2008-05-30

mas há quem marque a diferença:


"La Iglesia debe tener el coraje de reformarse."


"A la Iglesia se le debe ocurrir alguna idea." A los 81 años, el cardenal Carlo María Martini, jesuita y una de las voces más prestigiosas de la Iglesia, famoso por sus posiciones abiertas en varios temas, como el control de la natalidad, ha vuelto a sacudir las aguas...


... defiende el debate sobre el celibato y la ordenación de mujeres, y reclama una apertura del Vaticano en materia de moral sexual.


... Otra afirmación provocativa de Martini, que hace tres años tuvo una porción significativa de votos en el cónclave que consagró papa a Benedicto XVI, es que "uno no puede hacerlo a Dios católico", frase en sintonía con una famosa de la Madre Teresa de Calcuta, que decía directamente: "Dios no es católico". El famoso intelecutal indica que siempre los hombres necesitan de reglas y límites, pero que Dios está más allá de las fronteras que suelen levantarse.


mais aberrações sexistas:

“A Congregação para a Doutrina da Fé, para tutelar a natureza e a validade do sacramento da sagrada ordem, em virtude da especial faculdade que lhe foi conferida pela autoridade suprema. Decreta que tanto aquele que tiver intentado o conferir da ordem sagrada a uma mulher, como também a mulher que tiver intentado receber a ordem sagrada, incorrem na excomunhão latae sententiae (imediata), reservada à Sé Apostólica”.

Excomungar é fácil. Escutar, dialogar, acolher - atitudes evangélicas -, não são a prioridade do Magistério.

aberrações sexistas:


2008-05-28

a velhice é lixada, pá!


Recebem as contas na caixa do correio pela manhã, e à tarde já estão a pagá-las. Como não é de certeza, por abundância de dinheiro, fruto das reformas sociais deste e doutros governos, e estarem desesperados por o gastarem (antes que se finem), só pode ser uma coisa: "tem de se matar o tempo, antes que ele nos mate a nós. Vamos lá pagar mais esta continha!"

bem se pode benzer...

Se continua a dar motivos para receber recados destes:


Em Portugal, permito-me sugerir ao PS - e aos seus responsáveis - que têm de fazer uma reflexão profunda sobre as questões que hoje nos afligem mais: a pobreza; as desigualdades sociais; o descontentamento das classes médias; e as questões prioritárias, com elas relacionadas, como: a saúde, a educação, o desemprego, a previdência social, o trabalho. Essas são questões verdadeiramente prioritárias, sobre as quais importa actuar com políticas eficazes, urgentes e bem compreensíveis para as populações. .

"nua e desarmada"



Sabemos que a vida é aquilo que nenhum dizer, nenhuma imaginação pode verdadeiramente tocar-compreender-intuitivamente. Se a vida é vontade de vida, deficiência e dor, a vocação do humano é carregar todo o peso da dor e retirar deste peso a alegria e a vida. Os pessimistas perfeitos são aqueles que já ultrapassaram o signo: nem pedem à vida para ultrapassar a dor nem se lamentam disso (nem acusam nem choram) mas permanecem nela. Nem a retórica do sofrimento, nem a retórica da luz anulam a dor. É a retórica que engana, que ilude. A vida persuadida concentra-se no fogo do instante, na voz nua e desarmada.

José Augusto Mourão - Luz desarmada

2008-05-27

porquê morrer?


Mas ele não estava com vontade de ser entretido ou apaziguado. Pelo contrário, o que lhe apetecia era odiar, agora que ia ser levado para casa. Pensei se parte do que manifestava não resultaria de um ódio velado contra mim por o levar para casa. Ou talvez se sentisse furioso por cauda daquela pergunta que não se dera ao trabalho de fazer ao Dr. Benjamin, ao Dr. Meyerson ou a mim, o seu filho escritor, por saber que nenhum de nós, apesar de todos os nossos estudos e cursos, das nossas frases polidas e das nossas palavras inteligentes, lhe encontraríamos mais sentido do que ele. Por que tem um homem de morrer? Era uma pergunta capaz de deixar qualquer um fora de si e furioso. Com os diabos, ele era indispensável, se não já para os outros, pelo menos para si mesmo. Nesse caso, porque teria de morrer? Quem tiver os miolos no seu lugar, que responda a isso!
Philip Roth - Património

2008-05-26

descobrir o prazer do caminho




Os Caminhos Desapareceram da Alma Humana



Caminho: faixa de terra sobre a qual se anda a pé. A estrada distingue-se do caminho não só por ser percorrida de automóvel, mas também por ser uma simples linha ligando um ponto a outro. A estrada não tem em si própria qualquer sentido; só têm sentido os dois pontos que ela liga. O caminho é uma homenagem ao espaço. Cada trecho do caminho é em si próprio dotado de um sentido e convida-nos a uma pausa. A estrada é uma desvalorização triunfal do espaço, que hoje não passa de um entrave aos movimentos do homem, de uma perda de tempo. Antes ainda de desaparecerem da paisagem, os caminhos desapareceram da alma humana: o homem já não sente o desejo de caminhar e de extrair disso um prazer. E também a sua vida ele já não vê como um caminho, mas como uma estrada: como uma linha conduzindo de uma etapa à seguinte, do posto de capitão ao posto de general, do estatuto de esposa ao estatuto de viúva. O tempo de viver reduziu-se a um simples obstáculo que é preciso ultrapassar a uma velocidade sempre crescente.

Milan Kundera, in "A Imortalidade"


2008-05-25


«O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-Se de mim».Poderá a mulher esquecer a criança que amamenta e não ter compaixão do filho das suas entranhas?Mas ainda que ela se esqueça,Eu não te esquecerei. (Is 49, 14-15)

2008-05-24

Deus é amor

... Deus manifestou-se na visibilidade de um corpo humano.Dois banquetes marcaram o Ocidente: o Banquete, de Platão, e a Última Ceia de Jesus com os discípulos (quem se atreve a dizer, com fundamento real, que nela não participaram discípulas?). Ambos à volta do amor. Não é um banquete sempre expressão e vivência da convivialidade, da festa e do amor?

Na véspera da Paixão, antes de ser entregue à morte na cruz, Jesus, na ceia de despedida, tomou o pão e pronunciou a bênção, dizendo: "Isto é o meu corpo - a minha vida - entregue por vós." Tomou o cálice com vinho e disse: "Este é o cálice da nova aliança." E acrescentou: "Fazei isto em memória de mim."A missa é o banquete do testemunho do amor até à morte: "Não há maior amor do que dar a vida pelos amigos." O que se celebra na eucaristia é o Deus do amor. Jesus não morreu para pagar um resgate (a quem?, ao diabo?) ou para aplacar a ira de Deus. Se Deus é amor, não está irado com a Humanidade. Face a um deus que exigisse a morte do Filho só haveria uma atitude humanamente digna: tornar-se ateu. Mas Jesus não morreu porque Deus quis o seu sacrifício. Pelo contrário, morreu para testemunhar a verdade incrível de que Deus é amor...

Anselmo Borges, padre
in DN

Peter Paul Rubens,
Rijksmuseum

2008-05-23

a ternura no masculino

Um longo trecho de um livro de Philip Roth, onde ele conta com um realismo e uma sensibilidade emocional muito grandes, a descoberta de um tumor no cérebro do pai de oitenta e seis anos, e as várias etapas porque passaram os dois. Este que reproduzo é sublime:

Cheirou-me a trampa a meio da escada para o primeiro andar. Quando cheguei à casa de banho, encontrei a porta entreaberta e, no chão do corredor, do lado de fora, as suas calças de algodão e as suas cuecas. De pé, do outro lado da porta da casa de banho, vi o meu pai completamente nu, acabado de sair do chuveiro e a escorrer água. O fedor era pestilento.Ao ver-me, pouco faltou para se desfazer em lágrimas. Numa voz tão desolada como alguma que eu jamais ouvira, dele ou de qualquer outra pessoa, disse-me aquilo que não me tinha sido difícil de supor:
- Caguei-me.
Havia merda por todo o lado, espalhada pelos pés no tapete da casa de banho, a escorrer pelas bordas da sanita e, aos pés dela, numa poia no chão. Esparramada no vidro do nicho do chuveiro do qual ele acabara de sair e amontoada nas roupas que despira. E no canto da toalha com a qual começava a enxugar-se. Naquela pequena casa de banho, que geralmente era a minha, ele fizera os possíveis para sair daquela imundície sozinho, mas como estava quase cego e acabado de sair de uma cama de hospital, ao despir-se e entrar no chuveiro conseguira apenas espalhar a porcaria por todo o lado. Vi que chegara até às pontas das cerdas da minha escova de dentes, suspensa do suporte por cima do lavatório.
- Pronto, não se preocupe - disse eu - Tudo se vai resolver.
Estendi a mão para o chuveiro, voltei a abrir a água e manobrei as torneiras até conseguir a temperatura certa. Tirei-lhe a toalha das mãos e ajudei-o a voltar para o chuveiro.
- Pegue no sabonete e comece do princípio.
Enquanto ele recomeçara obedientemente a ensaboar o corpo, fiz um monte com a sua roupa, as toalhas e o tapete da casa de banho, segui pelo corredor até ao armário da roupa branca, tirei a fronha de uma almofada e meti tudo lá dentro. Arranjei também um lençol de banho limpo, para ele. Depois tirei-o do chuveiro, levei-o logo para o corredor, cujo chão ainda estava limpo, embrulhei-o no lençol e comecei a enxugá-lo.
-O seu esforço foi corajoso -comentei -, mas suponho que a situação era daquelas que não permitem vitórias.
- Caguei-me repetiu ele, e desta vez desfez-se em lágrimas.
Levei-o para o seu quarto, onde se sentou na beira da cama e começou a esfregar-se com a toalha enquanto eu saís com o meu roupão turco para ele vestir. Quando acabou de se enxugar, ajudei-o a vestir o roupão, puxei para trás o lençol de cima da cama e disse-lhe que se deitasse e dormisse uma sesta.
- Não digas às crianças - pediu, a olhar-me da cama com o olho que ainda via.
- Não digo a ninguém - tranquilizei-o. -Direi que está a descansar.
- Não digas à Claire.
- Não digo a ninguém. Não se preocupe com isso. Podia ter acontecido a qualquer pessoa. Esqueça o assunto e descanse o mais que puder.
Corri as persianas para obscurecer o quarto, saí e fechei a porta.
...

Foi mais fácil livrar-me da merda que se encontrava numa pasta mais ou menos contínua defronte da sanita: bastou recolhê-la com uma pá, deitá-la na sanita e puxar o autoclismo. E a porta do chuveiro, o parapeito da janela, o lavatório, a saboneteira, as tomadas da luz e os varões das toalhas também não constituíram nenhum problema. Montes de toalhas de papel e uma enorme quantidade de sabão. Mas onde ela se alojara nas fendas estreitas e irregulares do chão, entre as velhas e largas tábuas de castanheiro, as coisas complicaram-se. A escova parecia servir apenas para atrapalhar e, por fim, peguei na minha escova de dentes, fui-a metendo e tirando do balde cheio de água espumosa e avancei centímetro a centímetro, de parede a parede, uma greta de cada vez, até o chão ficar o mais limpo que consegui. Depois de passar cerca de um quarto de hora de joelhos, decidi que não teríamos outro remédio senão vivermos todos com os salpicos e as partículas entranhadas a que, apesar dos meus esforços, não conseguia chegar. Tirei a cortina da janela, apesar de parecer limpa, enfiei-a na fronha da almofada onde estavam as outras coisas sujas, fui à casa de banho de Claire, peguei num frasco de água-de-colónia e salpiquei com mãos-largas o aposento lavado e esfregado, sacudindo-a das pontas dos dedos como se fosse água-benta. Liguei uma pequena ventoinha que se encontrava a um canto, voltei à casa de banho de Claire e lavei os braços, as mãos e o rosto. Como tinha um salpico de merda no cabelo, também o lavei.
Voltei em bicos de pés ao quarto onde ele dormia, ainda a respirar, ainda vivo, ainda comigo - mais um revés desencadeado por aquele homem que eu conhecera interminavelmente como meu pai. Senti-me péssimo por causa da sua heróica e vã luta para se limpar antes de eu chegar à casa de banho, e da vergonha inerente, e da desgraça que ele próprio se considerava. No entanto, agora que terminara e o meu pai dormia profundamente, pensei que não podia ter pedido nada mais para mim próprio antes de ele morrer: isto também estava certo e era assim que devia ser. Limpamos a merda do nosso pai porque ela tem de ser limpa, mas na esteira desse limpar tudo o que nos resta para sentir é sentido como nunca antes foi. Também não era a primeira vez que compreendia isto: depois de contornarmos a repugnância, ignorarmos a náusea e mergulharmos para além dessas fobias fortificadas como tabus, resta uma grande quantidade de vida para acarinharmos.
Embora seja possível que uma única vez baste, acrescentei, dirigindo-me mentalmente ao cérebro adormecido, apertado pelo tumor cartilaginoso; se tiver de fazer isto todos os dias, é muito possível que não me sinta tão empolgado.
Levei a malcheirosa fronha para o andar de baixo, meti-a num saco de lixo preto, que atei bem atado, transportei o saco para o carro e atirei-o para a bagageira, a fim de o levar para a lavandaria. Agora que o trabalho estava feito, não poderia ser mais claro para mim o motivo por que isto estava certo e como devia ser. O património era, então, isso. E não porque limpar a porcaria fosse simbólico de qualquer outra coisa, porque não era; antes por não ser nada menos nem nada mais do que a realidade vivida que era.
Ali estava o meu património. Não era o dinheiro, não eram os filactérios, não era a tigela de barbear: era a merda.

Philip Roth - Património

2008-05-21

as mulheres do jardim 5 - Jean Seberg

Nasceu em Marshalltown, Iowa em 13 de Novembro de 1938
Morreu em Paris, 8 de Setembro de 1979

Fonte

é um bispo que diz: as oportunidades para as mulheres conseguirem a igualdade com os homens avançam, mas não são plenas

El obispo de Málaga, monseñor Antonio Dorado, denuncia, en su carta pastoral con motivo del Corpus Christi, “la cruda realidad de la discriminación de la mujer en el mundo de hoy” y en sintonía con la Campaña de Cáritas española para el Día de la Caridad, recuerda que “si los derechos humanos son universales, las oportunidades deberían serlo”. “La Iglesia no puede ni debe emprender por cuenta propia la empresa política de realizar la sociedad más justa posible, tampoco puede ni debe quedarse al margen en la lucha por la justicia”, afirma monseñor Dorado, explicando que a la Iglesia “le interesa sobremanera trabajar por la justicia esforzándose por abrir la inteligencia y la voluntad a las exigencias del bien”.





aqui

2008-05-20

uma questão de princípio

Consultando o site da Igreja Católica, descubro grandes movimentos (até já foi criada uma associação cívica), declarações episcopais contra a nova lei do divórcio.
Dizem eles (sim, sou católica e não digo o mesmo), que a nova lei é um ataque à família e um atentado à pessoa mais fragilizada na relação.
Então, senhores? Para dançar o tango são precisos dois. Para haver a tal relação, idem. Ela não cai do céu numa noite estrelada, nem está fechada a sete chaves num cofre secreto. Logo, não pode ser roubada, atacada, nem se perde como um botão mal pregado. Não basta uma das pessoas querer muito, nem fazer todo o esforço deste mundo e do que virá, para que ela surja e se mantenha. Se a relação começa a ser ralação, acabou. Certo?

eminente


imagem.as minhasreliquias.blogspot.com/

2008-05-19

a coerência tem um sentido ascendente?


Somos (ou devemos ser) mais coerentes aos setenta anos do que aos trinta? A coerência tem a ver com amadurecimento interior?
Andou por aí há dias, a circular a notícia, de que tinha sido tornado pública uma carta de Albert Einstein a um amigo. Teria sido escrita perto da sua morte, e nela negava algumas das ideias que tinha afirmado anteriormente. Eram relativas à fé em Deus, à religião judaica e Bíblia.

Dizia, referindo-se a Deus e à religião, que eram uma "superstição infantil".

Esta afirmação/confidência de Einstein deve ser tida como definitiva da sua vida? Ou devem ser lidas no seu tempo, no seu contexto?

Só porque são proferidas no fim da vida, têm o valor de anularem tudo o que disse antes e ser absolutizadas?
Eu acho que não. Se acontecesse comigo, não quereria que as isolassem de tudo o que disse e fiz. Mesmo que me considerassem incoerente.
imagem- www.yunphoto.net/pt

2008-05-16

tá perfeito! pare aí a evolução...ó meu Deus, por favor...

Ralph Fiennes, num jardim algures....ai!

"e Deus viu que isto era bom" (Gn1,25) E quanto, ó meu Deus!

( scarlett Johansson)
"Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher. " Gn 1,27)

humor negro

Tenho uma vizinha à esquerda, que se constituiu infiel depositária dos meus ais e suspiros e controladora das visitas que recebo. E um vizinho à direita, que nas horas mais impróprias, invade o meu sossego com músicas romântico-melosas em alto volume.
Que fazer? Construir uma cave insonorizada?

não vale rir que o caso é sério

retirado daqui

2008-05-15

terão os políticos o direito à mentira?

...Fiz a mesma pergunta sobre a mentira e a ética política a um amigo comum, o ex-chanceler da Alemanha federal Helmut Schmidt, por ocasião da Conferência de Ética Global que ele apresentou na Universidade de Tübingen: "Henry Kissinger diz que o Estado tem uma moral diversa daquela de um individuo - a velha tradição dos tempos de Maquiavel. Um político que se ocupe de assuntos externos tem realmente direito a uma conduta especial?"
Schmidt replicou: "Estou firmemente convencido que não existe uma moral diversa para o homem político, também para aquele que se ocupa de negócios exteriores. A idéia oposta foi defendida por muitos políticos na Europa do século XIX. Talvez Henry Kissinger ainda esteja vivendo no século dezenove... Não sei. Nem sei se ele hoje ainda defenderia aquele ponto de vista".

...

Hans Kung, Teólogo e Presidente da Comissão Ética Global

artigo aqui

Já que falamos de políticos e política, uma bicadinha sobre a recente excitação por causa do Primeiro Ministro andar a fumar nos aviões, e a consequente promessa dele de deixar de fumar. Ora tenham lá juizinho todos. Um país preocupado com cigarrinhos acesos e beatas apagadas, é um triste espectáculo de se ver. Uns governem e outros contestem e oponham-se, que é para isso que votámos. Tricas de salão de cabeleireiro é que não!

mulheres do jardim 4 - Rainha D. Leonor

(quadro da Rainha da autoria de José Malhoa)

D. Leonor de Portugal, ou Leonor de Viseu ou ainda D. Leonor de Lencastre (2 de Maio de 1458 - 17 de Novembro de 1525) foi uma princesa portuguesa da casa de Avis e rainha de Portugal desde 1481 até 1495, pelo seu casamento com João II de Portugal.
Leonor era filha do príncipe D. Fernando, Duque de Viseu e Condestável do Reino (filho do rei Duarte I de Portugal) e de Beatriz, também ela uma princesa de Avis. Entre os seus irmãos contavam-se Manuel, Duque de Beja, e Diogo, Duque de Viseu.
Em 22 de Janeiro de 1470, casou-se com o rei D. João II, o qual era seu primo pelo lado paterno e materno. Mesmo após a morte do rei, em 1495, a rainha mãe continuou a ser conhecida como rainha D. Leonor (ou a Rainha Velha) até à sua morte, sendo bastante respeitada na corte.

artigo de wikipédia


Estima-se que pelo ano 1484 no percurso de uma viagem, passou por um local onde se banhavam algumas pessoas. Informada das propriedades terapêuticas da água, colonizou o local com alguns habitantes, e posteriormente mandou erigir um hospital com o nome de Nª Sra. do Pópulo. Hoje hospital termal.


Neste dia quinze de Maio, é o dia comemorativo da rainha fundadora e da cidade de Caldas da Rainha.


2008-05-14

um modo feminino de dizer Deus



...As mulheres falam de Deus a partir de uma infra-teologia que diz a inumerável obscuridade da relação do homem com o mundo sob a forma de antinomias e paradoxos. Assim Teresa de Ávila, Hildegarda de Bingen, Simone Weil, Adélia Prado ou Maria Gabriela Llansol. O acontecimento em que se origina o amor é o encontro. Ora, o encontro prescreve quatro funções: a força da errância, a dor da imobilidade, a fruição do imperativo, a invenção da narrativa. Porque escrevem (as mulheres)? Em Onde Vais, Drama-Poesia Llansol dá uma resposta fulgurante: “Para bater levemente à porta do mundo…” Para contrariar o “assim é” da história. A “cordialidade” do sentido é bem mais pregnante do que o “assim é” do discurso da teologia totalizante. ...

José Augusto Mourão

artigo completo aqui


Porquê este tema? Existe um modo próprio feminino de dizer Deus. E não é ele que domina a teologia. Nem devia dominar. Mas ter o seu espaço próprio - ser escutado, ser discutido, ser tido em conta.

Acho particularmente feliz a expressão "para contrariar o assim é". Uma expressão claramente masculina. A mulher traz leveza às coisas. E a leveza neste mundo, por vezes tão opaco e pesado, é um bem inestimável. Sacrifiquem-se umas tantas certezas, e deixemo-nos todos respirar um pouco de leveza feminina.


imagem - www.photografos.com.br/

2008-05-13

agora são as fábulas...


“Fátima é uma escola da Verdade porque nos defende das fábulas e nos ensina a encarar e a interpretar a realidade com o coração de Deus."
Mas que cisma esta, dos homens da minha Igreja, que vêem mal em todo o lado? Uma fábula bem contada pode dar um um fenómeno de massas enorme. E ser uma coisa boa. Mesmo que não seja bem como a contam. Cabe à interpretação de cada um.

Perguntaram a Jesus:"O que é a Verdade?" E a gente segue perguntando. Com fábulas à mistura porque nunca fizeram mal a ninguém.

mulheres do jardim 3 - Dawn French



Hoje a mulher escolhida para o jardim é Dawn French que desempenhou um papel numa série para a BBC, passada em Portugal no canal 2, já há vários anos.

Dawn French desempenhava o papel de vigária de Dibley e tinha o grupo de paroquianos do mais surreal que se possa imaginar. Era uma paróquia "maldita", digamos assim, mas ela desempenhava o seu papel com o maior zelo e fervor evangélico. Gostava de ver um padre ou pastor evangélico metido em igual tarefa.

Pelos momentos de entretenimento deliciosos que me causou, aqui fica a minha homenagem e a sentida pena, de não haver continuação da série. Aquela paróquia tinha imaginário fantástico até ao fim dos tempos.

2008-05-12

mulheres do jardim 2 - Irena Sendler


A polaca Irena Sendler, que salvou cerca de 2500 crianças de serem encaminhadas para campos de concentração nazi, morreu hoje, aos 98 anos, informou a sua família.Sendler foi considerada como uma das grandes heroínas da resistência polaca ao nazismo, tendo estado nomeada para o Prémio Nobel da Paz.
notícia Publico

felídeos

No primeiro instante é o choque. Segue-se o arrepio. Não nos fazíamos naquele local e àquela hora.

Em cada encontro o dominador és sempre tu. Fixas-me com os olhos verdes, onde caibo toda inteirinha, e onde me vejo do tamanho de um pequeno mosquito. Adivinho a tranquilidade dos teus próximos passos. A caçada deve continuar. Eu é que sigo inquieta o resto do caminho. Durante muito tempo não consigo afastar-te do pensamento, submissa a um desamor antigo.

as mulheres do jardim 1 - Adélia Prado

"Um Deus que pode ser explicado não explica nem a minha dor de cabeça"



Biografia:

Adélia Luzia Prado Freitas nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, no dia 13 de dezembro de 1935, filha do ferroviário João do Prado Filho e de Ana Clotilde Corrêa. Leva uma vidinha pacata naquela cidade do interior: inicia seus estudos no Grupo Escolar Padre Matias Lobato e mora na rua Ceará.No ano de 1950 falece sua mãe. Tal acontecimento faz com que a autora escreva seus primeiros versos. Nessa época conclui o curso ginasial no Ginásio Nossa Senhora do Sagrado Coração, naquela cidade.No ano seguinte inicia o curso de Magistério na Escola Normal Mário Casassanta, que conclui em 1953. Começa a lecionar no Ginásio Estadual Luiz de Mello Viana Sobrinho em 1955.Em 1958 casa-se, em Divinópolis, com José Assunção de Freitas, funcionário do Banco do Brasil S.A. Dessa união nasceriam cinco filhos: Eugênio (em 1959), Rubem (1961), Sarah (1962), Jordano (1963) e Ana Beatriz (1966).Antes do nascimento da última filha, a escritora e o marido iniciam o curso de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis. Em 1972 morre seu pai e, em 1973, forma-se em Filosofia. Nessa ocasião envia carta e originais de seus novos poemas ao poeta e crítico literário Affonso Romano de Sant'Anna, que os submete à apreciação de Carlos Drummond de Andrade.




ver biografia completa aqui

2008-05-11

Ratzinger na luta contra a droga

Via Womenage a trois cheguei a mais este artigo da Lusa referindo um discurso do Papa.

"Se o exercício da sexualidade se transforma numa droga que quer subjugar o casal aos próprios desejos e interesses..."

Resumindo: sexualidade só para fazer meninos. Mas nada de fantasias nem artefactos. E, mesmo assim, não abusem que vicia.

2008-05-09

adoradores da ciência

- Antes de se ir embora - pediu a pretinha - diga-me se acredita em Deus.
- Deus é uma hipótese inútil e posta de lado - respondeu o míope. - O universo não passa de um sistema gigantesco de reflexos resultantes de choques. Se eu te der uma pancada no joelho, o teu pé salta.
- E eu também lhe dou uma pancada com a minha moca; portanto vale mais não arriscar - respondeu a pretinha.
- Quando queremos alcançar fins científicos, é necessário inibir esses reflexos secundários e, segundo parece, inopinadamente, manietando o sujeito - disse o professor. - No entanto, também eles são perfeitamente inopinados como exemplos de reflexos produzidos por associação de ideias. Passei vinte e cinco anos a estudar os seus efeitos.
- Os seus efeitos sobre quê? - perguntou a pretinha.
- Sobre a saliva de cão - respondeu o míope.
- E com isso ficou mais sábio? - perguntou ela.
- A sabedoria não me interessa. - replicou ele; - na realidade não sei o que ela significa e não tenho razões para crer que exista. A minha profissão é aprender coisas antes ignoradas. Dou conhecimento do meu saber ao mundo, e contribuo assim para a soma das verdades científicas provadas.
- Até que ponto o mundo será melhor quando só houver o saber e não existir misericórdia? - perguntou a pretinha. - Não tem cérebro bastante para inventar uma maneira melhor de descobrir o que quer saber?
- Cérebro bastante! - exclamou o míope, como se não acreditasse no que ouvia. - Deves ser uma jovem de uma ignorância extraordinária. Não sabes que os homens da ciência são cérebro da cabeça aos pés?

Bernard Shaw
"As aventuras de uma pretinha à procura de Deus"

"Ide por todo o mundo..."





Anda, mimoso! Lá à frente há mais...



(Eva Gonzalez, 1848-1883)

2008-05-08

jardinando


Actualizei a lista de blogues linkados.


Espero que alguns, agora adormecidos, um dia acordem.


Quero também manifestar que é com surpresa e agrado, que vejo o jardim linkado por aí. Em sítios que vou descobrindo aos poucos e por acaso. Gosto disso.

à procura de Deus...

- Procuro Deus - respondeu ela-
- E não o encontraste? - perguntou Miqueias.
- Encontrei um velho que queria que eu lhe assasse animais, porque gostava do cheiro da comida, e que sacrificasse os meus filhos no seu altar.
- É um impostor, um horror! - rugiu Miqueias. - Era o que faltava, chegar diante do Deus das alturas com cordeiros assados! Ficaria satisfeito com milhares de borregos ou rios de óleo, ou com o sacrifício do teu primogénito, o fruto do teu ventre, em vez da oferenda da tua alma? Deus mostrou-te o que deves fazer; e a alma disse-te que Ele fala verdade. E que te pede Ele a não ser que sejas justa e misericordiosa e que caminhes humildemente com Ele?
- Um terceiro Deus - comentou ela. - Prefiro-o ao que queria sacrifícios e ao que queria que discutisse com ele para poder fazer pouco da minha fraqueza e da minha ignorância. Mas ser justa e mostrar misericórdia é só uma pequena porção da vida, quando não se é patrão nem juiz. E de que serve caminhar com humildade, se não se souber para onde vamos?
- Caminha com humildade e Deus te guiará - disse o Profeta. - Que te importa para onde te leva?
- Deu-me olhos para me guiar- replicou a pretinha. - Deu-me o espírito para dele me servir. Como posso agora dirigir-me a ele, para lhe pedir que veja por mim e pense por mim?

Bernard Shaw
"As aventuras de uma pretinha à procura de Deus"

acerca de Deus

"Cómo sabes que hay Dios?"
"Tan dentro de ti."

«No busques a Dios fuera de ti, no quieras que otros te demuestren su existencia, ni aceptes al Dios que te imponen desde arriba. Nadie te podrá demostrar que hay Dios, ni podrá asignarte un tipo de religión o de experiencia, nadie podrá utilizar la religión para dominarte y tenerse sometido. Nadie, diciendo “Dios”, te podrá decir “sométete y obedece”. Busca dentro de ti y encontrarás la libertad, que “su presencia” (la de Dios, la tuya). Sé fiel a ti mismo y descubrirás que Dios habita en tu interior».

(No blogue de Xavier Pikaza uma série de artigos reflectindo Deus)

O que fica é a noção de que, mais do que dizer Deus, é experienciar e viver Deus no concreto dos dias. Isto não invalida todo o pensamento filosófico e teológico desenvolvido e a desenvolver. O pensamento e conhecimento estruturam as nossas acções.

Sobre o procurar Deus fora de nós já Jesus dizia à samaritana:"Mulher acredita em mim: chegou a hora em que, nem neste monte, nem em Jeruzalém haveis de adorar o Pai"..."Mas chega a hora -e é já-em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são assim os adoradores que o Pai pretende." (Jo 4,21-23)

2008-05-07

com a devida carga dramática:

É terrível cair nas mãos do Deus Vivo.



Victor Mácula, um neófito com a água baptismal, "ainda" dentro do prazo de validade

então, meninas?!

Segundo o Público de hoje (edição impressa) um terço das mulheres (da sondagem efectuada)engravidou sem querer. Dessas, 34,4%, por falha do método contraceptivo. Mas pasme-se, 44,4% não estava a usar nenhum método contraceptivo.
Penso que razões levarão as mulheres a ter uma atitude destas. Resquícios de uma moral católica fechada e preconceituosa em relação ao sexo e aos métodos contraceptivos? Mas acho estranha, esta razão. Nas comunidades católicas que frequento na missa dominical, o grosso dos participantes já deve ter uma reduzida actividade sexual. Mesmo que a tenham, não vai provocar gravidezes indesejadas.
Ignorância do corpo, do processo reprodutivo, dos métodos? Isso era bom para as nossas avós, mas nestas gerações? Falta de acesso aos métodos? É só entrar em qualquer supermercado.

E então quando está em causa a possibilidade de transmissão de doenças. Num mundo de informação globalizada, é chocante demais.

Será, talvez, porque na referida sondagem ressalta, sem espanto nenhum da minha parte, que o dobro das mulheres, em relação aos homens, tem como motivação para a relação sexual, o estar apaixonada. E, como se sabe, o amor é cego. Mas alguém que tenha vista, caramba!

com perfume de rosas


Tiziano Vecelli, "Flora"

2008-05-06

credo

Creio no Deus de Abraão, que deve ter ficado perplexo quando o viu monte acima, de adaga à cintura, monte de lenha às costas e o filho pela mão. Mais perplexo ficou, quando o vê disposto (não era suposto isto num homem) a consumir ali mesmo, lenha, filho e ele próprio. O amor tem destas loucuras. Diz-lhe que tenha juízo, volte para a sua vidinha e vá consumi-la a ter filhos aos molhos, a criar cabras e esperar que a morte venha.
Creio no Deus de Moisés, que também guardava cabras muito bem. Em tal profissão nem se lhe notava a gaguez. Da qual se deve ter curado, monte abaixo, pedras da Lei às costas, disposto a encaminhar o novo rebanho rebelde, deserto afora.
Creio no Deus de Job, que sem entender porque motivo tinha a vida numa desgraça, resolveu interpelar Deus por isso, e dizer aos manhosos dos amigos que o mal não é castigo de nada.
Creio no Deus do profeta Jeremias, que de tão coninhas, arranjou mil e uma desculpas para ficar sossegadinho na sua vidinha, em vez de andar a pregar ao rebanho sempre tresmalhado. Consumido pelo Amor nunca mais se calou.
Creio no Deus do Profeta Oseias, que não arranjou melhor analogia para falar do Deus Amor, que compará-lo ao mais cornudo dos homens. Quanto mais a mulher o traía com tudo o que mexia, mais ele a amava e perdoava.
Creio no Deus de Jesus, o Nazareno, que disse: "Tudo o que é meu é teu e o que é teu é meu" (Jo 17,10)

Abraão


O sacrifício de Abraão - Rembrandt