2005-12-16

"No cristianismo, Deus é aquilo que Cristo diz, mostra e faz"

"Mais do que contemplar Jesus exterior a mim, diante de mim, devo entrar n'Ele para com Ele me voltar para o Pai e para os homens.
A presença e a atenção de Jesus para com o homem falto de harmonia, são uma participação. Conhecer, na raiz latina, significa conhecer-com (cum+gnosco), participar. Ele não olha para mim; toca-me; ajusta-Se a mim. É dentro de Si próprio que Ele compreende quão dolorosamente alguma coisa me faz sofrer. "

François Varillon in O sofrimento de Deus

Mesmo no amor humano, experimentamos como isto é verdade; as alegrias, as tristezas, os sofrimentos, os sucessos, os fracassos daqueles que amamos, tornam-se nossos. Não o vivemos de modo absoluto, total como Deus o faz, mas pelo "reflexo", compreendemos a "Fonte".
É por isso que, no cristianismo, o importante não são os ritos, a reverência aos símbolos (imagens) de Cristo agonizante e morto, mas a comunhão (comum+união) diária, no concreto da nossa vida - nas relações que estabelecemos, na prática da caridade, na tolerância, no diálogo, na esperança - com que (con)vivemos uns com os outros. É no desenrolar da vida, que Cristo está presente na sua Paixão e Ressurreição.

Nunca nos poderemos pôr "de lado", "de fora", de alguma realidade humana. Estamos com a vítima e com o agressor, sempre. S. Paulo, exemplifica isso quando nos fala do "corpo" e dos seus "membros". O que um faz, afecta os restantes. O que um sofre, é igualmente sentido pelos restantes. Neste sentido, nunca me constituirei juiz do meu irmão. Mesmo que, isto que falo, não seja a expressão da minha realidade diária, é a isto que me devo converter. Ou não poderei considerar-me cristã.

11 comentários:

  1. "Nunca me constituirei juíz do meu irmão". Qual irmão?
    É tão célere a defender os não-cristãos, como igualmente se apronta a criticar os que são cristãos, desde que não concorde com as ideias deles.
    Aqui está o protótipo da verdadeira cristã, a única, a sublime, com a qual ninguém se iguala em bondade e compreensão.
    Não deve ter pecados, já que para ela, tudo o que é subversivo vale tanto como o que não´o é. Está tudo ao mesmo nível de valoração moral, num mundo caótico e anárquico.
    Quero ver se tem tanta coragem de não apagar o meu comentário, tal como faz tanto gosto em ser bajulada.
    Bom Fim de Semana!

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  2. Caro(a) anónimo(a)
    Não, não apagarei o seu comentário. Não preciso de nenhuma coragem suplementar para o fazer. Nunca o fiz, nem farei. Apenas apago, os que são de publicidade.
    Não gosto de ser bajulada (acho que nunca fui)nem tinham motivos para isso. Os comentários que aqui deixam, são quase todos (excepto os anónimos) de pessoas com quem interajo nos seus blogues. Acho que ninguém se sente condicionado a deixar-me mensagens amáveis...
    Acha que toda a gente me devia vir aqui "bater"? Olhe, força! Bata à vontade, a ver se me importo. Só que eu dou o meu nome; as iniciais MC, são de Maria da Conceição. O mesmo não posso dizer de si.

    Agora, a questão importante:
    O meu irmão é todo o outro que não eu.
    Quando escrevi o post, estava a pensar, por exemplo, naqueles pais que cometeram os actos monstruosos contra a sua filha. Sim. Eles são meus irmãos.

    Bom fim de semana também e um resto de feliz Advento.

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  3. Lamento que os que falam alto o que sentem e são coerentes no agir, sejam muitas vezes maltratados como é o caso do comentário do anónimo. Eu só conheço a MC das andanças nos blogs mas considero que Jesus e todos os Manifestantes que Deus enviou a esta Terra para nos iluminar, ficarão felizes de ter cabeças e mãos aqui a fazer aquilo que foi ensinado. O que vou dizer a seguir, não é bajulação - a MC é uma delas! fala e escreve a age de acordo com o espírito e não com o que é politicamente correcto.Infelizmente tal como em todos os tempos...ninguém é profeta na sua terra.
    Pensar e agir são dois verbos difíceis de pôr em prática; a maioria pensa que o sindrome do carneirismo é muito mais fácil e aceitável. Aliás foi assim que nos ensinaram - ouvir e não questionar!
    Mas lembrem-se do que escreveu a Sophia de Mello Breyner:
    Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar...

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  4. Qual é a vantagem ou o problema de se dar o nome ou de se manter no anonimato?
    Eu não preciso da Internet para ganhar algum protagonismo. Imponho-me pela minha personalidade, sempre igual a mim, em todas as circunstâncias da vida.
    Já inversamente, a MC deve ter uma vida tão doméstica, tão caseira e sem graça, que precisou da blogosfera para sair do marasmo.
    Sim, realmente o seu estilo, como verdadeiro carneirinho, é o politicamente correcto: falar sempre em consonância com os novos conceitos de vida tão na moda e atacar aqueles que, na sua firmeza de caracter e coerência, têm a coragem de denunciar o que não acham correcto, contra tudo e contra todos.
    Ai de quem tiver a coragem de opinar contra os valores da moda!!
    Ouvir, ver e não questionar as barbaridades que vão por esse mundo fora, mas atacar todos os que não se deixam seduzir por um mundo subvertido, eis o verdadeiro Cristão!

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  5. Puxa que este anónimo além de intolerante é chato mesmo...
    Não vê o que se passa à sua volta? Mora em que planeta?
    Não vê que tudo está em discussão e isso não trai as verdades eternas?
    Caramba, veja lá se se deixa iluminar mais um bocadinho por Deus. Ainda por cima deve ser homem com ideias antiquadas senão não falava dos serviços domésticos como coisas de somenos importância e sendo homem, se for, mesmo assim não percebe que se pode ser isso tudo e fazer tudo isso e ter uma mente aberta à vida e a Deus???
    Espero que Deus o ilumine e olhe que não sou advogado de defesa de ninguém. Só passei por aqui e irritou-me o que e como escreveu os seus comentários.

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  6. A contínua caminhada de abertura do coração. É com um beijo que Ele recebe o que o vai trair, é com o perdão na boca que Ele morre na cruz, Deus meu, é incompreensível...

    Amen!

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  7. Anónimo, ainda andas por aí?
    O médico já te diagnosticou uma crise de intolerância? Espero que não seja crónica!

    A verdadeira coragem não está em sermos defensores de uma moral e dos nossos supostos "verdadeiros valores cristãos".

    Tudo aquilo em que cremos deve ser questionado por nós. É bom e necessário que assim seja.
    Deixo uma citação de Simone Weil, tirada da net:
    "A função própria da inteligência exige uma liberdade total, implicando o direito a tudo negar e nenhuma dominação." Somos livres, caramba!

    Ainda bem que temos opiniões diferentes e ainda bem que há "novos conceitos de vida", isso significa que ainda há esperança na humanidade, que o homem tem a capacidade de se reinventar!

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  8. Vítor, que bom ler-te!
    Um abraço para ti.

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  9. Estamos na época natalícia, sugiro ao anonymous ler o livro de Charles Dickens "O Cântico de Natal" para ver se os 3 espíritos aparecem e o façam ver que a intolerância e incompreensão pelos nossos irmãos somente levam à solidão se não se souber parar.

    p.s - com certeza o anonymous deve ser homem e deve ter uma mulher submissa que faça o trabalho doméstico por ele, pois caso contrário não diria aquilo que disse à MC e saberia dar valor a quem limpa a "merda dos outros".

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  10. Calma gente! Tudo na vida nos serve de lição. A que tiro daqui, é que nunca mais responderei a anónimos. Nem neste blog, nem em qualquer outro. No resto, continuarei igual - cada dia, agradecendo a vida - que é o dom mais precioso.

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