9 horas: Dá entrada na fábrica, é santeiro, modela figuras de barro antes de serem cozidas no forno; quando as encomendas o exigem ajuda nos acabamentos: pintura, roupas, acessórios. É o seu trabalho e aborrece-o, ajuda a criar objectos industriais que algumas pessoas veneram, enquanto outras adoram mesmo.
18 horas: Pica o cartão, e regressa a casa. Toma banho e veste-se, com gestos graves, quase religiosos. É sexta-feira. No outro lado da cidade, a sua amante prepara-se para o receber, a comida encomendada está na cozinha e perfumou o quarto dos dois.
20 horas: Antes de sair de casa, massaja as mãos com santos óleos de Carolina Herrera. Guia ao encontro dela, cantarolando uma melodia romântica como se fosse um salmo. Ao tocar à sua campainha, sente uma alegria mística ao ouvir a voz amada no lado de dentro, e repete, para si, o versículo que adoptou de Blake: A nudez da mulher é obra de Deus.
in Estrada de Santiago
Os artistas de outras eras, pensavam o mesmo.
ResponderEliminarSempre achei curiosos os tempos em que as mulheres andavam vestidas dos pés à cabeça, embora aparecessem nuas em quadros e esculturas (acho que vou fazer um "post" sobre isto...)
Abraço MC
Sempre fiz um "post", no meu "Largo".
ResponderEliminarabraço MC