2007-04-29

vivemos para a eternidade

...Onde houver gente necessitada, gente que precise de presença, de cuidados, há um lugar maldito que é preciso santificar. No simbólico tribunal da História (Mt 25), ninguém é julgado por não ter visitado a Terra Santa. Mas encontra-se ou desencontra-se com os lugares santos se socorre ou não os doentes, os presos, os nus, os famintos, os abandonados. A "Terra Santa" da Igreja devem ser os bairros abandonados das grandes cidades e, sobretudo, o vasto mundo dos pobres, dos quase mil milhões que vegetam com menos de 73 cêntimos por dia. A Igreja só testemunha a ressurreição quando participa na insurreição contra tudo aquilo que estraga a vida das pessoas. É essa vontade que a leva a acreditar que aquilo que já ninguém pode fazer, Deus o faz na insurreição contra a morte.

...A fé consiste, apenas, em dizer que Deus, para ser fiel a si mesmo e ao nosso infinito desejo de viver, saberá encontrar o caminho para levar à plenitude a personalidade de cada ser humano. Não vivemos para sermos entregues ao nada.

Frei Bento Domingues
Público 29/04/2007

2007-04-27

impressões

Para os contemporâneos de Jesus, foi muito difícil sair da letra da Lei e partir para a adesão de coração. Por isso, depois da crucificação e morte, cada um seguiu para a sua "vidinha". Como se costuma dizer:"o que os olhos não vêm, o coração não sente". Aparentemente, não lhes serviu de nada o que tinham visto e ouvido.
E, continuariam assim, se não se lhes abrissem os olhos, para verem além da desilusão e medos que sentiam.

Hoje, continuamos com as mesmas dificuldades. O seguir o dever, obedecer a uma lei pode tornar, no imediato, a nossa vida mais fácil. Mas não nos transforma. A obediência cega às leis, o mais que produz são alienados, escravos do dever, mas desobedientes ao risco, à novidade, à graça transformadora do Espírito.

recado

Queres que te conte os meus sonhos...desencanta-me!

o que significa comer o corpo e beber o sangue de Jesus

Evangelho: João 6, 52-59Minha carne é verdadeiramente comida, e meu sangue, verdadeiramente bebida.

O evangelho nos apresenta a confusão dos ouvintes de Jesus, os quais, ao ouvirem o discurso do pão – que João nos vem oferecendo nestes dias –, ficam sem entender como possa convidá-los a comer sua própria carne e, para sua maior admiração, agora Jesus afirma que, além disso, deverão beber seu sangue, porque seu corpo e seu sangue são o verdadeiro e único alimento que dá e mantém a vida.
Agrada a João criar estas situações em que os ouvintes ficam apegados à interpretação material, literal. Sua finalidade é poder enfatizar mais o conteúdo simbólico que encerram as categorias utilizadas por Jesus. Recorde-se, por exemplo, a conversa com Nicodemos (3, 1-21); este não podia entender como alguém já velho poderia voltar a nascer, imagem com a qual Jesus queria simbolizar a nova vida que Deus outorga a quem crê em seu Filho. Aqui sucede algo semelhante: é impossível e impensável para o povo que tenha de comer o Mestre e, menos ainda, que se deva beber seu sangue.

Pois bem, essa espécie de confusão deve ser esclarecida com o sentido que dá Jesus a seu corpo e sangue, o conjunto de sua vida, a totalidade de sua mensagem como proposta de vida; isso é o que ele convida a que as pessoas comam, a que o convertam em alimento do novo ser humano e da sociedade nova que o reino de Deus busca instaurar entre nós. Comamos, pois, este pão vivificante e energizemos nossas artérias com seu sangue para poder trabalhar de forma eficiente na construção do reino.

Serviço bíblico Claretiano

2007-04-26

DARFUR


É por impotência ou indiferença?

um comentário que deixei

aqui

Meu querido padre,

de todas as palavras que escreveste (já não é a primeira vez) gostaria de um comentário teu a explicar estas palavras: "Por muito que amasses uma mulher, amarias sempre mais a Deus"Como é que isto se faz? Em que lugar do coração, com que emoção, com que sentimentos, com que vontade consegues distinguir o amor que te vem da fé em Deus e às pessoas ou a outra pessoa em particular? O amor não vem todo da mesma fonte? Quanto a mim, assume é diferentes maneiras de se exprimir, assim como diferentes "objectos". E é possível medir o amor em quantidade? Com que medida?

Temos sempre a mania de achar que "a galinha da vizinha é melhor que a minha". Ou então, se não podemos chegar "às uvas, dizemos que estão verdes". Explico: não são as virtudes ou defeitos do matrimónio ou de uma relação amorosa entre duas pessoas, que vão servir para medires e validares a opção que tomaste.

Já sabes a minha opinião: a tua opção não devia excluir a possibilidade de te realizares (também) no amor conjugal. A menos que o não quisesses. Ninguém é obrigado a casar e o casamento não é a única forma de realização das pessoas.

Nos comentários escreve-se sobre a falta de liberdade de disponibilidade, para o exercício do ministério presbiteral, caso estivesses casado, acho isso uma falsa questão. O modelo de padre não tem que continuar a ser o que conhecemos (e que está mais que gasto, basta ver o decréscimo de vocações). O padre não tem que ser o "chefe", nem o "faz tudo" numa comunidade. Nem estar nalgum pedestal acima do comum dos fiéis no rito de louvor a Deus. Leiam-se os evangelhos e verifique-se como isso não tem razão de ser.Os carismas do ministério presbiteral podem muito bem ser vividos por homens e mulheres, casados ou solteiros...desde que a isso se sintam "chamados" e aceitem vivê-los e reparti-los.
Para quê a manutenção de um único modelo, que antes de tudo o mais, deixa tanta gente de fora da celebração da fé, da evangelização e da pertilha fraterna?

E aqui, acho que ninguém falou da necessidade do celibato casto, para se ter acesso ao ministério presbiteral. Vem isto da tradição platonista de "diabolizar" o corpo. Como se um homem que fizesse amor com uma mulher já não fosse tão digno do louvor a Deus. Já é tempo de enterrarmos esses fantasmas em relação ao nosso corpo. O que somos, foi-nos dado por Deus que ao olhar para o que tinha criado disse: "que era tudo muito bom".

Padre, na primeira interpelação que faço às tuas palavras, acho que está subjacente este meu último parágrafo. Tinhas medo que ao amares uma mulher com coração, alma e corpo, retirarias alguma coisa ao amor que tens a Deus?

Um beijinho grande para ti :)

Impressões que também são minhas

EL LIMBO

Leyendo estos días las noticias que llegan del Vaticano, alucino. ¿En qué galaxia se encuentran esos señores o en qué mundo vivo yo? La verdad es que, desde mi perspectiva humano-terrenal, los veo instalados en un mundo de ciencia ficción teológica. Tengo la impresión personal (repito: es mi impresión personal) de que los teólogos vaticanos tienen poco que hacer y dedican su tiempo a desempolvar arcanos (¿acertijos, quizá?) que mucha gente creíamos olvidados. La cuestión del limbo (véase la noticia en el País del 21 de Abril) (lugar en que los niños muertos sin bautizar no gozan de la visión de Dios aunque sí de una felicidad natural. Como diría Calderón de la Barca, viven sin pena ni gloria), comenzó a estudiarla la Comisión Teológica Internacional en 1994, cuando estaba presidida por el entonces cardenal Joseph Ratzinger, quien en 1984 ya había considerado que el limbo no era más que una hipótesis teológica, surgida en el siglo XIII. Esa comisión, compuesta por 30 teólogos de diversas escuelas y naciones, eminentes por ciencia y fidelidad al Magisterio de la Iglesia, ha dedicado 13 años (nada más ni nada menos) para desentrañar el enigma. Resultado: el limbo fue una invención de algunos teólogos del siglo XIII (¿quizá los mismos que disertaron sobre el sexo de los ángeles?). Lo que llama mi atención es que hayamos tenido que llegar al siglo XXI para que teólogos, no menos sesudos que aquéllos, lo desmonten… Durante esos 7 u 8 siglos, ¿cuántos miles y miles de cristianos habrán vivido angustiados? Los señores teólogos del Vaticano no dicen nada a este respecto ni piden disculpas…

EL INFIERNO
El Papa Benedicto XVI nos ha recordado recientemente que el infierno existe y es eterno. (Véase la noticia también en El PAÍS del 27 de marzo último). Como el asunto del limbo, deseamos que cuanto antes se cree una comisión teológica internacional para revisarlo. Mientras, quisiera hacer unas observaciones personales (repito: observaciones personales) que a mí me han dado que pensar.
Si se leen con atención los Evangelios, Jesús nos presenta un Dios bueno, padre de misericordia, al igual que ya hiciesen los profetas, frente al Dios justiciero y vengador del Antiguo Testamento que siempre han predicado los sumos sacerdotes. Éstos necesitan el miedo y el terror para mantener su poder religioso y tener obedientes a sus fieles, por eso inventaron el infierno y se autoadjudicaron el poder de las llaves: para abrir y cerrar el cielo (o lo que es lo mismo el poder de manipular las conciencias a su gusto)…
Si vosotros que sois malos, sabéis dar cosas buenas a vuestros hijos, cuánto más vuestro Padre que está en los cielos. En el contexto que refleja ésta y otras muchas sentencias, meollo fundamental del mensaje de Jesús, hay que entender el infierno. Como diría con sensatez Juan Pablo II “Las imágenes de la Biblia deben ser rectamente interpretadas”. Además, repugna a la razón (instrumento único y universal de conocimiento que Dios nos ha dado a todos los hombres) eso del infierno eterno y sus castigos horrorosos. ¿Alguien, que no sea ese “dios monstruoso” que nos predican los sumos sacerdotes, puede crear un lugar de suplicio semejante y enviar allí a los pecadores? ¿Hay algún pecador, el mayor que podamos imaginar, que se merezca una pena eterna? A nosotros, que somos malos, ¿se nos ocurriría mandar al infierno a un hijo nuestro por haber comido carne un viernes de cuaresma o por una masturbación, pongo por caso? Si nosotros que somos malos peleamos por suprimir la pena de muerte (¡ojo! el Catecismo de la Iglesia Católica, aún la defiende), ¿cómo vamos a creer en un Dios capaz de crear de un infierno eterno? En el siglo XIV (ahí está el Decamerón del Boccaccio) ya había cristianos que hacían burla del infierno que se les predicaba. No estaría mal que también nosotros nos lo tomásemos a broma, bastantes infiernos tenemos ya en este mundo. También puede ser que Benedicto XVI inconscientemente proyecta sobre la Iglesia los personales miedos y demonios de su piadosa infancia…

Artigo ATRIO
destaques meus

bom dia


Teu olhar faz a volta do meu coração,
Uma roda de dança e de doçura,
Auréola do tempo, berço noturno e seguro,
E se não sei mais o que tenho vivido
É porque teus olhos nem sempre me enxergaram.

Folhas do dia e musgo do rocio,
Caniços do vento, sorrisos perfumados,
Asas que cobrem o mundo de luz,
Barcos carregados de céu e mar,
Caçadores de ruídos e fontes de cores.

Aromas nascidos de uma ninhada de auroras
Que sempre jaz sobre a palha dos astros,
Como o dia depende da inocência
O mundo inteiro depende dos teus olhos puros
E o meu sangue todo flui nos olhares deles.

Paul Éluard
Tradução José Paulo Paes
www.algumapoesia.com.br/

2007-04-24

foi bonita a festa, pá


Não esquecer! Mas continuar a construir a liberdade.

para aqui não veio...

Caiu uma bomba no Blasfémias - o PA despediu-se! E agora, com que é que o pessoal se entretém, por lá? Com ele, a animação era garantida. Até já vieram procurá-lo, aqui, ao jardim. Livra, sou uma mulher paciente e tolerante q.b., mas também tenho os meus limites. E o principal, é que não acho graça nenhuma ao homem.
E a graça que eu acho, quando se define, o ir contra o senso comum, como razão de qualidade e inteligência. Nem sempre o é! Pode ser razão de autoritarismo e fundamentalismo

Um novo Credo

Creio no Deus desaprisionado do Vaticano e de todas a religiões existentes e por existir. Deus que precede todos os baptismos, pré-existe aos sacramentos e desborda de todas as doutrinas religiosas. Livre dos teólogos, derrama-se graciosamente no coração de todos, crentes e ateus, bons e maus, dos que se julgam salvos e dos que se crêem filhos da perdição, e dos que são indiferentes aos abismos misteriosos do pós-morte.

Creio no Deus que não tem religião, criador do Universo, doador da vida e da fé, presente em plenitude na natureza e nos seres humanos. Deus ourives em cada ínfimo elo das partículas elementares, da requintada arquitetura do cérebro humano ao sofisticado entrelaçamento do trio de quarks.

Creio no Deus que se faz sacramento em tudo que aproxima, atrai, enlaça, abraça e une - o amor. Todo amor é Deus e Deus é o real. Em se tratando de Deus, bem diz Rumî, não é o sedento que busca a água, é a água que busca o sedento. Basta manifestar sede e a água jorra.
Creio no Deus que se faz refração na história humana e resgata todas as vítimas de todo poder capaz de fazer o outro sofrer. Creio em teofanias permanentes e no espelho da alma que me faz ver um Outro que não sou eu. Creio no Deus que, como o calor do sol, sinto na pele, sem no entanto conseguir fitar ou agarrar o astro que me aquece.

Creio no Deus da fé de Jesus, Deus que se aninha no ventre vazio da mendiga e se deita na rede para descansar dos desmandos do mundo. Deus da Arca de Noé, dos cavalos de fogo de Elias, da baleia de Jonas. Deus que extrapola a nossa fé, discorda de nossos juízos e ri de nossas pretensões; enfada-se com nossos sermões moralistas e diverte-se quando o nosso destempero profere blasfêmias.
Creio no Deus que, na minha infância, plantou uma jabuticabeira em cada estrela e, na juventude, enciumou-se quando me viu beijar a primeira namorada. Deus festeiro e seresteiro, ele que criou a lua para enfeitar as noites de deleite e as auroras para emoldurar a sinfonia passarinha dos amanheceres.

Creio no Deus dos maníacos depressivos, das obsessões psicóticas, da esquizofrenia alucinada. Deus da arte que desnuda o real e faz a beleza resplandecer prenhe de densidade espiritual. Deus bailarino que, na ponta dos pés, entra em silêncio no palco do coração e, soada a música, arrebata-nos à saciedade.
Creio no Deus do estupor de Maria, da trilha laboral das formigas e do bocejo sideral dos buracos negros. Deus despojado, montado num jumento, sem pedra onde recostar a cabeça, aterrorizado pela própria fraqueza.
Creio no Deus que se esconde no avesso da razão atéia, observa o empenho dos cientistas em decifrar-lhe os jogos, encanta-se com a liturgia amorosa de corpos excretando sumos a embriagar espíritos.

Creio no Deus intangível ao ódio mais cruel, às diatribes explosivas, ao hediondo coração daqueles que se nutrem com a morte alheia. Misericordioso, Deus se agacha à nossa pequenez, suplica por um cafuné e pede colo, exausto frente à profusão de estultices humanas.
Creio sobretudo que Deus crê em mim, em cada um de nós, em todos os seres gerados pelo mistério abissal de três pessoas enlaçadas pelo amor e cuja suficiência desbordou nessa Criação sustentada, em todo o seu esplendor, pelo frágil fio de nosso ato de fé.

Frei Betto* dominicano. Escritor.

cuide cada um da sua parte

...O Homem superior volve os olhos para as estrelas, para cima, para as alturas do Infinito: mas um animal irracional, o meu jerico, por exemplo, não tira os olhos da terra onde pousa as patas. Também há seres humanos que abençoam as trevas em que vivem. São os enviados da estupidez; que as estupidez como a inteligência, tem os seus ministros plenipotenciários neste mundo.
Mas nós, meus amigos, elevemos os olhos para cima. Cultivemos a Poesia e, com ela, os verdadeiros sentimentos que devem orientar a nossa vida: a tolerância, a compaixão, a piedade, o amor ao próximo e o amor de todas as coisas belas.
O aperfeiçoamento da Humanidade depende do aperfeiçoamento de todos os indivíduos que a formam. Enquanto as partes não forem boas, o todo não pode ser bom. Os homens, na sua maioria, são ainda maus e é, por isso, que a sociedade enferma de tantos males. Não foi a sociedade que fez os homens; foram os homens que fizeram a sociedade.
Quando os hoemens se tornarem bons, a sociedade tornar-se-á boa, sejam quais forem as bases políticas e económicas em que ela assente. Dizia um bispo francês que preferia um bom muçulmano a um mau cristão. Assim deve ser. As instituições aparecem com as virtudes ou com os defeitos dos homens que as representam....

Teixeira de Pascoaes
A saudade e o saudosismo

2007-04-23

os condomínios fechados...

Segundo notícias que nos chegam de Roma, ficamos a saber que foi formalmente encerrado o Limbo. E adiantam que, oficialmente, nunca existiu - era uma forma de levar todas as criancinhas ao Baptismo. Por melhores intenções que estejam por trás destas formulações da doutrina, fica sempre o desconsolo, por uma Igreja que tanto obstáculo tem criado à mensagem evangélica de que Deus é Amor e Misericórdia Infinitos.

Tenho como verdade mais cara, resultado do meu cristianismo, que Deus salva tudo e todos. É nesta crença, que acho que vale a pena, continuar a afirmar-me cristã.

e se começarmos pelos lamentos, Sr profeta?

"Começamos por rir, mas tudo acabará em lamentos" diz o profeta neoliberal - o tal que nunca pagou um almoço a ninguém, de seu nome, JCN - na crónica semanal do DN. E eu que até acordei "cheia de positividade", como diz R., quando não me apanha em lamentos. Segundo JCN, ainda hoje, ou o mais tardar até final da semana, lamentar-me-ei. Já sabes, R., prepara-te: os lamentos vêm já a seguir.
Não há como o neoliberalismo para nos iluminar o caminho.

Mas, continuando a pôr os assuntos em dia, fui distintamente nomeada pela Dad, e classificado aqui o jardim, como blogue generalista (embora acrescente que "é tudo bom"). Isso é que eu não concordo. Generalista, é a Maya quando faz horóscopos. Este jardim é "eu". E eu sou especial. Estou a dizer isto com a máxima seriedade. Porque é que acham que fui ler primeiro, o profeta JCN?
Pois é, Dad, obrigadinha pela distinção, eu também te distingo com todo o carinho, mas não vou continuar a "corrente". Os blogues que distingo, estão na coluna da esquerda. Sou incapaz de escolher cinco. Cada um deles, representa uma pessoa, que eu distingo de diferentes modos (alguns de modo muito especial. E como sou uma mulher tímida, não vou dizer mais...)

Mas quem sabe, numa próxima corrente...

bom dia


Al cabo

Al cabo, son muy pocas las palabras
que de verdad nos duelen, y muy pocas
las que consiguen alegrar el alma.
Y son também muy pocas las personas
que mueven nuestro corázon, y menos
aún las que lo mueven mucho tiempo.
Al cabo, son pouquísimas las cosas
que de verdad importam en la vida:
poder querer a alguien, que nos quieran
y no morir después que nuestros hijos.

Amalia Bautista
imagem-www.pauloklein.art.br

2007-04-21

no silêncio de Deus


concede-nos que nos lembremos sempre que Tu também falas quando Te calas. Enquanto esperamos a Tua vinda, dá-nos também esta confiança: Tu calas-Te por amor e também falas por amor. Assim, quer Te cales quer fales, és sempre o mesmo Pai, o mesmo coração paternal, quer nos guies com a Tua voz, quer nos eduques com o teu silêncio


Kierkegaard
afrescos primitivos de um jardim

Pudesse eu deter agora o que aprendi
e que domina os traçados
do meu cérebro
faria nova arquitectura no jardim
e mudaria para afrescos primitivos
alguns contornos deste céu
atomentado

evitaria retocar os velhos traumas
construiria um ambiente relaxado
um universo
pouco descodificado
de linhas finas
elementos
descuidados

sem pretensão a ser artista
dos pincéis
permitiria traços simples delicados
a tradução dos meus desejos
eu veria
em fadas brancas e solfejos
encantados

desenharia uns rabiscos bem suaves
sem arabescos
sem apegos a verdades
e dançaria neste céu
bem juvenil

esqueceria desafios
e saudades

Eliana Mora
www.germinaliteratura.com/br/emora.htm

2007-04-20

e a inveja também mora aqui


É meu destino, ouvir da boca de alguns ateus, os mais belos pensamentos sobre Deus.


...Entre o silêncio dos homens e o silêncio dos peixes há-de estar Deus algures, mesmo que a cada um de nós caiba mais esperar que ele nos encontre de que desesperar de encontrá-lo"...

Diz o Henrique, no Insónia

ai portugal, portugal...

Num país de engenhocas, anda meio-mundo preocupado com os canudos do sr engenheiro...

Não houvesse...

...tanta inveja por aí... e não vinham a este blogue à procura de: "bruxaria para tirar a potência sexual"

impressões

Deveríamos porfiar pela felicidade, com a urgência de um 112. Mas somos relapsos.

bom dia


Tulipeiro - Casa das Artes, Porto
retirado daqui

2007-04-19

um post fracturante. (também tenho dever!)

Realizado mais um Penário da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa), de entre o temas em reflexão e passivos de posterior síntese, voltam os bispos a falar do aborto, analisando-o com especial pormenor- os médicos que o praticam, os que o pretendem, os médicos objectores de consciência etc.
Não se reconhece igual ênfase, na denúncia de graves problemas sociais, em que toda a sociedade devia intervir. Exemplos: desemprego, fome, pobreza extrema, crianças institucionalizadas e vítimas de vários tipos de violência, violência doméstica, racismo, corrupção...

Penso, várias vezes, no porquê desta preferência da hierarquia de Igreja e de muitos católicos, pela questão do aborto e um desvalorizar de atenção, para os outros problemas igualmente latentes da sociedade. Falar-me-ão, já sei, do "sagrado" direito à vida. Mas porque é que a vida intra-uterina (aparentemente) tem mais valor do que a vida já nascida?
Dir-me-ão: "é o primeiro direito". Está certo! Mas, a esse primeiro, seguem-se todos os outros, igualmente importantes.

E não estará, isto tudo, minado de uma falta de coerência cristã e humana? É que o aborto é sempre lá com os outros (supõe-se): as mulheres, os médicos, os legisladores...e os outros problemas, exigem o contributo de cada um. Nnguém se pode sentir de fora de, pelos meios ao seu alcance, os ajudar a resolver. E a maior parte das vezes pelo seu actuar directo. Não é mais um assunto de mulheres, mas um assunto para todos.

bom dia


Alberto Giacometti - 1948
Hombre caminando bajo la lluvia

2007-04-18

"Se o grão de trigo, não morrer..."

..."As minhas dúvidas e dificuldades continuam a ser as mesmas de sempre."

Meu querido amigo, há vários anos que dividimos a alegria da fé (agradeço em cada dia, o Deus que me testemunhas) e, também, todas as dúvidas que a nossa condição humana nos faz experimentar.

Sei o que sofres. Mas, se me permites, alegro-me no teu sofrimento. Ele é a expressão da tua busca incessante de Deus. É fruto do teu inconformismo, perante um clericarismo carreirista e acomodado. Conheço poucas pessoas que, como tu, a cada dia dão a vida, numa união muito íntima com O Crucificado, a quem acompanham na cruz redentora, na intimidade de um amor que não se rende ao egoísmo nem ao individualismo estéril.

Conheces bem a diferença entre a Igreja Corpo Místico de Cristo e as estruturas que te fazem sofrer - que te roubam a saúde e a tranquilidade.

Já me disseste várias vezes: "Se o grão de trigo não morrer...". Sei que o dizes confiante de que os teus sofrimentos estão prenhes de ressurreição.

Contigo, rezo por esta Igreja, que nos acolhe e nos transformará, mesmo que, por vezes, nos pareça que "não temos onde descansar a cabeça".

Também tenho saudades tuas! Espero que as "estruturas" permitam o encontro que desejamos. Até lá.

bom dia



Edward Hopper - room

2007-04-12

alegria no trabalho...

...Assim que virou costas e depois das tiradas parvinhas do costume, não resisti:
- Se não fosse parvo, gostava de ser o quê?
- "Contabilista!" "Ah!, espere, mas isso já é!"
- Então, digamos que é um homem realizado!

Um Deus segundo a nossa imagem?

Para nós, humanas criaturas, "ascensores defeituosos", como diz o Henrique, o acesso ao Transcendente é cheio de avarias, desacertos, desencontros...e tudo isso nos desmotiva e demove do encontro com o mesmo.
E, se olhamos para o lado, a procurar nos outros, melhores pistas de caminho, facilmente nos desencorajamos - não os vemos mais atinados que nós próprios.
Desejávamos um Deus que se apresentasse diante dos nossos olhos, de modo limpo, transparente, perante o qual, a nossa adesão ou rejeição, não implicassem o menor esforço.

Não encontro melhor analogia, entre a nossa relação com o Transcendente e a de duas pessoas que se amam. No amor, sabe-se como se começa, mas nunca se sabe como se faz o caminho nem qual será o seu fim. Porque o amor não está cativo de nenhum esquema ou programa. No amor não é tolerável nenhum sentido de posse, porque isso é contra a essência do mesmo. Nem é permitido construir nenhuma imagem do outro e acomodá-lo à mesma. No amor aceita-se a novidade do outro e partilha-se a própria novidade, que é construida também, com o que o outro nos dá.

A busca de Deus é sempre um percurso e encontro pessoais. Por isso, não é de estranhar que tantas pessoas diferentes, de credos diferentes, afirmem a sua fé em Deus. Mas é para levar à comunhão (que não é massificação nem uniformização) porque é essa a essência do Ser Deus. Então, a relação pessoal com Deus, é geradora de relações comunitárias que nunca serão excludentes umas das outras.

bom dia


Capitu

De um lado vem você com seu jeitinho
Hábil, hábil, hábil
E pronto!
Me conquista com seu dom

De outro esse seu site petulante
WWW
Ponto
Poderosa ponto com

É esse o seu modo de ser ambíguo
Sábio, sábio
E todo encanto
Canto, canto
Raposa e sereia da terra e do mar
Na tela e no ar

Você é virtualmente amada amante
Você real é ainda mais tocante
Não há quem não se encante

Um método de agir que é tão astuto
Com jeitinho alcança tudo, tudo, tudo
É só se entregar, é não resistir, é capitular

Capitu
A ressaca dos mares
A sereia do sul
Captando os olhares
Nosso totem tabu
A mulher em milhares
Capitu

No site o seu poder provoca o ócio, o ócio
Um passo para o vício, o vício
É só navegar, é só te seguir, e então naufragar

Capitu
Feminino com arte
A traição atraente
Um capítulo à parte
Quase vírus ardente
Imperando no site
Capitu

Luiz Tatit

2007-04-11

dedicada ao Sr. Presidente pelas recomendações na promulgação da lei da IVG

Todos os homens são maricas quando estão com gripe

Pachos na testa
Terço na mão
Uma botija
Chá de limão
Zaragatoas
Vinho com mel
Três aspirinas
Creme na pele
Dói-me a garganta
Chamo a mulher
Ai Lurdes, Lurdes
Que vou morrer
Mede-me a febre
Olha-me a goela
Cala os miúdos
Fecha a janela
Não quero canja
Nem a salada
Ai Lurdes, Lurdes
Não vales nada
Se tu sonhasses
Como me sinto
Já vejo a morte
Nunca te minto
Já vejo o inferno
Chamas diabos
Anjos estranhos
Cornos e rabos
Tigres sem listas
Bodes de tranças
Choros de corujas
Risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes
Que foi aquilo
Não é a chuva
No meu postigo
Ai Lurdes, Lurdes
Fica comigo
Não é o vento
A cirandar
Nem são as vozes
Que vêm do mar
Não é o pingo
De uma torneira
Põe-me a santinha
À cabeceira
Compõe-me a colcha
Fala ao prior
Pousa o Jesus
No cobertor
Chama o doutor
Passa a chamada
Ai Lurdes, Lurdes
Nem dás por nada
Faz-me tisanas
E pão de ló
Não te levantes
Que fico só
Aqui sózinho
A apodrecer
Ai Lurdes, Lurdes
Que vou morrer

Vitorino

bom dia


2007-04-10

o lugar do coração

...A Igreja, apesar de poder estar associada ao débito moral, à doutrinação escrupulosa e ao merchandise de escapulários, é, na verdade, e quase ao arrepio da herança e do enclave hebraico, a grande responsável de ter colocado a fé no lugar que lhe pertence: o coração dos homens. Poderíamos dizer que resolveu a charada grega e devolveu ao sentimento a força da razão e fez da razão a força do sentimento. Como entre duas pessoas que se amam verdadeiramente.

Obrigada, António! Será isto a "comunhão dos santos"?
Nestes dias de grande densidade litúrgica, experimentei de forma particular, estes mesmos sentimentos.
É o lugar que o coração ocupa na "experimentação" da fé, que me interpela mais. Porque é de modo misterioso, inesperado, desejado mas não programado, que o raiar da fé acontece. Tal como os discípulos, depois do encontro, exclamaram rendidos:"Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?" (Lc 24,32)

"da urgência e do amor"

...Fosse como fosse, a perplexidade continuava. Até que entrou o outro discípulo. E este “viu e acreditou”. – E porque viu, porque acreditou? Viu pela urgência, acreditou pelo amor.

Connosco, irmãos e irmãs, não será doutra maneira. Veremos pela urgência e acreditaremos pelo amor. O Senhor ressuscitado é maior do que o mundo, mas torna-se presente em cada local e momento, para os que querem mesmo vê-lo e lhe divisam a figura. É o mesmo que falar de urgência e de amor, da urgência e do amor, como aconteceu com o “discípulo predilecto”, que todos havemos de ser. ...

Homilia Domingo Páscoa-D. Manuel Clemente, bispo Porto

bom dia

Edward Hopper
morning sun-1952

2007-04-09

ressurreição

Na constância da tua amizade, renasço. Há dias dizias: - "Sinto-me livre para te entender na tua espontaneidade..." E eu digo-te: - Como me é preciosa esta relação sem véus; em que os risos e as lágrimas saem espontâneos e livres. Onde me posso mostrar sem medo de colidir com alguma imagem que criasses de mim. Porque não me concebeste, apenas aguardas que me mostre.

vida eterna

...Quem não viveu na superfície das coisas, quem perguntou até à raiz de tudo, quem se exaltou com a beleza, quem alguma vez teve um gesto absolutamente gratuito de amor, quem se deixou surpreender pelo abismo in-finito do olhar de alguém, quem tentou descer até ao fundo sem fundo de si, quem foi abalado pela exigência incondicionada do dever, quem se deixou tocar por um tu que não se possui nem domina, quem foi alguma vez avassaladoramente visitado pela pergunta inconstruível: "Porque há algo e não nada?", foi tangido pela fímbria da eternidade.
Onde e quando é a vida eterna? Aqui e agora, no Aberto.

Anselmo Borges in DN

"O que falta à Páscoa de Cristo?"

deveremos perguntar-nos: o que falta, hoje, à Páscoa de Cristo? O que falta para que a Ressurreição de Jesus possa renovar e transformar todo o universo?

1. Como aos discípulos que, desolados, deixaram a alegria e a coragem das origens e foram para os vários Emaús da desilusão, faltar-nos-á saber, com exactidão, o que aconteceu em toda a Judeia… Faltar-nos-á deixar que a Palavra de Deus nos aqueça, quando a ouvimos na Eucaristia ou a lemos na intimidade da nossa oração e da nossa escuta e do seguimento pessoal do Verbo de Deus... Faltar-nos-á tornarmo-nos Seus discípulos, deixando-nos ensinar por Ele, como os discípulos de Emaús, para que O sintamos a caminhar connosco… Faltar-nos-á, talvez, a certeza da fé para vivermos e anunciarmos com a alegria e a confiança de quem se abandona na afirmação do kerigma: Aquele Jesus, a Quem vós matastes, Deus ressuscitou-O; Ele está vivo e nós somos testemunhas deste facto… Faltar-nos-á, como nos diz S. Paulo, na 2ª leitura, aspirarmos e afeiçoarmo-nos às coisas do alto, tomando consciência de que morremos para o pecado, para as trevas e para a morte e ressuscitámos para uma vida nova… Faltar-nos-á levar para a nossa vida concreta de cada dia, as consequências da Páscoa, vividas, cada Domingo, na Eucaristia… Faltar-nos-á, porventura, estarmos atentos aos outros, num serviço de lava-pés, partilhando com eles o partir do pão e tornando-nos “pão repartido para a vida do mundo”…


da Homilia do domingo Páscoa- Bispo Viseu

2007-04-05

Boa Páscoa


Resurrección


¿Por qué seguís buscando entre los muertos
a Aquel que está vivo?
Dios, su Padre, ha dicho la última palabra:
¡ha resucitado al Hijo!

¿Dónde está tu victoria, pobre muerte?
¡Te venceremos muerte, te venceremos!

Todas las primaveras cantan el aleluya.
Todas las esperanzas tienen ya cierta la promesa.

Es Pascua, hermanos, hermanas: ¡cantemos!
¡Somos Pascua en la Pascua, para siempre!


D. Pedro Casaldáliga

deixar arder o coração

NO ESTÁ ENTRE LOS MUERTOS

JOSÉ ANTONIO PAGOLASAN SEBASTIÁN (GUIPUZCOA).

ECLESALIA, 04/04/07.- «¿Por qué buscáis entre los muertos al que vive? No está aquí. Ha resucitado». Según Lucas, éste es el mensaje que escuchan las mujeres en el sepulcro de Jesús. Sin duda, el mensaje que hemos de escuchar también hoy sus seguidores. ¿Por qué buscamos a Jesús en el mundo de la muerte? ¿Por qué cometemos siempre el mismo error?
¿Por qué buscamos a Jesús en tradiciones muertas, en fórmulas anacrónicas o en citas gastadas? ¿Cómo nos encontraremos con él, si no alimentamos el contacto vivo con su persona, si no captamos bien su intención de fondo y nos identificamos con su proyecto de una vida más digna y justa para todos?
¿Cómo nos encontraremos con «el que vive», ahogando entre nosotros la vida, apagando la creatividad, alimentando el pasado, autocensurando nuestra fuerza evangelizadora, suprimiendo la alegría entre los seguidores de Jesús?
¿Cómo vamos a acoger su saludo de «Paz a vosotros», si vivimos descalificándonos unos a otros? ¿Cómo vamos a sentir la alegría del resucitado, si estamos introduciendo miedo en la Iglesia? Y, ¿cómo nos vamos a liberar de tantos miedos, si nuestro miedo principal es encontrarnos con el Jesús vivo y concreto que nos transmiten los evangelios?
¿Cómo contagiaremos fe en Jesús vivo, si no sentimos nunca «arder nuestro corazón», como los discípulos de Emaús? ¿Cómo le seguiremos de cerca, si hemos olvidado la experiencia de reconocerlo vivo en medio de nosotros, cuando nos reunimos en su nombre?
¿Dónde lo vamos a encontrar hoy, en este mundo injusto e insensible al sufrimiento ajeno, si no lo queremos ver en los pequeños, los humillados y crucificados? ¿Dónde vamos a escuchar su llamada, si nos tapamos los oídos para no oír los gritos de los que sufren cerca o lejos de nosotros?
Cuando María Magdalena y sus compañeras contaron a los apóstoles el mensaje que habían escuchado en el sepulcro, ellos «no las creyeron». Éste es también hoy nuestro riesgo: no escuchar a quienes siguen a un Jesús vivo.

"o jogo dinâmico da vida"

...Se bem repararmos, toda a vida humana possui estrutura pascal. Toda ela é feita de crises que significam passagens e processos de acrisolamento a e amadurecimento. Tomando o tempo como referência, verifica-se uma passagem da meninice à juventude, da juventude à idade adulta, da idade adulta à velhice (hoje prefere-se terceira idade) e da velhice para a morte e da morte para a ressurreição e da ressurreição para o inefável mergulho no reino da Trindade, segundo a crença dos cristãos.

São verdadeiras travessias com riscos e perigos que este fenómeno existencial implica. Há travessias que são para o abismo, há outras que são para a culminância. Mas a páscoa traz uma novidade, tão bem intuída pelo filósofo Hegel, numa sexta-feira santa no Konvikt de Tübingen (seminário protestante) onde estudava. A páscoa nos revela a dialética objetiva do real: a tese, a antítese e a síntese. Viver é a tese. A morte é a antítese. A ressurreição é a síntese. A síntese é um processo de recolhimento e resgate de todas as negatividades dentro de uma outra positividade superior. Assim que o negativo nunca é absolutamente negativo, nem o positivo é somente positivo. Ambos se contem um ao outro, encerram contradições e formam o jogo dinâmico da vida e da história. Mas tudo termina numa síntese superior...

Leonardo Boff - Adital

2007-04-04

por mais douradas que sejam...


Todos os aconchegos são prisões

Aqui

"A lei de um amor misericordioso"

“ O cristão não tem outra Lei senão Cristo. Sua “Lei” é a vida nova que lhe foi conferida em Cristo. A nossa Lei não está escrita em livros, e sim nas profundezas do nosso coração; não pela mão de seres humanos, mas pelo dedo de Deus. O nosso dever agora não é apenas obedecer, e sim viver. Não temos de nos salvar, somos salvos por Cristo. Devemos viver para Deus em Cristo, não só como quem procura a salvação, mas como quem está salvo.”

Reflexões T. Merton

nem morrer se pode...

- Não...sons...só me recordo do ronronar dos ventiladores do túnel. Depois avistei uma luz ao fundo, era uma luz muito ténue como um pirilampo e, à medida que me aproximava, continuou a ser uma luz muito ténue como um pirilampo. Afinal, era um ser celestial luminoso, que estava de guarda às portas do Céu. Não cheguei a saber se era Cristo, S.Pedro, o Arcanjo Gabriel, o Querubim Atanásio, ou se era mesmo um pirilampo.

Ler o texto todo, aqui, que vale a pena!

2007-04-03

vão lá bater a outra porta, fáxavor!

Não costumo usar o meu tempo para isso, mas por vezes, acho curioso descobrir o que procura, quem entra aqui, no jardim. Para meu castigo, algumas pessoas vêm atrás do Tony Carreira. Benfeito, ninguém me manda andar para aqui a nomeá-lo.

Mas duas pessoas deixaram-me perplexa, nas suas motivações. Procurava uma: "como acabar com pardais em jardins"

Ó minha senhora ou meu senhor, mas que ideia mais estapafúrdia e abundantemente desatinada é essa? Mas para que é que servem os jardins, se não para os pardais?
Este jardim só encontra a sua razão de ser para os pardais pousarem, repousarem, procriarem, darem às asas...sei lá, tudo o que lhes aprouver fazer. Estamos entendidos? Aqui ninguém espanta pardais.

E a segunda, igualmente estranhíssima. Rezava assim: "Encontros discretos Caldas Rainha".
Se são discretos como é que sei deles? E porque havia de saber? Vamos lá a desenrolar este novelo. As Caldas têm um jardim, quase tão famoso como as ...Trouxas, o que é que estavam a pensar? Tanto que sempre que digo que sou das Caldas é fatal como o destino ouvir: "Ai, a terra das Trouxas!", "E do jardim muito bonito"

Mas se o jardim é bonito, não se presta a encontros discretos. Aquilo é só velhinhas e velhinhos, mais os pombinhos e as criancinhas a correr. Se alguém acha que consegue um encontro discreto neste cenário...é trazer um milhozinho para os pombos.

mas qu'arrojada!

Era muito nova, demasiado nova, quando andei a visionar a novela do Tarzan. E as consequências disso, é que não tirei as devidas ilações. A saber: homem que é homem, gosta mesmo é de saltar de galho em galho... e como encontra sempre uma Jane pronta a aparar-lhe as quedas, daí a construir uma cabaninha na árvore, é um piqueno passo, quero dizer; salto.

Pois, lá tenho que ir actualizar mais um link. O António saltou do opiniondesmaker para o "de passagem" e agora, retornou a casa. Eu não faço de Jane, mas de admiradora fiel. E lá o sigo de galho em galho.

Mas pelo trabalho que me dá, compensa em escrita arrojada. Confesso que como boa católica que sou (ts, ts, ts...) não me modero nas penitências. E nestes dias, tenho acompanhado os posts mais as centenas de inúteis comentários, do famoso professor doutor Pedro Arroja que posta no Blasfémias. Na procura da luz, não temo mergulhar nas profundezas da teoria liberal. Mas qual luz?! Só vejo mesmo, é as paredes do túnel.
Qual é o meu problema com o Dr Prof. Pedro Arroja? São vários. Fez um post sobre a autoridade papal, que eu achei inenarrável. E agora anda a dissertar sobre a autoridade da mulher de vassoura numa mão e rolo da massa na outra. Eu vou mais pela lógica red bull. O melhor é ganhar asas e ir atrás do Tarzan.

Mas quem lhe desmonta a teoria liberal é, pois claro, o António:

Arroja’ apresenta uma sensibilidade muito particular e fina pelo que a sua profissão deve estar ligada ou à cremação de borboletas ou ao polimento de barcos rabelos em filigrana. No entanto, o seu método de abordar os temas apertando-os até a rosca estar completamente moída, leva a crer que se trata do accionista duma empresa fornecedora de parafusos para o IKEA. Se não mesmo das famosas estrelas da serralharia moderna: as ‘porcas mama’.*

...chorai antes por vós e pelos vossos filhos

Segundo o arcebispado de Madrid, são uns perigosos vermelhos! Imagine-se - a sua vida é o Evangelho. Oh, sim!Mas não segundo a coreografia de Roma ou do Opus. Têm mesmo cara de perigosos.
"Perdoa-lhes, Pai,que não sabem o que fazem" (LC 23,34)

Foto- El Pais

Adenda:

A propósito deste assunto, várias pessoas fazem eco nos seus blogues. Um deles, é o João Tunes, no Água Lisa6, que termina deste modo:

No momento em que a escória neo-fascista cresce em arrogância e agressividade, usando a pobreza e a imigração como motivo para desenvolver maus instintos na exclusão dos “outros”, enquanto a nomenklatura da Igreja Católica permanece atávica na ostentação e poder, nas formas tradicionais de caridade ritualista e se vira para dentro a multiplicar peregrinações, beatos e santos, é um sinal de consolo que haja, no seu interior, quem resista, quem diga não.



..não choreis por mim...

Nestes dias, de grande intensidade litúrgica, as pessoas vão olhar para o Crucificado, como a vítima de um deus que não medindo bem as consequências dos seus actos, cria o homem com um ligeiro defeito de fabrico - cria-o livre! E, ao saber-se livre, logo abusa da sorte e entrega-se ao pecado, ao primeiro virar da esquina. E Deus que é Deus (se não fosse assim, também não valia a pena), logo saca de arranjar uma solução, e não tem mais nada, manda o seu próprio Filho a remediar os desacertos dos gajos que criou com o tal defeito de fabrico.

Vistas as coisas assim, a Igreja só tem que enfatizar o ritual litúrgico, com muitas horas de oração e muitos ritos de penitência. E continuar a olhar para o mundo, como o lugar onde o homem se perde de Deus e a quem é necessário, continuamente, chamar à razão e ao arrependimento. E a isso, chama Evangelização.

Mas a Boa-Nova não é isso, é anunciar Deus Amor até à exaustão. Dando a vida, no mesmo percurso amoroso de quem nos veio trazer a novidade da vida e da felicidade. O mundo não se converte com discursos sobre o pecado, ou sobre um Deus que precisa do sangue do seu Filho para salvar a restante humanidade. O mundo converte-se com gestos de amor e partilha. É esse Deus que o Evangelho nos mostra.
Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: «Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos; (LC 23,28)