2007-02-12

o pior vai ser quando me for confessar...

Vejo espantada que tive um pico de audiências. Mas depressa desvendo o mistério. O estimado João Tunes e o Ricardo Alves do Diário Ateísta, puseram uns links para este pequeno jardim. Obrigada, rapazes. Agradeço a vossa estima e, espanta-me o vosso interesse, por aquilo que vou escrevendo.

Quem me conhece de mais perto, sabe como me é difícil (e cada vez mais), conciliar a minha fé, com a prática diária da vida da Igreja Católica. É uma luta muito árdua. Espero continuar nela, porque as coisas mudam-se é dentro delas. Não é de fora a dar palpites. Mas cada vez mais me pergunto: até quando?

Para alimentar a minha fé, preciso de o fazer em comunidade, mas cada vez mais, me sinto uma estranha. Não tenho pretensões de achar que a razão está do meu lado, mas não posso fechar os ouvidos à minha consciência. E ela não me permite andar a "fazer número".

Espero não andar a ficar surda aos apelos de Deus na minha vida. Mas não sei...ainda hoje a dois metros de mim, alguém me diz que está a haver um "tremor de terra". Eu não senti nada! É que já se falou em aviso, ou castigo...como se Deus Nosso Senhor brincasse com coisas sérias!

26 comentários:

  1. Este post é uma resposta ao comentário anónimo, do anterior. Por acaso é padre? Quer ouvir-me em confissão?

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  2. Conheço um pouco Caldas da Rainha, vivi (quase) um ano em Famalicão da Nazaré. Talvez a terra, que gosto muito, é um pouco pequena para ti? Claro que não estou a sugerir para te mudares...
    Ainda bem que há o Internet! Assim tens a Helena, por exemplo...

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  3. Ai, MC, que está a apetecer-me ser um bocado mauzinho contigo... :)

    Deixo-te uma sugestão: "Nós, os vencidos do catolicismo", de João Bénard da Costa.

    Acho que o João Tunes, se o lesse, diria: "Um livro estranho..."

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  4. Uma aposta, uma informação e um conselho ao "js": a) Aposto que já lia Benard da Costa antes de vc começar a aprender o catecismo. b) Não tenho Index emigrado da Inquisição, portanto nenhum livro me é estranho. c) Não tenha mau perder, tb o meu clube Glorioso foi eliminado da Taça na Póvoa de Varzim e ando aqui de cara alegre porque mereceu perder. João Tunes

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  5. Miúda, nariz pra cima e bola prá frente!

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  6. Lutz, não é uma questão de me mudar. É não desanimar.

    E o que me vale é a net, pois... :)

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  7. Ai, JS, está a apetecer-te? e qual é o teu problema?

    E eu não me sinto vencida de nada.

    Mas baixar a cabeça é que não.

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  8. /Me,

    já apanhaste o rato?

    ...Isto foi ontem... :)

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  9. MC, ele comeu um bocado de veneno... Mas não sei se chegou para o matar, nem sequer se ele terá amigos!

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  10. MC

    Este comentário é a resposta à sua pergunta.

    Qualquer anónimo tem de ser padre?

    Bem me quer parecer que tem algum fetiche por padres.
    Ou mantém uma relação de amor-ódio por algum.

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  11. /Me não te sobrou nenhuma ratoeira? Preciso.

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  12. sr anónimo, tenho mais que fazer que dedicar-me a jogos florais. Aqui vai o último comentário que lhe dedico.

    "fetiche por padres", não muito obrigada.

    E se quer a minha atenção, venha com alguma conversinha de jeito, se não, passe bem que eu tenho outros prazeres na vida.

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  13. João Tunes:

    Quanto ao a): É bem possível. Até é mesmo provável que tenha lido as crónicas originais que o dito livro colecciona. O uso do condicional ("se o lesse") tem que ver apenas com o facto de a obra não estar facilmente disponível e com a pressuposição de que não constaria da sua lista de preferências para aquisição e degustação.

    Quanto ao b): Precisamente. Por isso mesmo, sugerir a sua leitura a alguém do DA seria pura perda de tempo; e o mesmo se diga de muitos bons católicos. O estranhar o livro é dito no sentido de a sua leitura poder resultar provocante/estimulante para um leitor como o João Tunes.

    Quanto ao c): Agradeço a recomendação, que creio desnecessária. Confesso que tinha um secreto desejo de ver o Não ganhar, pela mesma razão que me levou a torcer pelo Varzim no sábado: é que gosto de puxar pelo lado mais fraco. É uma espécie de complexo David/Golias. Assim, coube-me em sorte dar umas boas gargalhadas no sábado; e encolher os ombros no domingo...

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  14. JS,

    o João Tunes não é do DA.
    O seu a seu dono.

    E o que é isso de te rires do Benfica? Ai a brincadeira. Não me digas que também és lagarto... :(

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  15. MC, o meu problema é correr o risco de te magoar.
    Mesmo assim, aqui vai:

    1. Depois de tantas citações do Merton, do Boff, da Adélia, do Varillon, da Adital, dos Claretianos e de muitos outros, ainda falas da Igreja Católica como se fosse um grupelho de bispos e padres, de pensamento único e imutável, ao qual só cabe aderir por obediência cega? You know better, carago...

    2. Achas mesmo que o teu Sim está assim tão distante de tantos Nãos (e vice-versa)? Ou terás embarcado na treta dos extremistas, ficando convencida de que isto era realmente um confronto entre os que odeiam as mulheres e os que odeiam as crianças?...

    3. Votaste em consciência. Muitos dos que votaram diferente de ti também o fizeram em consciência. Certamente que lhes reconhecerás isso, e não os julgarás como gente que só anda a "fazer número". E certamente que hás-de perceber que eles respeitam a tua opção e a tua caminhada de fé e não te julgarão como uma "traidora" às crenças cristãs.

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  16. MC

    Eu sei que João Tunes não é do DA. Por isso mesmo é que lhe deixei o teaser, e não ao Ricardo Alves...

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  17. MC

    Sendo o Sporting considerado um dos grandes, pela minha lógica raramente conta com o meu apoio... :)

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  18. JS,

    obrigadinha pelo cuidado em não aleijar, mas informo-o, meu caro senhor, que estou muito próxima do centro de saúde e, hoje ofereceram-me uma caixa de chá verde para digestões difíceis. :)

    Então, vamos lá...parece-me que estamos como aquela história da garrafa; para um está meio cheia e para outro meio vazia.

    Citas e muito bem, autores que aqui refiro, mas também sabes como é que eles são conotados pelos sectores ortodoxos da Igreja. Segue o link para a Adital e lê o artigo todo. No "redes cristianas", ainda hoje, salvo erro, se falava de um professor de Teologia que viu a Tese censurada por falar das CEB'S e por aí fora...portanto, carago digo eu. Mas, apesar disso, e por aquilo que me relembras, eu não me sinto uma vencida do catolicismo. Isto é um trabalho de formiga, dá frutos que não são tidos em conta, mas existem.


    E sobre os teus pontos 2 e 3, embora concordando com eles na generalidade, ficam aquém do que vi e vejo na especialidade. Mesmo só tendo em conta a discussão na blogosfera, achas que, o que sintetizas, foi o que se passou na realidade? Olha que há para aí gente muito machucada com o calor das discussões.

    E, ainda um dia, me tens de contar a que paróquia pertences...talvez se me faça luz. É que vês tudo muito florido. Ou então estás nalgum seminário (lá vem o maluco anónimo dizer que só penso em padres)...:)


    E de futebol não falemos mais, já me chega o tempo que ocupam nos telejornais.
    Mas fazes bem ser pelos pequenos, também tens uma costela de teólogo da libertação! ;)

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  19. js,

    O senhor confirma que, remediavelmente, é um ente convencido e arrogante, demonstrando uma evidente falha narcísica de julgar pertencer a uma qualquer elite, espiritual ou pior, sempre com vocação conspirativa (e, com isso, casa bem não conseguir revelar a identidade, mantendo-se como blogo-encapuçado).

    Caso contrário:

    - Não julgaria de outrem ter deficiência em aceder a obras pouco disponíveis ou serem estreitos na culinária literária de preferências, aquisições e degustações. [enganou-se, eu, para livros, compro os que quero e ao preço que seja, e leio tudo e todos, só tenho limite de tempo para ler o que muito que tenho sempre para ler; como na comida e da bebida, como do melhor e bebo do fino; enfim, poupo em muito do resto… mas de nada me queixo]

    - Não suporia ter medida da provocação/estimulação para uso alheio. O que é demasiada ambição para quem domina escrita tão frigidamente cínica como a sua. Tanto que parece intelectualmente concebido em filigrana jesuítica.

    - Não teria encolhido os ombros no domingo. Porque, assim, demonstrou que jogou a feijões numa causa disputada como de vida ou não vida.

    Cure-se. Ou confesse-se. No mínimo, deve ter uma Igreja Maná perto de si.

    João Tunes

    PS - Mil desculpas à MC por desopilar em casa sua.

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  20. MC

    Que certos sectores auto-intitulados ortodoxos se julguem os únicos legítimos e verdadeiros representantes da Igreja Católica, nada de estranho; que tu caias na asneira de os reconhecer como tais, isso é que me incomoda.
    Cabe aceitar a sua existência; reconhecer até certo ponto a necessidade do papel que representam; e ir lidando, melhor ou pior, com a pressão que exercem, fruto de estarem bem instalados no poder. Mas a Igreja é imensamente mais do que isso...

    Quanto ao resultado da campanha, é claro que quem se envolveu activamente não saiu incólume da refrega. Num tema tão complexo, as pessoas, mais do que razões, travam-se de paixões. E numa guerra não há espaço para consensos e equilíbrios. Joga-se o tudo ou nada, só há branco e preto. Ou és por mim, ou és contra mim. Ou matas ou morres.
    Mas, se em tempo de guerra, um espanhol é o contrário de um português, em tempo de paz descobrem-se irmãos...

    Vejo as coisas assim, não propriamente por pertencer a uma paróquia florida, mas por me ter propositadamente reservado neste referendo. No anterior, fui muito mais expedito em dar a minha opinião e em tomar partido; e não faltaram mágoas e ressentimentos a nascer em mim e à minha volta. Desta feita, ao ver a batalha a aproximar-se, e sabendo que havia final marcado e resultado previsível, achei por bem alistar-me, não em algum dos exércitos, mas antes na Cruz Vermelha, procurando, aqui e ali, deitar água na fervura e ajudando agora a sarar feridas e a recuperar serenidade. Penso que a defesa da vida também passa por isto...

    Boa noite!

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  21. João Tunes,

    Quanto ao elenco dos meus defeitos, só lhe posso dizer que a lista está longe de se poder considerada completa.
    Desculpe não ter elaborado nada de semelhante a seu respeito; o apreço que tenho por si não facilita tal demanda.

    Quanto ao livro: reconheço ter generalizado a partir da minha experiência pessoal. Eu tive dificuldade em encontrá-lo; eu achei-o provocante/estimulante.
    Desculpe ter-me atrevido a pensar que o mesmo se pudesse passar consigo.
    Desculpe também a minha temeridade em insinuar possuir alguma espécie de conhecimento sobre as suas preferências literárias.

    Quanto à minha reacção ao resultado do referendo: anoto o seu desagrado. Tenha paciência.

    Agradeço o lembrete para a confissão. Realmente, já se aproxima a Quaresma. Um tempo sempre favorável...

    E agora, deixando de lado os floreados que tanto o enervam, pergunto-lhe:
    Leu o livro?
    Se sim, que achou dele?

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  22. João Tunes,

    o espaço, aqui, é livre. Cada um usa como entende. Quer dizer, se alguém passar dos limites, tenho o "delete" debaixo do dedo. :)

    Mas eu gostava que duas pessoas que eu estimo, de modos diferentes porque é diferente o conhecimento que tenho de um e de outro, se entendessem. Não é obrigatório que o façam, podem achar tal coisa impossível; cada um tem os seus gostos e preferências.

    Um abraço, para si, João ;)

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  23. JS,

    Não estás numa paróquia florida, ainda bem. Também são um perigo. É que o Paraíso não é no adro da igreja.

    Não sei porquê acho que estamos com dificuldade em entendermo-nos. Precisamos de qualquer coisa que desbloqueie isto. :)

    Mais inserida ou menos inserida, nunca me sentirei à margem da Igreja de Cristo. E também espero continuar a estar na Igreja Católica.

    É óbvio que quem detém o poder é que tem capacidade de excluir, não vale a pena estarmos com floreados. E isto começa em Roma e vem por aí a baixo.
    Agora, não sei, foi de onde tiraste a ideia que é a esses que reconheço como únicos representantes da Igreja Católica. Se dei a entender isso, não corresponde ao que penso.
    Que eles se arrogam como tal, acho que estamos de acordo.

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  24. MC

    Tentando esclarecer, recupero algumas linhas do teu post.

    Dizias: "Como me é difícil (e cada vez mais), conciliar a minha fé, com a prática diária da vida da Igreja Católica".
    Ora, se dissesses: "... com a prática diária da vida de alguns sectores da minha Igreja Católica", só me restaria dizer-te que estás longe de ser a única.

    Dizias: "Para alimentar a minha fé, preciso de o fazer em comunidade, mas cada vez mais, me sinto uma estranha".
    Ora, se tivesses continuado: "... uma estranha perante o actual estilo da paróquia em que me insiro e do padre que a preside"; ou então: "...uma estranha perante a persistência de um certo clericalismo balofo a que se junta um determinado laicado amorfo e seguidista, quando não indiferente ou derrotista", aí seria mais claro que não te estavas a referir à comunidade cristã em geral.

    Quanto ao tal livro, insisto em que o leias, se tiveres oportunidade. Na sua dor, é luminoso.

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  25. Já vi que não me fiz entender. Também não é grave. Mas os teus reparos são oportunos, porque como bem sublinhas a Igreja Católica é mais do que aquilo que a torna mais visível e expressiva.

    E mais não digo porque a partir do momento em que actualizei o meu perfil. Tenho de resguardar terceiros.

    Eu não li o livro, não senhor. Mas não está à venda?

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