2006-09-07

os padres...

Já tinha ameaçado o Pedro, o JS ofereceu-se logo para o contraditório (JS, JS estás sempre à espera que eu venha para aqui desestabilizar) que faria uns textos sobre o simpósio do clero, a decorrer em Fátima. Ou, não propriamente sobre o simpósio, mas mais sobre as questões que se relacionam com o ser padre.

Para já, tudo começa mal logo com o nome. Padre é pai. Pedir a um jovem de vinte e quatro anos, acabado de ordenar, depois de seis anos de seminário, longe das comunidades, em ambiente “protegido”, para ser “pai” de uma comunidade heterogénea, com um ambiente completamente diferente do que viveu em seminário, (e, muitas vezes, essa, foi a sua experiência mais relevante de igreja), é pedir ao tomateiro que dê abóboras.

Depois, um pai sem mãe, também provoca algum desiquilíbrio. Então, não é a Igreja que defende as famílias modelo; com pai e mãe? Então, aqui, já funciona o modelo monoparental?

Tenho convivido, ao longo da vida, com muitos e variados padres. Tenho dividido alguns dos seus problemas, tenho ajudado, tenho amparado, tenho chamado a atenção quando sinto que é necessário, tenho sido condescendente, tenho-me exasperado, tenho sido ajudada por alguns, tenho-me sentido magoada e ferida por outros, tudo situações que me interpelam, sobre o papel do padre na vida da Igreja.
O papel fundamental, primeiro do padre, devia ser o do profeta. Profeta, que vive em permanente tensão dialogante, entre Deus e a comunidade dos homens.

continua...

7 comentários:

  1. peço perdão pelo terceiro parágrafo, estou a ser irónica. Mas não é por mal. È só uma provocaçãozinha.

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  2. És de facto provocadora.
    Olha: desejo que tudo te corra bem, quanto à saúde. O resto é conversa!

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  3. Isto vai requerer algum tempo de reflexão... :)
    JS

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  4. Para além do 3º parágrafo que é um facto evidente da lentidão de adaptação aos tempos da parte do Vaticano, a situação da formação que lhes é dada está bem longe da realidade vivida, mesmo que haja estágio em Paróquias. Se o "novo sacerdote" fôr humilde certamente se adaptará ás realidades nas comunidades mas se fôr tipo "administrador Paroquial" certamente entrará em choque, como se tem visto em muitos casos mais ou menos mediáticos.

    P.S. Coragem, pela prova com que estás a passar, peço a Jesus que te acompanhe e reconforte neste momentos mais nublados.

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  5. Algumas achegas:

    - Quanto ao nome, tenho a dizer que não fui eu que o inventei. :)Também há "presbítero", que deu priest ou prêtre; mas, como significa ancião, também choca com a questão da juventude...

    - Quanto ao defeito de um padre se ser jovem, é um problema que ele vai ultrapassando a cada dia que passa. E, no caso da nossa igreja, parece-me que a dor de cabeça está precisamente no oposto: um clero cada vez mais envelhecido...

    - Quanto ao ambiente de estufa dos seminários, pelo que sei, tem havido grandes melhorias nos últimos anos: os alunos frequentam escolas no exterior, passam os fins-de-semana com as famílias e nas comunidades, etc. Mas concedo que a formação parece estar ainda longe de os preparar convenientemente para as realidades que vão encontrar depois de ordenados.

    - Quanto ao modelo monoparental, dá ideia de que está em crise. Pelo que li, no simpósio está-se precisamente a discutir isso: a importância de os padres trabalharem juntos, de formarem comunidades, de se constituirem em equipas para paroquiar. Mas tudo muito macho, claro... :)

    - Quanto ao papel de profeta e à sua relevância, fica para outro dia. Mas, se é certo que o padre tem de ser profeta, também é verdade que o profeta não tem de ser padre...

    JS

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  6. Olá MC,
    é a primeira vez que passo por aqui, descobri o teu blog através de um amigo.

    como "padre, presbitero"(ou o nome que achares mais acertado!)devo dizer-te que agradeço a provocação!

    estive no simpósio e posso dizer-te que uma das questões mais abordadas foi a comunhão com "as alegrias, tristezas, angustias e esperanças dos homens e mulheres do nosso tempo" e naturalmente a necessidade de sermos cada vez mais "profetas", ou se preferires, homens de Deus com os pés bem assentes na terra e de olhos no céu.

    voltarei mais vezes.


    p.s. percebei pelos outros post's que estás a passar um mau bocado. Rezo por Ti e contigo...como sempre...no coração de Deus

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  7. Meu caríssimo irmão padre, no coração-de-Deus. :)

    Fui ver o teu perfil ao blogger, e como sou uma preconceituosa do caraças: "Uauuu, 28 aninhos. E aguenta na boa, as minhas provocações".

    O meu problema com o nome, não é por mim. É pelos próprios.
    Acho que a Igreja, pega numa representação e faz com que pessoas concretas, num percurso humano muito concreto, a assumam, como se da "realidade" se tratasse. Estou farta de ver padres, assustadíssimos com essa representação que têm de assumir. E a feliz integração, nem sempre vem com a idade, como o JS sugere.Perpetua-se a ambiguidade, no tempo.
    Eu fui mãe, bem mais nova. Mas fui mãe de duas criancinhas, que até me ajudaram a crescer. Ser pai de uma pequena multidão de todas as idades, necessidades, estados de vida, percursos de fé - é obra, caramba.
    Sei que o caminho faz-se caminhando, que o padre cresce com a comunidade e vice-versa. Mas continuo a achar que é uma representação, que pode gerar muita infelicidade para ambos os lados.

    Fico contente com o que me relatas do simpósio. Acabei por não lhe dar a atenção que queria.

    É neste diálogo mútuo, que poderá surgir a tal "primavera" tão esperada e desejada na Igreja.
    Que Deus nos ajude a todos.

    Obrigada pela tua oração.

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