2007-12-27

podia...


...falar das lesmas que andam paulatinamente a devorar as flores que plantei no jardim. Podia falar dos pássaros que parece viraram vegetarianos e não dão conta das ditas. Podia...mas vou antes falar da mitra papal. A simbologia da mesma, remonta ao início da Igreja e da "descida" do Espírito Santo sobre os apóstolos. Momento tão rico e intenso é impossível de traduzir em linguagem humana. Muito menos em adereços sumptuosos. Tem de ser traduzido em acção e vida.


Assim sendo, fiquei desiludida por ver o Papa Bento XVI a envergar neste Natal uma mitra cravejada de pedras preciosas. Não digo que a venda e distribua o dinheiro pelos pobres da sua igreja (o papa também tem uma igreja particular), mas que a deixe no museu e use uma mais simples.


Jesus Cristo não nasceu pobre entre pobres?

2007-12-20

Desejo


para todos um Feliz Natal!
imagem - blog.terramater.pt/

com um sorriso de orelha a orelha...

descobri que este moço também voltou:

"...Noutro dia tive um blogue. Basicamente aconteceu porque já tinha a virilha em chaga de tanto coçar e os tremoços estavam ressequidos. Ao fim de quatro horas tive duas ideias que me vieram seguidas, mas depois faltou-me uma palavra sem ser fodasse para as ligar e tive de citar o camus, aproveitando ter a enciclopédia aberta na letra c, à conta duma busca a cabo espichel, que trocava sempre com ponta delgada...."

Viva! É sempre bom ver que o mundo gira, mas há coisas que não mudam. Encantada como sempre, António. :)

2007-12-13

também digo:

...

Enquanto não há amanhã,

Ilumina-me, Ilumina-me.

Enquanto não há amanhã,

Ilumina-me, Ilumina-me.



Pedro Abrunhosa e Bandemónio

sem ruído, espero!

A Bíblia e a Igreja é uma espécie de jardim-infantil da fé. O pessoal devia passar lá uns tempos depois da conversão e a seguir ser mandado para casa, para viver o dia a dia sem ruído entre si e Deus.

(João Leal in Trento)



Sou dos crentes, alguém que muitas vezes se questiona sobre as razões da sua (minha) fé. Desde o berço inserida na Igreja Católica, activa q.b. (até há bem pouco tempo), nem sempre me é fácil perceber o que define o meu acreditar. Muito nele se insere o meu modo de ser e agir. Muito aberta ao que me rodeia, teimosa, medricas muitas vezes... e muito mais.



Confesso que a estrutura Igreja Católica se foi tornando quase intolerável. Por diversas razões. Várias vezes disse que ainda chegaria ao ponto de não saber o nome do meu prior. Neste momento estou quase nesse ponto. É confortável, confesso. Tornei-me uma "papa-hóstias" consumista. O papa escreveu uma nova encíclica que ainda não me apeteceu ler. Parece que estou a caminhar a passos largos para aquilo que o João Leal define como a saída do jardim-infantil da fé. Criar um tempo em que não haja ruído exterior entre mim e Deus. Era bom era! O problema é que a nossa conversão nunca é coisa acabada. E se a minha fé tem uma dimensão pessoal e intransmissível, também a tem comunitária. Eu não vou sozinha para Deus. Ou vou com todos, ou não vou. Digamos que estou num período de pousio. Quero saboreá-lo plenamente. Mas também quero escutar os apelos de Deus. Vão ser-me feitos pela vida. Espero!

2007-12-08

das esperanças: Cimeira UE-África


Apesar de todas as objecções que possamos opor a um encontro deste tipo, vale o mesmo pelos desafios que comporta, pelas esperanças que alimenta e pela efectivação de colocar dois continentes com algumas chagas a sarar entre si, sentados em diálogo a uma mesma "mesa".


Uma das mensagens cristãs, é de que ninguém se salva sozinho. Sendo que, a salvação não é algo para além-túmulo, mas uma proposta, bem concreta, de vida.


imagem- Inácio Rosa, Lusa

2007-12-07

das esperanças...

até hoje vivi mais das possibilidades do que das certezas, das esperanças mais do que das decisões. e agora que decidir é irremediável e o tempo para mim se fez lugar de angústia mais que redenção, invejo Moisés que tendo vivido o tempo da promessa, morreu antes de chegar à terra prometida.

Daniel Faria, Baltar 27 de Agosto de 1993

2007-12-04

advento


no rumor dos dias; o canto das aves, o voo assustado das perdizes, o bosque de castanheiros, o caminho íngreme e solitário, a amizade repartida, o medo, o sobressalto, a rotina, as horas infindas, uns versos de Ruy Belo...convidam à vigia, à escuta. Eu sei que vens! Não tardes...