2007-05-31

Sobre o livro do Papa: Jesus de Nazaré

O Pedro postou sobre o livro do Papa - Jesus de Nazaré - e agora, anda por lá uma discussão, com o sempre oportuno contraditório do JS, sobre o livro.

Eu só posso especular sobre o mesmo porque não o li. Acho que ainda não está editado em português. E também não penso ir adquri-lo a correr. Preconceito? talvez.

Reproduzo um dos comentários do Pedro:

Dizes: “…parece haver mesmo o desejo de apresentar uma cristologia que prescinda da exegese e da hermenêutica”. Claro! Essa sempre foi a tentação à qual não resistiram os papas e o Magistério da Igreja. A de, a partir do poder que tem, de amarrarem, em fechadas doutrinas ideias e princípios da teologia, que já não teriam pés para andar, se fossem submetidas aos avanços da exegese bíblica, da hermenêutica, da arqueologia bíblica, etc. Mas porque serviam a Instituição, sentiam-se no dever de injectar-lhes oxigénio.Pergunto-me até que ponto esse livro, que pretende apresentar a figura de Jesus de Nazaré, mas que não é escrito por um biblista (Ratzinger não é biblista) transparece o conhecimento cimentado ao longo dos últimos dois séculos por eminentes teólogos biblistas tais como: Knitter, Kung, Molari, Schillebeeckx, E. Johnson, Balasuriya, Vouga, Haight, Barbaglio, Pesce, Gonzalez Faus e tantos outros. Estes sim, verdadeiros especialistas no estudo de Jesus de Nazaré. Sem esquecer até mesmo teólogos católicos oficias como Meier, Geffré,…Ou será que para o Vaticano as universidades só servem para transformar a teologia numa catequese e ensinar os cordeirinhos a andar em fila? Não deveria ser o Magistério da igreja a beber das universidades e a valorizar o avanços da teologia, mesmo quando estes possam por em causa questiúnculas que se pensavam eternas. Lembro-me que quando saiu o actual Catecismo da Igreja Católica essa foi uma das críticas unânimes de muitos teólogos: tanto avanço teológico para nada. E assim vamos!

Que Deus nos mostra o Papa?

Algumas análises se têm feito acerca da visita do Papa Bento XVI ao Brasil e aos discursos e homilias proferidos, aqui destaco mais alguns pontos que acho importantes, dum artigo publicado na Agência Adital.

Tal como o autor a minha interrogação é sempre esta: que Deus mostra a Igreja Católica? Nem sempre me parece o Deus revelado por Jesus Cristo.

O Papa, frequentemente, identifica alguns males que ele considera presentes no mundo moderno. Males que vejo, da mesmíssima forma, presentes na Igreja - materialismo, poder, exibição, consumismo, autismo ...

...Esse discurso contém algumas frases de difícil entendimento e outras que são francamente inaceitáveis, como quando ele disse que a evangelização da América Latina não foi uma imposição de uma cultura estranha. Frases meio enigmáticas são as seguintes: Só quem conhece a Deus conhece a realidade; Sem Jesus, a realidade torna-se um enigma indecifrável. O papa garante que a igreja não precisa explicitar a opção pelos pobres, pois a opção preferencial pelos pobres já está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza. De outro lado, ele afirma que é inevitável falar das estruturas, sobretudo das que criam injustiças, uma frase que parece alinhar seu discurso com o da teologia da libertação. Mas logo adiante aparece uma condenação velada a essa teologia, quando o papa diz que é preciso seguir a reta razão, não as ideologias. Em geral, fica difícil entender o que o papa quer dizer mesmo, em diversos tópicos fica quase impossível. O que explica melhor suas falas é o contexto de toda a sua vida.

O segundo tema recorrente nos escritos do actual papa é a queda do muro de Berlim, ocorrida em 1989. Na análise do papa, essa queda significa a ‘queda do marxismo ateu’. Finalmente, Deus (cuja morte foi anunciada pelos filósofos do século XX) pode renascer. Pertence ao passado o perigoso namoro da teologia da libertação com o marxismo. Com seu colega o papa João Paulo II, o atual papa faz uma avaliação positiva da derrubada da União Soviética. Deus, de novo, pode aparecer em praça pública. Mas o que Bento XVI não explicita é o que ele entende aqui por ‘Deus’. Ele não toca na questão teológica fundamental. Que tipo de Deus renasce após 1989?

Quando, por exemplo, o papa Bento XVI passa de papamóvel no meio da multidão, que imagem de Deus ele imprime no imaginário do povo? Em nenhum momento, em toda a sua visita, o papa comentou esse ponto, mas ao longo das sucessivas cerimônias ficou claro que ele representa o Deus das genuflexões e das reverências, das cátedras e das catedrais, das basílicas e das pompas, da grandeza inalcançável, do trono, do lugar elevado, do aceno passageiro, da corte, da diplomacia, do poder elevado e das aclamações longínquas diante de um monarca inalcançável. Esse é o Deus monarca bem conhecido da tradição católica e eminentemente representado pelo papa. Será que esse Deus é capaz de abrir novas perspectivas para os povos da América Latina? Em contraste com esse Deus da visita de Bento XVI, a igreja latino-americana, nos últimos anos, tem nos apresentado o Deus de Dom Romero, Dom Proaño e Dom Hélder Câmara, o Deus da Irmã Dorothy e de Dom Erwin Krautler, o Deus do CIMI e dos movimentos negros, dos sem-teto e sem-terra, das favelas, das mães solteiras (grávidas), das domésticas, dos negros. O tipo de consideração que faço aqui pode parecer distante da realidade vivida, pois não há nenhum sinal - por parte da instituição papal - de uma auto-crítica nesse sentido. Mesmo assim, um dia esse tema terá de figurar na agenda do Vaticano, como Dom Hélder Câmara já previu tempos atrás. Só um Deus humilde que anda no meio dos pobres é capaz de ‘baixar os pobres da cruz’.

A viagem do papa, executada até às minúcias segundo um padrão de antemão planejado, me dá a impressão de um jogo armado para que as pessoas não percebam o óbvio, não usem o bom senso nem recorrem à imagem de Jesus tal qual aparece nos evangelhos. Um jogo de poder e hegemonia, com astúcia e sem misericórdia (apesar das aparências), como qualquer jogo em torno do poder. Um jogo de avanços e recuos, diplomacias, amabilidades e aparências, como qualquer jogo político. Neste mundo cruel, onde os instrumentos sociais (TV, governo, empresas) são de comprovada habilidade na arte de ocultar jogos e manter as pessoas sem entender o sentido das coisas, a viagem do papa no Brasil não destoou em nada do que estamos acostumados a ver quando desfilam autoridades na tela da televisão. O povo de Deus fica abandonado à própria sorte.

Eduardo Hoonaert, historiador

o texto completo aqui

bom dia

Limite

A mulher está perfeita
Seu corpo

Morto enverga o sorriso de completude,
A ilusão da necessidade

Grega voga pelos veios da sua toga,
Seus pés

Nus parecem dizer:
Já caminhamos tanto, acabou.

Cada criança morta, enrodilhada, cobra branca
Uma para cada pequena.

Tigela de leite vazia.
Ela recolheu-as todas.

Em seu corpo, como pétalas
Da rosa que se encerra, quando o jardim

Enrija e aromas sangram
Da fenda doce, funda, da flor nocturna.

A lua não tem porque estar triste
Espectadora de touca

De osso: ela está acostumada.
Suas crateras trinca, fissura.

Sylvia Plath

2007-05-30

mas que sina...


Vejo que anda à procura de luz.

O mal não está no que vê, mas na poeira que tem nos olhos.

Tenho ali uma infusão que vendo barata. É de efeitos garantidos.

Começa a dar resultado, quando for capaz de assinar o que escreve.

futilidade ou coisa parecida...


...é capaz de ser este post! Mas não descortino a razão, de ser encerrada a Praça Vermelha, para o Primeiro Ministro José Sócrates fazer o seu "jogging". Imagem de marca? Para isso já temos as suas gravatas. Um Primeiro Ministro em forma? Mas era preciso ir correr para a Praça Vermelha?

Um destaque


Foi ontem apresentado o livro do médico Fernado Nobre (fundador da AMI em Portugal) "Gritos contra a indiferença"


O livro é uma compilação de textos, conferências, seminários e fruto da sua experiência de assistir grandes catástrofes humanitárias pelo mundo todo.

2007-05-29

Citando o Papa...

Bento XVI explicou aos Jovens Empresários da Confederação Geral da Indústria Italiana (Confindustria) que os trabalhadores «são o patrimônio mais valioso da empresa». «A vida humana e seus valores têm de ser sempre o princípio e o fim da economia», explicou o pontífice a esses jovens que não são só o futuro, mas também o presente da economia italiana.

Citando o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, explicou que «os empresários e os dirigentes não podem levar em conta exclusivamente o objectivo económico da empresa, os critérios da eficiência económica, as exigências do cuidado do ‘capital’ como conjunto de meios de produção: o respeito da dignidade humana dos trabalhadores da empresa é também seu dever preciso».

www.zenit.org/

verdade de Jesus # 1

Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.» (Jo 20,23)



Só na abertura permanente aos dons de Deus em nós, podemos vencer tudo o que se opõe ao amor a ao perdão. Dizer que Cristo é o Senhor, equivale a amar até às últimas consequências. Amar e perdoar, sempre.

a unidade na diversidade

A tentação de falarmos uma só língua dentro da Igreja sempre foi grande. Termos os mesmos gestos, as mesmas opções, as mesmas palavras, sem atritos nem contradições, tornaria tudo muito mais fácil, aparentemente. Mas os cristãos não são clones uns dos outros. Graças a Deus. Como no Pentecostes, cada um ouve Deus no seu registo próprio. Cada um diz Deus por palavras e gestos seus, únicos e irrepetíveis. A sinfonia, com dissonâncias e ritmos desencontrados, é a música, difícil mas apaixonante, da fé.

in palombella rossa

Com a serenidade de sempre o Manuel fala do que é importante. Cada vez mais sentimos na Igreja o ênfase da uniformização e que a pouco e pouco vai dando os resultados que se pretendem. Ainda há dias me contavam, que numa grande celebração de um determinado movimento e estando presente um bispo pouco amigo da diversidade, contiveram-se nos gestos. Privilegiou-se a solenidade em vez da proximidade. Se a Igreja nas suas celebrações, não ajuda a cultivar e a expressar os afectos, vai-se distanciando cada vez mais das pessoas e das suas expectativas.

bom dia



Will Barnet, play

2007-05-28

amor à primeira vista

Certifica-me o relacionamento feliz, porque não se esqueceu do dia em que conheceu a mulher. Tinha ela catorze anos. E ele demorou cinquenta e um casamento pelo meio (só me confessou isso), para lhe dizer que a amou desde esse dia. Parece que afinal resultam; os amores à primeira vista!

o fantasma da Maçonaria

Segundo o DN, o bispo emérito de Aveiro, D. António Marcelino, atira-se (num texto editado num jornal) à Maçonaria e ao PS que, segundo ele, anda a mando da mesma. Tenho uma boa opinião do D. António Marcelino (acho que no seu tempo, sobressaía do conjunto dos bispos portugueses), deve ter conhecimentos que eu desconheço acerca da Maçonaria. Mas estou demasiado farta de ver a Maçonaria como o fantasma da Igreja Católica. Temos sempre de arranjar "bodes expiatórios" para os nossos erros e faltas. Nesse princípio que nos toca a todos, o sr Bispo nomeia o PS e a Maçonaria como querendo reduzir a Igreja à sacristia, mas esquece-se de fazer os respectivos mea culpa porque tal acontece.

Uma Igreja que olha para o mundo e só vê mal e relativismo e materialismo e individualismo e todos os outros ismos que costuma nomear, já não sabe olhar para além da porta da sacristia.

Existe tudo isso no mundo, como existem imensas sementes e frutos de bondade, de justiça, de solidariedade, de perdão com quem a Igreja deve dialogar e potenciar.

Sou católica, mas não suporto nem subscrevo, nenhuma superioridade moral da parte da Igreja a que pertenço.

E fico perplexa por ver um bispo a ocupar espaço num jornal, com coisas que, para mim, são secundários relativas aos problemas da Igreja.

borda d'água

Consegue-se viver com o coração ensarilhado. Mas postar não!

2007-05-25

Para o Ivan Nunes

Hoje, descobri duas coisas, com gozo. A primeira, foi que já não tenho idade nem paciência para desfazer equívocos, sobre a minha pessoa. Equivocou-se - danou-se!



A segunda, foi ter descoberto o novo blogue do Ivan Nunes. O Ivan foi das primeiras descobertas da blogosfera. Logo se tornou um dos meus "amores", e até ousei mandar-lhe umas tímidas mensagens de e-mail. A que, simpaticamente, sempre respondeu. Hoje, descobri-o em nova casa, e verifiquei com gosto que a paixão ainda se mantém.

sem ofensa ao belo espécime da foto!


...um tolo encontra sempre um burro que o reconheça.

bom dia



7Muitos dizem: "Quem nos dará a felicidade?"Resplandeça sobre nós, SENHOR, a luz da tua face! (sl 4,7)
imagem - Claude Monet, 1873

2007-05-24

ainda o aborto

O terapeuta depara-se com o drama de mulheres que abortaram. Como religioso, solicitam-me aquelas que, diante de gravidez indesejada, sofrem a angústia da dúvida. Raramente vêm acompanhadas por seus parceiros - o que é preocupante sintoma.
Em pleno século XXI questões sérias como o aborto são, ainda, consideradas tabus. Lamento as dificuldades que a Igreja Católica impõe à discussão. Se a teologia é o esforço de apreensão racional das verdades de fé, o teólogo tem o dever de manter-se aberto a todos os temas que dizem respeito à condição humana, mormente se encerram implicações morais.
Embora contrário ao aborto, admito a sua descriminalização em certos casos e sou favorável ao mais amplo debate, pois se trata de um problema real e grave que afecta a vida de milhares de pessoas e deixa sequelas físicas, psíquicas e morais.
Ao longo da história, a Igreja nunca chegou a uma posição unânime e definitiva. Oscilou entre condená-lo radicalmente ou admiti-lo em certas fases da gravidez. Atrás dessa diferença de opiniões situa-se a discussão sobre qual o momento em que o feto pode ser considerado ser humano. Até hoje, nem a ciência nem a teologia tem a resposta exacta. A questão permanece em aberto.
Santo Agostinho (sec. IV) admite que só a partir de 40 dias após a fecundação se pode falar em pessoa. Santo Tomás de Aquino (séc. XIII) reafirma não reconhecer como humano o embrião que ainda não completou 40 dias, quando então lhe é infundida a "alma racional".
Esta posição virou doutrina oficial da Igreja Católica a partir do Concílio de Trento (séc. XVI). Mas foi contestada por teólogos que, baseados na autoridade de Tertuliano (séc. III) e de santo Alberto Magno (séc. XIII), defendem a hominização imediata, ou seja, desde a fecundação trata-se de um ser humano em processo. Contudo, a discussão encerra-se oficialmente com a encíclica Apostolica Sedis (1869), na qual o papa Pio IX condena toda e qualquer interrupção voluntária da gravidez.
No século XX, introduz-se a discussão entre aborto directo e indirecto. Roma passa a admitir o aborto indirecto em caso de gravidez tubária ou câncer no útero. Mas não admite o aborto direto nem mesmo em caso de estupro.
Bernhard Haering, um dos mais renomados moralistas católicos, admite o aborto quando se trata de preservar o útero para futuras gestações ou se o dano moral e psicológico causado pelo estupro impossibilita aceitar a gravidez. É o que a teologia moral denomina ignorância invencível. Nem a Igreja tem o direito de exigir sempre de seus fiéis atitudes heróicas.
Roma é contra a descriminalização do aborto baseada no princípio de que não se pode legalizar algo que é ilegítimo e imoral: a supressão voluntária de uma vida humana. A história demonstra, porém, que nem sempre a Igreja o aplicou com igual rigor a outras esferas, pois defende a legitimidade da "guerra justa" e da revolução popular em caso de tirania prolongada e inamovível por outros meios (Populorum Progresio). É o princípio tomista do mal menor. Em muitos países, a Igreja aprova a pena de morte para criminosos.
Embora a Igreja defenda a sacralidade da vida do embrião em potência, a partir da fecundação, ela jamais comparou o aborto ao crime de infanticídio e nem prescreve rituais fúnebres ou batismo in extremis para os fetos abortados…
É preciso encarar com seriedade as razões que induzem uma gestante ao aborto. A opção de abortar é moral e política. Pode ser encarada pelo ângulo do poder do mais forte sobre o frágil. Tão frágil que podem ser encontradas justificativas científicas para negar-lhe o título de humano. Para a genética, o feto é humano a partir da segmentação. Para a ginecologia-obstetrícia, desde a nidação. Para a neurofisiologia, só quando se forma o cérebro. E para a psicosociologia, quando há relacionamento personalizado. Em suma, o feto é uma espécie de subproletário biológico. Tão reduzido à sua impotência que não tem como protestar ou rebelar-se.
Em muitos casos de aborto, o feto paga pela rejeição que a mulher tem ao homem que a fecundou ou pelos preconceitos que a atemorizam e a tornam tão escrava de conveniências sociais que, paradoxalmente, decide extraí-lo em nome de sua suposta liberdade. Liberdade que teme e da qual foge quando se trata de admitir uma relação adúltera, assumir-se como mãe solteira ou exigir de seu parceiro, ainda que casado com outra mulher, que se assuma como pai face à evidência de uma vida em processo.
Há homens que, confrontados com uma inesperada gravidez, reagem com uma covardia inominável, como se o problema fosse apenas da mulher. E há mulheres coniventes com a omissão masculina, não raro por ter de optar entre o feto e o afecto...
Partilho a opinião de que, desde a fecundação, já há vida com destino humano e, portanto, histórico. Sob a óptica cristã a dignidade de um ser não deriva daquilo que ele é e sim do que pode vir a ser. Por isso, o cristianismo defende os direitos inalienáveis dos que se situam no último degrau da escala humana e social.
O debate sobre se o ser embrionário merece ou não reconhecimento de sua dignidade não deve induzir ao moralismo intolerante, que ignora o drama de mulheres que optam pelo aborto por razões que não são de mero egoísmo ou conveniência social.
Trata-se de mulheres muito pobres que, objectiva e subjectivamente, não têm condições de assumir o filho; de prostitutas que dependem de seus corpos para sobreviver e dar de comer a seus dependentes; de casais que se deparam com uma gravidez imprevista que viria desestabilizar a vida conjugal e familiar; de mulheres mentalmente enfermas, incapacitadas para cuidar de uma criança; ou que engravidam involuntariamente após os 40 anos, quando aumenta a possibilidade de nascer um filho com deficiência.
É a defesa do sagrado dom da vida que levanta a pergunta se é lícito manter o aborto à margem da lei, pondo em risco também a vida de inúmeras mulheres que, na falta de recursos, tentam provocá-lo com chás, venenos, agulhas ou a ajuda de curiosas, em precárias condições higiênicas e terapêuticas. Uma legislação em favor da vida faria este problema humano emergir das sombras para ser adequadamente tratado à luz do Direito, da moral e da responsabilidade social do poder público.
O teólogo González Faus opina que "mais do que o moralista, a existência de situações-limites deve ser contemplada pelo legislador civil, que não está obrigado a assegurar toda a moralidade e sim a convivência pacífica, nem está obrigado a prescrever a heroicidade ou a procurar um "melhor" inimigo do bem, senão que muitas vezes há de contentar-se em evitar o mal maior. E é possível que, nas atuais circunstâncias de nossa sociedade, a descriminalização legal do aborto seja um mal menor." (Este es el hombre, Ed. Cristandad, Madri, 1986, p. 277).
A morte clandestina no ventre elimina qualquer risco à propriedade e à imagem pública do proprietário. Para este, aliás, não há ilegalidade nesta matéria. Basta enviar a gestante a uma clínica particular e tudo se resolve. Mas como ficam as mulheres pobres que não podem ter filhos, senão sob o risco de perderem o emprego e deixarem a família na miséria? São inúmeras as que, para obter trabalho, se vêem obrigadas a esconder que são casadas e a impedir ou interromper a gravidez.
Se os moralistas fossem sinceramente contra o aborto, lutariam para que não se tornasse necessário e todos pudessem nascer em condições sociais seguras. Ora, o mais cômodo é exigir que se mantenha a penalização do aborto. Mas como fica a penalização do latifúndio improdutivo e das causas que levam à morte, por ano, cerca de 26 entre cada 1.000 crianças brasileiras que ainda não completaram doze meses de vida?
A descriminalização não reduz o número de abortos clandestinos. Muitas mulheres continuam a preferir o anonimato, para evitar danos à sua imagem social e/ou à do parceiro. Diminui é o número de óbitos em conseqüência do aborto. Em países onde o aborto não é criminalizado, inúmeras gestantes, ao procurar os serviços sociais decididas a fazê-lo, são convencidas a ter o filho - o que não ocorreria se vigorasse a criminalização.
"No plano dos princípios" - declarou o bispo Duchène, presidente da Comissão Espiscopal Francesa para a Família - "lembro que todo aborto é a supressão de um ser humano. Não podemos esquecê-lo. Não quero, porém, substituir-me aos médicos que refletiram demoradamente no assunto em sua alma e consciência e que, confrontados com uma desgraça aparentemente sem remédio, tentam aliviá-la da melhor maneira, com o risco de se enganar" (La Croix, 31/3/79).
Não se trata, pois, de legalizar o aborto, como se fez com o divórcio. Antes, de impedi-lo e defender os direitos da vida em embrião. Assim, uma legislação em favor da vida deve obrigar o poder público a promover amplas campanhas contra o aborto; esclarecer suas implicações morais, físicas e psicológicas; prever sanções aos empregadores que recusam mulheres casadas ou não dão suficiente apoio às gestantes; criar postos de atendimento às gestantes que pensam em abortar, onde médicos, psicólogos, assistentes sociais e, inclusive, ministros da confissão religiosa da interessada, procurem convencê-la a assumir o filho, demovendo preconceitos; ampliar a rede de Casas da Mãe Solteira, de modo a evitar que as gestantes solteiras sejam induzidas ao aborto por desamparo afectivo, moral ou econômico; assegurar o salário-maternidade e multiplicar o número de creches; criar o sistema telefónico de atendimento às mulheres angustiadas por gravidez imprevista, o SOS Futuras Mães; oferecer ajuda financeira às famílias que adoptam crianças rejeitadas por suas mães etc.
Em suma, assegurar o direito à vida do embrião e amparo moral, psicológico e económico à gestante, bem como prescrever medidas concretas que socialmente venham a tornar o aborto desnecessário.

Frei Betto * Frei dominicano. Escritor.

O Bernardo, no "Espectadores" continua a debater o tema segundo a visão dele, como é óbvio. Eu tenho dado as minhas achegas. Somos os dois católicos e temos visões um pouco diferentes. Concordamos os dois que o aborto é um mal. O Bernardo ignora completamente a mulher. Eu não consigo fazê-lo. Tenho conceitos éticos e morais com que procuro guiar-me na minha vida. Mas tenho a capacidade de me colocar no lugar do outro. Nunca na totalidade, como é óbvio. Ninguém consegue fazer isso.

Coloco o texto reflexão do Frei Betto, porque acho que de uma forma honesta, procura ver todos os lados da questão. Nunca teremos a certeza da justeza das nossas ponderações nesta matéria. Por isso, continuo a achar o mal menor a despenalização do aborto, até às dez semanas. Mais, nunca aceitaria. Mas continuo a achar que uma sociedade justa, seria a que tal problema não existisse. Mas considero isso uma utopia dificilmente realizável.

2007-05-23

diz-me o que procuras...

Cada vez me convenço mais, que os homens procuram mulheres que não existem. Para ser sincera, tenho de dizer que o inverso, também é verdade.

enquanto se espera pela decisão do Carmona Rodrigues


carta aberta ao Papa

Te dirijo esta carta porque necesito comunicarme con el pastor de la Iglesia Católica y no existe ningún canal de comunicación para encontrarte directamente. Me dirijo a tí como hermano en la fe y en el *sacerdocio, puesto que hemos recibido en común la misión de anunciar el Evangelio de Jesús a todas las naciones.Soy sacerdote misionero de Quebec (Canadá) desde hace 45 años; me comprometí con entusiasmo al servicio del Señor cuando empezó el Concilio *Ecumènico Vaticano II.

...Después de haber leído el Evangelio de Jesús durante mis estudios secundarios quedé impresionado por la multitud de pobres y tullidos de la vida de los que se rodeaba Jesús, mientras que los numerosos sacerdotes que nos acompañaban en aquel colegio católico sólo nos hablaban de moral sexual. Yo entonces tenía quince años.
La teología de la liberación es una mezcla errónea de fe y política? En el avión que te traía al Brasil, una vez más has condenado la teología de la liberación como un falso milenarismo y una mezcla errónea entre Iglesia y política. He quedado profundamente molesto y me he sentido herido por tus palabras. Ya había leído, y releído, las dos instrucciones que el ex cardenal Ratzinger había publicado sobre esa teología; allí la describes como un espantapájaros que no representa nada en mi vivencia y convicciones. No he necesitado leer a Karl Marx para descubrir la opción para los pobres. La Teología de la liberación no es una doctrina o una teoría; es una manera de vivir el Evangelio en la proximidad y la solidaridad con las personas excluidas y empobrecidas.
Es indecente condenar así públicamente a los creyentes que han consagrado su vida —y somos decenas de miles de laicos y laicas, religiosas y religiosos y sacerdotes de todas partes— los que hemos seguido el mismo camino. Ser discípulo de Jesús es imitarlo, seguirlo, actuar como él obró. No comprendo este encarnizamiento y esta hostilidad respecto a nosotros. Justo antes de tu viaje al Brasil, redujiste al silencio y excluiste de la enseñanza católica el padre Jon Sobrino, teólogo comprometido y sacrificado, compañero de los jesuitas mártires de El Salvador y de monseñor Romero. Este hombre de setenta años ha servido con valor y humildad a la Iglesia de América Latina con su enseñanza. Es una heregía presentar a Jesús como hombre y sacar las consecuencias ?
... También consagré aquellos años a leer la Biblia con la gente de los barrios populares y centenares de personas descubrieron así la Palabra de Dios que les ofrecía enfrentar la opresión con fe y valor; yo estaba convencido de que Dios les acompañaba. Organicé comedores populares y talleres artesanos para permitir que antiguos prisioneros políticos reencontraran un lugar dentro la sociedad. Recogí cuerpos asesinados del depósito de cadáveres y les di una sepultura digna como a seres humanos. Promoví los derechos de la persona con riesgo de mi integridad física y de mi vida. Sí, la mayoría de las víctimas de la dictadura eran marxistas y nos hicimos bien próximos porque aquellas personas eran nuestros prójimos. Y juntos cantamos y esperábamos el final de aquella ignominia. Soñábamos también juntos la libertad!
Qué habrías hecho en mi lugar? Por cuál de estos pecados quieres condenarme, hermano Benito?¿ Qué es lo que te cae tan mal en esta práctica? ¿Se encuentra muy lejos de aquello que Jesús habría hecho en las mismas circunstancias? ¿Cómo piensas que me encuentro cuando escucho tus repetidas condenas? Ahora, como tú, llego al final de mi servicio ministerial y esperaba ser tratado con más respeto y afecto de parte de un pastor. Pero tú me dices: «No has comprendido nada del Evangelio. Todo esto es marxismo! Eres un ingenuo». ¿No hay mucha arrogancia en tus palabras?
...


Claude Lacaille in Redes cristianas

2007-05-22

bom dia

Da verdade do amor

Da verdade do amor se meditam
relatos de viagens confissões
e sempre excede a vida
esse segredo que tanto desdém
guarda de ser dito

pouco importa em quantas derrotas
te lançou
as dores os naufrágios escondidos
com eles aprendeste a navegação
dos oceanos gelados

não se deve explicar de masiado cedo
atrás das coisas
o seu brilho cresce
sem rumor

José Tolentino de Mendonça

2007-05-21

Uma pergunta que gostava de fazer ao Papa, olhos nos olhos:

Quando a Igreja Católica, através da Congregação para a Doutrina da Fé, decide calar teólogos como José Maria Castillo, Hans Kung, Jon Sobrino, Boff, Marciano Vidal e tantos outros, é porque com a sua reflexão põem em causa a fé do Povo de Deus, ou as estruturas hierárquicas?

José Maria Castillo um grande teólogo aos 78 anos, cansado das censuras e tudo o mais que mina a liberdade de pensamento e expressão, decide sair de vez dos jesuítas, congregação a que pertence. Que motivos de força maior levarão um ancião de 78 anos, a bater com a porta de uma estrutura que já não suporta mais?

No te han dejado dar clases en el Salvador, te han ido cerrando todas las puertas de la Institución Oficial ¿Qué podías decir, qué podías hacer? Y has optado de nuevo por la libertad y por la vida en la Gran Iglesia de Jésús. En esta nueva situación te digo otra vez: ¡Dios te guarde y te dé muchos años de vida, para que tú puedas darnos de nuevo tu palabra.Has optado por vivir como cristiano “extramuros”, fuera de la Institución, de las murallas resguardadas, de las seguridades sacrales. No es mal lugar parar estar ¿sabes? También Jesús andaba extra moenia. Por eso quiero decirte, en mi nombre, en el nombre de otros muchos: ¡Gracias, Pepe! Gracias por ser lo que han sido y por querer seguir trabajando con (casi) todos, por todos.

muçulmanos superaram numericamente católicos

Os muçulmanos superaram os católicos _ em termos numéricos _ no mundo: um bilhão e 322 milhões de muçulmanos, e um bilhão e 115 milhões de católicos.Os dados são fornecidos por estatísticas de 2005.



Mons. Felix Anthony Machado, manifestou _ em entrevista à agência de notícias ANSA _ seu ceticismo em relação a tais dados estatísticos.Ele garante os dados fornecidos pelo Centro de Estatísticas da Igreja, assegurando que todas as paróquias, até mesmo aquelas localizadas "nos confins do mundo", registram seus batizados, por isso _ afirma _ "não há possibilidades de erros"."O mesmo não se pode dizer de outras religiões" _ observa Mons. Machado. "Como se sabe se uma pessoa é budista ou não; se é muçulmana ou não?" _ questiona ele, argumentando que essas religiões não dispõem de nenhum tipo de registro."Para se tornar muçulmano _ exemplifica ele _ basta recitar um verso do Alcorão diante de duas testemunhas, ou então a Shahada, ou seja, a profissão de fé." (AF)



As coisas valem o que valem mais o valor que se lhes atribui. Mas os baptismos católicos de criancinhas levadas pelos pais ao baptismo, muitas vezes a pretexto de mais uma festa familiar e social, não sei se valerão mais (para os fins em vista) do que um adulto recitar um verso do Alcorão. Mas deixá-los ser felizes assim...a contar registos.

esta coisa da ciência...


...por vezes m'espanta. Outras apoquenta-me! Ainda por cima, anda numa voragem de secar tudo. Há dias, lia que andam a testar uma pílula que elimina a menstruação na mulher. Por largos períodos. Uma mulher pode sobreviver perfeitamente sem a dita. Mas...

Agora, leio que estão a inventar uma que produza orgasmos secos nos homens. Reconhecem-se algumas vantagens: quem toma a pílulazinha são eles. Mas...o que é a fonte de Trevi, sem as cascatas?

"O Senhor Espírito Santo não faz cerimónia nem tem caganças"

A verdade numa grande simplicidade:



..."Quando questionado sobre o que sabia acerca dos dons do Espírito Santo, Gregório Machado Barcelos respondeu: “É bom que o senhor me pergunte, porque acho que na cidade falam, falam e acertam pouco. Sem ofensa, até acho que não sabem nada, de nada. Mas eu digo como é que meu pai dizia e o pai dele lembrava muitas vezes como era. Eu digo que os dons do Espírito Santo são sete e são sete porque é assim mesmo, é um número que vem dos antigos, como as sete partidas do Mundo ou os sete dias da semana e não vale a pena estar a aprofundar muito porque não se chega a lado nenhum e só complica. E o primeiro dom do Espírito Santo é a Sabedoria – é o dom da inteligência e da luz. Quem recebe este dom fica homem de sabença. Os apóstolos estavam muito atoleimados e cheios de cagança e veio o Divino que botou o lume nas cabeças deles e eles ficaram mais espertinhos. Depois vem o dom do Entendimento. Este está muito ligado ao outro, mas aqui, quer dizer mais a amizade, o entendimento, a paz entre os homens. Este é assim: o Senhor Espírito Santo não é de guerras e quem tiver pitafe dum vizinho deve de fazer logo as pazes que é para ser atendido. E o terceiro dom do Espírito Santo é o do Conselho – o Espírito Santo é que nos ilumina e indica o caminho. É a luz, o sopro, ou seja, o espírito. É por isso que tem a forma de uma Pomba, porque tudo cria e é amor e carinho. O quarto dom é o da Fortaleza, que vem amparar a nossa natural fraqueza – com este dom a gente damos testemunho público, não temos medo. Quem tem o Senhor Espírito Santo consigo tem tudo e pode estar descansado. Depois vem o dom da Ciência, do trabalho e do estudo. O saber porque é que as coisas são assim e não assado. É não ser toleirão nem atorresmado como muitos que há para aí. O senhor sabe! O dom da Piedade e da humildade é o sexto dom. Quer dizer que o Senhor Espírito Santo não faz cerimónia nem tem caganças. Assim os irmãos devem ser simples e rectos. E depois, por derradeiro, vem o sétimo dom que é o Temor mas não é o temor de medo. É o temor de respeito – para cá e para lá. A gente respeita o Espírito Santo porque o Senhor Espírito Santo respeita a gente. Temor não é andar de joelhos esfolados ou pés descalços a fazer penitências tolas: é fazer mas é bodos discretos com respeito mas alegria que o Espírito Santo não tem toleimas nem maldades escondidas. É isto que são os sete dons do Espírito Santo e o senhor se perguntar por aí ninguém vai ao contrário, fique sabendo.”



Recolhi no Religionline

o relativismo religioso

"No passado dia 5, o Grande Oriente Lusitano realizou o Encontro Internacional de Lisboa - Religiões, Violência e Razão, onde me coube falar sobre os fundamentos essenciais do diálogo inter-religioso. Crentes, agnósticos, ateus vivem no mesmo mundo, cuja realidade ambígua exige interpretação. Ora, como nota o teólogo Andrés Torres Queiruga, não é porque se é crente, agnóstico ou ateu que se interpreta o mundo de uma determinada maneira; pelo contrário, é-se crente, agnóstico ou ateu, porque a fé ou a não crença aparecem ao crente e ao não crente, respectivamente, como a melhor forma de interpretar o mundo comum. É neste horizonte que se enquadra o diálogo entre as religiões, com quatro pilares fundamentais.

1. Desde que se não oponham ao Humanum, pelo contrário, o afirmem e promovam, todas são reveladas e verdadeiras, o que não significa que sejam iguais.

2. Todas são relativas, num duplo sentido. São relativas porque nasceram num determinado contexto geográfico, social, económico e até religioso. São relativas também no sentido de que estão todas referidas ao Sagrado, mas nenhuma o diz plena e adequadamente. Precisamente por isso, devem dialogar para melhor tentarem dizer o Mistério que a todas reúne e transcende. Assim, o diálogo inter-religioso não se impõe apenas pragmaticamente, para evitar a violência, nem é simples tolerância, que ainda diz, subtilmente, superioridade face ao outro tolerado. Ele é exigido pela própria compreensão autêntica do que significa ser religioso, portanto, em relação com o Sagrado Infinito, que nenhuma religião nem mesmo todas juntas podem dizer.Precisamente porque é necessário salvaguardar a transcendência do Sagrado, impõe-se a separação das Igrejas e do Estado. A distinção entre a esfera política e a esfera religiosa não é decisiva apenas em ordem à paz e à convivência pacífica entre todos os cidadãos. É exigida pela religião, que tem consequências políticas, mas não pode aceitar que o Sagrado seja transformado num ídolo político ou instrumentalizado para legitimar interesses económico-políticos.Torna-se claro que é necessário tirar outra consequência fundamental. Se as diferentes religiões nascem num determinado contexto histórico, geográfico, cultural, moral e até religioso, isso também implica que os textos sagrados das diferentes religiões não são ditados de Deus e, por conseguinte, não podem ser lidos literalmente - exigem uma leitura histórico-crítica.Ao contrário do que possa pensar-se, isto não significa de modo nenhum relativismo, pois é de perspectivismo que se trata. O relativismo implica negação da verdade. O perspectivismo, ao contrário, afirma a verdade, mas sempre presente ao Homem em várias perspectivas.

3. Deste diálogo fazem parte todos os seres humanos, também os ateus. Por duas razões fundamentais. Em primeiro lugar, porque o que, antes de mais, nos une a todos é a humanidade e o que se refere à Humanidade. Ora, também a religião e as religiões são questão da Humanidade. Depois, porque foram e são eles - os ateus e os agnósticos - que podem prevenir para o perigo da superstição e da desumanidade das religiões.

4. Se a religião e as religiões estão ligadas ao Mistério, ao Sagrado, que tudo penetra e envolve, o respeito pelo outro ser humano, crente ou ateu, e a salvaguarda da criação, não são algo acrescentado à religião - são exigidos pelo seu próprio dinamismo. Critério decisivo da religião verdadeira é o ethos a favor de todo o Homem e do Homem todo.
...

Anselmo Borges
DN 19/05/2007

2007-05-19

bom fim-de-semana


22*Sim, Ele tudo submeteu a seus pés e deu-o, como cabeça que tudo domina, à Igreja, 23que é o seu Corpo, a plenitude daquele que tudo preenche em todos. (Efésios 1, 22-23)
Ascensão - Frei Carlos
Museu de Arte Antiga, Lisboa

2007-05-18

tratados como fregueses

O Concílio Ecuménico Vaticano II rompeu esta dicotomia: pastores – fiéis. Apresentou a Igreja como Povo de Deus (LG), onde todos somos corresponsáveis na evangelização (EN 13-15).A concepção teológica da Igreja como comunhão e a descoberta de que o carisma não é propriedade de nenhum instituto, mas que pertence a toda a Igreja, muda radicalmente as relações no interior da Igreja. Já não há duas categorias, pastores e fiéis, mas uma multidão de componentes eclesiais com papéis distintos. Não se trata de competir umas com as outras, mas colaborar em comunhão umas com as outras em ordem a contribuir para a vida e para a missão da Igreja. O Concílio Ecuménico Vaticano II refere então que: todos os membros da Igreja são convocados para a missão comum (LG 12); o laicado recupera a clareza da sua identidade; certos desafios e valores tornam-se âmbito comum na missão: opção pelos pobres…
(www.agencia.ecclesia.pt/ecclesiaout/dehonianos)

Se é verdade que o Concílio nos centrou na necessidade de colaboração na evangelização, por parte de toda a Igreja - apenas se distinguindo os serviços e ministérios - sem categorias. Também é verdade que isso está muito longe de acontecer. Veja-se o caso da conferência a decorrer neste momento na América Latina. Apenas o Magistério tem poder decisivo nas deliberações e posteriores propostas de trabalho evangélico. Os leigos convidados estão presentes apenas como observadores.

Diz Boff a propósito: Isto mostra apenas o quanto o Vaticano está alienado da realidade concreta da Igreja. Para ele, na verdade, só conta a hierarquia. O resto são como ‘garis’ da Igreja, simples leigos, fregueses de paróquias e consumidores de bens simbólicos que eles, os padres e hierarcas, somente produzem".


Isto é uma realidade na Igreja. Fiéis tratados como fregueses, nunca ou dificilmente passarão disso. Nunca se sentirão comprometidos na evangelização. Viverão os sacramentos como rituais de magia e a fé apenas como questão de intercessão dos vários santos. Não encontro pessoal com Deus Trindade, vivido em comunhão.

Mas esse centralismo do Magistério, ultimamente tem tiques assustadores. Ainda esta semana recebi uma carta (ofício) de um serviço da Igreja, que parecia copiada dos arquivos da PIDE. Não a reproduzo aqui, porque apesar de ser dirigida em forma de circular, a umas dezenas de pessoas, acabo por considerá-la assunto particular. E também porque num acesso de repugnância a desfiz em pedaços. Mas lembro-me bem dos termos...

de todo o coração...


Este blogue é um pouco (só um pouquinho) o espelho do que me grita interiormente. Também da minha pertença à Igreja Católica. E, em relação a isso, o que aqui vou escrevendo, é tudo menos ortodoxo. Dos três ou quatro leitores que me agraciam com os seus comentários, tenho de salientar o Pedro e o Manel, que sendo padres, não se intimidam de comentar os posts que faço. Sei muito bem as razões para o meu sentir actual (sim, já fui uma beata perfeitamente alinhada), espero inseri-lo no processo de conversão que quero para mim e para a Igreja. E que o Espiríto Santo nos ajude a todos.


Muito obrigada, pela companhia activa. Posto umas florinhas como sinal de gratidão.

bom dia

A SERENATA

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natal como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

Adélia Prado

2007-05-17

às armas, às armas...


mais um romano?


Corre voz, que Mr. Blair, após deixar as funções no Governo a 27 de Junho, abandonará também o anglicanismo para se converter ao catolicismo. E Roma já se informou das suas posições sobre o aborto? Sim, porque o apoio efectivo à guerra do Iraque não conta nada. Ou no caso de, no futuro, se dedicar apenas à jardinagem, também não conta?

amor com amor se paga...


Segundo a Helena, hoje é o dia dos Homens (género masculino), pelo menos é celebrado nalguns lugares. Resolvi oferecer uma prendinha aos meninos que por cá andam, e ia lampeira postar a Longoria. Mas pensei: espera aí! No dia da Mulher, apenas vi postagens de florinhas! Emendei a mão e aqui fica: com muito amor.

bom dia


Laura Douglas (1886-1962)
Symphony Nº2, Charleston, 1934

2007-05-16

Traditione

Portugal, país de tradição católica. Sem dúvida - muita tradição. Ontem, tive uma conversa surreal com um taxista (juro que nem mexi um dedo para o catequizar. Quer-me parecer que ainda acabarei como ele), que vai todos os domingos à missa, mas não sabe o nome do padre da sua paróquia. E ao referir-se à igreja da minha, disse que era uma igreja sem santos. Demorei um bocadinho a perceber onde queria chegar. Depois percebi que se referia às imagens dos santos nos altares. Ainda contrapus que tinha a Nª Senhora da Conceição, de Fátima e mais o S. José do lado direito. Mas continuava a repetir: "é uma igreja sem santos".

deve ser muito chato ser Papa.

Fazer uma viagem de quase uma semana ao Brasil e não poder dizer: "Opa, que garota gostozinha!"

Não, tem de falar daquelas coisas chatas e a que ninguém liga nehuma. É duro!

não haverá por aí nenhum santo protector

para mulheres envergonhadas? (A minha mãezinha bem me ensinou a ser modesta - a não dar salto maior que a perna).

Desafiei-o, António, e agora gostava de ter à mão um buraquinho onde me enfiar. A resposta à correntinha que lhe propus, deixou-me atarantada de todo.

Eu não cito mais o Merton nem o Boff.Mas, então, vou citar quem? Ainda se houvesse uma corporación dermostética de cultura, para "públicos alvo" como eu...De vez em quando, ainda me aventuro no "Citador"...nhaque, desisto consternada.

Olhe, mas acredito nas epifanias, que diz sentir por aqui. Não sei se percebi bem de que género são, mas acredito na mesma.

E porque é preciso acabar isto com modos, meu Caríssimo Lagarto, fico a desejar e a torcer que mantenha o segundo lugar no próximo domingo, porque o primeiro, é o lugar da Águia. (Pode parecer uma citação do Boff, mas não é. De todo!)

eternamente sua,
MC

2007-05-14

"demos novos mundos ao mundo"... e o mundo deu-nos alguma coisa?

A história de Portugal é, de facto, singular. Os portugueses foram para todo o lado, mas nunca saíram, levaram a casinha com eles...Mas a nossa tendência é a de vivermos guetizados. Agora estamos todos, seja aqui ou na Patagónia, a ver o mesmo ecrã. É como o cosmonauta que viu a Terra de fora pela primeira vez. Só que agora a vemos na televisão ou na Internet. No entanto, a verdade mais profunda é que a televisão serviu, sobretudo, para aproximar internamente o país. Vila Real e Bragança estão em Lisboa e vice-versa. O país está mais compacto. Mas, ao mesmo tempo, há uma auto-guetização. Veja um acontecimento como o das qualificações académicas do primeiro-ministro, sem dimensão, sem interesse, nem dentro nem fora de fronteiras, mas que pode ocupar o país um mês inteiro. Isto numa altura em que se estão a passar no mundo coisas que interessam oos destinos da humanidade. A televisão tem esta capacidade de estar em toda a parte, mas é um espelho que também nos pode reduzir à dimensão de um quarto de dormir. Estamos todos na mesma casa-de-banho. Continuamos numa ilha, agora com vistas para o mundo inteiro, mas que são só vistas. O que nos interessa mesmo é o que se passa cá em casa. Mais uma vez, o Eça ilustrou isto:" o que nos interessa é o pé da Luisinha".

Eduardo Lourenço
Pública 13/5/2007

que lindos os passarinhos e as florinhas...

Confesso: tenho várias alergias! Uma muito forte - são as receitas xaroposas para a vida. Não me comovem nem me motivam, "decálogos" tipo: "ser feliz em dez passos". Para já - o que é a felicidade? Ninguém sabe! Ou ninguém viu.
E tenho a grande sorte, de não ter no rol dos meus amigos, nenhum que me venha com essas mezinhas. De vez em quando ainda se atrevem com um "tens que..." como se as montanhas se movessem assim...

Mas, se eu não me avenho com receitas de felicidade "1,2,3", há quem as assimile e propague. Foi o que fez a jornalista Laurinda Alves da extinta Xis (paz à sua alma), que reproduziu no Público um pseudo texto de Pessoa que começava assim: Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise...e continua por aí fora para terminar assim: Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

Estão a ver Fernando Pessoa a escrever isto? Eu também não. E mais uma série de leitores que escreveram para o provedor do leitor, Rui Araújo, (isto no Público de ontem, pág. 47) a questionar a autoria do texto "inspirador de Fernando Pessoa que foi lido em voz alta neste fim de tarde inesquecível."

Recomenda o provedor que os jornalistas confirmem a veracidade das suas fontes. E eu recomendo á Laurinda Alves que goze muitos fim de tarde inesquecíveis, mas não venda isso como banha da cobra para curar todas as feridas. O mundo agradece.

impressões

À simplicidade da vida, chega-se reconhecendo que é complexa

bom dia



Rosina del Fabro (1874-1946)

Madchen Mit Entenjungen

2007-05-12


22*Templo, não vi nenhum na cidade; pois o senhor Deus, o Todo-Poderoso, e o Cordeiro são o seu templo. 23E a cidade tão-pouco necessita de Sol nem de Lua para a iluminar; pois a glória de Deus a ilumina e a sua lâmpada é o Cordeiro. (Apc 21, 22-23)
imagem - faltz.multiply.com/

2007-05-11

e agora o credo que se impõe...

A gente reza e diz e pensa - faça-se a Tua vontade - mas são coisas da boca para fora. Porque o que nós queremos todos, é ser donos e senhores da nossa vidinha. Conhecer o terreno que pisamos e interferências só com data e horas marcadas. Mas com Deus, não é assim, não!
Eu já sei como é que as coisas funcionam: quando a corda está mesmo a rebentar, lá digo entre dentes: - Pronto, mete-Te lá. Já vi que pelos meus métodos não consigo. É a Tua vez. Sei que estavas mortinho para que chegasse a este ponto. Agora vou sentir o efeito de bofetada com luva branca, mas é por uma boa causa - Queres-me de rabinho preso, não é?

prometoqu'éaúltima

Também fiquei a saber que andaram a distribuir um folheto com um mapa de Fátima e vários anúncios de publicidade. Um vendedor de comércio religioso estava indignado, porque ao lado do anúncio dos penicos com a Nª Sra. de Fátima, havia outros a anunciar productos de utilidade sexual. Dizia que era um escândalo e falta de gosto. Diz o roto ao nu!

aimaisoutra...

Aviso os irmãos brasileiros que vêm ao meu blogue à procura das pílulas do Frei Galvão (como não tenho de momento presente o programa da visita do Papa ao Brasil, não sei se já é santo), que não sei nada das mesmas. Nem fazia ideia que existiam. Apenas, pelo canto do olho, enquanto comia a perna de frango, vi na TV como é que elas são distribuidas: uma porta num convento, uma "roda", deixas moedinha, levas "pilulazinha"/oração. Ainda consegui ouvir que é para meter na boca. Não sei se foi da reportagem ou da perna de frango, mas estou enjoadíssima. Balhame a manjedoura do presépio.

reportagenzinhas deprimentes...

Fiquei a saber que foi hoje lançado um livro sobre o Pinto da Costa (que não estava presente no lançamento por um motivo qualquer. Se emigrou para a lua, tanto melhor. Meu querido genro o FCP não é o Pinto da Costa ;)). Segundo uma das autoras, o Sr. Nuno é um cavalheiro. Tanto assim é, que, manda escrever que é um benemérito - promoveu uma trabalhadora de bordel a escritora. E quem prefacia o livro da treta que custa 19 (dezanove) euros? O MST? O BCM? O RT? Não! Um adepto confesso: D. Januário Torgal Ferreira. Balhame o burrinho do presépio!

Will Barnet - Kiesler and Wife,
1963-65

2007-05-10

imbecil, ignorante, parvo, estúpido e é melhor parar por aqui

Depois de negar que tivesse ofendido a deputada Cida Diogo (PT-RJ), que interrompeu a sessão do plenário aos prantos denunciando ter sido agredida verbalmente, o deputado Clodovil (PTC-SP) confirmou o relato feito pela petista.

“Eu disse para ela: digamos que uma moça bonita se ofendesse porque ela pode se prostituir. Não é o seu caso, a senhora é uma mulher feia”, contou o deputado. “Eu tenho culpa de ela ser feia, gente?”, emendou.

Aqui

Parece que também disse que as mulheres trabalham deitadas e descansam de pé.
O raio das lágrimas é que tanto podem ser uma boa arma, como nos traiem nas piores alturas...

quase, quase perfeito

44*Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. (Actos 2,44)

Era o mundo novo ou era a cagufa do fim dos tempos?

ideias à solta...

Sei bem das complicações da vida. E de como ela não se compadece de análises fáceis. A vida é complexa e pronto!
Também sei que entre a força bruta das hormonas masculinas para continuar a espécie e a tremedeira das femininas para arranjarem protecção e aconchego, muito desencontro e passos em falso são dados, de ambos os lados e os dois em conjunto. E a vida irrompe, sem pedir licença, no meio dos desatinos da mesma. Foi o que aconteceu com uma menina chamada Esmeralda.
E a menina Esmeralda, diz o tribunal, é uma criança-vítima de um homem e de uma mulher que lhe "criaram a ilusão" de que podia ter uma família de pai e mãe, avós, tios...uma casa digna, brinquedos - tudo o que qualquer ser humano teria direito. E ainda mais, no dizer dos senhores magistrados, criaram com ela "laços de amor". Parece que aqueles que tinha como pai e mãe, agora vão ter que fazer a desintoxicação: "olha, nós não somos teus pais. O amor que te demos, não te o devíamos dar". "Porque quis a vida que nascesses duma mãe que não te quis, ou não te podia ter e dum pai que só agora se lembrou que existes."

Digam lá que a vida ou nós, sei lá...não é um carrocel descontrolado.

ou qualquer outra

Perdi os meus fantásticos castelos

Perdi meus fantásticos castelos
Como névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!

Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? -
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!
Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...
Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias...

Florbela Espanca

2007-05-09

borda d'água

Dizem que o tempo tudo cura! Então porque é que dói de cada vez que abro a janela?

e o que terão as "pílulas" de frei Galvão?

Entre os milhões de católicos brasileiros que darão as boas-vindas a Bento XVI, encontra-se a mulher que experimentou um milagre atribuído à intercessão de Frei Antonio de Santa Ana Galvão e que permitirá sua canonização no próximo dia 11 de maio. Trata-se da paulista Sandra Grossi de Almeida, licenciada em Química, de 37 anos, residente em Brasília, que deu à luz seu filho Enzo em 1999, ante a surpresa de médicos e cientistas.

Quando ficou grávida pela quarta vez, era consciente das dificuldades que enfrentaria, mas queria levar a gravidez adiante, fiel às suas convicções católicas. «A ginecologista me disse que não deveria me iludir, mas que faria tudo o que estivesse ao seu alcance para ajudar-me, e me preveniu claramente sobre a grande possibilidade de perder a outra criança», testemunha Sandra na edição italiana de «L’Osservatore Romano». Uma amiga da família, já falecida, ofereceu-lhe as «pílulas do Frei Galvão», umas orações para pedir a intercessão do beato brasileiro. Sandra começou a rezar as orações, ainda que não conhecia a história do beato. Para surpresa dos médicos (mas não de Sandra), na primeira noite da primeira novena a Frei Galvão, a hemorragia parou e as dores cessaram. «Foi um sinal da intercessão de Frei Galvão por mim», recorda Sandra.

Hoje, Enzo é uma criança sadia de oito anos. Quando se pergunta a ele quem é Frei Galvão, responde: «Nasci graças a ele».

www.zenit.org

viagem de Bento XVI ao Brasil


3.200 jornalistas credenciados para acompanhar viagem. Para ouvir algo de novo? Não! Uma Igreja em manutenção.

Deus os conserve por muitos e longos anos

Ao final de trinta anos de conflito, católicos e protestantes assumiram ontem, juntos, as rédeas do poder na Irlanda do Norte. O novo primeiro-ministro e o novo vice-primeiro-ministro do governo semi-autónomo tomaram posse no Palácio de Stormont, onde a palavra paz dominou os discursos, faltando apenas um aperto de mão para a fotografia.

Não são as crenças religiosas razão para a violência e aniquilação de pessoas e bens. Mas sim o poder. Esperemos que seja para continuar este novo ciclo de poder.

bom dia


Paula Rego - love

2007-05-08

considerandos...

A 12 e 13 de Maio, milhares de peregrinos rumam ao Altar do Mundo para se ajoelharem aos pés de Nossa Senhora de Fátima, numa das mais impressionantes manifestações de fé, paz e espiritualidade a que o mundo assiste todos os anos desde 1917. A história de Fátima está permanentemente associada à existência de três crianças: Lúcia e seus primos, Francisco e Jacinta Marto. A doçura e fé inocente de pequenos e humildes pastores levou-os a vislumbrar a mais santa das imagens: a de Nossa Senhora.A 13 de Maio de 1917, na Cova da Iria, a poucos quilómetros de Fátima, vislumbraram um clarão, onde agora se localiza a Capela das Aparições. A Virgem pediu-lhe que rezassem muito pelo bem do mundo, e anunciou que voltaria durante os próximos meses, a todos os dias 13. A última Aparição ocorreu no mês de Outubro, sendo presenciada por cerca de 70.00 peregrinos que assistiram ao Milagre do Sol.Fátima é hoje por muitos considerada como o Altar do Mundo, onde cheira a promessas e velas queimadas e onde acorrem milhões de peregrinos movidos pela maior força do mundo: a fé.Fátima, cidade da Paz. Terra de Milagres e Aparições.

retirado daqui

O texto acima está incluído num site da região de turismo de Leiria/Fátima. Serve para as duas ou três coisas que quero comentar.

Nas vésperas de mais uma peregrinação comemorativa, das "alegadas" aparições de Maria em Fátima e ainda por cima caindo num fim-de-semana, muitos serão aqueles que de diversos modos, rumarão a Fátima. Nada a opôr. Duas ou três vezes, já participei em grandes celebrações em Fátima, por motivos que não vêm agora ao caso. Algumas, já fui particularmente. Não porque tenha alguma devoção particular à "Senhora de Fátima" ou aos "videntes". Se me perguntarem se acredito nas "aparições", digo que nem acredito nem deixo de acreditar. Não acho que seja relevante para a minha fé. E acho que a Igreja anda muito mal, por não fazer estudos capazes sobre Fátima. O "milagre do sol" , as memórias da Lúcia etc., careciam de estudos sérios e extensivos. Não basta o padre x e mais o y terem uma empatia muito forte pelos pastorinhos e todos os restantes fenómenos. Estou a referir-me ao Padre Luís Kondor que é um incondicional fatimista e que muito tem feito para que a Igreja sancione Fátima. Incluindo as beatificações dos videntes.


E, se não acho relevante...incomodam-me expressões como; "Terra dos Milagres", "Cidade da Paz", e uma expressão que a Igreja muito gosta "Altar do Mundo".

Altar, altar a Igreja professa que é o próprio Cristo; "Sacerdote, Altar e Cordeiro". Cristo disse à samaritana no evangelho de João que não é aqui ou ali que se adora Deus, mas devem "adorá-lo em espírito e verdade" (Jo 4,24) e eu gosto de adorá-lo sem lugar marcado. Pode ser numa falésia da Foz do Arelho a ver o mar, pode ser num domingo numa refeição familiar, pode ser num encontro com um amigo, na visita a um idoso ou doente..e é em celebração litúrgica em comunidade. Não precisa é de ser em Fátima. Ou Roma. Ou "Terra Santa".

E que fé move as pessoas a Fátima? Não vou ser redutora e achar que é só à procura do milagre e do queimar de velas. Mas uma fé que não comprometa no amor, na conversão, não passa de uma fé de adoradores de pedras. O caminho palmilhado em dezenas e centenas de quilómetros serve como satisfação pessoal (ainda que disfarçada de renúncia e sacrifício) e não como acto de encontro com Deus. E o grande testemunho de Maria é esse - acolhimento da Graça.

o monoteísmo e o caminho do diálogo...

...La fe en Dios libera al hombre de todos los restantes absolutos, poniéndole en manos de su propia libertad. El Dios en el monoteísmo es aquel que de tal forma nos fundamenta y arraiga que nos invita a descubrir y realizar la propia libertad; si nos obligara dejaría de ser el Dios monoteísta. (2) La fe en Dios nos invita a creer en los demás seres humanos. De maneras distintas pero convergentes, judíos, musulmanes y cristianos vinculan el amor de Dios (la aceptación de su misterio) con el amor al prójimo, es decir, con el diálogo no impositivo con los otros. (3) No hay fe monoteísta sin un tipo de democracia, en el sentido radical de la palabra: es decir, reconocimiento del valor de los demás y sin diálogo. Cristianos, judíos y musulmanes creen que Dios se encuentra en el fondo de su mismo diálogo, de su esfuerzo por entenderse y compartir la vida.

Frente al riesgo de una dispersión politeísta (¡todos los dioses son equivalentes!), frente al peligro de una evasión panteísmo (¡haga lo que haga, soy parte de Dios), frente al desinterés del deísmo (Dios no se interesa por nosotros), el monoteísmo defiende el camino del diálogo de todos los humanos. La ley (judíos), la palabra encarnada y crucificada (cristianos), la revelación del juicio en el libro del Corán (musulmanes) pueden y deben capacitarnos para un diálogo creador y amoroso que supere todas las posibles dictaduras.

X. Pikaza

Análise da teologia do Papa Bento XVI

Adital -

...O que pesa em seu pensamento é o lastro cultural formado na escola de Santo Agostinho (+450) e de São Boaventura (+1274), sobre os quais escreveu duas brilhantes teses. Ambos têm isso em comum: o mundo é uma arena onde se enfrenta Deus e o diabo, a graça e a natureza, a cidade de Deus e a cidade dos homens. O pecado das origens produziu uma tragédia na condição humana: esta ficou tão decadente que sozinha não consegue se redimir e produzir uma obra que agrade a Deus. Precisa do Redentor, Jesus, que é continuado pela Igreja, dotada com todos os meios de salvação. Sem a mediação da Igreja, os valores culturais valem, mas não o suficiente para salvarem o ser humano e sua história. O mesmo se aplica à libertação de nosso teologia.
Este tipo de teologia leva a uma leitura pessimista da cultura. Isso se percebe na leitura que o teólogo Ratzinger faz da modernidade. Nela vê antes de tudo arrogância, relativismo, materialismo e ateísmo, esforço humano em busca de emancipação por seus próprios meios. Missão da Igreja é desmascarar esta pretensão, levar-lhe clareza de princípios, segurança na obscuridade e verdades absolutamente válidas.

Esta teologia contém muito de verdade, pois há efetivamente decadência na modernidade. Mas esta não poupa também a Igreja que é feita de justos e pecadores. Entretanto, importa alargar o horizonte teológico. Faz-se mister inserir junto com Cristo uma teologia do Espírito Santo, praticamente, ausente em Santo Agostinho e no teólogo Ratzinger. Uma teologia do Espírito permitiria ver no mundo moderno, como fez o Concílio Vaticano II (1965) grandes valores como os direitos humanos, a democracia, o trabalho, a ciência e a técnica. Do anátema a Igreja passaria ao diálogo. Associar-se-ia a todos os seres humanos de boa vontade para buscar uma verdade mais plena, pois o Verbo "ilumina a cada pessoa que vem a este mundo" e o "Espírito enche a face da Terra" como dizem as Escrituras judaico-cristãs.
Como o Papa é sumamente inteligente pode bem ser que, face à nossa realidade, veja o que de bom está sendo feito para tirar as pessoas das conseqüências de uma perversa modernidade que negou a tantos os direitos, a justiça e a vida.

Leonardo Boff, teólogo

2007-05-07

uma questão de células e vontade?

"O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso" Madre Teresa de Calcutá

Porque é que ela conseguia e eu não?

será que estou condicionada pela matéria?

"Se existe deus, não é amor. É infinita indiferença"

Não sei o que ganha quem tem fé. A vida não se resume a uma contabilidade de ganhos e perdas. Mas também não sei o que aproveita quem a não tem.

Se algum génio da lâmpada me oferecesse um único desejo, pedia-lhe que me concedesse a possibilidade de ir verificar se Deus, não está a gozar "o pagode" com estas criaturas que povoam a terra. Os crentes desunham-se em fórmulas, dogmas, doutrinas, místicas e mezinhas várias, para "tocar" e provar, se possível, o Inominável. Os ateus fazem-no em sentido inverso. Não digam que isto não é de pôr a rebolar de riso, Alguém que nos observe de "fora".

Mas se estamos apenas sujeitos (como diz o autor da frase acima) aos pozinhos de perlimpimpim da nossa materialidade...quem foi o artolas que inventou uma merda destas?

É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. Jo 15,12

Ontem, encontrei a D. Eduarda (92 anos) muito fragilizada. O motivo era uma inoportuna otite que tinha surgido a meio da semana. Ouvi a história com todos os pormenores, desejei as melhoras e despedi-me. Quando nos beijávamos, pediu-me suplicante que rezasse por ela. Acedi. Mas confesso que, interiormente, pensei:"Mas, o que é uma otite comparado com tanto sofrimento, com tanto motivo para as minhas preocupações e orações?" Já ia na escada e a irmã a fazer-me o mesmo pedido. Eu bem sei que elas não regateiam orações em meu benefício...mas não é de pagar dívidas que se trata. Este é o sofrimento delas. Agora. Maior ou menor a meus olhos, pouco importa. Porque é delas que se trata, não dos meus padrões de avaliação. Sei que não me vão sair do pensamento toda a semana. E no coração de Deus, porei as vidas delas e a minha...e mais...e mais...

o verdadeiro homem - Jesus

O homem é um nó de relações para todas as direcções, mas um nó emaranhado e torcido, na sua vida consciente bem como no seu inconsciente pessoal e colectivo. E isso tem a sua história. Jesus, embora sem pecado, assumiu tudo isso e dentro da vida pelo seu amor, pelo seu comportamento diante dos homens e de Deus, ele foi superando a história do pecado na sua própria carne, foi destorcendo o nó de relações dentro de cada fase da vida humana a ponto de poder relacionar-se adequadamente com o mundo, com o outro e com Deus. A ressurreição representa a definitiva libertação da estrutura pecaminosa da existência humana e a realização cabal das possibilidades do eu pessoal para com a totalidade da realidade. Jesus redimiu o homem a partir de dentro; ele venceu as tentações, as alienações e as marcas que o pecado em sua história deixou na natureza humana. Por isso, ele pode ser para nós um exemplo e o protótipo-arquétipo do verdadeiro homem que cada qual deve ser e ainda não é.

Leonardo Boff in Jesus Cristo Libertador

ser mulher


Gostava de ter a certeza que Ségolène Royal, não ganhou as eleições em França, pelo facto de ser mulher. Assim como, não gostaria que as ganhasse, pelo facto de o ser.


Ainda que, secretamente, bem no meu íntimo, me alegrei que fosse candidata.

Banco Alimentar

Banco Alimentar: última campanha bateu todos os recordes

A campanha realizada este fim-de-semana pelo Banco Alimentar Contra a Fome (BACF), junto de 800 estabelecimentos, bateu todos os recordes anteriores, também por «culpa» da existência de mais duas instituições em Portalegre e no Algarve: 16 mil voluntários, 1048 toneladas de alimentos registadas até às 18 horas de ontem (em Maio de 2006, o total da campanha foi de 1160).

A situação ideal era não serem precisas acções destas. Mas são. E, às necessidades, graciosamente, correspondem muitos voluntários. Assim como, dadores.
Enquanto alguns se dedicam a lamúrias sobre o estado da humanidade, outros arregaçam as mangas.

bom dia


"A pureza é a capacidade de contemplar a mácula" Simone Weil


Pudesse eu... e enchia de claridade todas as manhãs!

2007-05-04

se eu fosse...

aquilo, não era isto! Mas para participar na brincadeira, aqui vai:

Se eu fosse:

um sonho, seria evasão.
um sentimento, seria sensibilidade. (O bom senso já tenho)
uma virtude, seria a serenidade.
uma flor, seria uma violeta silvestre. (O Pedro, já me roubou o lírio dos vales, mas o meu jardim é vasto...)
um desenho animado, seria o Calvin. (Outros dias seria o Hobbes)
um instrumento musical, seria um piano. (Desde que afinado, podiam tocar com maior suavidade...ou no auge da força)
um filme, seria o "Cinema Paraíso de Giuseppe Tornatore". (Tem a ver com a "evasão")
um livro, seria o que ensina as primeiras letras. (Gostava que aprendessem a ler em mim)
um aroma, seria o do pão a cozer em forno de lenha.
um fruto, seria um pêssego. (Havia dias que seria nectarina)
um fruto silvestre, seria a amora.
um doce, seria de maçã e canela.
uma árvore, seria uma macieira.
um jardim, seria o Éden. (Deve existir algures)
um animal, seria a raposa.
um insecto, seria uma louva-a-deus. (Juro que não é por causa do ritual de acasalamento)
uma marca de carros, seria a Toyota. (Veio para ficar)
uma paisagem natural, seria uma cascata.
um som, seria o do mar.
uma cor, seria a dos teus olhos. (Sim, dos teus)
uma forma geométrica, seria a pirâmide.
uma frase, seria "gosto de ti".
uma palavra, seria mistério.
uma peça de roupa, seria um véu.
um desejo, seria comunhão.
uma emoção, seria saudade.


e seria uma mulher muito feliz, se os felizes contemplados continuassem a corrente (e digo eu que não gosto):

o Pedro Fontela (Sim, Pedro, este asunto é muito sério)
o Carlos Esperança - (Sim, há que promover o ecumenismo)
o Luís Éme - (Meu estimado vizinho. Agora, mais longe)
a sophiarui - (uma menina que me visita e a quem leio com muito gosto)
o António - (porque matéria para fantasiar tem sempre muita, mas aqui vai mais uma dica)




ainda a questão das homilias...


o modelo ideal, já se viu, era a mini-saia. Mas, o que mais vezes se usa, é este! Impenetrável!

carta de Abbé Pierre

Henri Grouès llamado Abbé Pierre
Fundador del Movimiento Emaús,
Fundador del Alto Comité Para el
Alojamiento de los más desfavorecidos,
Gran Cruz de la Legión de Honor


A su Santidad Benedicto XVI Soberano Pontífice Obispo de Roma
A todos los Obispos de Francia
1 de Noviembre de 2005


Hermanos.

Una noche tuve un sueño. A lo largo del recorrido por ciudades y pueblos, iba viendo cómo se encendían asombrosamente las innumerables lámparas de los sagrarios. Una voz decía: “Jesús, que se entregó a vosotros por completo, está otra vez aquí”.
El despertar de un sueño así, te sientes mal. ¿Quién podría contar las lámparas de sagrario apagadas?Entonces decidí preguntar a todos los que, desde hace varias decenas de años, no saben lo que pasa.Yo les preguntaba ¿qué hacer? Grupos de fieles, sacerdotes, obispos, dos cardenales en Roma, todos expresaron el mismo pensamiento. ORDENAR SACERDOTES A HOMBRES CASADOS, FERVIENTES Y CAPACES. Igualmente, gente que no está en la Iglesia pero quieren el bien para ella, me repiten: “¿Qué asociación de esa importancia actuaría en este punto a la ligera, o no actuaría, cuando dispone de una reserva humana tan numerosa y con tal calidad de fe? Pensemos en la multitud de jubilados que no deja de crecer.
A lo largo de mis consultas, todos concluían, no con un “¿QUÉ HACER?” sino con un “¿CUÁNDO SE HARÁ?”

Hermanos Obispos, reunidos recientemente en Sínodo en Roma, aún no habéis querido abrir esta puerta y presentar a los fieles impacientes la respuesta que la mayoría sabe que está ahí. ¿Por qué esperar todavía, cuando las necesidades son tan grandes? Ninguno de vosotros tiene que esperar puesto que vosotros también sois depositarios de esta palabra: “Apacienta mis corderos. Apacienta mis ovejas”.
Yo sé, naturalmente, que surgirán problemas, pienso en tres, ninguno es insoluble:
l. Asegurar a esta oleada de recién llegados el conocimiento de la fe y la iniciación por algunos mayores (habrá que llamar así a los que nos han precedido). ¿Qué mayor se negaría a ello?
2. Poder garantizar a las familias de los sacerdotes lo necesario para vivir. ¿Dudamos de que los grupos de fieles cuidarán de esto?
3. Para evitar la tentación de robo de los sagrarios, que iluminarán cada iglesia y ante los cuales, de día y de noche, cada uno podrá venir a rezar, ¿no sería evangélico depositar el pan consagrado en unas simples telas, dejando los vasos sagrados de oro en las sacristías cerradas con llave?
Hermanos, ¡no tengamos miedo! ¡Abramos la puerta de nuestras iglesias! Abramos la puerta del sacerdocio a esos millares de hombres de fe ferviente, dispuestos a entrar en esta vocación. Sé que la vocación del celibato, que he vivido durante 75 años, es difícil pero sé que vivida con fervor es un Don de Dios; y todo el mundo sabe que la vocación de esposo tampoco puede vivirse bien si no es con el mismo fervor y si no recibe dones parecidos, tanto más si reviste el cargo sacerdotal. Estoy también convencido de que la ordenación de hombres casados no obstaculizará en absoluto las vocaciones al celibato consagrado.
Hermanos, ¿qué más deciros? ¿Acaso nuestro mundo, más que nunca, no tiene sed de Jesús y del don de su presencia en la Eucaristía? No tengo ya la edad, pero conservo el entusiasmo de ser vuestro hermano y un amigo de Jesús.


Con gran afecto.Abbé Pierre.

PS (1): Los tres pilares del libro “Dios mío, ¿por qué?”:1. Sin el CELIBATO no habría podido hacer lo que he hecho.2. Sin los MISTERIOS DE LA FE no habría podido hacer lo que he hecho.3. En la ESPERANZA del “Líbranos del mal”.PS (2): Por favor, que nadie me hable más de este librito, sin haberlo leído entero.

Publicada em Atrio

"O Desejo e o Pensamento Cristão"

É um tema que está a ser tratado no Religare. Tema que eu gostava de tratar, se tivesse fôlego para tanto. Como não tenho, vou vendo os do Carlos. Fico a aguardar mais...

bom dia


Edgar Degas, Woman Combing Her Hair, 1886
Hermitage, St Petersburg

2007-05-03

"Objectivos do Milénio"

Na "Cimeira do Milénio" da ONU, em Setembro de 2000, os países membros assinaram uma declaração de 8 objectivos, tendo como primeira meta para os alcançar - em parte -, o ano de 2015:

1 - Reduzir para metade a pobreza extrema e a fome.
2 - Alcançar o ensino primário universal.
3 - Promover a igualdade entre os sexos.
4 - Reduzir em dois terços a mortalidade infantil.
5 - Reduzir em três quartos a taxa de mortalidade materna.
6 - Combater o VIH-SIDA, a malária e outras doenças graves.
7 - Garantir a sustentabilidade ambiental.
8 - Criar uma parceria mundial para o desenvolvimento.

O Relatório do Projecto do Milénio da ONU, "Investing in Development", foi elaborado pela equipa do Prof. Jeffrey D. Sachs que diz o seguinte: "Temos condições para pôr termo à pobreza extrema na nossa geração, não apenas reduzir a pobreza para metade. Se quisermos eliminar a pobreza extrema, podemos fazê-lo até 2025"

A este programa, associa-se a Igreja Católica. Quer em chamadas de atenção para os governantes, pelo próprio Papa. Quer pelas diferentes Conferências Episcopais, sobretudo onde estes problemas de pobreza extrema são mais sentidos. E, localmente, através de inúmeros grupos, tanto de missionários consagrados, como grupos de leigos (sobretudo jovens) em períodos de tempo mais reduzido, mas empenhado. É vísivel, sobretudo para quem dele beneficia, este trabalho da Igreja.

Será isso suficiente? Com certeza que não! Mas não é porque ainda não se cumpriram todos estes objectivos (bem longe disso), que os podemos desvalorizar e menosprezar. Assim como, todo o trabalho que vem sendo feito. Será que não falta a nossa parte?

Assim vai a Igreja...

A Arquidiocese de Cidade do México excomungou o prefeito da cidade, Marcelo Ebrard, e todos os deputados do Distrito Federal, que votaram e aprovaram, na semana passada, a medida para a descriminalização do aborto.A notícia foi divulgada, oficialmente, pela própria Arquidiocese, cujo governo pastoral está a cargo do Cardeal Norberto Rivera Carrera, que se encontra em Roma, nestes dias.O porta-voz do cardeal, Pe. Hugo Valdemar, afirmou que "os parlamentares devem ter "a decência" de não entrar na catedral e em nenhuma outra igreja católica do mundo, até serem perdoados". Pe. Valdemar especificou que esta é "uma lei da Igreja aplicada aos católicos". Os parlamentares de Cidade do México aprovaram a lei, com 46 votos a favor e 19 contrários. A norma admite o aborto até a 12ª semana de gestação. A discussão da lei foi marcada por fortes polêmicas e manifestações populares, tanto dos que eram contra come daqueles que eram a favor da lei. (CM)

Um pouco de sensatez, não fazia mal nenhum aos bispos do México. A Igreja agradecia, o mundo agradecia. Este radicalizar de posições não serve a nada nem a ninguém.

2007-05-02

tirando os nabos todos do saco...


falo dos meios de "comunicação e (des)informação", do Alberto João Jardim e da Madeira, de um blogue engraçado (coisa que eu às vezes me esforço por ter - a graça -, mas não dá) e da nossa mania de ver as coisas de modo limitado, porque é mais fácil, exige menos esforço.


Ontem, num dos blocos de notícias da TV, aparecia o Alberto João Jardim a inaugurar (sinceramente, nem sei bem o quê)... e a ser aclamado, a despropósito, por alguns madeirenses. Eis que surgem uns senhores da Nova Democracia e também lhe atiram com uns "piropos". E eu, do lado de cá, penso: se a Madeira é isto...deixai-a entregue à macacada. Isto é a Madeira que a TV, me mostra, mas há muito mais Madeira, que espero vote de forma minimamente atinada, no próximo domingo.


Isto, para dizer, que somos demasiado condicionados pelas imagens que nos querem mostrar. Se ler o Correio da Manhã, fico deprimida a pensar que este país não tem cura possível. Se apenas me fixo nas imagens que as TV's e jornais me mostram sobre o país e o mundo, acho que isto está à beira da perdição, do colapso total. Mas há muito mais vida para além daquilo que me mostram. Vida solidária, humanizada, sofrida e resgatada, empenhada...vida transformada porque a morte, o sofrimento e o desamor, não são a última palavra do Homem.


a imagem é gamada do tal blogue

à margem da Sacramentum Caritatis


A celebração da missa está muito (demasiado) centralizada na figura do celebrante (padre). E, o desempenho deste, fortemente avaliado pelo teor da homilia - exposição de algum tema da religião, da Palavra proclamada e, sobretudo, do Evangelho -, que dependendo da mesma, o tempo passa muito depressa ou torna-se interminável. E uns olhares para o relógio, os pensamentos a divagar para bem longe dali, o remexer no assento, uns olhares de esguelha para o restante auditório...são sintomas mais que evidentes, que é preciso ter em conta que uma homilia, deve ser como uma mini-saia. Exactamente. Atendendo a que só usa quem pode. Passo a explicar como deve ser:

- curta
- transparente
- provoque o desejo de entrar no mistério!

no âmago

Tinha tanta coisa para escrever, se não se tivessem acabado as palavras.

impressões

tenho forte impressão; que são mais as coisas que preciso "desaprender" do que as que preciso aprender...

bom dia



Lana Turner