interditar, mesmo podendo fazê-lo
    -paciência
    -condescendência
    -indulgência

    a par disto, ontem, também me pus a (re)ler o "Tratado sobre a Tolerância de Voltaire". transcreverei para o blog, alguma coisa.

    Mas, Rui, o que eu te queria perguntar já que tiveste a amabilidade de me visitar e comentar é: o que é que opões à tolerância? Porque eu acho que tu e o Tiago, mesmo sabendo o que é, não a têm como fundamento (isto no campo religioso) que é o sentido dos vossos posts.
    Eu, acho fundamental a tolerância, para nos relacionarmos uns com os outros, mesmo até, e principalmente, a nível da fé, ou ausência dela.

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  3. Parti do q disse o Tiago para expôr algo q sinto. Acho q aquilo a q chamo "o sentido frouxo que se dá à tolerância por estes dias" corresponde ao "fanatismo da tolerância" q o Tiago refere e q é uma distorção do sentido original de Tolerância q tu aqui explicas.
    Sei q o meu texto ficou aquém daquilo tudo q penso sobre o assunto, mas acho q está explícito q o q oponho à tal distorção da tolerância é o Amor (q, obviamente, identifico com a tolerância de q tu falas e de q fala S. Paulo no "Hino da Caridade" (1Cor 13))

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  4. mc,
    deus não tem culpa dessas coisas:)

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  5. Rui
    percebo melhor as tuas razões. Embora nós estamos a discutir apenas no campo teórico. Gostava que pegássemos em casos concretos. De qualquer mod, aqui vai:
    A tolerância não poderá ser nunca indiferença. Para mim não é indiferente que o(s) outro(s)creia(m) ou não. Só que não o posso ofender, obrigar, violentar, desprezar, porque não crê, ou crê algo diferente.
    Diz, José M. Justo, tradutor, na introdução ao "Tratado sobre a Tolerância":
    "Assim, o "fanatismo" é uma "doença do espírito" que é preciso entregar "ao regime da razão, a qual, lenta, mas infalivelmente, ilumina os homens. Essa razão é branda, é humana, inspira indulgência, afoga a discórdia, fortalece a virtude, torna digno de amor a obediência às leis e mantém-nas melhor ainda do que a força"
    Há uma tensão imensamente produtiva entre a "infalibilidade" desta "razão" e a sua "fraqueza": só uma razão que se reconhece limitada pode constituir guia seguro, só enquanto razão particular a razão pode aspirar à universalidade da "lei natural", só enquanto razão branda ela pode obrigar. Não se trata aqui, por certo, do vulgarmente apontado "endeusamento da razão" por parte dos iluministas.
    ...A tolerância constitui em Voltaire, um valor positivo, um "apanágio da humanidade"
    que é preciso compreender, não segundo uma lógica da passividade estrita, mas segundo uma lógica da articulação entre a passividade e actividade no sujeito da tolerância.
    ...Os factores humanos conflituantes, diferentes convicções ou opiniões, por exemplo, não são indiferentes ou igualmente "relativos", são perspectivas diferentes de sujeitos diferentes, o que implica vontades diferentes. Sempre que uma dessas vontades se sobreposer à outra, no sentido de a aniquilar factual ou tendencialmente, é a própria "lei natural" que é violada,porque é a necessidade interna do conflito, na sua dualidade, que é destruída. A intolerância é um desses processos de destruição do conflito.
    ...Deste ponto de vista, tolerar já não corresponde ao mero "sofrer" contido num dos aspectos semânticos do étimo latino. Tolerar é sem dúvida "sofrer", no sentido em que o sujeito de uma tolerância que, precisamente, não seja entendida como meramente provisória, sofre a afecção da negação, pelo outro e no outro, das suas convicções, uma verdadeira negação que não pode ser aniquilada. Mas dessa afecção resulta um outro sentido, igualmente presente no étimo latino, "persistir", "combater"; ou seja, viver o conflito activamente, vivê-lo enquanto sujeito de convicções que não se confundem com as convicções do outro. E aceitar o conflito, como modo de existência das convicções próprias, na certeza de que aniquilar o conflito corresponderia à aniquilação da minha "paixão" e, portanto, da acção da minha vontade."

    Rui, desculpa a longa transcrição. Fiz como exercício de relexão, para mim própria.

    Agora, interpelo-te directamente: lês o "pensamento/discurso" de César das Neves. À luz do que aqui ficou transcrito, não o achas intolerante? Eu acho.

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  6. Sobre César das Neves podem consultar isto:
    http://jn.sapo.pt/2005/02/05/sociedade/cesar_neves_julgado_difamacao.html

    Talvez esclareça sobre a intolerância do dito senhor.

    Contudo... cofio na justiça e desta vez fez-se!

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  7. SIm, o amor de Deus é incondicional... sem limites... e nós pecadores. Diz a Bíblia que não há um justo, nem um sequer.
    Foi por isso que Deus enviou o Seu filho, para morrer em nosso lugar, dando acesso directo ao Pai, a todos os que nele crêem e o aceitam na sua vida como único mediador e salvador.

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  8. Ainda ontem postei sobre a pena de morte da qual sou contra! MAs reconheço que um Pai que faz essas atrocidades a sua bébé não merece apenas 10 anos de cadeia, talvez os trabalhos esforçados fossem mais adequados... Que Deus ajude essas crianças que sofrem!

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  9. MC,
    já não acho o César das Neves assim tão intolerante: quando fui ver o Harry Potter, ele também lá estava:)

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  10. Ah! Ah! Ah!
    Não me digas!

    E tu também foste? Obrigado, não?

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  11. MC,
    Eu fui à FNAC comprar o livro à meia noite. Para MIM.
    Nenhum de nós tinha a desculpa das criancinhas.
    NO EXCUSES!

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