2006-09-26

"O realismo dá segurança"

Mas depois não há a mão amiga do Sagrado. À beira do precipício, esperando à beira do precipício. A vertigem.
Viver religiosamente, porque não se pode viver misticamente, metafisicamente. O religioso obriga-nos a assentar os pés na terra. Na moral. Na história. A religião torna-se história. O indizível parece dar lugar ao dizível. A religião tranquiliza.
A metafísica desafia tudo. Mas, a partir da religião, pode-se de novo, por momentos, chegar ao inefável, ao insondável, ao "metafsico".
Depois, novamente respirar. Repousar na religião; no religioso. Uma vez apercebido o mistério, vertiginosamente apercebido, retorna-se ao bem, e ao mal, podemos apoiar-nos nele, podemos voltar à vida....De facto onde nos apoiamos é no realismo. O realismo é consolável. O realismo dá segurança. Realismo! Realidade dada à esperança. Solidez. Ó religioso, o realismo dá peso à aparência...Porque afinal também a aparência é verdadeira. Ela é o ornamento da criação. Faz-nos compreender que a Ilusão é também Verdade.
A verdade fundada na Ilusão não é menos verdadeira, a Ilusão também é verdade, quero dizer que a aparência tem um lado muito real.

Eugène Ionesco - A Busca Intermitente

2 comentários:

  1. Muy bien, muy bien... Asim terá, porventura, sido escolhido Pedro para mãos timoneiras, e não João :P Bjocas, mana, e bom dia!

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