2006-06-18

Porque sou cristão?

A grande diferença entre o crente e o não-crente é que o não crente obedece à sua consciência, e o crente, obedecendo à sua consciência, ama alguém. Porque sou cristão? Porque, obedecendo à minha consciência que me manda respeitar e promover os valores chamados Verdade, Beleza, Justiça e Liberdade, eu estou a amar Alguém que me ama.

Convém aqui sublinhar a impotância do tempo. Sem o tempo - o tempo de viver - a nossa bem-aventurança eterna não seria obra nossa. Se Deus não é senão Amor, não pode deixar de querer que toda a nossa bem-aventurança seja toda ela uma construção de nós mesmos por nós mesmos ao longo de todo um processo.

François Varillon in Alegria de crer e de viver

7 comentários:

  1. Há no primeiro parágrafo algo que me escapa. Diz FV que "... o não crente obedece à sua consciência, e o não crente, obedecendo à sua consciência, ama alguém. "
    Assim, e embora crente e não crente obedeçam ambos à sua consciência, o primeiro pode amar alguém mas o segundo, não. Se a minha consciência me manda respeitar os valores chamados Verdade, Justiça e Liberdade que herdei de pessoas que considero íntegras e justas, só poderei amar o próximo (no sentido mais lato do termo) e não desprezá-lo e dele escarnecer.
    Ou será que alguém não se refere a uma pessoa... terrena?

    bjs.

    Alberto Albertto.

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  2. MC,
    percebi que o alguém não é terreno.Mas não percebo mesmo nada de nada do qe o senhor quer dizer. És capaz de explicar a primeira frase?
    A segunda ainda percebo menos. Mas não sei se tenho capacidade para entender as duas de uma vez.

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  3. Alberto Albertto,

    Jesus Cristo, que eu creio o Enviado de Deus, por isso sou cristã, deixou-nos o seguinte mandamento, que mais do que uma ordem, foi toda a sua praxis:

    -Amar a Deus e aos outros.

    O não-crente, amando aos outros está a viver uma parte do mandamento. E não é uma parte nada desprezível. Jesus deixou bem claro:"O que fizeres ao mais pequeno, é a mim que fazes." "Até um copo de água, não fica sem recompensa..."

    O crente amando também aos outros, ama sabendo que, no outro está Deus. Que tal como ele é amado por Deus, o outro também o é. E isto, e agora é que a "porca torce o rabo", até aqueles que nos fazem mal, que nos podem odiar até. Aos que nos prejudicam, aos que prejudicam quem amamos, etc. etc.

    Amar assim, não nasce de "geração espontânea", (pelo menos em mim, de todo)é trabalho para uma vida e mais seis meses. É não olhar para o que já fizemos e ainda nos falta fazer, mas confiar que nos nossos esforços para amar assim, não trabalhamos sozinhos, Deus que nos cria e recria, acompanha-nos nesse esforço.
    Na liturgia da Palavra de ontem, Jesus comparava a fé, a vida em Deus, como a mais pequena das sementes que é lançada à terra e que cresce sem que se saiba como. Da minha experiência te digo, que assim é. Quando penso que a semente já apodreceu debaixo da terra, vejo germinar uma pequena folha que sempre me deixa boquiaberta, como acontece sempre que venho na rua e em plena cidade vejo plantas que crescem no meio do alcatrão. Olho sempre para elas com admiração, como olho para a minha própria fé. Sou uma pessoa espantada comigo própria. :)

    Beijos

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  4. ON,

    o Alguém a que FV se refere, é na nossa linguagem corrente, humana pobre, limitada, Deus.
    No caso de FV, e no meu, o Deus revelado por Jesus Cristo.
    O Deus que Jesus Cristo no revela é um Deus Amor.
    Pela fé, acredito que Deus dá a cada homem, a capacidade de O acolher, de O experimentar.
    Porque é que APARENTEMENTE uns não têm grande dificuldade em reconhecer isso e outros têm? Não sei! Há respostas muito diferentes, dependendo de cada pessoa. Compete a cada pessoa, querendo, ir fazendo essas perguntas.

    Do pouquíssimo que sei do amor, sei que o amor nunca se impõe. respeita sempre o andar do outro. Um pai que ame os seus filhos, nunca vai querer que eles vivam à sua maneira. Vai querer que eles vivam a sua própria vida. Vai dar muito poucas ordens e mais sugestões. E cada vez, à medida que os filhos crescem em maturidade, vai orientando cada vez menos. Já não é preciso esse papel. Os filhos vivem vidas autónomas, não desligadas do amor do pai, mas autónomas.
    Será de forma ainda mais radical a forma como vivemos a nossa vida em Deus. Não desligados Dele, mas autónomos.

    Não sei se ajudei alguma coisa...

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  5. mc:

    Quase me apetece dizer: «percebi mas não entendo». Mas deixa estar; já lá dizia a minha avó "Burro velho não aprende línguas!" E dirás tu; «Olha que os belos ensinamentos que herdaste dos teus, ó meu grande impostor!»
    É. As contradições humanas são terríveis. Mas tu portaste-te à altura e como eu imaginava; didática e com esse belo lado humano e tão terreno quando referiste que " o não crente amando aos outros, está a viver uma parte do mandamento. E não é uma parte nada desprezível."


    Obrigado, Beijos.

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  6. Alberto Albertto,

    "percebi mas não entendo".

    Não me surpreende. É disso feita a minha vida. A única coisa que tenho a maior parte das vezes é um monte de dúvidas às costas.
    Mas sentindo a carga, não desisto (até quando não sei. Sei lá o que sou eu amanhã)de tentar aprender mais "línguas".
    A fé não dá a ninguém, as respostas todas.Aliás, recuso uma fé que impeça alguém de fazer perguntas.
    A visão de Deus, não se pode impor a ninguém, porque nem Ele próprio o faz.
    O resto é andarmos todos às escuras. Uns contemtam-se com a escuridão. Outros continuam à procura da tal luzinha...

    e eu não deixo de te agradecer as visitas e comentários. A minha humanidade alegra-se com isso. :)

    Beijos

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