2008-04-22

declaração de não voto



Não vivo nos EUA (graças a Deus). Se vivesse nunca votaria em Hillary Clinton. Não por ela ser mulher, mas pelo modo que ela é mulher.


Nem por Hillary pretender passar de primeira dama (que foi), a Presidente. Por vezes, uma mulher tem de mudar de posição, sem que ninguém fique mal na "fotografia".



Mas não teria confiança numa mulher, que geriu da forma que nos foi dado a conhecer, a crise matrimonial mais conhecida no mundo.

Em primeiro lugar, ela teria que dizer que tinha absoluta confiança no marido (Presidente). Uma mulher para permanecer casada, tem de fazer essa profissão de fé.


Em segundo lugar, diria qualquer coisa como esta:"Não acredito em tais boatos. Gosto de surpreender o meu marido, e ele gosta das minhas surpresas. De todas as vezes que o fiz, sempre o encontrei sozinho a trabalhar."

Definitivamente, não votaria numa mulher que se deixa enganar e perdoa, qual fonte de virtude doméstica.

4 comentários:

  1. Estou um bocado admirado com este post e com alguns pensamentos por causa de uma palavra “perdão”, e ganhe quem ganhe pouco me importa.

    (“Definitivamente, não votaria numa mulher que se deixa enganar e perdoa, qual fonte de virtude doméstica”)

    E se digo estou admirado é porque ja tive ocasião de ler de si e trocar consigo comentários, como estes mesmos comentários que se encontram uns postes mais abaixo.

    (“Sempre que não perdoamos uma pequena ofensa, estamos a aumentar o fosso. E temos é de construir pontes.”

    “Sinceramente não espero o castigo do mal, mas o perdão. Por isso, não temo”

    “Todos os dias somos vítimas e causadores de ofensas. Se não cultivamos o perdão nas nossas relações estamos a regredir como pessoas e sociedade.”

    “ Eu acho que até o maior criminoso, até que morra de morte natural, tem o direito de se arrepender e recuperar. E a sociedade tem de lhe fornecer os meios para isso.”)

    A não ser que o perdão seja só para relacionamentos entre estranhos / criminosos, como era o caso que se discutia noutro post, o que presupõe um perdão para actos que se transformam em crimes. Mas ja não engloba o perdão moral, para actos de censura sobre condutas meramente morais. Mas para mim o perdão é independente das pessoas que nos magoam, pode nos magoar mais se vier de quem menos se espera, mas sejam crimes (resultantes da lei) ou infedilidades (moral /pecados) sejam estranhos ou nossos próximos, só quem sofre a ofensa ou a familia em ultimo caso, terá capacidade ou não de perdoar, é um acto pessoal, mas nós podemos ou não valorizar esse acto pessoal praticado por outro como sendo nobre. E num relacionamento conjugal é especialissimo pois vive-se dia a dia e partilha-se a vida com essa pessoa.

    (“Mas não teria confiança numa mulher, que geriu da forma que nos foi dado a conhecer, a crise matrimonial mais conhecida no mundo.”)

    Se isto significa um impedimento de facto ou moral para avalizar do crédito de uma pessoa para gerir os designios de uma nação abstenho-me de comentar. Mas posso adiantar que a vida intima para mim esta de lado nessa apreciação, a não ser que isso revele indicios de vicios de personalidade a considerar.

    Cconcordo consigo numa coisa, se ela sabia, se o engano era reiterado e ela fazia de conta que nada sabia. Então acho que merece condenação moral. Quanto a ser um caso ocasional sendo desconhecido dela e só tornado público para todos ao mesmo tempo pela comunicação social, ela é que sabe se isso era impeditivo de continuar ao lado do marido, se merecia perdão e se gostava ou não dele, se teria no passado indicios dele que apontassem no sentido dessa confirmação. Pelos vistos se tinha ou não, não foi determinante para a ruptura do relacionamento.

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  2. vamos lá!

    Neste post, deliberadamente, fui provocadora e politicamente incorrecta (o que também não é grave).

    Claro que o perdão é para ser exercido e recebido, também na vida familiar e conjugal. Não poderia ser de outro modo.

    Voltando a Hillary, acho que (é a minha opinião) engoliu o vexame e exerceu o perdão, como passaporte para a candidatura presente. Na cínica América, seria impensável uma mulher separada ou divorciada, candidatar-se a presidente.

    Há quem consiga conviver bem com essas coisas...ela mostra que sim.

    Mas estou siderada pelo seu comentário. Mostra que me lê com atenção. Também o pretendo fazer em relação aos comentários que aqui deixa.
    Se me encontrar alguma vez em contradição não se apoquente. Começo a entrar numa idade e fase de vida, em que pouco me importam algumas incoerências.

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  3. (“Mostra que me lê com atenção”)

    Não, é so memória fotográfica e nas incoerências saltam-me a vista, mas não desgosto dos temas que aborda.
    Mas só rebatendo mais uma coisita e respeitando acima de tudo a sua opinião

    (“Voltando a Hillary, acho que (é a minha opinião) engoliu o vexame e exerceu o perdão, como passaporte para a candidatura presente. Na cínica América, seria impensável uma mulher separada ou divorciada, candidatar-se a presidente”)

    Há quem sempre tenha duvidado que ela tenha perdoado mesmo e não tenha tirado disso dividendos remetendo o marido a uma subalternização, para levar adiante os seu projecto político, bem agora cada um pode julgar como quiser, as relações entre homem e mulher apoiam-se ainda hoje em comportamentos antiquíssimos e novíssimos. A traição conjugal é tão eterna quanto o amor e o sexo, ainda provoca dor e separação. Mas também há quem acredite que o perdão pode ser uma escolha conscienciosa e não mais um dever.

    Hillary quebrou este molde, ela não agiu como queriam muitas mentes moralistas nem muitas dogmáticas feministas, se tal episódio pode ter causado muita dor em Hillary, isto não é a história da mulher que defende o marido, mas sim de alguem que luta para salvar seu marido / companheiro da briga, pois sabe que, sem ele, todo um ideal maior irá desmoronar, Hillary não se vitimizou no papel de traída e graças à sua força como mulher ela ficou uma porta-voz muito mais eloquente do que ele pela causa que eles defendem e contra essa corrente que queria destruí-los uma certa direita moralista que queria fazer disso e de certo modo fez a destruição para o casal, se não fosse isso o Supremo tribunal não submeteria o presidente a uma situação tão humilhante e Hillary teria vivido suas tristezas entre quatro paredes. Hillary sofreu a ideia do politicamente correcto.
    O problema de Hillary é ser mulher. Estamos a falar de uma pessoa que perante o anúncio da traição do marido, bill clinton presidente dos estados unidos da américa, tem uma reacção feminina, diz que perdoa o marido e afirma que não o tenciona abandonar. Esta decisão implica custos elevados num mundo constituído não por famílias mas por indivíduos, que condena decisões como esta. Numa época em que a mulher não tem nada que ser mulher de ninguém, a emancipação já chegou e não permite esta humilhação feminina num campo onde o homem sempre foi visto com benevolencia, ela optou publicamente por não deixar de o ser, este pormenor decisivo não abona a seu favor, porque a apresenta ao eleitorado também como um ser feminino convencional.

    (“e exerceu o perdão, como passaporte para a candidatura presente”)

    A traição não é uma prática dos casais actuais homens e mulheres, o adulterio sempre existiu, mas um relacionamento conjugal sobrevive à traição? A quem não acredite sinceramente em perdão da traição, argumentando que aqueles que dizem perdoar só fazem porque veem na continuação do relacionamento interesses que se sobrepõem aos sentimentos, como uma opção mais conveniente. Mas o que é um facto e um facto decisivo antes de mais nada, é que alguns conseguem viver bem com o companheiro/a mesmo depois de uma traição e outros não. é claro que mesmo do ponto de vista que cada um tenha em relação ao perdão da traição é necessário que haja uma grande convicção nessa atitude, uma vez que a infidelidade força a uma decisão madura e sincera, afinal de contas é a pessoa e não a sua família nem a sociedade que terá de suportar as consequências dessa decisão, e uma coisa é certa vai ter que viver com esse passaporte para o resto da vida se foi sincera, se não foi, já se verá depois de concretizados os ojectivos que alguns lhe atribuem

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  4. este post era um bocado inconsequente, embora fosse minha vontade que ele provocasse algum diálogo. Obrigada pelas suas opiniões.

    É diferente uma situação destas vivida num casal comum e num casal como os Clinton.

    Será muito mais difícil uma mulher como Hillary lidar com uma situação destas do que outra mulher que não tem esta exposição pública. Ou um homem. Não são só os homens que cometem adultério.

    Para eu não dar a ideia de incoerência, reafirmo que nada escapará à possibilidade de perdão. E numa relação conjugal há muito por onde exercê-lo. Mas também é muito importante perceber porque se perdoa. Tem de ser uma atitude radical. Mas isso cabe a cada um decidir.

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