2006-08-19

transbordar...

Foi muito forte a influência que recebi do sacrifício, da dávida, da renúncia, da virtude. A cada passo, me apontam a cruz de Cristo. Ainda debato que não foi ela o fim, mas de pouco vale. É a cruz, é a cruz. Seria tudo mais simples, não tivesse eu esta amálgama de genes da avó Madalena, do avô Henrique, do avô António e da avó Felismina. Ó mistura explosiva. Já tive que escolher entre a virtude e o amor. Escolhi o amor. E voltarei a fazê-lo, mil vezes, se for preciso. Pró Céu só levarei pecados e a confiança na misericórdia.

4 comentários:

  1. MC:

    Então dos meus (pecados) nem é bom falar (ou confessá-los) que não chegariam frotas e frotas de camiões TIR´s para os transportarem até sabe-se lá onde...
    ... mas aqui para nós que ninguém -a esta matinal hora de descanso, nos ouve, também tenho algumas virtudes das quais me orgulho imenso! Prontos; sempre a cair na tentação. Da vaidade e do orgulho bacoco.

    Voltei. Mais cheio de outras gentes e lugares. E também mais apreensivo, pese embora o meu vocacional optimismo, que é feito do momento e não fundado num futuro longínquo pelo menos.

    Um beijo para ti que optas pelo amor.

    Alberto Albertto.

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  2. MC, o que é "a virtude"? (Para quem conhece a virtude) Como pode o amor não escolher a virtude? Como é possível a virtude competir com o amor? Há amor fora da virtude?
    Eu não consigo imaginar nenhuma virtude numa virtude dessas.

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  3. Alberto Albertto, somos "pecados" e virtudes disso não restam dúvidas. Se não quiseres a palavra "pecado", podes usar outra qualquer. As virtudes como fonte de orgulho...aí é que "bate o ponto". :)

    Mas apreensivo porquê? Talvez porque saiste da tua "concha". Outras gentes e lugares, desafiam-nos sempre...

    Motivos para mais uns escritos no papel de fantasia? :)

    Um beijo para ti, também.

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  4. Luís,

    és tu, ou é outro que me questiona? :)

    Pois a virtude estaria sempre ao serviço do amor.
    O cristianismo (quando falo de cristianismo é sempre tendo como ponto de referência a minha experiência católica... de outras não posso falar)foi muito contaminado pelo estóicismo. O que faz com que as virtudes não sejam um meio (até porque na sua base estão fortes traços do nosso carácter e isso dificilmente é escolha nossa)mas um fim. Vou dar um exemplo:
    a fidelidade (aqui num conceito muito vasto)está ao serviço do amor. Não é um fim em si mesma. A felicidade não é ser fiel, mas ser fiel porque amo.
    Se sublimas uma virtude como fim em si mesma, ela já não é virtude, mas motivo de orgulho, porque te fecha em ti próprio.
    Quem supervaloriza as virtudes deixa de viver, fecha-se à vida. É a história de ir enterrar o talento para não o perder.
    A grande questão para mim, que sou crente, é esta:Não é pelo cumprimento da lei (equivalente a viver só das virtudes)mas pela graça que serei salva. Trocando por miúdos; nem com todas as minhas virtudes (sim, reconheço algumas)conseguirei a felicidade. Não temos nenhum mapa para descobrir o bem, o amor em estado puro, temos de fazer escolhas, usamos as nossas virtudes para as fazer, mas é sempre um jogo de equilíbrios. Viver é um jogo de equilíbrios.

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