2007-02-24


Tengo sed!

¿Tú tienes sed de qué, oh fuente viva?
En el manantial quebrado de tu cuerpo
Los ángeles se sacian.
Y todos los humanos
bebemos en tus ojos moribundos
la luz que no se apaga.

Tierra de nuestra carne,
calcinada por todo el egoísmo
que brota de la humanidad,
tienes la sed del amor que no tenemos,
ebrios de tantas aguas suicidas…

Sabemos, sin embargo,
que será de esa boca, reseca por la sed,
de donde nos vendrá el himno de la alegria,
el vino de la fraternidad,
¡la crecida jubilosa de la tierra prometida!
¡Danos sed de la sed!
¡Danos la sed de Dios!


D. Pedro Casaldáliga

buscar a Deus em segurança: a tentação das religiões


Los cristianos de la primera generación se interesaron muy pronto por las «tentaciones» de Jesús. No querían olvidar el tipo de conflictos y luchas que tuvo que superar para mantenerse fiel a Dios. Les ayudaba a no desviarse de su única tarea: construir un mundo más humano siguiendo los pasos de Jesús.


El relato es sobrecogedor. En el «desierto» se puede escuchar la voz de Dios, pero se puede sentir también la atracción de fuerzas oscuras que nos alejan de él. El «diablo» tienta a Jesús empleando la Palabra de Dios y apoyándose en salmos que se rezan en Israel. Hasta en el interior de la religión se puede esconder la tentación de distanciarnos de Dios.
En la primera tentación, Jesús se resiste a utilizar a Dios para «convertir» las piedras en pan. Lo primero que necesita una persona es comer, pero «no sólo de pan vive el hombre». El anhelo del ser humano no se apaga alimentando su cuerpo. Necesita mucho más.
Precisamente, para liberar de la miseria, del hambre y de la muerte a quienes no tienen pan, hemos de despertar el hambre de justicia y de amor en nuestro mundo deshumanizado de los satisfechos.


La segunda escena es impresionante. Jesús está mirando el mundo desde una montaña alta. A sus pies se le presentan «todos los reinos» con sus conflictos, guerras e injusticias. Ahí quiere él introducir el reino de la paz y la justicia de Dios. El diablo, por el contrario, le ofrece «el poder y la gloria» si se le somete.
La reacción de Jesús es inmediata: «Al Señor tu Dios adorarás». El mundo no se humaniza con la fuerza del poder. No es posible imponer el poder sobre los demás sin servir al diablo. Quienes siguen a Jesús buscando gloria y poder viven «arrodillados» ante el diablo. No adoran al verdadero Dios.
Por último, en lo alto del templo, el diablo le sugiere buscar en Dios seguridad. Podrá vivir tranquilo, «sostenido por sus manos» y caminar sin tropiezos ni riesgos de ningún tipo. Jesús reacciona: «No tentarás al Señor tu Dios».
Es diabólico organizar la religión como un sistema de creencias y prácticas que dan seguridad. No se construye un mundo más humano refugiándose cada uno en su propia religión. Es necesario asumir a veces compromisos arriesgados, confiando en Dios como Jesús.



2007-02-23

No 20 aniversário da morte do profeta


Utopia

Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo mas irmão
Capital da alegria


Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
E teu a ti o deves lança o teu desafio


Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio este rumo esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?


Zeca Afonso

2007-02-22

na solidão descobrir a aventura da solidariedade

...A Quaresma, entre outros sentidos, recorda os quarenta dias de Jesus no deserto. Aí dominou a solidão e, através desta, o silêncio retemperador de energias motivado por um encontro consigo e proporcionador duma maior consciência da Missão que o Pai lhe havia confiado. Aí “ouviu”, dum modo sereno e objectivo, os conteúdos dum projecto original e irrepetível; compreendeu, mais responsavelmente, os contornos duma missão ambiciosa porque inspirada pelo cuidado em cumprir, sempre e em toda a parte, a vontade do Pai.

O silêncio foi eloquente e a solidão gerou encontro com a missão salvadora que abraçava a humanidade mas iria encontrar-se com muitos mundos e experiências de solidão, sintoma de carências essenciais e de desadaptação nos diversos contextos da vida. Na Sua solidão encontrou-Se com muitos solitários e reconheceu que a vida deve ser interpretada como aventura de solidariedade....

da mensagem para a Quaresma do Arcebispo de Braga

Sem comentários!



Doentes de SIDA na Gâmbia à espera da mão milagrosa do Presidente. Ver aqui


Dios mio, Dios mio, por qué me has abandonado?

Todos nuestros pecados
Se hacen hematoma en tu carne, Verbo.
Todos nuestros rictus te deforman el rostro.
En tu soledad se refugian
todas las soledades de la historia humana…

En tu grito vencido
(misteriosa victoria!)
Detonan, oh Jesús, todos nuestros gritos
ahogados,
todas nuestras blasfemias…
- Dios mio, Dios mio, ¿por qué me has abandonado? -
¿Por qué nos abandona
en la duda, en el miedo, en la impotencia?
¿Por qué te callas, Dios, por qué te callas
delante de la injusticia,
en Rio o en Colombia
en Africa, en el mundo,
ante los tribunales o en los bancos…?
¿No te imporan los hijos que engendraste?
¿No te importa tu nombre?

Es la hora de las tinieblas,
del silencio del Padre par su Hijo.
Es la hora de la fe, oscura y desnuda,
del silencio de Dios, para todos nosotros…


D. Pedro Casaldáliga-las siete palabras de Cristo en la cruz

2007-02-21

indiferença à Igreja? Talvez com razão.

Uma parte da nossa sociedade está-se a borrifar para o que a Igreja pensa ou deixa de pensar. Isso dá-me volta ao interior. Quando a indiferença (e não a Inaciana) se instala, é sinal para olharmos à nossa volta e perceber o porquê dessa indiferença. O Vaticano II diz-nos para irmos às origens do Cristianismo. A Origem é a Encarnação numa sociedade concreta, onde Cristo se dá a todos os que se aproximam. Não impõe, não acusa, não julga, apenas mostra um caminho para a humanidade chegar à divindade. Quando os discípulos de João Baptista vão ter com Jesus e lhe perguntam onde moras?, têm como resposta: Vinde ver!. Com o que são e têm! E eles vão... E nós? Não vamos?Penso que está na altura de vermos onde é que Jesus está a morar nos dias de hoje. E tal passa por escutar as pessoas sem preconceitos, simplesmente escutá-las...

Pois é, Paulo! À Igreja não cabe o julgamento, nem a condenação - cabe-lhe o anúncio, escutando, acolhendo, fazendo...nem tão pouco cabe a vitimização. A vitimização é sempre um sinal de menoridade, de insegurança. E a Igreja não precisa de viver a insegurança. É em Cristo que ela descansa. Não é nas suas estruturas ou na sua autoridade moral.
Não basta propôr um caminho. É preciso fazê-lo ao ritmo de quem queremos acompanhar. E, para mais, o que é que nos diferencia (homens e mulheres da Igreja), do resto da humanidade? Só uma coisa apenas - Cristo, razão da nossa fé e da nossa esperança! De resto mais nada, somos do mesmo barro. Então, sejamos servos e não juízes.

No Continente já estamos na Quaresma, mas na Madeira...

o Carnaval ainda não acabou!

"O presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, apresenta hoje formalmente ao representante da república, Monteiro Diniz, a demissão do executivo, dois dias após fazer o anúncio público da sua decisão.
A demissão do presidente do governo regional da Madeira é acompanhada pela intenção da maioria social-democrata de impedir a formação de um governo alternativo."


E o povo, Senhor? O que pensar de um povo que, com gosto, se insere (votando) nesta marcha carnavalesca? Não sei se hei-de chorar, se chamar-lhes uns tantos nomes...

A moral é para servir as pessoas, não o contrário...

Los obispos preparan un documento que prohíbe a los católicos apoyar el tímido proyecto.El Gobierno italiano sabía que la regulación de las parejas de hecho provocaría un conflicto con la Iglesia católica. No esperaba, sin embargo, una resistencia tan dura como la planteada por el Vaticano y los obispos.
La Conferencia Episcopal ha adoptado el tono de un cuarto de siglo atrás, cuando se discutía la ley del aborto, y amenaza con emitir un documento para informar a los creyentes, incluidos los políticos, de que apoyar el proyecto gubernamental supone incumplir puntos esenciales de la doctrina católica, con las consecuencias que ello implica.
...
...Prodi es católico practicante. Cuando se planteó regular la convivencia al margen del matrimonio, una cuestión incluida en su programa y reivindicada por sus aliados de izquierda, tomó todas las precauciones. Una de las redactoras fue la ministra Rosy Bindi, católica estricta (mantiene el voto de castidad desde su juventud) y muy bien relacionada con los ambientes eclesiales. Bindi insistió en que no se planteaba siquiera la creación de una forma de convivencia alternativa al matrimonio, sino “el desarrollo de una serie de derechos individuales”. La posibilidad de que las parejas de hecho pudieran adoptar niños quedó absolutamente descartada. En Italia hay más de 500.000 parejas que conviven sin estar casadas.
...Aqui

"Dai-me Senhor, um coração puro"

1*«Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para vos tornardes notados por eles; de outro modo, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está no Céu. 2*Quando, pois, deres esmola, não permitas que toquem trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: Já receberam a sua recompensa. 3Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita, 4a fim de que a tua esmola permaneça em segredo; e teu Pai, que vê o oculto, há-de premiar-te.»A oração - 5«Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 6Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te. (MT6, 1-6)

O amor a Deus é imcompatível com a ostentação - seja da esmola, seja do rito, seja do sacríficio. O amor a Deus impele-nos a rasgarmos o nosso coração e a deixar que Ele nos converta e transforme. Para isso, não chegam as nossas orações rituais, a aceitação das dificuldades e lutas da nossa vida. É preciso que o nosso amor seja decisão, entrega radical.
O amor mudo não existe. Por isso, a nossa decisão de amar é feita de gestos de perdão, de reconciliação, de ajuda a todos os que connosco (con)vivem.

2007-02-19

ser cristão é uma complicação!

29*A quem te bater numa das faces, oferece-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, não impeças de levar também a túnica. (LC 6,29)

Mau, mau, mau, assim também já é demais!Como é que se vai conciliar o perdão e a passividade? O amor-próprio e a generosidade sem limites?

pouco, muito pouco

"Quem abre o Evangelho, pode ter a impressão que as palavras de Jesus são como uma carta muito antiga dirigida a mim numa língua desconhecida. Mas, como foi mandada por alguém que me ama, Cristo, eu tento compreendê-la, e coloco em prática na minha vida o pouco que consigo decifrar."

Do livro do irmão Roger, de Taizé: Em você a paz do coração - Meditações para cada dia do ano

sem medidas?

"Se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis?" (Lc 6,32a)

Ouvi ontem e hoje alguém mo lembra num e-mail. Ó Deus! Mas isto, não é próprio, é da Tua essência? Como é que me recomendas, isto, a mim? Como é que posso amar sem reservas, sem medo de cair na submissão, na dependência? Onde é que encontro a medida do equilíbrio?
¡Oh Cristo!


«Ya no hay un dolor humano que no sea mi dolor;
ya ningunos ojos lloran, ya ningún alma se angustia
sin que yo me angustie y llore;
ya mi corazón es lámpara fiel de todas las vigilias,
¡oh Cristo!

»En vano busco en los hondos escondrijos de mi ser
para encontrar algún odio: nadie puede herirme ya
sino de piedad y amor. Todos son yo, yo soy todos,
¡oh Cristo!

»¡Qué importan males o bienes! Para mí todos son bienes.
El rosal no tiene espinas: para mí sólo da rosas.
¿Rosas de Pasión? ¡Qué importa! Rosas de celeste esencia,
purpúreas como la sangre que vertiste por nosotros,
¡oh Cristo!»


Amado Nervo

2007-02-16

Boas folias


Entrudo


Ó entrudo Ó entrudo

Ó entrudo chocalheiro

Que não deixas assentar

as mocinhas ao solheiro


Eu quero ir para o monte

Eu quero ir para o monte

Que no monte é qu'eu estou bem

Que no monte é qu'eu estou bem


Eu quero ir para o monte

Eu quero ir para o monte

Onde não veja ninguém

Que no monte é qu'eu estou bem


Estas casa são caiadas

Estas casa são caiadas

Quem seria a caiadeira

Quem seria a caiadeira


Foi o noivo mais a noiva

Foi o noivo mais a noiva

Com um ramo de laranjeira

Quem seria a caiadeira


Zeca Afonso

coisas assustadoras

Uma organização espanhola acusa uma congregação religiosa criada à volta de alegadas aparições de Nossa Senhora nos arredores de Madrid de ter feito «desaparecer» pelo menos 25 pessoas ligadas ao culto, entre as quais uma portuguesa.

evasões


Aqui! Aqui é que eu queria estar. Por uns dias, umas horas ou estes instantes de medo. E isto não tem nada a ver com a trovoada que se ouve.

2007-02-15

de consciência tranquila

Ouço na rádio o ministro Teixeira dos Santos a comentar o valor do défice, e satisfeito com o resultado. Encosto-me no banco, tranquila e dou um suspiro de alívio. Hoje ajudei a baixar o défice do ano corrente. Depois da Isabel me mandar entrar e despir no cubículo em frente a que chama gabinete, ao verificar que não estava nenhuma bata para vestir, vou pedir uma. "-Não, desta vez não veste. Só veste quando for à doutora. Assim, poupamos uma bata." Resigno-me e lá vou tirando a roupa. Esperei perto de uma hora, a ler o "Público", despida da cintura para cima, experiência que ainda me faltava. Pelo menos, havia uma cadeira e esperei sentada. Foi uma modesta contribuição, mas foi com todo o gosto, Sr. Ministro.
¡ESTÁ BIEN!

Porque contemplo aún albas radiosas
y hay rosas, muchas rosas, muchas rosas
en que tiembla el lucero de Belén,
y hay rosas, muchas rosas, muchas rosas
gracias, ¡está bien!

Porque en las tardes, con sutil desmayo,
piadosamente besa el sol mi sien,
y aun la transfigura con su rayo:
gracias, ¡está bien!

Porque en las noches una voz me nombra
(¡voz de quien yo me sé!), y hay un edénes
condido en los pliegues de mi sombra:
gracias, ¡está bien!

Porque hasta el mal en mí don es del cielo,
pues que, al minarme va, con rudo celo,
desmoronando mi prisión también;
porque se acerca ya mi primer vuelo:
gracias, ¡está bien!

Amado Nervo

2007-02-14

não sei se isto quer dizer alguma coisa...mas,

lá que faz pensar, faz! Andava a ler a História da V, interrompi porque me emprestaram o Vaticano 2035, com recomendação de muito bom. E é. Agora estou quase a acabar O Nó do Problema para regressar à História da V. Pelo meio li O Estrangeiro de Camus, mas isso não deve ter nada a ver!

ai, ai,ai a tal da intuição feminina...

...amável leitor deixava-me um link para esta notícia da ecclesia. Fui ler, e faltou-me a subtileza necessária, para compreender um discurso de Bento XVI. É claro que não me escapou a referência a Doze Apóstolos varões, mas faltou-me capacidade para apanhar o resto. Numa passagem pela blogosfera páro no blogue Notas Verbais e o seu autor ajuda-me a ver claro.

Acompanhar o raciocínio de uma velha raposa como é o actual Papa, não é para uma beata ingénua como eu. É preciso muito mais. É que ele fala, das mulheres e tal e coisa que nunca abandonaram O Crucificado. Ah! Já percebi. Fiquemos quietinhas, que o nosso lugar é esse. Quietinhas na Igreja porque assim fizeram nossas mães e avós até à Madalena, Maria, Marta, Susana etc., etc.
Cântico do amor13

1* Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine.2Ainda que eu tenha o dom da profeciae conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou.3Ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado,se não tiver amor, de nada me aproveita. 4*O amor é paciente,o amor é prestável,não é invejoso,não é arrogante nem orgulhoso,5nada faz de inconveniente,não procura o seu próprio interesse,não se irrita nem guarda ressentimento.6Não se alegra com a injustiça,mas rejubila com a verdade.7Tudo desculpa, tudo crê,tudo espera, tudo suporta.

8*O amor jamais passará.As profecias terão o seu fim,o dom das línguas terminaráe a ciência vai ser inútil.9Pois o nosso conhecimento é imperfeitoe também imperfeita é a nossa profecia.10Mas, quando vier o que é perfeito,o que é imperfeito desaparecerá.11Quando eu era criança, falava como criança,pensava como criança,raciocinava como criança.Mas, quando me tornei homem,deixei o que era próprio de criança.12*Agora, vemos como num espelho, de maneira confusa; depois, veremos face a face.Agora, conheço de modo imperfeito;depois, conhecerei como sou conhecido.13*Agora permanecem estas três coisas:a fé, a esperança e o amor;mas a maior de todas é o amor. (1ªCor.13,1-13)

para os mais distraídos do mercado



imagem lenço dos namorados
catálogo www.ceramicarte.com/

2007-02-13

duplamente lixada


Houve um acidente ferroviário no rio Tua. Fico duplamente lixada. Um acidente ferroviário é mau. Um acidente ferroviário, num rio com um nome tão bonito, é mau demais.

hoje é para nós


Aqui há malvados!

As Cruzadas dentro da Igreja

..."Não matarás!" significa uma posição clara do Deus da Vida contra toda e qualquer forma de Cultura de Morte. Considero os ataques realizados pelos sectores conservadores da Igreja Católica ao modo de produção diferente significa um modo de matar o outro. A morte não é física, mas moral e social. Deus chora com a morte física do homem, mas chora com outros tipos de morte que são apregoadas pela falta de humanização do ser humano. Muito bom se lutássemos pela vida integral do ser humano e pelos seus direitos de cidadania e sociais como certos grupos se preocupam somente em lutar contra o aborto, a eutanásia, a camisinha. Não digo que sou favor ou contra tais lutas, mas não são lutas integrais.

Diante do mal-estar causado pelos estes sectores da Igreja, considero difícil permanecer no silêncio obsequioso proposto por eles. É o mesmo silêncio travestido de outras roupagens que foi destinado aos tantos mártires da caminhada de nossa América Latina. Um silêncio misturado com a dor e a angústia. Precisamos com isso, reafirmar e continuar acreditando no Reino, na justiça social, no testemunho de muitos e muitas que doam suas vidas pela causa maior de fazer do outro um ser especial aos olhos de toda a sociedade, pois aos olhos de Deus todos sem distinção somos especiais, mesmo quando Deus se encontra em lágrimas pelo desentendimento humano.

Querer defender uma posição é próprio do ser humano. Todos nós defendemos posições e isso é próprio do ser humano. Contudo, defender posições não significa chegar ao ponto de matar o outro, de eliminar o outro, de banir o outro da comunidade. Seria fácil se todos concordassem conosco, mas as coisas não são assim. O respeito pela alteridade deve ser levado mais a sério por determinados grupos que não entendem o jeito de se viver diferentemente a espiritualidade cristã que não é monopólio da Igreja Católica. Os Protestantes, a seu modo, vivem também a fé e a experiência do sagrado diferente dos católicos. Os Ortodoxos também. Agora por isso temos que atacá-los? Promover uma Guerra Santa, uma Cruzada contra os que comigo não concordem?...

Adital

2007-02-12

um prémio por cada parto. Experimente o sr Dr.

Apoiantes do «Não» pedem ajuda à maternidade

"Reacções marcadas pela proposta de um novo «subsídio» de nascimento
A Plataforma "Não Obrigada", o rosto mais visível na campanha pelo "Não" no referendo ao aborto, espera que os resultados deste Domingo também levem o Estado a apoiar mais decididamente a maternidade.
O médico João Paulo Malta voltou a defender a ideia do Estado pagar à mãe de cada criança que nasça um subsídio superior a 500 euros. Trata-se, de acordo com este mandatário da Plataforma, do equivalente a cada aborto que venha a ser feito nos hospitais públicos, que, de acordo com o ministro da Saúde, custará entre 500 e 750..."


A imaginação desta gente, não tem limites. A protecção e ajuda à maternidade tem de ser com outras políticas. Mas quem é que vai parir por 500 ou 750 euros? Mas isto vai lá com prémios destes?

E maternidade e paternidade responsáveis, em que toda a sociedade se tem de empenhar, não seria mais eficaz?

o pior vai ser quando me for confessar...

Vejo espantada que tive um pico de audiências. Mas depressa desvendo o mistério. O estimado João Tunes e o Ricardo Alves do Diário Ateísta, puseram uns links para este pequeno jardim. Obrigada, rapazes. Agradeço a vossa estima e, espanta-me o vosso interesse, por aquilo que vou escrevendo.

Quem me conhece de mais perto, sabe como me é difícil (e cada vez mais), conciliar a minha fé, com a prática diária da vida da Igreja Católica. É uma luta muito árdua. Espero continuar nela, porque as coisas mudam-se é dentro delas. Não é de fora a dar palpites. Mas cada vez mais me pergunto: até quando?

Para alimentar a minha fé, preciso de o fazer em comunidade, mas cada vez mais, me sinto uma estranha. Não tenho pretensões de achar que a razão está do meu lado, mas não posso fechar os ouvidos à minha consciência. E ela não me permite andar a "fazer número".

Espero não andar a ficar surda aos apelos de Deus na minha vida. Mas não sei...ainda hoje a dois metros de mim, alguém me diz que está a haver um "tremor de terra". Eu não senti nada! É que já se falou em aviso, ou castigo...como se Deus Nosso Senhor brincasse com coisas sérias!

observando o que se passa na blogosfera e na vida...

...nunca, nunca (e eu que sou teimosa q.b.) permitirei que as minhas ideias se sobreponham aos amigos e ao respeito que todas as pessoas me merecem.
Hoje, acordei em paz, com a minha Igreja, com o Bagão Félix, com o César das Neves, com o dr. Gentil Martins, com a dra. Margarida Neto e com todos os que se indignaram por ser católica e votar "Sim". E até fingi que não li, este post.

Que sinais para hoje?

Os fariseus pedem um sinal (Mt 16,1-4; Lc 12,54-56) - 11Apareceram os fariseus e começaram a discutir com Ele, pedindo-lhe um sinal do céu para o pôr à prova. 12Jesus, suspirando profundamente, disse: «Porque pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: sinal algum será concedido a esta geração.» 13E, deixando-os, embarcou de novo e foi para a outra margem.

Os fariseus pedem a Jesus um sinal do céu. Chama-nos a atenção este pedido, porque as passagens anteriores estiveram cheias de sinais. Que espécie de sinais estão pedindo os adversários incrédulos? Não lhes bastam os sinais que ratificam a fé do povo simples que se acotovela, seguindo a Jesus? As ações milagrosas realizadas pelo Mestre favorecem, sobretudo, os pobres e os excluídos (impuros) do sistema legal. Estes sinais são a confirmação da fé de seus destinatários; fé de que carece a maior parte dos poderosos de Israel.

É claro que Jesus não busca dar espetáculos. Não quer a fama. Isso os fariseus não podiam entender, viciados com a ostentação e aparências. Também os discípulos, como se verá mais adiante, custam a acreditar. Talvez por isso o Senhor suspira como decepcionado. Ou seja, poderá ser que suspire profundamente para conter as invectivas que tendem a brotar-lhe ante a contumácia de seus detractores.Os sinais milagrosos de Jesus não são para acrescentar seu poder temporal. São orientados para satisfazer as necessidades do povo e tornar palpáveis os bens do reino. Não necessitamos fazer coisas espetaculares para suscitar ou recuperar a fé do povo. O melhor sinal é o testemunho de uma vida! coerente segundo a vontade de Deus. Nossa comunidade cristã é sinal da presença salvífica de Deus no meio do povo? Nosso estilo de vida manifesta valores profundos da mensagem evangélica?

Serviço bíblico claretiano

Pela vida...

...fiquei contente, ontem. Não será o medo da lei, do castigo, mas a decisão livre e a consciência de cada mulher e de cada homem, que decidirão pela maternidade e paternidade responsáveis. Sei que muita coisa há a mudar, nas políticas de família, na saúde, educação etc. Cabe-nos a todos vigiar e responsabilizarmo-nos para que tal aconteça.

se te mostrasse...

Um céu e nada mais

Um céu e nada mais - que só um temos,
como neste sistema: só um sol.
Mas luzes a fingir, dependuradas
em abóbada azul - como de tecto.
E o seu número tal, que deslumbrados
eram os teus olhos, se tas mostrasse,
amor, tão de ribalta azul, como de
circo, e dança então comigo no
trapézio, poema em alto risco,
e um levíssimo toque de mistério.
Pega nas lantejoulas a fingir
de sóis mal descobertos e lança
agora a âncora maior sobre o meu
coração. Que não te assuste o som
desse trovão que ainda agora ouviste,
era de deus a sua voz, ou mito,
era de um anjo por demais caído.
Mas, de verdade: natural fenómeno
a invadir-te as veias e o cérebro,
tão frágil como álcool, tão de
potente e liso como álcool
implodindo do céu e das estrelas,
imensas a fingir e pendurada
sobre abóbada azul. Se te mostrasse,
amor, a cor do pesadelo que por
aqui passou agora mesmo, um céu
e nada mais - que nada temos,
que não seja esta angústia de
mortais (e a maldição da rima,
já agora, a invadir poema em alto
risco), e a dança no trapézio
proibido, sem rede, deus, ou lei,
nem música de dança, nem sequer
inocência de criança, amor,
nem inocência. Um céu e nada mais.

Ana Luísa Amaral
Às vezes o paraíso, Quetzal Editores, 1998 - Lisboa, Portugal

2007-02-10

Bom fim-de-semana


7Bendito o homem que confia no SENHOR,que tem no SENHOR a sua esperança.8*É como a árvore plantada perto da água,a qual estende as raízes para a corrente; não teme quando vem o calor, e a sua folhagem fica sempre verdejante. Não a inquieta a seca de um anoe não deixará de dar fruto. (Jer 17, 7-8)

2007-02-08

pois pode!


"Um best-seller que coloca em dúvida vários episódios da vida de Jesus está causando grande polêmica na Itália, às vésperas da publicação do primeiro livro do papa sobre Cristo.Os autores de Inquérito sobre Jesus, que está há várias semanas na lista dos livros mais vendidos do país, dizem, entre outras coisas, que a ressurreição de Jesus pode ter sido fruto de alucinação de seu seus discípulos. "
notícia aqui

Pois pode! Os gajos podem ter apanhado muito sol na moleirinha, não ter escolhido bem os cogumelos, abusar do tinto que por lá também deve ser bom...e um bom peixinho grelhado está mesmo a pedir...mas, o facto é que os gajos morreram todos por isso. E foram presos e perseguidos. Maluquinhos, já se vê! E ainda hoje, vejo brilhar nalgumas vidas, o cruzar de olhares com O ressuscitado. E ardem de desejo para dar forma e vida a esse acontecimento. E juro que não fumei, nem bebi nada, que não àgua pura da Serra do Buçaco.

reflexão para os dias que correm...


O melhor não é o ideal


“ O que é terrível em nossa época é precisamente a facilidade com que as teorias podem ser postas em prática. Quanto mais perfeitas, quanto mais idealistas são as teorias, tanto mais horrendas sua realização. Estamos enfim começando a redescobrir o que os homens conheciam talvez melhor nos tempos muito remotos, nos tempos primitivos, antes que se pensassem em utopias: que a liberdade está vinculada à imperfeição e que limitações, imperfeições, erros são não somente inevitáveis, mas até salutares.O melhor não é o ideal. Onde aquilo que é teoricamente melhor é imposto a todos como norma, não há mais lugar nem mesmo para ser bom. O melhor, imposto como norma, torna-se um mal.”

Thomas Merton aqui
imagem Nakaba Tachibana-a porta está aberta

Para quem a salvação?

24Partindo dali, Jesus foi para a região de Tiro e de Sídon. Entrou numa casa e não queria que ninguém o soubesse, mas não pôde passar despercebido, 25porque logo uma mulher que tinha uma filha possessa de um espírito maligno, ouvindo falar dele, veio lançar-se a seus pés. 26Era gentia, siro-fenícia de origem, e pedia-lhe que expulsasse da filha o demónio. 27Ele respondeu: «Deixa que os filhos comam primeiro, pois não está bem tomar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos.» 28Mas ela replicou: «Dizes bem, Senhor; mas até os cachorrinhos comem debaixo da mesa as migalhas dos filhos.» 29Jesus disse: «Em atenção a essa palavra, vai; o demónio saiu de tua filha.» 30Ela voltou para casa e encontrou a menina recostada na cama. O demónio tinha-a deixado. (Mc 7, 24-30)

Jesus se retira com seus discípulos para a região de Tiro, uma terra habitada por pagãos. Aparece por lá aquela mulher aflita, que se aproxima do Senhor e lhe implora que cure sua filha. A reação de Jesus é aparentemente brusca e insultante. Os judeus, que acreditavam ser os únicos possuidores da salvação de Deus, consideravam os outros povos como “cachorros” que somente tinham direito às migalhas do pão de salvação.
Jesus começa por assumir dissimuladamente o critério de seus compatriotas, para, em seguida, opor-lhes seus próprios e verdadeiros sentimentos. E o faz por merecimento da fé irredutível daquela mulher pagã, que, apesar da aparente rejeição forte, chama-o humildemente de “Senhor”. Essa atitude comove a Jesus, que liberta a filha da siro-fenícia do mal que a afligia.

Tendemos a ser excludentes. Proclamamo-nos donos da verdade. Nas discussões, só nós queremos ter razão, e os demais estão errados. Os pais insistem que estão certos e se fecham aos argumentos dos filhos. Estes, por sua vez, consideram os pais irremediavelmente antiquados e obsoletos.

Estamos absolutamente convencidos de que nosso grupo – ou comunidade eclesial – é o único e verdadeiro. Os demais são os “separados”, “os sectários”, “os errados”... Somente uma atitude como a de Jesus, aberta e sensível à palavra e aos sentimentos do outro, poderá mudar nossa mentalidade fechada e excludente, que de saída está profundamente errada.

Serviço bíblico claretiano

2007-02-07

Não há crime sem castigo!


Decidi ignorar o jejum de doces e fui comprar um bolo para o lanche. Chegada a hora, saco dele e dou uma dentada, deliciada. Já tinha p'raí oito dias. Além de chamar uns nomes ao pasteleiro, enquanto mastigava o "castigo" até ao fim; voltei a fazer votos!

estupidez em estado puro

Oiço, enquanto preparo o almoço, a reportagem sobre um prémio atribuído à poetisa Ana Luísa Amaral, que inclui uma quantia monetária. Pergunta a repórter: - Já sabe onde vai gastar o valor do prémio? Responde a poetisa: - Olhe, vou comprar um sofá. Estava sentada nele quando recebi o telefonema e pensei nisso. - Para escrever poesia! Afirma, lesta, a repórter. - Não, para me sentar com os meus amigos. Poesia não escrevo sentada no sofá. Responde, com muita paciência, Ana Luísa Amaral,

O futuro de Deus numa sociedade laica

Hablar de Dios es hablar del sentido de la vida, dado que a todos lo que realmente nos interesa de Dios está en relación con las preguntas que todos nos hacemos: ¿cómo ser felices, qué es el bien y el mal en cada uno de nosotros, cómo tenemos que aprovechar el tiempo que nos quede de vida?… Todo esto de una forma u otra son preguntas que tenemos todos los seres humanos y que todos nos hacemos. Son preguntas que nos marcan como personas. Y a las que deseamos una contestación cuando nos acercamos a Dios....

...Estamos en el final del cristianismo sociológico. Todos sentimos la sensación de no estar en una sociedad más tranquila y más segura, en la que vivir la identidad cristiana ni está menos cargada de conflictos. Cuanto más años tenemos, más difícil se nos pone, porque nuestra capacidad de adaptación va disminuyendo. Y que por tanto para los ancianos cualquier cambio, por el hecho de ser cambio, es malo. Todo cambio, queramos o no, nos desestabiliza. Todo cambio nos provoca y nos exige una adaptación, y nuestras posibilidades de adaptación a nuevas circunstancias conforme nos vamos haciendo mayores van disminuyendo. Por tanto lo primero es asumir que estamos en el final del cristianismo sociológico .No hay vuelta atrás. Si los obispos siguen soñando en que después de las crisis de vocaciones sacerdotales y religiosa va a haber una gran afluencia de jóvenes que llenen los seminarios como ocurrió después de la guerra civil, están equivocados. Si ellos piensan que la sociedad va a volver a ser una sociedad cristiana en la que el papel de la Iglesia va a volver a tiempos pasados, están equivocados. Hemos acabado con ese tipo de cristianismo...

José António Estrada

Primavera


A face breve
enuncia o esplendor


José Tolentino de Mendonça
A noite abre meus olhos

2007-02-06

a importância de saber olhar


O mundo, afinal, é também um lugar de bondade.
António Marujo, aqui

O valor da vida

Assumo que o valor que dou à vida humana, está impregnado da minha condição de crente. Mesmo que não precisasse da fé para mais nada, preciso dela para alimentar a minha esperança e o meu amor em relação à vida. Não só em relação à minha, mas a de todos. A esperança de que a vida não cabe, apenas, no nosso viver físico, mas começa e termina no sonho de Alguém.
Esta esperança reconforta-me perante tanta injustiça, tanta maldade gratuita. Reconforta-me nos desacertos que a minha própria vida contém.

Lembro-me de uma série que passou, já há uns bons anos, na televisão, e que tinha como argumento o Holocausto. Era uma série dura, cruenta, que retratava com grande fidelidade o extermínio levado a cabo pelo nazismo. De todas as imagens que vi, uma ficou para sempre na minha memória; a morte de vários deficientes mentais profundos que foram enfiados nos camiões e levados para as câmaras da gás. Tenho pensado muito, e nestes dias, porque é que a minha memória guardou em primeiro plano essas imagens. Creio que é porque elas demonstram até onde pode ir a maldade gratuita, sem razões, sem argumentos. A maldade que existe no mundo e que alojada no coração do homem, o leva a cometer actos destes.

cuidado com o bicho


Olhem a fera que arranjei para me guardar o jardim!

onde está o nosso coração?

1*Os fariseus e alguns doutores da Lei vindos de Jerusalém reuniram-se à volta de Jesus, 2e viram que vários dos seus discípulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar. 3*É que os fariseus e todos os judeus em geral não comem sem ter lavado e esfregado bem as mãos, conforme a tradição dos antigos; 4ao voltar da praça pública, não comem sem se lavar; e há muitos outros costumes que seguem, por tradição: lavagem das taças, dos jarros e das vasilhas de cobre. 5Perguntaram-lhe, pois, os fariseus e doutores da Lei: «Porque é que os teus discípulos não obedecem à tradição dos antigos e tomam alimento com as mãos impuras?» 6*Respondeu: «Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, quando escreveu: Este povo honra-me com os lábios,mas o seu coração está longe de mim. 7Vazio é o culto que me prestam e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos.8Descurais o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens.» 9E acrescentou: «Anulais a vosso bel-prazer o mandamento de Deus, para observardes a vossa tradição. 10*Pois Moisés disse: Honra teu pai e tua mãe; e ainda: Quem amaldiçoar o pai ou a mãe seja punido de morte. 11Vós, porém, dizeis: «Se alguém afirmar ao pai ou à mãe: 'Declaro Qorban' - isto é, oferta ao Senhor - aquilo que poderias receber de mim...», 12nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua mãe, 13anulando a palavra de Deus com a tradição que tendes transmitido. E fazeis muitas outras coisas do mesmo género.» (MC 7, 1-13)


Também nós reduzimos a prática religiosa ao rigorismo dos ritos e normas. Armamos escândalos por causa de formalidades, mas silenciamos e pedimos prudência ante as injustiças que se cometem tanto na comunidade civil como na eclesial. Este é o motivo da controvérsia de Jesus com os escribas e fariseus.
Estes se escandalizam porque os discípulos de Jesus não cumprem com as prescrições rituais para comer. Mas Jesus faz ver que aquelas tradições eram puramente humanas, culturais; que não tinham procedência divina. Então, sendo assim, não podiam obrigar ninguém a segui-las.
Em troca, aqueles críticos severos se esqueceram da misericórdia e da solidariedade para com os seus, especialmente com seus pais. Jesus considera não uma bênção, mas uma verdadeira maldição fazer uma oferta ao Templo para fugir da obrigação de socorrer aos velhos pais.
Outra vez, o Senhor insiste que, acima da norma, do costume, da instituição ou da estrutura de qualquer gênero, estão a justiça e a misericórdia.

Serviço bíblico Claretiano

2007-02-05

a importância da consciência moral de cada um

...Pelas normas morais, e segundo a moral ( os valores, os príncipios orientadores das nossas condutas) partilhada por certas pessoas o valor da vida (qualquer que seja a sua forma) é um valor absoluto, logo por consequência, o aborto seria um acto moralmente censurável.

Para outras pessoas, outras normas morais se impõem e são tanto ou mais valiosas que o valor da vida. Dou apenas três exemplos:
a) aquele que dá a vida na luta pela liberdade, está implicitamente a colocar ao mesmo nível o valor da liberdade e o da sua própria vida.
b)aquele que se suicida, porque algo na sua vida o atingiu tão fortemente (ter sido desonrado, ter sido apanhado a roubar, etc.), fá-lo porque para ele é impossível continuar a viver (um valor mais alto que se subrepõe ao da sua vida)
c) uma mulher que interrompe voluntáriamente a sua gravidez fá-lo porque outros valores se sobrepõem e são determinantes na sua decisão.

Estes exemplos mostram como cada indivíduo tem a sua moral (a sua consciência moral), e como a moral varia de época para época (antigamente certos actos eram moralmente condenáveis, e hoje não o são) e de sociedade para sociedade (os juros podem ser moralmente censuráveis numa sociedade e não o ser noutra)

Estes exemplos mostram também como é muito "feio" alguém "impôr" a sua moral aos outros através dos mais variados artíficios (imposição coerciva, ameaça e intimidação, do tipo "faz isto senão..."), pois o que importa são as pessoas formarem-se e educarem-se segundo certos e determinados valores e princípios que livremente escolheram para si como orientadores dos seus comportamentos dentro da comunidade humana, valores e princípios esses que devem estar em sintonia com todo o historial e todos os avanços da Humanidade, por maior que seja a sua diversidade cultural.

...A descriminalização (ou a manutenção da sua criminalização) do aborto é pois uma questão de política criminal estatal. Trata-se de saber se, segundo determinados critérios, a sua criminalização ou a sua discriminalização satisfaz os interesses que o Estado (por intermédio dos governos ou dos deputados) ou os cidadãos (através de um referendo) consideram relevantes...

Ler o artigo todo aqui.
sublinhados meus

Espero: tudo se há-de simplificar; tudo nos vai parecer "claro como água".


Eugène Ionesco - A busca Intermitente

2007-02-02

Bom fim-de-semana


Mas pela graça de Deus sou aquilo que sou e a graça que Ele me deu não foi inútil. (1ª Corint 15, 10a)

um homem da ciência...


...que não se importa de se afirmar cheio de dúvidas. Foi um momento particularmente feliz de televisão, a entrevista de Judite de Sousa ao cientista português Alexandre Quintanilha. A temática era o referendo sobre o aborto, mas foi mais do que isso. Foi o conhecer a história pessoal de um homem, com uma postura muito doce, que ao votar "sim" no referendo e sendo homem da ciência não tem medo de se confessar cheio de dúvidas sobre o processo da vida. Numa época, onde nos esgotamos a encontrar certezas que orientem os nossos passos, ouvir alguém, com enorme simplicidade, dizer que tem mais dúvidas do que certezas e que, o que mais procura fomentar nos seus alunos é a curiosidade, dá-nos uma perspectiva de vida muito mais condizente com o que somos na realidade. Na vida, tudo está em aberto. As várias dimensões da nossa existência são um contínuo caminhar. Quando perdermos a sensibilidade para isso, estamos mortos. Não há eternidade que nos valha.

ser mulher



Rigoberta Menchú, líder indígena guatemalteca e Prémio Nobel da Paz em 1992, está a ponderar candidatar-se à presidência, nas eleições de Setembro próximo.


No início deste ano, convidei aos homens e mulheres do planeta a partilhar um Código de Ética para um Milénio de Paz reclamando que:
Não haverá Paz se não há Justiça
Não haverá Justiça, se não há Equidade
Não haverá Equidade se não há Desenvolvimento
Não haverá Desenvolvimento se não há Democracia
Não haverá Democracia se não há respeito pela Identidade e Dignidade dos Povos e das Culturas.
(Carta a George W. Bush)

até aonde vai o nosso "mundo"?


...Actualmente, o grande crime da humanidade é o da exclusão social. Por todas as partes reina fome crónica, aumento das doenças antes erradicadas, depredação dos recursos limitados da natureza e um ambiente geral de violência, de opressão e de guerra...

Leonardo Boff - Adital

2007-02-01

o lugar do repouso


Não, hoje não é o dia dos gatos. Recebi um e-mail que dizia ser o dia da amizade. Não conheço tal efeméride. Mas para celebrar a amizade e os amigos, todos os dias são bons. Pode muito bem ser hoje. Tanta coisa me ocorre sobre a amizade. E o melhor é que é de rostos que ela é feita. Podia colocar aqui o nome dos meus amigos. Digo antes: a vossa amizade é o lugar do meu repouso.

só por obrigação é melhor não

Se há coisa que me correu bem na vida, foi ter sido mãe( ainda sou, que parece que é tarefa vitalícia). Ainda por cima, quando se tem a sorte de o ser de duas santas criaturas; é de agradecer aos céus, todos os dias e pela eternidade além. Mas essa coisa do instinto maternal é que me fez sempre muita confusão. Se ele existe, eu devia estar no fim da fila quando foi a distribuição. Não achei graça nenhuma aos enjoos matinais e ao longo dos dias, às dores do parto suportadas até à exaustão, com os dentes cerrados que gritaria é para melhores alturas. A mais velha que, nas primeiras semanas de vida, chorava desalmadamente todas as santas noites, os mamilos gretados e as dores incríveis que isso provoca...pronto, é melhor ficar por aqui.
Assim sendo, leio num panfleto distribuído à porta da igreja, os senhores bispos da Conferência Episcopal dizerem o seguinte: -"...desde que aceitou gerar a mulher tem obrigação de proteger e defender a vida de outro ser"-, e penso: "eles, que de saias, só conhecem as que vestem por inerência de funções, são muito lestos a decidir o que uma mulher tem ou não de fazer".

Primeiro, têm a certeza que a mulher aceitou gerar? Só pelo facto de ter nascido mulher? Só porque se deitou com um homem?

Segundo, como é que lhe impõem essa obrigação? A que título?

Eu, muito sinceramente, não gostava de ver mulheres que não desejam ser mães, serem-no por obrigação. Pelo bem delas e dos filhos que gerassem.

Se eu pudesse dizer-te: - Senta aqui
nos meus joelhos, deixa-me alisar-te,
ó amável bichinho, o pêlo fino;
depois, a contra-pêlo, provocar-te!
Se eu pudesse juntar no mesmo fio
(infinito colar!) cada arrepio
que aos viageiros comprazidos dedos
fizesse descobrir novos enredos!
Se eu pudesse fechar-te nesta mão,
tecedeira fiel de tantas linhas,
de tanto enredo imaginário, vão,
e incitar alguém: - Vê se adivinhas...
Então um fértil jogo de amor seria.
Não este descerrar a mão vazia !(...)
Alexandre O'Neill