2006-06-26

ainda a oração como expressão de fé

Fiz um post com uma citação de François Varillon, sobre a oração, que despertou os comentários do ON e do Alberto Albertto, incrédulos quanto à lógica da citação. Na minha missão de resgatar os ateus às garras da incredulidade, fui pressurosa tentar explicar, o que vive menos das explicações, do que da experimentação. Fiz a figura rídicula de alguém, que não percebendo nada de arte, se lança a explicar um Monet, um Degas, um Renoir. Ou num papel ainda mais tolo: num grupo de mulheres que nunca sentiram um orgasmo, fazê-las perceber, com a minha explicação, as virtuosidades do mesmo.
Por muito que se diga, que nos digam, sobre Deus, nunca passaremos à fé, se não se der um encontro pessoal e intransmíssivel com O mesmo. O passo decisivo da fé, será sempre o encontro pessoal com O Outro, a quem chamamos Deus. Como tantas vezes, e bem, se diz:"de Deus sabemos mais o que Ele não é do que o que é".

No entanto, alguma coisa já temos como património comum dos crentes, ou melhor, da humanidade, O Deus que nos é revelado por Jesus Cristo.
Apesar disso, muitas são as falsas imagens sobre Deus, que continuamente exprimimos e recebemos. Precisamos de purificar tudo o que em nós, nos dá a imagem de um Deus oposto à nossa felicidade, de um Deus que nunca quer o que nós temos como bem para a nossa vida, de um Deus distante e longe de nós. De um Deus que está à espera da nossa resposta, para nos amar e vir ao nosso encontro.

Não querendo abusar da sorte, tenho que dizer que se algo há a dizer sobre Deus, é que Ele é a expressão máxima da gratuidade. E isso, soa tão estranho aos nossos ouvidos, que a nossa resposta é quase sempre, a incredulidade.

17 comentários:

  1. MC obrigado pelo teu post!

    Lembro-me muito bem do momento em que comecei a desmontar as imagens de Deus e a vê-las cair em cacos no chão. Comecei a encontrá-Lo nos outros, mas sobretudo nas minhas feridas. Quando voava (e já em discernimento para esta nova vida), entrei no avião e pensei, de um momento para o outro tudo pode acabar, então porque não dar tudo o que tenho aos outros, se cada um de nós é uma imagem de Deus? E de que me vale ter tudo, se deixo de ser para os outros?

    Desde há três anos que a minha visão do mundo, dos outros, de Deus e de mim próprio mudou muito. Talvez por me ir conhecendo mais profundamente e por perceber que quanto mais me conheço, mais consigo acolher os outros...

    Beijinhos! :)

    (Uma senhora, no lar de idosos, um dia comentou-me: "Sou velha, mas sou feliz e sabe porquê? Porque vivi a vida como ela é. Sem querer outra! Deus dá-nos só o que é bom, e tira-nos o que não é, mas só se deixarmos." - Deixou-me a pensar...)

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  2. MC: Delicioso o teu texto....Obrigada.

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  3. Estou a fazer um trabalho de conjugar a espiritualidade e a dança. No fundo, aprender a rezar com o Corpo. Ainda hoje, no estúdio, vivi essa experiência de encontro... A oração é mesmo um mundo! :)

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  4. Paulo,
    No yoga, na meditação Zen e no Aikido aprende-se a usar o corpo para meditar.
    o António de Mello escreveu umas coisas interessantes sobre o assunto. falei muitas vezes desse tema no meu blog.

    Não é preciso ser "consagrado" para ter umas experiências mais profundas.
    Gosto de bater nos padres que acham que pairam dois centimetros acima do solo. Tu és um deles:)

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  5. On, mais uma vez obrigado!

    Quando escrevi o comentário, fi-lo sem me aperceber que estava a dar a entender que era pioneiro. (Erro crasso pelos visto, tenho de estar mais atento... :p ) Não sou nada, como é óbvio, pioneiro nestas coisas... Conheço Anthony de Mello, entre outros que propõem meditação com o Corpo. E como dizes bem, não é preciso ser consagrado para ter experiências profundas.
    Tomara que muitos de nós passem por experiências que muitos leigos, e até mesmo não crentes, passaram.

    Já agora, sou um dos que se consideram uns centimetros acima do solo, ou um dos padres (tendo em conta que não o sou) em quem gostas de bater? :)

    Abraço!

    P.S. - E um beijinho à MC. Estamos a usar o espaço dela... :)

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  6. Oh Paulo,
    claro que és tu!
    Não está cá mais ninguém:)
    Ainda não te tinha referido explicitamente ao "consagrado".
    Estava com essa atravessada.

    Um abraço para ti e outro para a Maria da Conceição:)

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  7. Imagens falsas de Deus? Talvez seja mais correcto falar de imagens incompletas, parciais; sendo que umas são mais transparentes que outras, ou possuem mais sabor a verdade...
    JS

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  8. Sou apenas um cidadão anónimo mesclado na urbe...que em busca de conhecimento, leu acidentalmente o teu post … pretensioso e confuso…denotando uma clara falta de humildade. Pressurosamente acolherás a soberba, sem te aperceberes que as garras da incredulidade possam reflectir toda a luxúria envolvente… (pecados capitais).
    Falar de Deus não será assim tão linear…basearmo-nos apenas nos textos canónicos leva-nos inconscientemente a omitir os apócrifos…reflectindo assim, apenas a luz das candeias que teimosamente nos alumiam…
    Considerar-me-ás herege por falar diferente, esotérico por pensar diferente, mas jamais olvides que os evangelhos alumiam mais forte…que a luz das candeias…e não é necessário sermos gnósticos para assim o entendermos…
    Deus será sempre o que nós quisermos…

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  9. Paulo, bluesmile, ON,

    obrigada pelos mimos :)

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  10. JS,

    as tuas correcções são sempre bem-vindas.:)

    De qualquer modo, as nossas imagens serão sempre imcompletas, seria isso que eu queria dizer no texto.

    Obrigada.

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  11. Ó demo...também não percebi muito bem onde queres chegar. Leste e comentaste. Fizeste bem.

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  12. ON,

    quanto às mulheres ao poder.

    Não sei se é com actos desses que se vai conseguir alguma coisa. A varrer a Igreja, também me parece que não. Será um talvez impossível equilíbrio entre as duas coisas. Para haver mudança tem de haver rupturas. O problema é que a maioria dos católicos o é sem saber porquê. Então, num rebanho assim, é difícil qualquer mudança.

    O que é certo é que quem detém o poder são uns poucos, ainda por cima homens.

    Depois, a excomunhão, também acho muita graça. Mas isso são outras contas do rosário.

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  13. A hierarquia é o que se sabe...
    O rebanho também...

    Eu tirava asminhas conclusões:)

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  14. ON,

    não me tentes, que me atentas :)

    estás nalguma cruzada ou quê? :)

    estou muito bem na Igreja Católica.

    nela aprendo a ser livre. se acabar na fogueira, logo se verá.

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