2008-02-11

é pouco:

Um tribunal dos EUA declarou que a morte por cadeira eléctrica é um atentado aos direitos do Homem. Para quando a total abolição de tal pena?
Uma sociedade que não põe em primeiro lugar o perdão e a reintegração dos indíviduos, é uma sociedade claramente deficitária dos elementares valores.

6 comentários:

  1. Plenamente de acordo com a filosofia do post, não me oferece grande margem para contestação /discussão quanto a filosofia versada ou direitos humanos, sendo eu um humanista e opositor da pena de morte por multiplas razões. Só que por vezes eu interrogo-me se numa sociedade justa haveria lugar para o perdão ou reintegração de personalidades como Hitler, Milosevic, Estaline, Mussolini, Pol Pot, etc. O conceito de justiça não tem o poder de infligir um castigo por cada crime, mas sim de punir o mal. Essa é a justiça que deve ser feita e não cairmos na tentação de que Para que Hitler, Milosevic, Estaline, Mussolini, Pol Pot fossem castigados na mesma proporção do mal que fizeram à humanidade, teríamos que lhes infligir penas iguais, o que faria de nós, seres iguais ou piores. Então não teríamos qualquer justiça mas vingança se fossemos infligir um castigo por cada crime.
    Haverá crimes que pela sua natureza e pela não possível reabilitação das pessoas que cometem os crimes, representem um perigo permamente para a sociedade que implique a sua eliminação? Pode se dizer que há a prisão perpétua, portanto essas pessoas estariam seguras de atentar contra a sociedade, mas há casos e actualmente isso é facílimo devido aos meios de comunicação em que mesmo presos continuam a comandar detrás das grades os seus gangs no exterior, mandando eliminar pessoas e testemunhas incomodas. As pessoas crentes no fundo também alimentam sempre uma ultima instância onde tudo se resolverá, uma instância com uma justiça divina, ou seja, quando ca não se pagam e por isso mesmo se sentem injustiçados, os injustiçados apelam sempre e creem que a justiça divina acertará contas. Essa justiça final divina contemplará a pena de “morte”, também versará sobre direitos humanos, isto a nivel divino? Considerará a reintegração e o perdão? Pelo que me consta não, a justiça divina será terrivel, mas eu não creio nela nem tenho medo dela por isso preocupo-me mais com a dos homens, sonhando sempre que, Povos evoluídos são precisamente esses que são tocados pelo perdão

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  2. Concordo plenamente.

    Por isso é que me parece pura ficcção que um negro ou uma mulher possam ser presidentes dos EUA...

    abraço MC

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  3. O que é uma sociedade Justa???? Luz e trevas convivem. Bem e mal, fome e abastança... etc. Como crente cristã espero que o Amor vença. È essa a promessa.

    Farto-me de pensar no "agora" e no "depois", e não creio que a justiça seja o castigo. Mas o perdão.

    Hitler, Estaline, Milosevic, Mussolini não foram sozinhos.

    Sempre que não perdoamos uma pequena ofensa, estamos a aumentar o fosso. E temos é de construir pontes.

    Sinceramente não espero o castigo do mal, mas o perdão. Por isso, não temo.

    Cada um alimenta os sonhos que quer, não?! :)

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  4. era muita fruta, não era? E só por si, ser preto ou ser mulher não é passaporte para nada. E parece que nenhum deles piou algo sobre a pena de morte. Têm outras prioridades.

    abraço, luís

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  5. “(O que é uma sociedade Justa????)”
    “(Sempre que não perdoamos uma pequena ofensa, estamos a aumentar o fosso. E temos é de construir pontes.)”
    Uma pequena ofensa esta a falar de que? desculpe la se o pisei? peço imensa desculpa. O seu post abordava a pena de morte, e para além disso eu senti uma certa ambiguidade na seguinte afirmação
    “(Um tribunal dos EUA declarou que a morte por cadeira eléctrica é um atentado aos direitos do Homem. Para quando a total abolição de tal pena?)”
    A morte por cadeira electrica, é que sera para o tribunal atentado aos direitos humanos por fazer sofrer mais que os outros metodos de execução e causar mais ansiedade aos condenados? ou o tribunal quer dizer que a pena de morte é um atentado aos direitos humanos. A minha interpretação é esta e foi daqui que eu parti mas enfim ja não descarto nenhuma hipótese
    Julgo que fui claro na minha explicação mas posso explicar novamente
    Uma sociedade justa é um ideal humano claro esta. O homem no seu percurso evolutivo evoluiu muito e depressa tecnologicamente, mas sentimentalmente continua a mesma besta a amar, matar, odiar, invejar, com a mesma intensidade que o seu primata ancestral. Vale a pena lutar por essa sociedade com actos e não só palavras. Numa sociedade justa tais monstros não teriam existido mas a existirem, não se poderia aplicar o perdão que você apregoa e que deixaria todos os criminosos deste mundo com um sorriso de orelha a orelha, e já agora diga isso aos injustiçados. Por uma questão de justiça e por pagar em vida aquilo que fizeram a outros para eles sentirem isso mesmo, dissuadir outros possíveis ditadores, para as vitimas existentes ainda terem também essa satisfação, pelo menos teriam a consciência que o mal foi castigado.
    Por exemplo as vitimas de Rudolf Hoess comnadante do campo de exterminio de Auschiwitz no seu intimo quando chegavam aos campos de concentração clamavam por uma justiça que nunca presenciaram, mas ele (Rudolf Hoesse) sim, viveu o tempo suficiente para isso. Ao ser executado em frente a um forno crematório teve se era humano a sensação de que as suas vitimas embora não tendo chegado a esse ano e a essa data para poder assistir, foi-lhes feita justiça, acho que ele deve ter sentido isso ao de propósito ter sido colocado nesse local para ser executado e deve ter sentido que foi feita justiça.

    Claro que Cristo manda dar a outro face mas em sentido figurado se não fizermos uma interpretação literal.
    “e não creio que a justiça seja o castigo. Mas o perdão.
    Quando eu vejo uma familiar de vitimas de assassinio nos E.U.A. perdoar ao assassino, essa mansagem tem mais efeito correctivo em muitas pessoas do que se ela o quissesse esfolar ou apregoasse ao seu linchamento publico.
    O perdão pode ser uma arma terrível quando nos leva a meditar sobre o mal que fizemos a outros e esperando receber idêntica reacção violenta recebemos perdão. Quando o homem é levado a pensar nisto esta a caminho da modificação, mas também acredito que ha seres que nem sequer tem capacidade de reflexão nem de raciocínio para estas coisas.
    Passe bem.

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  6. Meu caro(a)

    estamos a falar de coisas muito sérias e complexas em meia dúzia de palavras, acabaremos por ser redutores.

    O tribunal apenas declarou que a morte por cadeira eléctrica é que era atentatória dos Direitos do Homem. Não a condenação à morte. Eu acho que qualquer violência física ou psicológica infligidas são atentados à dignidade humana.

    Todos os dias somos vítimas e causadores de ofensas. Se não cultivamos o perdão nas nossas relações estamos a regredir como pessoas e sociedade.

    o "dar a outra face" não implica deixar que se faça o mal. É nosso dever e obrigação naõ permitir que o mal avance. Se Hitler etc. não tivessem quem os ajudasse nos seus desvarios, teriam sido apenas mais uns psicóticos, não teriam as suas acções atingido as proporções que tiveram.

    Eu acho o castigo necessário para as faltas cometidas. A chamada "reparação do mal". Não acho que a pena de morte se enquadre nessa reparação.

    Não se pode pedir às famílias de vítimas de violência que tenham o descernimento de ver com a frieza possível que não é a pena de morte que vai reparar o mal feito. É à sociedade no seu todo que se pede essa avaliação e correspondente acção.

    No outro dis vi na "2" um documentário sobre prisões de alta segurança nos EUA. Muitos com penas perpétuas. Vi muitas acções de armamento e protecção do pessoal que trabalha nas prisões. Não se aflorou alguma acção de recuperação. Se é feita não a mostraram. Eu acho que até o maior criminoso, até que morra de morte natural, tem o direito de se arrepender e recuperar. E a sociedade tem de lhe fornecer os meios para isso.

    Sociedade Justa. É um ideal. Devemos lutar pelos ideiais. Mesmo sabendo que provavelmente nunca os alcançaremos.

    Para mim, crente, os modelos de justiça são os de Deus. Que são um ideal (não quer dizer que não estejam imbuidos de realidade). Mas é neles que me revejo e pelos quais luto. A maior parte das vezes sem conseguir grandes resultado, na minha vida pessoal.

    Obrigada pelos seus comentários.

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