2006-08-30

"Temos de ter confiança nele. Mas, mas..."

Não pensar no Nada. Pensar só em pequenos nadas. Não pensar no Tudo. Pensar em tudo e em nada.
Pensar em pequenos absolutamente nadas...e, se pudesse, pensar que Deus pensa em mim, pensar sob a protecção de Deus. Há Deus? Existe Deus? Eu creio que Ele não existe mas que é. Ah, existe por Jesus. Sim, por Jesus...Por Jesus Ele entrou na existência.
Tudo isto são apenas palavras, não... sim...talvez não...Se é e se existe, que fará Ele de mim, que fará Ele de Rodica, de Marie-France, de todos nós os que existimos como Jesus existiu. Nisso acredito. Jesus existiu. Se Ele existiu, o nosso Pai existe ou é também. Ele ouve-me. Temos de nos deixar levar. Temos de ter confiança nele. Mas, mas...
Em mim, tantos vícios, tantos defeitos, tantas vaidades, tanto amor-próprio, tão egoísta, demasiado eu e agora uma vez mais é sobre mim que escrevo, é sobretudo em mim que penso...Senhor, fazei...Fazei...com que eu me despoje de tantas faltas, erros, cobardias...palermices...Vivo há já tanto tempo. Perdi muito, muitíssimo tempo...
Se Jesus existe, há Deus. E uma vez que Jesus existe, o Pai lá está.
Como dizer? Em vez de ir a Jesus, quero que Jesus venha a mim...
Como se eu quisesse forçar Deus.

A Busca Intermitente - Eugène Ionesco

11 comentários:

  1. Está bem que existe uma dimensao estética para este tipo de escrita mas tanta "palha" para dizer algo que pode ser resumido numa frase é gastar tempo :)

    Nota: já digo isto há muito tempo mas repito (eu bem digo que sou chato...): existe um tema subentendido em muitos movimentos crsitaos (e religosos em geral) que aborda a dissoluçao do individuo num todo mais vasto (metafisico ou nao) e isso é "matéria explosiva" em termos sociais...

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  2. Caro Pedro chato (és tu que dizes, quem sou eu para contrariar),

    eu não percebo nada de economia (para grande desgraça minha), também gosto muito de resultados claros e limpinhos, utilizando o mínimo de recursos e obtendo os maiores resultados, mas um facto é que em muitas dimensões da nossa vida, sem queimarmos muita palha, não vislumbramos nem o mais leve grão. E é quando é...

    Olha, eu acho que o que acontece não é a dissolução do indíviduo. A unidade (e visto numa perspectiva de comunhão é muito mais que unidade)não dissolve a individualidade de cada um que é única. É isso que a minha "religião" diz. :)

    Vou dar-te um exemplo, estou como o Ionesco; lá vou falar de mim... Várias vezes me questiono sobre a continuação deste blog, que eu acho que se terminar, não faz falta nenhuma. Não comecei isto para evangelizar ninguém, nem para mostrar os "meus saberes" que não são nenhuns, foi porque queria um "sítio de encontro" com pessoas que apesar de não ter visto, estimava muito.
    Ao contrário do que eu esperava, para além dessas pessoas, que não passavam de meia dúzia, foram aparecendo outras que me surpreendem de cada vez que deixam algum comentário.

    Ontem recebi um e-mail de alguém que me dizia que eu nem pensasse em acabar com o blog, porque a minha experiência de Igreja é única. E eu quedei-me a achar que era verdade. Não é melhor nem pior, de tantas que, felizmente, aí andam. Mas a verdade, verdadinha é que é única. Quando dava formação a jovens catequisandos era um dos meus temas mais fortes, o carácter único que cada um de nós tem. E ao mesmo tempo a consciência de que não estamos sozinhos. De que a nossa individualidade, só existe, só é na relação.

    Deus, pode não ser para mim, mais do que uma palavra, uma ideia, um desejo, mas isto que te digo, é o que tenho por mais caro. Existo (imos)para a relação, para a comunhão.

    "Massas" é o que se faz mais fácilmente. Abres a TV e vês o pessoal do futebol (só para dar um exemplo)a fazerem a linda figura de quem, se têm cérebro, há muito que não o utiliza. Digo isto quando vejo adeptos a queimar a pisar, símbolos de outros clubes que têm como rivais.

    O que as religiões propõem, não é isto.

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  3. Venho aqui só clarificar uma coisa, que pode não ter ficado claro,

    As massificações também existem dentro das religiões, e a comunhão está muito para além delas.

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  4. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  5. mc,

    Parece que estamos a falar da trindade :) lol algo que é uno mas tem várias faces únicas... teoricamente nao vejo a possibilidade de uma unidade sem a dissoluçao de uma das partes. Ou isso ou entao nao falamos de unidade mas sim de ligaçoes.


    "O que as religiões propõem, não é isto."

    Depende. Enquanto entidades políticas e organizadas sim enquanto emanaçoes de uma vontade pessoal nao.

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  6. "parece que estamos a falar da trindade"

    Bolas, Pedro, espetas-te mais depressa na estrada de damasco, do que eu alguma vez suporia.:)

    (eu bem sei que sou apenas uma mensageira...e o o resto cabe-Te a ti, Senhor. Mas assim, até eu fico confundida.);)


    "teoricamente"

    Ó meu caro Pedro, mas quais "teoricamente". É de vida, VIDA que estamos a falar.

    (eu amo-te! Teoricamente, isto é um grande disparate. É mesmo, não tenho duvidas nenhumas. Teorizei tudo muito bem e isto é mesmo um grande, um enorme disparate.):)))



    "depende"...

    Pois depende! Eu emendei a mão no comentário a seguir. ;)

    Fazê-las perceber isso, é muitas vezes um grande frete (aqui diria outra palavra, mas o pudor inibe-me)

    Mas isso, também sugere outra reflexão: é possível separar as religiões como organizações humanas, dessa emanação? Não temos que levar isso tudo misturado?

    A tal metáfora do trigo e do joio.

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  7. "Bolas, Pedro, espetas-te mais depressa na estrada de damasco, do que eu alguma vez suporia.:)"

    Qual Damasco qual quê!! :) Estava só a indicar um incoerencia generalizada :)

    "Mas isso, também sugere outra reflexão: é possível separar as religiões como organizações humanas, dessa emanação? Não temos que levar isso tudo misturado?"

    Nao me parece que a organizaçao titânica seja uma necessidade. Estava há uns tempos a ler relatórios sobre "novas" religioes e reparei que por exemplo os vários grupos neo-pagaos deitaram a hierarquia para o caixote, é essencialmente uma questao pessoal e é isso que deve ser. A isso junte-se que regra geral quando se juntam de boa vontade numa mesma organizaçao nao têm problemas em abandona-la no dia em que acharem que ja nao se veêm representados. Isto para mim parece-me muito mais saudavel. Obviamente que num modelo deste estilo qualquer tentativa de estabelecer ortodoxias dentralizadas está condenada.

    O problema que pode (e irá) surgir será o de reformar as organizaçoes que já têm modelos centralizadores...

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  8. "Qual Damasco, qual quê?"

    :)))))

    É tão giro ver um incréu a espernear. :)))

    Mas tens mesmo a certeza que aí à frente não é Damasco?

    Pedro, tu vinga-te à vontade das minhas provocações.

    Aliás, andas um bocado arredio do DA. Que se passa?

    O que são grupos neo-pagãos? Dá para tipificar? Existem como organização?

    O mal não está na hierarquia. Só por si, ser padre, ser bispo, ser cardeal não é a personificação do mal. Como esses ministérios são exercidos.

    Conheci um padre, que a palavra que mais gostava de usar era "facilitismo". Bramava contra colegas, contra todos, por não serem fiéis ao rito, ao Magistério. Ele humanamente, era uma desgraça completa.

    Aqui é que a hierarquia peca e muito. Põem mais empenho no legalismo que até na prória lei.

    Ainda no domingo, ouvia outro dizer que não pedissem à Igreja o que ela não pode dar, como se a Igreja, não tivesse que estar, ela própria, sempre em escuta atenta do que Deus quer dizer e quer dizer no mundo. Deus não fala só quando suas eminências pardas se reunem fechadinhos no Vaticano.

    Mas a um crente que vive a sua fé inserido numa religião, estas e outras coisas, não são motivos para não permanecer fiel à mesma. Porque viver em comunhão, não é (mais uma vez repito) perda de individualidade.

    E quanto às reformas, elas surgirão. Há sempre, quem mais atentamente, escute a voz de Deus.

    Estive a ver há dias, o filme O" Sétimo Selo" do Ingmar Bergman. Até dói ver o que os padres faziam aquelas gentes, a viver aterrorizadas a epidemia da peste. A Igreja alimentou-se e alimenta-se deste terror. Mas também se alimentou de um S. Francisco de Assis, de uma Madre Teresa e de tantos que no anonimato de vida, tornam Cristo presente.

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  9. "Mas tens mesmo a certeza que aí à frente não é Damasco?"

    Nao me parece mesmo nada, nada :)


    "Aliás, andas um bocado arredio do DA. Que se passa?"

    Estou de férias forçadas do DA por causa do trabalho que tenho. Só tenho tido tempo e energia para uns artigos ocasionais no outro blog e para comentários aqui a ali - pode ser que lá para Outubro a coisa entre nos eixos.


    "O que são grupos neo-pagãos? Dá para tipificar? Existem como organização?"

    Isso o melhor é mesmo consultares a wikipedia pare ter uma ideia geral e depois podes aprofundar como quiseres :) http://en.wikipedia.org/wiki/Neo-paganism


    "E quanto às reformas, elas surgirão."

    Uau... e só vamos ter que esperar dois ou três séculos... para ter uma atitude ajustada ao século XX. (sim, esta foi só mesmo para largar sarcasmo)


    "Há sempre, quem mais atentamente, escute a voz de Deus."

    E curiosamente essa voz dá sempre razao ao que essas pessoas já pensavam anteriormente... ;)


    " A Igreja alimentou-se e alimenta-se deste terror"

    Bem vinda ao cenário actual de qualquer regiao do mundo que seja profundamente católica e que nao conte com movimentos secularistas (a praga mudou mas a atitude nao).

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  10. Pedro,

    Não sou mulher para ficar a discutir só por discutir. (Não quer dizer que às vezes não caia em tentação).

    Apreciei MUITO os teus comentários.
    O tema, porque não se prevê que mude a orientação do blog, prosseguirá em futuros posts.

    Irei consultar o que me sugeres.

    Obrigada.

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    semelokertes marchimundui

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