2007-02-21

indiferença à Igreja? Talvez com razão.

Uma parte da nossa sociedade está-se a borrifar para o que a Igreja pensa ou deixa de pensar. Isso dá-me volta ao interior. Quando a indiferença (e não a Inaciana) se instala, é sinal para olharmos à nossa volta e perceber o porquê dessa indiferença. O Vaticano II diz-nos para irmos às origens do Cristianismo. A Origem é a Encarnação numa sociedade concreta, onde Cristo se dá a todos os que se aproximam. Não impõe, não acusa, não julga, apenas mostra um caminho para a humanidade chegar à divindade. Quando os discípulos de João Baptista vão ter com Jesus e lhe perguntam onde moras?, têm como resposta: Vinde ver!. Com o que são e têm! E eles vão... E nós? Não vamos?Penso que está na altura de vermos onde é que Jesus está a morar nos dias de hoje. E tal passa por escutar as pessoas sem preconceitos, simplesmente escutá-las...

Pois é, Paulo! À Igreja não cabe o julgamento, nem a condenação - cabe-lhe o anúncio, escutando, acolhendo, fazendo...nem tão pouco cabe a vitimização. A vitimização é sempre um sinal de menoridade, de insegurança. E a Igreja não precisa de viver a insegurança. É em Cristo que ela descansa. Não é nas suas estruturas ou na sua autoridade moral.
Não basta propôr um caminho. É preciso fazê-lo ao ritmo de quem queremos acompanhar. E, para mais, o que é que nos diferencia (homens e mulheres da Igreja), do resto da humanidade? Só uma coisa apenas - Cristo, razão da nossa fé e da nossa esperança! De resto mais nada, somos do mesmo barro. Então, sejamos servos e não juízes.

4 comentários:

  1. É que nem podemos mesmo ser juízes... Eu não conheço (nem ninguém dentro da Igreja) a totalidade da vida das pessoas. É uma imensidão. E quando entramos no campo da fé, ui, nem se fala...

    Ser Cristão, como vimos de forma particular no Evangelho deste último domingo, implica uma alteração da forma como abordamos a vida e a relação com os outros. É exigente! Mas uma exigência que será gradual, na medida das nossas forças. Ninguém pede a uma criança da 1ª classe, que faça uma dissertação sobre a metafísica aristotélica... Ora, não posso dar a outra face, sem antes perceber o acolhimento divino à minha realidade concreta, com mais ou menos pecados.

    Há dias falei sobre a relação da Eucaristia no dia-a-dia e confirmei o ritualismo que se vive, simplesmente porque sim, nomeadamente nas perguntas que me eram colocadas. A preocupação com pormenores, que devem lá estar mas que não são essenciais, deixaram-me a pensar...

    De facto, nós Igreja, temos de percorrer o caminho, fazê-lo na realidade concreta das pessoas. Não podemos ter medo de ouvir as críticas. Algumas podem não ter fundamento, também já as fiz... Mas outras, têm por trás um vontade de aproximação a Deus bastante intensa. E nós temos de perder o medo de o dizer e de assumir a nossa fraqueza nalguns campos. Se estamos preenchidos de pormenores sem importância, não deixamos espaço para que seja ELE a guiar a Sua Igreja.

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  2. Paulo,

    já tinha saudades de te ler por aqui. Estás a matá-las muito bem. :)

    Um beijo

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  3. MC!

    Cada vez mais acredito em Deus. E ando embrulhado com a racionalidade filosófica!! :p

    Mas é de tal maneira forte o que sinto, que há que mostrar que Ele é muito mais. Não posso guardar para mim, o que tenho de melhor... :)

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  4. "O Vaticano II diz-nos para irmos às origens do Cristianismo".
    Pois diz, mas quem vai? Para quem teve oportunidade de ler todas as actas do Concílio e todos os documentos dele emanados, não resta muita coisa. Missa em língua vernácula, padres de frente para os leigos, leitores, ministros extraordinários da comunhão (onde os há) e pouco mais. O resto (a essência), foi totalmente disvirtuado pelo papa anterior e pelo actual. E quem quis, no entretanto, manter vivo o espírito do Concílio (Hans Kung, Leonardo Boff, Thomas Haag , Eugen Drewerman e tantos outros) foi excluído. Quem tinha sido excluído por negar o espírito do Concílio (Lefébre e seguidores) foi reabilitado com pompa e circunstância. Já faltou mais para que o suiço seja canonizado.

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