2006-09-20

carta aberta

Meu querido amigo José e irmão na fé,

li o teu desbafo, escrito com muita clareza, e com a sensibilidade que te caracteriza. Desculpa, mas vou discordar dele. Ou melhor, não discordar totalmente, mas dar-lhe outra dimensão. A verdade, acreditamos, é Deus. Nós procuramos, experimentamos, sentimos reflexos dela.
Falas de Frei Bento Domingues. Eu acrescentaria outros teólogos, não só os da Teologia da Libertação, mas todos os que exprimem um pensamento diferente da ortodoxia. Há muitas formas de tirar a vida. Não se morre só de "morte matada". A linha de "pensamento único" na Igreja é uma forma de morte. A morte das consciências. Não sei qual será mais dolorosa. Por isso, entendo tão bem, os que, perante as palavras do Papa em relação ao Islão, se sentiram agredidos com elas. Não estava o Papa a acusar o Islão de uma coisa que ele próprio, como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, fez abundantemente?

Também subscreves, embora mostrando uma certa "náusea", as palavras do VPV, sobre o pedido de desculpas. Aí, divirjo totalmente. A essência da nossa fé é Jesus Cristo. Se um Papa, se sente, nesta situação concreta, acima de qualquer necessidade de pedir desculpa, então não sei o que fazer do mandamento do amor e inerente a ele, a atitude de em qualquer situação, e sempre, exercer o perdão, e pedi-lo quando necessário.

Acho que o Papa devia pedir perdão, pelo que disse e pela atitude de fundo que lhe permitiu dizer o que disse: a sobranceria religiosa, de que a Igreja Católica, é a única via válida de acesso à salvação.
Devia também pedir perdão em memória da irmã Leonella Sgorbati, que ao contrário dele, segundo testemunho de outra irmã da congregação, nas suas últimas palavras foram apenas:"perdoo", "perdoo", "perdoo". Devia o Papa pedir perdão ao seus familiares, amigos, às pessoas que beneficiavam da sua acção missionária, porque numa atitude imprudente, talvez de sobranceria intelectual, acendeu o rastilho que muito directamente, levou à sua morte.

Desculpa, este rebate público, ao teu desabafo. Vejo nele, reflexos de verdade. A violência em nome da Religião muçulmana, não pode ser minimizada. Ela existe e faz muitas vítimas. O meio que o Papa usou para se referir a ela, continuo a achar que não foi o mais próprio.

31 comentários:

  1. Comparar as guerras religiosas com a acção do actual Papa quando era prefeito da congregação para a Doutrina da Fé é uma ode ao disparate.

    Como perfeito demitiu alguns teologos dos seus cargos, estabeleceu limites para aquilo que oficialmente era considerado doutrina aceitavel e para o que não era.
    Aliás até considero a acção de Ratzinger genericamente benefica. Se a alguns parece aceitavel propagar que os teologos possam propagar as mais bizarras teorias como catolicas a mim não me parece.

    As guerras religosas, islamicas ou outras, provocaram dezenas de milhares de mortos.

    António Maria

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  2. MC,
    Foi um post escrito de rajada, directamente no blogger, e talvez eu não tenha sido assim tão claro. É evidente que para falar da incompatibilidade entre a violência e fé, o papa poderia ter recorrido aos milhentos exemplos da história da Igreja e do Ocidente.
    Acontece que, não por sermos cristãos mas até apesar disso, temos de reconhecer que actualmente essa questão se coloca muito mais no islão do que na cristandade, sendo que há mil anos era precisamente ao contrário. E isso é uma questão sobre a qual há que reflectir: por razões endógenas ou exógenas a Igreja evoluiu para uma visão da paz que é o regresso à doutrina original mas o islão, depois dum período magnífico, evoluiu também para uma visão da violência que, há que dizê-lo, é um regresso à sua matriz original. Se leres o Corão, coisa que eu já fiz em tempos idos, perceberás isso. É certo que não se pode interpretá-lo à letra, como não o fazemos ao Pentateuco, mas o problema é precisamente que uma visível parte do islão está a fazê-lo.
    É para mim evidente que a razão profunda para isso não está nas essências do cristianismo e do islamismo que acredito serem verdades reveladas da mesma Origem. A razão está na forma como as duas religiões se tem vindo a relacionar com a matriz social e cultural em que se movem. Na nossa, Sto.Agostinho e S.Bernardo de Claraval deram um pouco lugar a S.Tomás de Aquino, a Thomas More, até a Erasmo, mesmo que muitos anos depois. Na outra, al Ghazali Rumi e Avicena deram lugar a Ibn Taymiyyah, a al Wahhab e tantos outros.
    Isto não é lugar nem tempo para prelecções académicas (pelos vistos em Ratisbona também não...)mas o que acho sinceramente é que não é a ignorar olimpicamente, a contemporizar timoratamente, a tolerar paternalmente, que vamos resolver o problema que constitui o facto de vivermos em dar-al-Islam: terra coranicamente prometida ao Islão.
    Ora voltando ao papa, o que eu acho que ele quis não foi dirigir uma mensagem ao Islão mas sim a nós próprios para que deixemos de olhar apenas para o nosso umbigo e para as nossas deficiências, que são muitas, e que olhemos também para o islão tal qual ele é, no que tem de bom e no que tem de mau. Compreender o islão significa precisamente isso.
    Mas volto à minha irritação com o bom frei Bento. O meu ponto aqui é que acho lamentável que a reacção ao discurso do Papa tenha tido muito menos a ver com o que ele disse e eventualmente terá pretendido dizer, do que com a relutância que a figura do Cardeal Ratzinger exerce em muita consciência católica e não católica. Mencionar a questão da teologia da Libertação a propósito do discurso de Ratisbona revelou-me uma desonestidade intelectual que eu nunca tinha entrevisto no frei Bento - foi isso que mais me irritou.
    Quanto à questão do perdão, neste caso ele deve ser sentido intimamente mas não revelado publicamente! Pois aqueles que mais exigem desculpas são precisamente aqueles por outro lado ameaçam e acham legítimo utilizar a violência em nome
    do islão. Por isso, por muito contrito que esteja o papa (e se o estiver, o orgulho deve ser de novo a principal razão) acho que ele não deve dizer mais nada do que explicar o que disse. Mais do que isso seria fortalecer os radicais que andam a desvirtuar o islão.
    Uma última coisa: já pensaste em que se não fosse o petróleo, 99% daqueles que tanto se preocupam com o Outro (neste caso o islão) estar-se-iam nas tintas para a irritação que o aflige?

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  3. Tenho lido e ouvido principalmente ecos e retaliações. E sinto-me ignorante e incapaz perante isto tudo. A religião é algo que se complica quando se trata de comunicados, instituições responsabilidades. E todas essas coisas são importantes.

    Eu vivo a religião no meu dia a dia. Nem se põe a questão de superioridades ou inferioridades morais ou outras do que eu vivo em relação ao que os outros vivem. E a história é o que se escreve porque é preciso compreender o passado.

    Eu vivo no presente. Todos os dias. E assim muitas pessoas. De todas as religiões. E muitas outras sem religião. E muitas até que negam as religiões e negam Deus. E todos podemos viver sem nos agredirmos. Deixando falar os que falam com eloquência.

    Um abraço fraterno, nuno.

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  4. José,

    vou limpar as armas e amanhã, respondo-te. Ok? :)))

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  5. Nuno,

    pois já se viu que tu és um homem da paz.

    E esta realidade é muito complexa. Cada um vai puxando as pontas a seu gosto. Somos assim. Que se há-de fazer? ;)

    Abraço

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  6. MC
    Eu não debito directamente às palavras do Papa o assassinato da Ir. Leonella, pois ela pertencia a uma comunidade religiosa, a única em toda a Somália, que sabia que corria riscos sérios de que acontecesse o que verdadeiramente veio a acontecer. Pois é um país muçulmano e sem lei. Mas continuo fascinado pela sua vida e pela sua entrega. Aliás, acho que, existindo altares para santos, mulheres como ela deveriam lá estar. E, desulpem o atrevimento, muito mais que a grande maioria.
    Dedicou a vida numa situação de fronteira, no diálogo inter-religioso concreto, pé-no-chão, amada pelo povo muçulmano daquela comunidade e do hospital onde era enfermeira e dava aulas de enfermagem, tirando alguns fanáticos que a mataram para usá-la como bandeira da luta na guerra contra o "demónio occidental".
    Tenho pena que os meios de comunicação social não tenham falado mais da sua acção missionária e da sua comunidade. Pelo que tenho lido, é fantástica. O nosso mundo actual precisa de pessoas assim. O resto, tudo se resume a um círculo vicioso de interpretações de textos, fora dos contextos, que se transformam em pretextos...
    Salve Leonella, o Senhor está contigo!
    É neste tipo de martírios que eu acredito, porque não são em vão, mas sim sementes de libertação. Uma freira da Consolata, conhecida minha, que mora numa comunidade perto de Roma, falava-me maravilhas desta Irmã, que conhecia bem. Uma Irmã que, nas suas palavras, morreu por aceitar viver "na clausura de um país muçulmano". Em Mogadíscio, onde o Papa jamais foi, nem poderá ir.
    Bj

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  7. Hereje! A fogueira espera-a!

    Antes disso, fica um abraço de admiração pela, repetidamente demonstrada, religiosidade frontal. Se Deus existisse (digo eu, religiosamente ateu) o seu caminho para o Céu seria uma SCUT (sem portagem).

    Bem haja!

    João Tunes

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  8. Tanta coisa interessante de um lado e de outro! No fundo tudo depende com que olhos se vêem as coisas, e os outros. Porque não vê-los com os olhos de Deus? Se isso acontecesse mais vezes, fossem cristãos, judeus, muçulmanos ou quem quer que seja, nada disto acontecia. Mas infelismente acontecem, porque em tudo isto falta algo... talvez falte mesmo DEUS!
    Modesta opinião de alguém que viveu 10 anos no meio de muçulmanos.
    Abraço de paz. Fiquem bem.
    Leonel

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  9. MC,

    Uma coisa em que é preciso estarmos todos de acordo: um pretexto NÃO É uma justificação.

    Por maior que fosse a barbaridade do que o Papa disse, por mais criminosa que fosse a tal citação, por mais escandalosa que fosse a atitude de fundo de Bento XVI, nunca, mas NUNCA, isso poderia servir de justificação para a violência, para a destruição de bens, para o assassinato de pessoas.

    Em toda esta situação, o pior que podemos fazer é querer culpabilizar ou aceitar que se responsabilize o Papa por alguém ter decidido matar a irmã Leonella. Pois isso significaria reconhecermos que a violência religiosa é justificável. NÃO.

    JS

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  10. José,

    as causas da violência e fundamentalismo religioso do Islão são várias.
    Vou postar um texto de Faustino Teixeira, teólogo e estudioso destas questões.
    O Frei Bento e outros, são também humanos. Estão de pé atrás, com este Papa. Eu confesso que também estou. É um facto. O que ele era como cardeal Ratzinger, não desapareceu com a eleição papal. Mas se estou de pé atrás, também acho que nesta vida nada é definitivo. Todos andamos a trilhar os mesmos caminhos.

    Para todos estes problemas ou facetas do mesmo, o único caminho válido é o do diálogo inter-religioso. Sem sabermos quando é que se chega a alguma meta. Tem de ser feito com muita ciência, paciência e muita oração que é o que fundamenta todas estas coisas. Precisamos de implorar de Deus o perdão mútuo e a paz.

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  11. Pedro,

    concordo contigo em tudo o que dizes em relação à irmã Leonella. São pessoas como ela que estão a salvar o mundo. Se tenho dúvidas em rezar (perdoa-me esta)para que haja vocações sacerdotais iguais às configurações que temos, não tenho dúvidas nenhumas em rezar para que muitos homens e mulheres respondam às necessidades do mundo de hoje. Vocações de generosa entrega, ao serviço do amor.

    Beijos

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  12. João,

    gosto de o ver por cá.
    Scut, scut, não tenho grande esperança. Mas que, ao chegar junto de Deus Nosso Senhor, vou usar todos os trunfos com que a natureza me dotou: sedução, teimosia, confiança, persuasão... :)))

    Mas o João é duma generosidade sem tamanho: desejar-me o Paraíso, coisa em que não acredita, nem deseja para si...misterioso esse seu desejo. Veja lá que...

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  13. Leonel,

    desculpa, não percebi bem o carácter do teu comentário. Se quiseres aprofundar.

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  14. JS,

    imagino as voltas que tiveste que dar antes de comentares este meu post. Exercer o contraditório comigo não te será nada fácil. :)))

    Podes utilizar as palavras: disparate, asneira, burrada...estás à vontade!

    Eu também acho que não há justificação para o assassínio da irmã. NENHUMA. Que junto de Deus, agora na Vida plena, ela continue a derramar o seu amor generoso por todos nós, sobretudo os que mais dificilmente sabem trilhar os caminhos do amor e da paz.

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  15. MC,
    Fico a aguardar o próximo post com as palavras do teólogo Faustino Teixeira que percebe muito mais disto do que eu. Não sei quais é a explicação dele para o fundamentalismo islâmico mas deve andar perto disto: penetração do poder terreno pelo poder divino interpretado e exercido pelos seus prelados, literalismo absoluto em relação à Palavra, caldo cultural indigente, ausência de qualquer papel da mulher na sociedade e no culto - são exactamente as mesmas razão do fundamentalismo católico passado e aquele que ainda hoje vai restando.
    Quanto ao Ratzinger, uma coisa é a sua prática pastoral, que tanto irrita o Frei Bento, outra coisa é a sua razão teológica. E se leres bem a famosa lição de Ratisbona, nela a teologia de Ratzinger não só é inatacável como até é bem avançada e progressista. É uma teologia que me é simpática, e que deve sê-lo também ao Frei Bento. Digo eu...
    Mas há uma coisa em que tens certamente razão: não é a bater no ceguinho que nos vamos entender com ele. Hoje o Timshel diz umas coisas bem certas.

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  16. Atenção, a irmã Leonella, uma entre milhares de missionarios que arriscam a vida não foi morta por ser enfermeira, foi morta por anunciar o Evangelho.

    Nos dias de hoje tendemos a valorizar mais quem cuida do corpo que quem cuida da alma anunciando a Boa Nova de Jesus Cristo. Mas a alma (a vida eterna) é mais importante que o corpo.

    Estes assassinatos por fundamentalistas islamicos e até hindus (há alguns, embora menores) ocorrem com regularidade. Anos atrás foram mortos 7 padres na argelia sem nenhum motivo imediato.

    Repito aquilo que o José disse e que muitos ignoram:

    a Igreja evoluiu para uma visão da paz que é o regresso à doutrina original mas o islão, depois dum período magnífico, evoluiu também para uma visão da violência que, há que dizê-lo, é um regresso à sua matriz original.

    Não é mais que aquilo que a citação do Papa afirma.

    António Maria

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  17. Já venho atrasado mas não consigo resistir a uma pequena provocação.
    Como cristão fudamentalista fico satisfeito por ver o Frei Bento Domingues a perder indíce de popularidade entre os nossos irmãos católicos.

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  18. David

    O teu comentário é passível de várias leituras. Se achares por bem, explicita-o.

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  19. António Maria

    Não percebi a parte do teu comentário que se referia à irmã assassinada. Estavas a querer dizer que Jesus não curava os doentes? Ou que isso não tinha nada a ver com a sua mensagem?...

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  20. Ou estavas a dizer que o corpo e vida das pessoas é menos importante que propagar a fé e o império?

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  21. JS, bem sabes que não disse nada disso. Sou católico, não calvinista.
    Disse apenas e só que actualmente é subvalorizado o anuncio do Evangelho.
    Nem todos os missionários curam doentes, nem todos se dedicam à promoção social mas todos se dedicam, das mais variadas formas ao anúncio do Evangelho. Anuncio este que é mais importante que simplesmente curar os doentes.
    Jesus curava doentes. Fazia-o por compaixão com as pessoas mas acima de tudo como um sinal da autoridade com que anunciava a sua Boa Nova.
    É o Evangelho que dá a vida plena.

    Uma das razões pelas quais hoje há falta de vocações religiosas é a desvalorização que a vida espiritual tem. Quase todos valorizam mais a cura das mazelas do corpo que da alma.

    Jesus não mandou os apostolos a curar doenças por toda a parte mas sim a anunciar o Evangelho. Uma vida conforme ao Evengelho implica também curar os doentes, dar fome a quem tem pão, etc.

    Simplesmente digo que actualmente a filantropia, a dedicação a causas como a cura de doença ou a simples promoção social é mais apreciada que o anuncio do Evangelho. Anuncio esse que é mais fundamental, fermenta a massa (a cultura) e assim acaba por ter um efeito mais profundo e duradouro que a simples dedicação social.

    António Maria

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  22. js

    Não aprecio o frei Bento Domingues. Teologicamente falando. Deve ser um tipo fixe, com quem deve dar prazer conversar, mas o que defende parece-me muitas vezes ficar longe do Evangelho.

    Anatónio Maria

    Os calvinistas não acreditam em milagres? Não têm obra social?
    Deixe que lhe diga que essa sua preocupação com a alma parece-me mais próxima do calvinismo do que do catolicismo.

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  23. Os calvinistas consideram que só se alcança a salvação pela fé, as obras não têm importancia.
    Por isso mesmo respondi à questão do JS que não era calvinista.

    No entanto é a fé que dá sentido às obras.
    Não sou calvinista nem materialista.

    António Maria

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  24. MC

    O comentário sobre pretextos e justificações era mais um alerta que uma crítica. E até mais dirigido a mim que aos outros.
    O amor à paz tem de ser conjugado com o amor à justiça e o amor à verdade; senão, torna-se uma traição à dignidade humana.
    Recomendo a leitura de um post do João Tunes: "Os saladinos querem colo". No tom que lhe é característico, põe o dedo na ferida.

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  25. David

    Tomo nota da tua opinião sobre o Frei Bento. Para além de uma compreensível diferença de perspectiva (católicos/protestantes), é certo que não estaremos perante um novo Karl Rahner (ou Barth, tanto faz)...
    Da minha parte, penso que o seu maior handicap é (ainda) não saber, na pele, o que é ser pastor. Só lhe faria bem pôr à prova algumas das suas ideias teológicas. Poderia descobrir que certas teorias ficam bem no papel mas não são propriamente operativas quando aplicadas na realidade. A pastoral precisa da idealização teológica para "não perder o norte" e ir encontrando novas soluções; mas a teologia também necessita de se confrontar com a pastoral, para reconhecer que "nem tudo o que luz é ouro".

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  26. JS,

    quase de imediato, subscreveria o que dizes, sobre o Frei Bento. Mas não o vou fazer. Sabes porquê? Porque, embora eu reconheça como é funadamental, para o meu ser Igreja, estar inserida numa comunidade paroquial muito concreta, reconheço que as propostas teológicas dele valem como desafio para a realidade de Igreja que vivemos. Neste caminhar em Igreja, todas as vozes são válidas e necessárias. É necessário tudo - sonho, acção concreta.

    Mas, se calhar, entendíamo-nos melhor neste diálogo, se especificássemos que ideias em concreto, não serão passíveis de ser aplicadas.

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  27. António Maria

    Penso saber o que querias dizer. O problema está no que acabas por dizer.

    "Atenção, a irmã Leonella, uma entre milhares de missionarios que arriscam a vida não foi morta por ser enfermeira, foi morta por anunciar o Evangelho".

    Em primeiro lugar, porquê a chamada de atenção? Onde leste, neste blog, alguém a afirmar que a irmã foi morta por ser enfermeira, não por anunciar o Evangelho?...

    Em segundo lugar, se é certo que a irmã terá sido morta, ao que tudo indica, por anunciar o Evangelho, também é verdade que, neste caso, o trabalho de enfermagem fazia parte da sua missão de anunciar o Evangelho. Ou seja: ela terá sido morta também por ser enfermeira. Assim como por ser consagrada. E mulher. E italiana.

    "Nos dias de hoje tendemos a valorizar mais quem cuida do corpo que quem cuida da alma anunciando a Boa Nova de Jesus Cristo. Mas a alma (a vida eterna) é mais importante que o corpo".

    É tão errado valorizar o corpo mais que a alma, como considerar a alma mais importante que o corpo. Jesus anunciou a Boa Nova por palavras E por obras; cuidou das almas E dos corpos; prometeu a ressurreição (a vida eterna) do espírito E da carne.

    Mesmo que um missionário se especialize na atenção ao espírito e à alma, tal só poderá acontecer se houver também quem se dedique a cuidar dos corpos. Não há lugar a desvalorizações nem a sobrevalorizações.

    Tu próprio acabas por afirmar não seres calvinista. Mas, como o David já reparava, aquilo que disseste soava a calvinismo.
    Recomendo-te, pois, que leias atentamente o discurso do Papa em Ratisbona, sobre a relação da fé com a razão: na inevitável tensão, importa a articulação, não a contraposição.

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  28. MC

    Concordo contigo: tudo faz falta, cada um tem o seu lugar, não é necessário que cada um faça tudo ao mesmo tempo.
    Mas, se ser teólogo, ou pastor, é bom e válido por si mesmo, também só fará bem que os pastores tenham um conhecimento mínimo de teologia, e vice-versa.

    Aquilo que eu dizia do Frei Bento, é que algumas das suas ideias fazem-me lembrar aquelas críticas que a filha faz à mãe e levam esta a dizer: "Quando tu fores mãe é que me vais dar valor!"; ou aquelas propostas de partidos da oposição que eles nunca fariam se estivessem no governo; ou aquelas homilias das missas de casamento que levam os leigos a suspirar: "Se o nosso padre tivesse mulher e filhos, já não dizia tantas bacoradas..."

    Em concreto, referia-me às suas declarações sobre o Manuelgate. Há outras, mas não as tenho presentes na memória. Deixo a explicitação para mais tarde.

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