2006-06-24

e esta?

...Deus não é verdadeiramente Deus para nós senão quando O não sentimos. Porque todas as vezes que se sente a Deus, o que nós tomamos por Deus é um sentimento sobre Deus.

François Varillon

De facto, a fé, não pode estar prisioneira do nosso sentir. E a experiência mais forte e mais marcante do crente é o "deserto". Ao nosso grito responde o silêncio. E o único caminho para perceber isto é o do amor.

16 comentários:

  1. e.. de resto, o único caminho para se perceber ..tudo!

    Bom Domingo, MC!

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  2. Como tal São João da Cruz, Meister Eckhart e todos os outros místicos não sabiam do que estavam a falar.

    Quando quiserem saber alguma coisa sobre Deus, contratem um ateu, que nunca o sentiu.

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  3. MC:

    Reconheço que estarei a logicar no contexto racional, mas não me acharia nada confortável, se a um pedido de apoio, me respondesse o silêncio; ou já mereceria crédito de ninguém ou a minha voz já não teria o registo de outros tempos...

    ... mas a um ateu restará sempre o consolo de iluminar os caminhos da fé aos crentes; depois de ler o ON vou elaborar uma tabela de preços por prestação de serviços.

    Beijos e um óptimo domingo

    Alberto Albertto.

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  4. errata:

    "ou já não mereceria crédito... "

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  5. Legível,
    o único consolo que me resta é o da provocação:((
    Já que se deu ao trabalho de opinar sobre mim, que tal opinar sobre o que eu escrevi?
    Não será isso o que importa?

    MC,
    já sabes que eu embirro com o Varillon:)))

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  6. Ei, pessoal:

    é tão grande a responsabilidade de vos responder sem banalizar, nem facilitar, nem empolar, nem, nem, tanta coisa.

    A experiência dos místicos mesmo o S. João da Cruz, Eckhart, etc., é o chamado "deserto". O segredo é saber permanecer nele sem desanimar, nem desertar. Não sou mística nem para lá caminho, mas já experimentei várias vezes, diria mesmo, o desespero do silêncio. Mas também é impossível de descrever; assusta, não é mais de que um flash, nem dá tempo de sentir, quando se entra no nível dos sentimentos, sabemos que já somos nós a querer prolongar o que nos escapa, o que estava muito para lá do nosso alcance, a "resposta" ao nosso desespero. Isto não se sente quando se quer. Mas vale a pena pressentir uma ou duas vezes na vida. Dá para alimentar todo o outro caminhar às escuras.
    Isto faz parte de um caminho. Adquire-se com o hábito de meditar na Palavra de Deus, numa oração expontânea ou programada. Num momento de celebração, etc. Cada um tem o seu ritmo.

    O Alberto fala de Alguém que não está sempre presente para responder à nossa chamada. Alberto, acho que nas tuas experiências amorosas, já descobriste que o outro não é alguém que está sempre ao teu serviço. Tem o seu espaço e tempo próprios, que tu respeitas. Senão não é uma relação de amor é manipulação. Deus se é Amor, quer que a gente cresça, não nos vai permitir ser eternos garotos manipuladores.
    Isso não quer dizer que Ele não esteja sempre Presente em tudo o que é a nossa vida. Mas numa relação adulta e madura para que o amor cresça, é esse o objectivo que Deus tem para "se esconder". Terás certamente a experiência da paternidade. Qual é o teu maior sonho como pai? Que os teus filhos cresçam em autonomia, que cada vez mais façam por eles sem dependerem de ti. O amor liberta sempre.

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  7. E só mais uma coisa:

    concebermos Deus como Alguém perfeitamente captável nos nossos sentidos como captamos o aroma duma flor, o sorriso de alguém que amamos, etc, era reduzir duma forma absurda o que Deus, supostamente, é. Deus tem que nos escapar, senão será uma coisa à nossa medida. Ele será sempre o criador e nós criaturas. A realidade é esta.

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  8. ON,

    e não tens nada que embirrar com o Varillon, que ele tem sido uma preciosa ajuda para eu "perceber" Deus. A experiência dele tem-me sido preciosa. É um jesuíta fantástico. Em relação ao sacramento da Eucaristia, abriu-me portas que eu não tinha sonhado.
    É também um grande amigo dos ateus. Não os manda para a fogueira. :)

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  9. E seus ateus desnaturados:)

    se meditassem e saboreassem as leituras que hoje são propostas para a liturgia da Palavra, percebiam melhor o que eu estive para aqui a dizer. :)

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  10. Abertura:

    Não batam mais no céguinho! Que são dois contra um!!

    ON:

    A seu tempo meu caro, lá irei ler os seus textos. Espero que não tenha ficado melindrado por ter entrado em diálogo directo consigo, de uma forma irónica (que é meu timbre, mas sem ofender... )e, centrando-me naquilo que escreveu no comment aqui deixado.
    Porque gosto de escrever, importa-me tudo o que o leio, embora só possa fazer fé (agora sim, na qualidade de homem sem fé) naquilo que é escrito por quem tenha a noção de quem é terreno. Se é sua a frase "Quando quiserem saber alguma coisa sobre Deus, contratem um ateu, que nunca o sentiu.", não estive a escrever sobre o que escreveu?

    MC:

    Nas minhas experiências amorosas !? -que se podem contar pelos dedos e bastantes (dedos) sobram, tanto eu como as minhas parceiras, nunca nos tivemos como estando ao serviço um do outro. Pelo contrário, no meu léxico de uma relação a dois, não consta esse vocábulo. Mas nela (na relação) um e outro são o sustentáculo (ou apoio, se se quiser)nas horas menos boas e... que não se inventam, logo, não se manipula o outro. Talvez, quem sabe (porque não posso afiançar de fonte segura o que não conheço) na qualidade de não crente, é no meu próximo, físico e bem terreno em que confio. Outros, preferenciarão o auxílio divino em situações idênticas. Que não contesto, óbviamente.

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  11. Alberto,

    acho que não fui capaz de ilustrar suficientemente o que queria dizer. Prometo, amanhã voltar ao assunto. Sendo mais explícita.
    As nossas experiências humanas, serão sempre pálidas amostras do que será a experiência de Deus. No entanto, é nelas que Ele se manifesta. Deus age no que somos e vivemos. Acredito que a maior parte das vezes, nem temos a mais leve noção disso.

    Mas o "apoio" de Deus nunca está em oposição ao que são as nossas relações interpessoais. Não é "ou", "ou". É nelas que Deus se manifesta. Sobretudo, nelas.
    Eu só queria dizer que Deus, não é o nosso bombeiro de serviço.
    É complicado de perceber, eu sei. Eu ainda (ah, pois não, não)o percebo totalmente. Isto pressupõe um caminho de fé. Não é uma confiança cega, é uma confiança amorosa.

    Prometo que amanhã vou explicar melhor. Hoje estou com outras coisas em mãos. :)

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  12. FV é directo, rápido e altera muitas lógicas... R

    Recomendo um outro livro à base de cartoons, que me deu bastante que pensar: "Um Deus chamado Abbá" de José Luis Cortés. Esse então mesmo directo e incisivo!

    On, porque é que és ateu? (Não é provocação!)

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  13. Paulo,
    sou ateu porque Deus não existe.

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