2008-05-20

uma questão de princípio

Consultando o site da Igreja Católica, descubro grandes movimentos (até já foi criada uma associação cívica), declarações episcopais contra a nova lei do divórcio.
Dizem eles (sim, sou católica e não digo o mesmo), que a nova lei é um ataque à família e um atentado à pessoa mais fragilizada na relação.
Então, senhores? Para dançar o tango são precisos dois. Para haver a tal relação, idem. Ela não cai do céu numa noite estrelada, nem está fechada a sete chaves num cofre secreto. Logo, não pode ser roubada, atacada, nem se perde como um botão mal pregado. Não basta uma das pessoas querer muito, nem fazer todo o esforço deste mundo e do que virá, para que ela surja e se mantenha. Se a relação começa a ser ralação, acabou. Certo?

51 comentários:

  1. Pois, mas há quem não saiba quando a “ralação” acabou e queira mudar o outro sem o outro da ralação querer mudar, não sabe interpretar “os sinais” do outro, que apesar de o tango exigir dois parceiros insiste em não dançar, e quer a força que ele dance connosco. Aprecio as pessoas teimosas

    Bento XVI

    ("um dos mais importantes aspectos da unidade da vida do cristão" é a coerência entre "fé e vida,")

    Ironizando um bocado, Ir a missa, comungar, e vir ca para fora excomungar no vizinho é uma coerencia que eu aprecio

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  2. Ha uma coisa que eu não entendo em si. Como é que você dizendo-se católica, se põe contra e critica a voz da igreja, a voz hierarquica e até de muitos fiéis nestes temas. Das duas uma ou voce tem razão e a igreja, papa, cardeais, bispos etc. andam a nora, navegam a vista, não sabem o que dizem e fazem, não tem suporte teologico doutrinal e filosofico para as suas afirmações, ou você tem toda a razão do mundo e não consegue transmiti-la, de modo que eles não veem isso. Onde esta a verdade ou quem vive em contradição entre o que pensa sente diz e faz. Ou fazemos como a velha frase olha para o que eu digo não para o que eu faço?

    Será que você contradizendo a doutrina da igreja e fazendo uma vida diferente e com principios diferentes nos quais se baseia e apoia continua a poder dizer-se catolica. Ou o seu catolicismo é so um anseio de dar sentido a vida teorico, mas não é vivido no dia a dia, como fazem de resto quase todos os catolicos, que não respeitam a palavra da igreja nestas questões, mas são catolicos na mesma, vamos la entender esta embrulhada ou saco de gatos.

    Voce ainda não percebeu, a mentalidade da igreja e o papel que a igreja tem e vê da sociedade, ainda não percebeu o patriarcalismo. A igreja e alguns poderes politicos sempre tiveram essa visão da sociedade, onde a célula base é a familia tradicional, conservadora, onde cada um tem um papel definido, a mulher nas lides domésticas e educação dos filhos e o marido na manutenção do lar, estes papéis exigiam uma hierarquia ocupada pelo homem à qual mulher estava submetida. Por isso a igreja sempre se deu bem com poderes e regimes politicos da direita conservadora,( por exemplo fez concordatas e nunca hostilizou a não ser un caso ou outro, nazismo e fascismo, hitler, franco, salazar chile do pinochet, argentina,brasil etc. se der um salto por alguns sites por ai, de pessoas que são catolicas, ve que os filosofos que usam para ajuda argumentativa são tudo pessoas ligadas ou com essa ideologia) que filosoficamente também tem estes ideais por referencia, e por isso a igreja sempre apoiou estes regimes pois permitiam-lhe na prática por meio de leis modelar a sociedade as suas visões teologicas, .coisa que a igeja não podia fazer directamente mas só podia censurar e criticar não tendo o apoio do estado, como faz agora, proibição de aborto, divorcio, casamento etc.

    (“O tempo volta para trás, traz-me tudo o que eu perdi
    tem pena e dá-me a vida, a vida que eu já vivi,”)

    Veio a emancipação da mulher, o ter direitos iguais e o acesso à educação e profissões e pos em causa este modelo absoluto de papeis e criou aquilo que eles chamam relativismo e individualismo contra o qual lutam. Apareceu o divorcio, o aborto, os anticoncepcionais e os casamentos homosexuais e puseram em pantanas toda esta organização politico/teologico filosofica da sociedade com as pessoas a revoltar-se e a exigir estes direitos, bem é o que se sabe, quem sempre lutou por eles vangloriou-se os outros lutam pela volta ou regeneração dos modelos antigos e outros ainda andam perdidos com um pé dentro e outro fora ora são por estes direitos ora são a favor da igreja. Contradiçoes.

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  3. este anónimo passa a vida a dizer que se vai embora, mas continua sempre a repetir a mesma coisa. A historia da coerência já foi discutida, não foi?

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  4. Porque será que estas pessoas escrevem sob anonimato?!

    Quanto à lei do divórcio: se, por um lado, me incomoda que se facilite o desfazer de um contrato em que a outra pessoa apostou toda a sua vida, por outro lado não vejo como o dificultar do fim do contrato melhore a situação.
    Preocupa-me um pouco que este facilitar crie a ideia de que um casamento não é uma coisa muito séria. Mas só um pouco: afinal de contas, não é o Estado, mas os contraentes, que sabem ao que vão e o que querem.

    Quanto ao segundo anónimo:
    essa questão "das duas uma" é um disparate. Até parece que os teólogos e a hierarquia da Igreja estão todos unidos a cantar a uma só voz. Não sabe que também entre todos eles há divergências?

    "Suporte doutrinal e teológico"? Cristo criticou abertamente os homens da Lei, apesar de todo o suporte doutrinal e teológico que tinham. Quantas vezes não teve palavras duríssimas para os que se julgavam donos da Verdade?
    Ninguém é dono da Verdade. Só a conheceremos quando chegarmos ao lado de lá. Isto vale para mim, para o anónimo, para a MC e para o Papa.

    Haverá sempre vozes divergentes na Igreja católica: "católica" significa universal - uma Igreja onde cabem todas as cores do universo. Todas as pessoas e todas as opiniões, desde que sejam o resultado de uma busca honesta da Verdade.
    Vão ler os Evangelhos: não é a obediência cega ao Papa que salva, mas a Fé em Cristo.
    Não confundamos as coisas. E não queiramos que a Igreja se transforme num imenso redil com ovelhas todas de uma cor só, porque o mais provável é que o redil se esvazie - começando pelos padres.
    Unidade não é uniformidade. E Fé não implica desistir de pensar e questionar.

    Cuidado com as acusações que fazemos aos outros. Não vá estar uma trave qualquer a distorcer-nos a visão...

    Quando vêm com esta conversa dos católicos que se afastam da linha oficial da Igreja, lembro-me sempre de uma anedota que se contava no lado de lá da Cortina de Ferro:
    Acusaram um comunista da URSS de que se tinha afastado da linha do Partido. E ele, para se defender:
    "- Não, isso é mentira! Eu afastei-me sempre COM a linha do Partido!"

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  5. A quem não entenda mesmo a igreja.

    O que são sacramentos e casamento?

    O anonimo é o mesmo

    Estou a entender a posição, para ser católico/a não é um modelo de vida ou seja viver de acordo e com os principios e orientação de uma fé. Para ser católico/a é ter os principios ideologicos de uma fé e viver os costumes mundanos e sem qualquer vinculação a uma fé ou principios orientadores dessa mesma fé pronunciados pelas hierarquias catolicas.

    Assim também eu, dizia uma coisa e fazia outra. Confudia casamento sacramento com casamento contrato.

    O que é o casamento para a igreja? Ou é a mesma coisa que para o civil. Não é, é um sacramento por conseguinte não tem a ver com as causas com que se acaba um contrato no civil. Para a igreja é uma estruturação familiar e social. Acho que os catolicos não sabem da missa a metade.

    Basta ir a missa comungar e vir ca para fora fazer tudo ao contrario do que la dentro se diz e preconiza. Adoro estes catolicos.

    Uma igreja onde cabem todas as vozes do universo e nenhumas. Pode se fazer o que se quiser e contradizer o que se quiser, gozar vilipendiar que isso é letra morta ate para as hierarquias e vale a pena perder tempo com estas argumentaçoes? Não. Se são a favor do divorcio, aborto, casamentos homosexuais, anticonceptivos, etc não falem em nome da igreja. quanto a catolicos? Pois também eu

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  6. ("este anónimo passa a vida a dizer que se vai embora, mas continua sempre a repetir a mesma coisa. A historia da coerência já foi discutida, não foi?")

    May 21, 2008 3:46 PM

    o anonimous com ja tinha escrito anteriromente num comentario abaixo,

    ("o anonymus tem sido sempre o mesmo.
    se não consegue saber pela maneira como se escreve e expoe a coerencia global, paciencia. quando aparecerem mais anonimos eu deixo o campo livre")

    tens o testemnuho meu caro ja somos demais não me quero confudir com voce a partir daqui tem a palavra. estava a sua espera ainda bem que chegou

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  7. não sei se o anónimo é o mesmo, se são vários, pouco me importa.

    A Helena já disse o fundamental.

    Já disse que para mim não é fundamental a identificação por nick, mas ajudava a estruturar a conversa.

    Depois, acho curioso que um anónimo me venha chamar de incoerente (até é possível que me conheça. Assumo o meu nome e localidade. A comunidade católica de Caldas não é assim tão grande, fácil é identificar-me), mas nem me parece que é o caso porque aponta apenas as minhas ideias.

    E pelas que aqui descreve, sou eu que lhe digo que não conhece a Igreja Católica, e vem para aqui a chamar-me incoerente a mim.

    A minha formação religiosa é católica. A minha formação moral, grandemente também, e a quase totalidade dos príncípios com que me oriento, idem.

    Tenho todo o direito de apontar críticas ao grupo religioso a que pertenço. Quando critico, não me excluo. Eu sou Igreja.

    Sobre este tema do casamento e do divórcio, acho que mais do que ninguém, quem sabe o que é bom para os dois elementos do casal, são os próprios.

    A Igreja pode apontar caminhos, ajudar a discernir, apoiar, amparar, mas sem tratar as pessoas como uns incapazes de decidir sobre as próprias vidas.

    O que me chateia verdadeiramente é a Igreja aceitar todo o bicho careta que entra cartório adentro para fazer um casório bom para a fotografia, e depois cria uma lei canónica que impede o divórcio. Não pode impedir, mas não permite que volte a casar.

    E isto é o casamento católico porque muito menos ainda tem a ver com o casamento civil.

    Volto a repetir, cabe à Igreja ensinar caminhos, mas também lhe cabe ser humilde e perceber que os modelos sociais e familiares, não têm que ser todos iguais.

    E sabe que mais? Estou um bocadinho cansada do seu discurso. Por norma, dou atenção a todas as pessoas que aqui comentam. Mas tenho os meus limites.
    Porque não vejo o mínimo esforço da sua parte em entender o que digo e porque tomo estas considerações.

    Nadinha mesmo me importa a sua opinião sobre a minha pessoa. Se isto não é um diálogo onde os vários intervenientes aproveitem alguma coisa...é perda de tempo. E eu tenho mais em que ocupar o meu.

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  8. (“Depois, acho curioso que um anónimo me venha chamar de incoerente (até é possível que me conheça. Assumo o meu nome e localidade. A comunidade católica de Caldas não é assim tão grande, fácil é identificar-me), mas nem me parece que é o caso porque aponta apenas as minhas ideias.”)

    Só para esclarecer e tirar as suas duvidas, não a conheço, pode estar descansada que só estive dialogando porque gosto ver ideias e práticas de vida e até que ponto há coerência na sua defesa, estou geograficamente muito mais afastado do que pode imaginar, e não tenho duvidas das contradições nas pessoas, pouco me importa. Fui católico, sou casado pela igreja há 20 anos, tenho 47, filho baptizado, já universitário e não me afastei na pratica muito desses princípios mas sem ligação a igreja, no entanto o meu modo de ver e sentir o mundo chocava e choca com esse pensamento aplicado a realidade, é claro que também houve um percurso em que a fé num ser superior exterior a nos que é fundamental se foi esvanecendo. Como já lhe disse se o nosso deus não nos aquecer o coração é só gelo e eu nunca o senti gelado.

    Passe bem.

    o anonimo de sempre

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  9. Apesar da palha que por aí vai (não há pachorra!), há uma questão importante que não foi dita claramente: uma coisa é um contrato civil, outra coisa é um sacramento.
    A Igreja não tem de se preocupar com as facilidades que o Estado português põe ou tira no desfazer de um contrato civil.
    Gaste antes o seu tempo a fazer bons cursos de preparação para o sacramento do matrimónio, e a falar com os noivos sobre o alcance do passo que vão dar.
    Se fizer a sua parte do trabalho bem feita, não precisa de se preocupar com as facilidades da anulação do contrato de casamento (civil). Os "seus" casais não o farão apenas porque é fácil.
    E quando estiver "com a mão na massa", pode aproveitar para se entender como fermento. Propagar-se ao resto da sociedade, não por obrigação, mas porque o que propõe faz sentido.

    Uma outra questão é a do sofrimento de quem chega ao fim de um casamento. Muito antes das leis, dos preceitos, das teologias e das ortodoxias, está o respeito que qualquer ser humano nos merece. Que não se esqueça nunca isso nesta discussão!

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  10. ("uma coisa é um contrato civil, outra coisa é um sacramento.")

    Pois ja tinha dito, fui eu que introduzi essa questão em relação ao seu comentario, mas a palha é para contextualizar.


    agora que a discussão merecia é que eu perdi a pachorra. esta helena vem de encontro ao que eu venho dizendo desde sempre.

    A igreja não deve ceder as vozes criticas, tem é de fazer ver o que é o modelo catolico. mas aceita todo o gato que quer casar nem que se baptize na hora, as pessoas também não lhes interessa saber o que é ser catolico, os cursos pre-matrimoniais existem mas são letra morta, só lá se vai para poder casar catolicamente o objectivo não é viver catolicamente mas sim, depois se verá. E depois aparecem pessoas catolicas a atacar a igreja por impor obstaculos.

    A questão das facilidades do estado, do sofrimento, de cada um ir a sua vida por terminar uma relação, sempre esteve garantida mesmo antes de haver o divorcio, só que não havendo o divorcio, antigamente havia a separação de facto e de pessoas e bens. Na vida civil essa questão não se poe, só a nivel religioso e espiritual.

    é a mesma coisa que ver alguns, comunistas a defender a economia de mercado ou psd e cds a defender economias estatizadas. Faz sentido.

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  11. este gajo passa a vida dizer que se vai embora



    que falta de coerencia


    ao menos deixe-se disso, homem

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  12. o que por aqui vai de incoerencia nestes catolicos, com amigos destes quem precisa de inimigos

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  13. Ser catolicos meus caros e minhas caras é um modelo social, propor um modelo social, de sociedade, ha aqui quem se diga catolico(a) e proponha uma sociedade a mentalidade do B.E.

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  14. isto está lindo, está!!!
    No jardim é uma infestação de lesmas e caracóis a devorarem tudo que é flor (as ervas daninhas não as comem, não)aqui, agora tudo resolveu comentar no anonimato. Coerências...

    Helena, o meu texto pode fazer passar a imagem que eu não tenho em conta o sofrimento que implica uma separação. Agradeço que tenhas trazido isso para debate.

    Há por aqui ideias de alguns anónimos que são mais papistas de que o Papa.

    "A Igreja Católica um modelo social" e já agora, imutável desde os primórdios, até ao término dos tempos.

    Como é que a Igreja pode ser um modelo social, aplicável nos cinco continentes, com realidades sociais tão diversas? E o modelo é o mesmo após revolução industrial e modernidade (ou pós-modernidade como se diz dos tempos actuais)?

    Como é que é possível impor um modelo social, quando os católicos estão inseridos numa sociedade plural (e globalizada, também se pode dizer)?!

    Nem os burocratas do Vaticano, defendem tal.

    Defender uma coisa destas é que é ser inimigo da Igreja. Depois venham-me falar das minhas incerências.
    Isso seria transformar a Igreja Católica num gueto.
    Coisa mais ateia do que isto, não consigo imaginar.

    Dá-me mesmo vontade de rir estes comentários.

    Os ateus defendem uma Igreja de sacrsitia. A fé é para ser vivida na intimidade, em segredo, discreta, silenciosa, entre muros.

    As ideia sobre a Igreja que os anónimos aqui deixam, são iguais. Porque, meus caros, a Igreja nunca consegue (nem deve de modo algum)impôr um modelo social. Isso é o mesmo que ficar a falar para as paredes.

    A Igreja deve abrir-se, inculturar-se.

    Esta gente, vê-se que percebe muito de templos medievais, e pouco do Evangelho. É o mal.

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  15. a do BE, deve ser para mim.

    Para pregador, prefiro o padre da minha paróquia. Dispenso as pregações do Louçã.

    Ideologicamente, situo-me numa esquerda moderada. Sem problemas nem complexos.

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  16. "um dos mais importantes aspectos da unidade da vida do cristão" é a coerência entre "fé e vida,"

    Até que ponto é que Bento XVI é coerente com a sua fé. Até que ponto segue o exemplo de Jesus? Que diria Jesus dos sapatos Prada?

    Vem este fariseu falar de coerência...

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  17. Então a igreja não tem nada que ter modelo social, ate por causa das culturas, essa é boa, a igreja não tem um modelo economico, nem poltico, nem cultural, mas social e familiar. Onde pretende através dele levar a alterar, ou levar as pessoas a aderir a determinados tipos comportamentais, onde não haja que ter peninha das pessoas pelas suas ignorancias e leviandades, como abortos, divorcios, contraceptivos casamentos homosexuais eutanasia etc etc. sempre havera isto, mas se os comportamentos mudarem a sociedade muda, se a senhora perceber isto, a mudança comportamental como solução percebe também que a sida se combate pela prevenção mas antes de tudo por mudanças comportamentais.se a senhora perceber isto, percebe a igreja e o modelo social da igreja que é universal, ou então acha que a igreja é so acreditar em deus e viver essa fé na intimidade, para isso não precisa de sair de casa a não ser que se sinta só e goste do convivio paroquial.

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  18. A sua igreja está em extinção. Os seus apelos histéricos à coerência são apenas um sintoma dessa decadência. Os jovens riem-se de si. Não há remédio para o ridículo.
    Continue a escrevinhar que a gente adora:)

    Mais uma vez, ou a igreja muda ou morre.

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  19. Sou incoerente?
    Sou ridículo?
    Vão arder no inferno!
    Passem bem.

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  20. Quem é que se anda a fazer passar por mim?
    Não fui eu que escrevi o comentário anterior. Como é possivel alguém descer tão baixo, ser tão rasteiro?
    Nunca mandaria alguém arder no inferno. Este anónimo é um ser reles, sem vergonha, sem princípios. Que corja é esta que frequenta este blogue?
    Passem bem.

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  21. Decida-se, homem!
    Que crise de identidade!
    Por falar em coerencia: quando as muralhas de Bizancio estavam a cair e os bispos discutiam o sexo dos anjos, estavam a preocupar-se com a coerencia, não era?
    Arranje um nick que isso passa...

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  22. O xoné o caso do sexo dos anjos em bizancio é mais anigo do que voce pensa e vem de excomunhoes mutuas entende. Inimigos não se ajudam embora da mesma crença

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  23. Socorro, anda aqui um esquizofrénico à solta!
    ;-)

    MC,
    de acordo: a Igreja não é um modelo social e a Fé é para ser vivida, em vez de andar a ser distribuída em forma de acusações vindas de anónimos (que bem lhes fica o anonimato quando pretendem defender os valores cristãos!).
    Esses que tanto se preocupam com a coerência dos outros, em vez de perderem tempo a comentar sob anonimato mais valia que tratassem de viver a sua própria Fé. O resto do pessoal já vai perceber se o que eles fazem é um modelo a seguir ou não.
    "Vêde como eles se amam."

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  24. a argumentação desta helena é fenomenal não diz uma para a caixa não deixa um argumento sequer um pensamento mas diz:
    em vez de andar a ser distribuída em forma de acusações vindas de anónimos -chama a argumentos acusaçoes, boa vai ela.

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  25. Ena pa o que aqui vai, isto esta lindo de parte a parte embora haja anonimos sensatos julgava estes catolicos/as mais cultos. Então a igreja não é um modelo nem tem modelo e visão da sociedade? A palavra a igreja para não chamarem nomes a ninguém, um excerto a leitura integral é exensa, para tirar a prova dos noves se existe ou não modelo

    (“Seminário de Verão da Associação de Estudos Europeus da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra

    Conferência de Abertura pelo Cardeal Patriarca de Lisboa

    “Que modelo social para o desenvolvimento?”

    A natureza da Doutrina Social da Igreja

    A fé cristã inspira uma existência cristã, um modo de conceber e viver a realidade. Desde o Novo Testamento é claro que à fé confessada, deve corresponder a fé vivida nas obras, isto é, nos comportamentos. “A fé sem obras é morta”. O testemunho cristão exprime-se tanto na confissão de fé, como nas obras da fé. Quer isto dizer que a fé cristã sugere e fundamenta uma moral, isto é, uma maneira de interpretar a realidade e de agir. A fé é um desafio contínuo à inteligência e à liberdade.

    Assim, desde o início, no ensinamento da Igreja, na catequese, na pregação, no Magistério e na Teologia está presente esta dimensão existencial prática da vivência cristã. Como na Igreja impera o valor da tradição, isto é, da perenidade dos ensinamentos da Igreja em que as dimensões perenes permanecem de geração em geração, foi-se, assim, constituindo um vasto corpo doutrinal sobre as exigências da vivência dos cristãos em sociedade. Estes valores perenes permanecem, pois radicam no mistério de Cristo e do seu Evangelho. O que muda é a realidade da sociedade, desafiando a novas concretizações dessa inspiração fundamental. A sua essência é sempre a iluminação da realidade e das consciências dos cristãos com a luz de Cristo e da Sua Palavra. A expressão “doutrina social da Igreja” só aparece no Pontificado de Pio XI, designando esse vasto corpo doutrinal sobre a sociedade e o cristão na sociedade.

    Do ponto de vista epistemológico, a doutrina social da Igreja não é uma ideologia, não se situa no âmbito de qualquer ciência política. Situa-se, antes, no âmbito da Teologia e, concretamente, da Teologia moral, apesar da expressão mais abundante desse corpo doutrinal ser constituído pelo Magistério, sobretudo desde o Pontificado de Leão XIII. Os seus primeiros destinatários são os cristãos e o seu agir na sociedade.

    Não competindo à Igreja hierárquica conduzir os destinos da sociedade, intervindo na política e nos sistemas económicos, nem sequer propor sistemas económico-políticos, este seu ensinamento é uma expressão da profecia, Com a sua doutrina social, a Igreja não persegue fins de estruturação e organização da sociedade, mas de apelo, orientação e formação das consciências

    As alterações sociais e culturais, provocadas pela Revolução Industrial, geram problemas novos na primeira metade do séc.º XX. Depois da euforia da “belle-èpoque”, em que novos ricos e novos modelos de riqueza ocupam o palco, as guerras são um traumatismo colectivo. As novas tecnologias voltam-se contra o homem e são utilizadas ao serviço da guerra. A crise económica de 1929, em que os problemas da industrialização são agravados com a especulação financeira dos mercados de capitais e a influência dos grupos financeiros. Implantam-se em toda a Europa regimes totalitários, agrava-se a luta de classes, ideologias de sinal contrário dominam a política europeia. A doutrina da Igreja procura orientar os cristãos neste quadro preocupante e sombrio. O tema da paz entra definitivamente na doutrina da Igreja, apresentando-a como indesligável da justiça e fruto do desenvolvimento. Condenam-se ideologias e regimes totalitários, afirmando o princípio da solidariedade, promovendo a ideia de uma sociedade com dimensão comunitária, e o da subsidiariedade, redimensionando o papel dos Estados e afirmando a construção da sociedade como fruto do contributo de todos, pessoas e organizações. Defende-se o direito de associação dos trabalhadores, parceiros indispensáveis de uma sociedade justa. Se no tempo de Leão XIII os temas mais focados são o proletariado, a defesa dos trabalhadores e as relações entre o capital e o trabalho, nos pontificados de Pio XI e Pio XII, acentua-se sobretudo a dimensão comunitária da construção da sociedade, único modelo que respeita e valoriza a dignidade do homem enquanto protagonista da sua história. Fala-se do dinamismo comunitário das empresas, perspectiva que só mais tarde será assumida e desenvolvida pela teoria das organizações. Condena-se o comunismo, cuja ideologia nega o justo exercício da liberdade e da participação e em que o poder absoluto do Estado acaba por destruir a participação dos cidadãos.

    Refiro apenas os principais, irrenunciáveis na visão da Igreja, sobre o progresso da sociedade: a dignidade da pessoa humana e o carácter sagrado da vida; a igual dignidade de todos os seres humanos, independentemente do sexo, da raça, da cor, da religião; o valor da liberdade e da sua relação com a verdade; a vocação solidária e comunitária do ser humano, onde sobressai a família como comunidade primordial; o direito aos bens da terra, cujo destino é universal; o direito à expressão da própria criatividade, contribuindo, cada um, para o bem de todos; o direito ao trabalho; o direito a construir a própria felicidade.

    Neste processo de mutação cultural, sempre em curso, é importante equacionar, de modo equilibrado, as relações entre religião e culturas. A história da humanidade mostra que as religiões tiveram grande influência no caldear das culturas, mas a religião não é o único elemento constitutivo das culturas. Em casos como o da cultura chinesa é claro que o elemento mais importante foi uma filosofia moral. A religião concretiza-se, espontaneamente, em moral, e a fé torna-se cultura. Esta, por sua vez, enriquece e interpela a fé religiosa, oferecendo-lhe o quadro da sua inteligibilidade e racionalidade.”)

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  26. então o catolicas existe ou não modelo da igreja

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  27. Gritando mais alto somos mais ouvidos?

    Escrevendo mais longo somos mais lidos?

    Andamos a evangelizar os outros para evitar olhar para dentro de nós?

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  28. o enox, explique lá o sexo dos anjos aqui ao ignorante. Agente ker saber.

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  30. Vocês ainda não repararam?

    O homem está apaixonado mas é muito tímido. Por isso é que continua anónimo.

    MC, ele é bom rapaz!

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  31. Amiga MC:
    Vai lá às definições e obriga a que os comentadores estejam registados no blogger. Pelo menos sempre sabes qual anónimo é qual.
    Beijos

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  32. on,

    o jardim está muito bem e recomenda-se.

    Com as chuvas vêm algumas pragas mas nada que tire o sono à jardineira.

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  33. laura,

    não tenhas ciúmes. A Zazie (que é uma rapariga entendida nestas coisas)disse no outro dia, que homem bom é farto em comentários. Este já se viu que é. Chega para as duas.

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  34. anónimo que citou o Cardeal Patriarca, diga-me em que é que ele contradiz o que eu disse.

    A doutrina social da Igreja não propõe nenhum modelo social - dá orientações para uma sociedade sem excluídos, mais justa e mais fraterna.

    Os cristãos, que são sociedade também, devem ser coerentes com a fé que professam.

    É o que ele diz e é o que eu digo.

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  35. lino,

    não vale a pena. isto passa.

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  36. Se voce não quer ver não veja.

    O MC voce disse:

    ("A Igreja Católica um modelo social" e já agora, imutável desde os primórdios, até ao término dos tempos.
    Como é que a Igreja pode ser um modelo social, aplicável nos cinco continentes, com realidades sociais tão diversas? E o modelo é o mesmo após revolução industrial e modernidade (ou pós-modernidade como se diz dos tempos actuais)?
    Como é que é possível impor um modelo social, quando os católicos estão inseridos numa sociedade plural (e globalizada, também se pode dizer)?!
    Nem os burocratas do Vaticano, defendem tal.
    Defender uma coisa destas é que é ser inimigo da Igreja. Depois venham-me falar das minhas incerências.
    Isso seria transformar a Igreja Católica num gueto.
    Coisa mais ateia do que isto, não consigo imaginar.”)

    E a helena bateu palmas acrescentando:

    (“Socorro, anda aqui um esquizofrénico à solta!
    ;-)
    MC,
    de acordo: a Igreja não é um modelo social e a Fé é para ser vivida, em vez de andar a ser distribuída em forma de acusações vindas de anónimos”)

    Compare com o que eu transcrevi nisto, e veja o que voces disseram querendo me atingir. Atinge igreja e os seus representantes isso sim.

    (“Seminário de Verão da Associação de Estudos Europeus da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra

    Conferência de Abertura pelo Cardeal Patriarca de Lisboa

    “Que modelo social para o desenvolvimento?”

    A natureza da Doutrina Social da Igreja

    A fé cristã inspira uma existência cristã, um modo de conceber e viver a realidade. Desde o Novo Testamento é claro que à fé confessada, deve corresponder a fé vivida nas obras, isto é, nos comportamentos. “A fé sem obras é morta”. O testemunho cristão exprime-se tanto na confissão de fé, como nas obras da fé. Quer isto dizer que a fé cristã sugere e fundamenta uma moral, isto é, uma maneira de interpretar a realidade e de agir. A fé é um desafio contínuo à inteligência e à liberdade. ..............

    A expressão “doutrina social da Igreja” só aparece no Pontificado de Pio XI, designando esse vasto corpo doutrinal sobre a sociedade e o cristão na

    sociedade.......................
    Do ponto de vista epistemológico, a doutrina social da Igreja não é uma ideologia, não se situa no âmbito de qualquer ciência política. Situa-se, antes, no âmbito da Teologia e, concretamente, da Teologia moral, apesar da expressão mais abundante desse corpo doutrinal ser constituído pelo Magistério, sobretudo desde o Pontificado de Leão XIII. Os seus primeiros destinatários são os cristãos e o seu agir na sociedade..............

    Não competindo à Igreja hierárquica conduzir os destinos da sociedade, intervindo na política e nos sistemas económicos, nem sequer propor sistemas económico-políticos, este seu ensinamento é uma expressão da profecia, Com a sua doutrina social, a Igreja não persegue fins de estruturação e organização da sociedade, mas de apelo, orientação e formação das consciências..................
    Etc etc etc

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  37. ja agora se quiser o texto integral

    Seminário de Verão da Associação de Estudos Europeus da Faculdade de Direito da Universidade
    de Coimbra
    Conferência de Abertura pelo Cardeal Patriarca de Lisboa
    “Que modelo social para o desenvolvimento?”
    Introdução
    Foi-me pedido que fizesse uma introdução geral ao tema do vosso Colóquio. Ele supõe, a meu ver, uma dimensão doutrinal sobre o conceito e natureza do desenvolvimento, da pessoa e das sociedades, e outra mais da ordem das políticas a aplicar e dos modelos de sociedade a desenvolver. Ao pedir-me a mim esta introdução, prevejo que esperais que o faça à luz da doutrina da Igreja sobre o homem e a sociedade, a que vulgarmente chamamos “doutrinal social da Igreja”, rica e abundante na dimensão doutrinal, menos concreta na proposta de política e definição de modelos de sociedade, porque a Igreja considera não ser essa a sua missão directa, embora os sugira, pois fazer doutrina sobre realidades concretas e dinamismos históricos inclui a sugestão de caminhos concretos.
    A natureza da Doutrina Social da Igreja
    A fé cristã inspira uma existência cristã, um modo de conceber e viver a realidade. Desde o Novo Testamento é claro que à fé confessada, deve corresponder a fé vivida nas obras, isto é, nos comportamentos. “A fé sem obras é morta”. O testemunho cristão exprime-se tanto na confissão de fé, como nas obras da fé. Quer isto dizer que a fé cristã sugere e fundamenta uma moral, isto é, uma maneira de interpretar a realidade e de agir. A fé é um desafio contínuo à inteligência e à liberdade.
    Assim, desde o início, no ensinamento da Igreja, na catequese, na pregação, no Magistério e na Teologia está presente esta dimensão existencial prática da vivência cristã. Como na Igreja impera o valor da tradição, isto é, da perenidade dos ensinamentos da Igreja em que as dimensões perenes permanecem de geração em geração, foi-se, assim, constituindo um vasto corpo doutrinal sobre as exigências da vivência dos cristãos em sociedade. Estes valores perenes permanecem, pois radicam no mistério de Cristo e do seu Evangelho. O que muda é a realidade da sociedade, desafiando a novas concretizações dessa inspiração fundamental. A sua essência é sempre a iluminação da realidade e das consciências dos cristãos com a luz de Cristo e da Sua Palavra. A expressão “doutrina social da Igreja” só aparece no Pontificado de Pio XI1, designando esse vasto corpo doutrinal sobre a sociedade e o cristão na sociedade.

    Do ponto de vista epistemológico, a doutrina social da Igreja não é uma ideologia, não se situa no âmbito de qualquer ciência política. Situa-se, antes, no âmbito da Teologia e, concretamente, da Teologia moral, apesar da expressão mais abundante desse corpo doutrinal ser constituído pelo Magistério, sobretudo desde o Pontificado de Leão XIII. Os seus primeiros destinatários são os cristãos e o seu agir na sociedade.

    Embora situando-se no âmbito epistemológico da Teologia, apresenta-se com uma forte componente multidisciplinar e mesmo interdisciplinar. É notório, antes de mais, o contributo da filosofia que fornece à doutrina social um quadro de pensamento e de análise, como os seus conceitos basilares: a pessoa, a sociedade, a liberdade, a consciência, a ética, o direito, a justiça, o bem comum, a solidariedade, a subsidiariedade, e a própria racionalidade da visão cristã da sociedade2. Mas sente-se, igualmente, a influência de outras ciências, como a sociologia e a análise social, a economia, a política, o direito. Esta componente multidisciplinar faz com que a doutrina social da Igreja possa ser acolhida, não apenas pelos católicos, mas por outros intervenientes na sociedade que reconhecem a Igreja como voz autorizada nos problemas da humanidade: “perita em humanidade”, lhe chamou Paulo VI no seu discurso nas Nações Unidas.



    Não competindo à Igreja hierárquica conduzir os destinos da sociedade, intervindo na política e nos sistemas económicos, nem sequer propor sistemas económico-políticos, este seu ensinamento é uma expressão da profecia. Esta doutrina é expressão da missão profética da Igreja. E nesta qualidade, ela assume as duas expressões fundamentais da profecia: o anúncio e a denúncia. “Em primeiro lugar, o anúncio do que a Igreja tem de próprio: uma visão global do homem e da humanidade. E isto não só ao nível dos princípios, mas também ao nível da prática. A doutrina social, com efeito, não oferece somente significados, valores e critérios de juízo, mas também as normas e as directrizes de acção que daí decorrem. Com a sua doutrina social, a Igreja não persegue fins de estruturação e organização da sociedade, mas de apelo, orientação e formação das consciências”3.
    Mas é também denúncia. “A doutrina social da Igreja comporta também um dever de denúncia, em presença do pecado: é o pecado de injustiça e de violência que de vário modo atravessa a sociedade e nela toma corpo. Tal denúncia faz-se juízo e defesa dos direitos ignorados e violados, especialmente dos direitos dos pobres, dos pequenos, dos fracos, e tanto mais se intensifica quanto mais as injustiças e as violências se estendem, envolvendo categorias inteiras de pessoas e amplas áreas geográficas do mundo, e dão lugar a questões sociais, ou seja, a opressões e desequilíbrios que conturbam as sociedades. Boa parte do ensinamento social da Igreja é solicitado e determinado pelas grandes questões sociais, de que quer ser resposta de justiça social”4.


    A inspiração perene do Evangelho ao ritmo das mudanças da história

    A harmonia intrínseca deste corpo doutrinal não foi decidida à partida; é antes uma verificação de um longo período de Magistério. Sempre iluminada pela visão cristã do homem e da sociedade, a Igreja interveio a propósito dos grandes problemas concretos da sociedade, em cada tempo histórico, de tal modo que, ao analisar essas intervenções durante um longo período, identificamos a mutação da sociedade e a evolução dos seus problemas.
    Temos de reconhecer que com o Pontificado de Leão XIII, finais do séc.º XIX, se inicia um período particularmente significativo, constitutivo dos principais elementos deste corpo doutrinal. Mantém-se na continuidade ininterrupta da doutrina cristã sobre a sociedade, mas corresponde a uma profunda mutação cultural e de transformação de civilizações, ainda hoje em curso. A primeira Revolução Industrial, alterou dados primordiais da civilização: as relações do homem com a natureza, o sentido humano do trabalho como intervenção do homem, aperfeiçoando a criação. “Os acontecimentos ligados à Revolução Industrial subverteram a secular organização da sociedade, levantando graves problemas de justiça e pondo a primeira grande questão social, a questão operária, suscitada pelo conflito entre capital e trabalho”5. As relações entre o capital e o trabalho, a defesa de massas gigantescas de trabalhadores explorados, tornam-se um desafio premente: é preciso, na nova ordem, lutar pela justiça, por uma ordem social justa. Todas as forças intervenientes têm responsabilidades, cooperando nessa nova ordem social justa.



    As alterações sociais e culturais, provocadas pela Revolução Industrial, geram problemas novos na primeira metade do séc.º XX. Depois da euforia da “belle-èpoque”, em que novos ricos e novos modelos de riqueza ocupam o palco, as guerras são um traumatismo colectivo. As novas tecnologias voltam-se contra o homem e são utilizadas ao serviço da guerra. A crise económica de 1929, em que os problemas da industrialização são agravados com a especulação financeira dos mercados de capitais e a influência dos grupos financeiros. Implantam-se em toda a Europa regimes totalitários, agrava-se a luta de classes, ideologias de sinal contrário dominam a política europeia. A doutrina da Igreja procura orientar os cristãos neste quadro preocupante e sombrio. O tema da paz entra definitivamente na doutrina da Igreja, apresentando-a como indesligável da justiça e fruto do desenvolvimento. Condenam-se ideologias e regimes totalitários, afirmando o princípio da solidariedade, promovendo a ideia de uma sociedade com dimensão comunitária, e o da subsidiariedade, redimensionando o papel dos Estados e afirmando a construção da sociedade como fruto do contributo de todos, pessoas e organizações. Defende-se o direito de associação dos trabalhadores, parceiros indispensáveis de uma sociedade justa. Se no tempo de Leão XIII os temas mais focados são o proletariado, a defesa dos trabalhadores e as relações entre o capital e o trabalho, nos pontificados de Pio XI e Pio XII, acentua-se sobretudo a dimensão comunitária da construção da sociedade, único modelo que respeita e valoriza a dignidade do homem enquanto protagonista da sua história. Fala-se do dinamismo comunitário das empresas, perspectiva que só mais tarde será assumida e desenvolvida pela teoria das organizações. Condena-se o comunismo, cuja ideologia nega o justo exercício da liberdade e da participação e em que o poder absoluto do Estado acaba por destruir a participação dos cidadãos.
    Mas refuta-se igualmente o liberalismo radical em que a liberdade económica compromete as outras expressões da liberdade e cria clima propício à revolução como busca de soluções. É claro que, neste período, é a sociedade como um todo, os seus conflitos, os caminhos de solução, que ocupa o centro da doutrina social da Igreja.



    Com João XXIII e o Concílio Vaticano II inicia-se um novo período. A questão social, muito sentida na Europa nos períodos anteriores, universaliza-se. A denúncia do colonialismo e o seu fim, com a emergência de novos países, traz para a ribalta a importância da ordem internacional e do sentido da responsabilidade de todos para com todos. O tema da justiça e da paz, estão ligados ao desenvolvimento dos povos; há uma única “família humana” e o bem comum é universal. O tema da comunidade volta a estar em primeiro plano, nas duas Encíclicas de João XXIII, a “Mater et Magistra” e a “Pacem in Terris”. Distingue-se socialismo e socialização: aquele é uma ideologia e a proposta de um modelo político; esta é o objectivo de uma humanidade solidária, com igualdade de direitos e em que os bens da terra têm um destino universal.
    Na Gaudium et Spes, a doutrina sobre a sociedade ganha uma amplitude e uma envolvência até então nunca expressa. A Igreja e a humanidade aparecem unidas, nas alegrias e sofrimentos, num destino comum a construir. A Igreja redescobre, no contexto do drama do mundo contemporâneo, o sentido da sua missão no mundo. Jesus Cristo aparece como a chave da solução do drama humano e n’Ele a Igreja só pode olhar o mundo com esperança. É mesmo convidada a ler no conjunto do drama humano sinais de esperança. O assento é posto no mistério do homem e da sua dignidade. “A Gaudium et Spes aborda organicamente os temas da cultura, da vida económico-social, do matrimónio e da família, da comunidade política, da paz e da comunidade dos povos, à luz da visão antropológica cristã e da missão da Igreja. Tudo é considerado a partir da pessoa e em ordem à pessoa: única criatura sobre a terra a ser querida por Deus por si mesma. A sociedade, as suas estruturas e o desenvolvimento não podem ser queridos por si mesmos, mas para o progresso da pessoa humana. É a primeira vez que o magistério solene da Igreja, no seu mais alto nível, se exprime tão amplamente acerca dos diversos aspectos temporais da vida cristã: deve reconhecer-se que a atenção da Constituição às mudanças sociais, psicológicas, políticas, económicas, morais e religiosas estimulou cada vez mais, nos últimos vinte anos, a preocupação pastoral da Igreja com os problemas dos homens e o diálogo com o mundo”6.



    O tema central deste período é, sem dúvida, o desenvolvimento dos povos, cujo ritmo deve ser marcado pelo desenvolvimento integral da pessoa humana. Não basta ter mais, é preciso ser mais; só assim o desenvolvimento “será o novo nome da paz”. Acentua-se a responsabilidade dos países ricos em relação aos países pobres, chamados em “vias de desenvolvimento” e a responsabilidade dos antigos colonizadores em relação às nações emergentes. O problema da pobreza, à escala mundial, continua a ser um espinho cravado na consciência do mundo, problema incontornável em termos de civilização. Ele não se resolve só na atitude assistencial de distribuição, mas supõe políticas coordenadas que levem as verbas investidas a promover o desenvolvimento dos povos. A esta luz, são retomados todos os grandes temas anteriores, no contexto global do mundo visto como um todo, onde a justiça e a paz só se consolidarão numa “civilização do amor”. O trabalho, a empresa, a responsabilidade dos políticos, a competência e o sentido de serviço, a colaboração e a solidariedade, ganham uma densidade nova num contexto alargado. Acentua-se a consciência de uma responsabilidade global, de todos para com todos. Fala-se de uma sociedade “post-industrial”, não porque a industria tenha deixado de existir, mas porque esta perspectiva global chama a atenção para problemas como as tecnologias da informação, a preservação do planeta, casa comum da humanidade. Tem-se mais consciência dos atentados contra o futuro, do homem e do Universo.


    O desenvolvimento torna-se tema nuclear

    A afirmação de Paulo VI “o desenvolvimento é o novo nome da paz”, mostra bem como tudo converge para este desafio da humanidade. Não se trata, apenas, de progresso económico e de bem-estar material, mas da plena realização do homem e da sociedade: “desenvolvimento integral do homem e desenvolvimento solidário da humanidade”. O desenvolvimento é “a passagem de condições menos humanas a condições mais humanas”. Esta passagem não está circunscrita às dimensões meramente económicas e técnicas, mas implica para cada pessoa a aquisição da cultura, o respeito pela dignidade dos outros, o reconhecimento dos valores supremos, e de Deus que é a origem e o termo deles. O desenvolvimento favorável de todos responde a uma exigência de justiça à escala mundial que garanta uma paz planetária e torne possível a realização de um humanismo total, orientado pelos valores espirituais”7.
    A doutrina sobre o desenvolvimento tem sempre, como pano de fundo, não uma mera posição doutrinal teórica, mas situações concretas da humanidade, dramáticas e preocupantes. A própria doutrina é um existencial histórico, é uma forma de intervenção no concreto, tem a marca do profético. Assenta num alicerce antropológico, na compreensão da pessoa humana e da sua dignidade sagrada a promover e respeitar. É esta visão antropológica que nos apresenta o homem como um ser essencialmente solidário e co-responsável. A sociedade digna do homem só pode ser fruto do diálogo e da colaboração co-responsável de todos, a que se chamou democracia. Uma sociedade solidária comporta diferenças, mas não injustiças, sejam elas expressas na relação de cada homem com o seu semelhante, nas relações do Estado com a sociedade, do capital com o trabalho, ou nos mecanismos do mercado. O dilema das sociedades é vencer estas injustiças, implementando valores ou recorrer à revolução e à violência, que acabam por não contribuir para o verdadeiro desenvolvimento. A doutrina da Igreja sobre o desenvolvimento é uma condenação clara de toda a violência, e uma desconfiança quanto à revolução como caminho de progresso.



    A doutrina da Igreja sobre a sociedade é inseparável da dimensão escatológica da história, ou seja, de uma meta-história ou, em linguagem mais comum, da vida eterna, e da relação dinâmica entre estas duas fases da vida e da história. Não é definitiva a experiência presente, o que faz da esperança uma força dinamizadora da história.
    Esta perspectiva dá importância primordial à dimensão transcendente do homem e à sua interdependência com Deus, o que faz da liberdade de consciência e da liberdade religiosa as mais nobres concretizações do respeito pela liberdade. Num tempo de quase universalização dos diversos ateísmos teóricos e práticos, estão por demonstrar as suas consequências no progresso da civilização.

    Supondo inevitavelmente uma visão antropológica, o desenvolvimento exige valores, isto é, dinamismos éticos, que são desafios à liberdade, para se consolidar como verdadeiro desenvolvimento humano. Refiro apenas os principais, irrenunciáveis na visão da Igreja, sobre o progresso da sociedade: a dignidade da pessoa humana e o carácter sagrado da vida; a igual dignidade de todos os seres humanos, independentemente do sexo, da raça, da cor, da religião; o valor da liberdade e da sua relação com a verdade; a vocação solidária e comunitária do ser humano, onde sobressai a família como comunidade primordial; o direito aos bens da terra, cujo destino é universal; o direito à expressão da própria criatividade, contribuindo, cada um, para o bem de todos; o direito ao trabalho; o direito a construir a própria felicidade.

    Estes valores estão impressos no código genético da humanidade, constituem aquilo a que poderíamos chamar um “universal humano”, património de uma “lei natural”, antes de qualquer outra lei, religiosa ou civil. O cultivo destes valores acontece no seio das culturas e do seu aprofundamento, para o qual contribui a dimensão religiosa, o que torna a cultura um dado decisivo no desenvolvimento, e o acesso a ela um direito fundamental. É preciso não esquecer que as culturas podem aprofundar-se ou regredir, ameaçando o equilíbrio básico da harmonia da sociedade.

    Neste processo de mutação cultural, sempre em curso, é importante equacionar, de modo equilibrado, as relações entre religião e culturas. A história da humanidade mostra que as religiões tiveram grande influência no caldear das culturas, mas a religião não é o único elemento constitutivo das culturas. Em casos como o da cultura chinesa é claro que o elemento mais importante foi uma filosofia moral. A religião concretiza-se, espontaneamente, em moral, e a fé torna-se cultura. Esta, por sua vez, enriquece e interpela a fé religiosa, oferecendo-lhe o quadro da sua inteligibilidade e racionalidade.

    Hoje está na moda falar de conflito de civilizações. Penso que para as culturas, integrando as religiões, no seu contributo positivo para a realização do homem, é mais natural convergirem do que entrarem em conflito. Este é, normalmente, o fruto de outros elementos que não são plenamente assumidos pelas culturas e pertencem ao domínio da “anti-cultura”, fruto de egoísmos pessoais ou grupais. O diálogo inter-cultural é, hoje, muito importante para o desenvolvimento a nível global.


    Um modelo social para o desenvolvimento?

    Um “modelo social” não pode ficar prisioneiro de modelos económicos, concepções do Estado e sua relação com a sociedade, mesmo com modelos de democracia política. Tem de ser flexível e universal, de modo a inspirar todas as formas práticas de organização da sociedade. Tem de assentar em valores primordiais, autênticos imperativos éticos, a conduzir a alma dos povos. Sempre que aqueles valores fundamentais não são respeitados, introduzem-se na vida social traumatismos, que não contribuem para que o desenvolvimento seja o novo nome da paz.
    No mundo contemporâneo, o desenvolvimento supõe competência, lucidez de análise, ousadia e criatividade inovadora na invenção dos caminhos a seguir. Mas supõe, sobretudo, um ideal, uma mística a comunicar às gerações mais jovens em vez do desânimo e pessimismo que lhes transmitimos. Este ideal só pode ser espiritual, porque assente na generosidade, na alegria de dar as mãos, na confiança de que não há obstáculos intransponíveis e que o futuro positivo da humanidade está garantido em Jesus Cristo.


    Coimbra, 9 de Julho de 2007


    † JOSÉ, Cardeal-Patriarca

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  38. so para ver então a discordancia,
    o senhor cardeal não faz a apologia do divorcio, do aborto, de quaisquer anticonceptivos, da eutanasia dos casamentos homosexuais.

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  39. está apaixonado.

    Mantem-se anónimo.

    será PADRE?

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  40. Laura,

    não sejas tímida. Eu não precisava. Mas tu...acho que sim.

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  41. :)
    MC,
    Quem está a ser tímida, agora?
    Homens, só para a procriação, como manda a santa madre igreja.
    Mas os eclesiásticos sempre exerceram sobre as mulheres um fascínio muito especial.
    Suponho que o nosso anónimo me mandava prender por menos do que isto.

    Com algemas?

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  42. Ena o que por aqui vai com estas mulheres, já passo por apaixonado, sera platonico? Não, Isso é uma caracteristica da idade, por padre, ate pela inclinação para algemas.
    Não, Eu não mereço.

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  43. Meu labregozito,
    um imbecil que quer prender as pessoas pelas suas opiniões só tem direito à ponta de um sapato. Não te excites muito senão vais ter de te satisfazer sózinho. E isso é pecado.

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  44. Era o que eu pensava, tanta imbecilidade a dedicar-me atenção eu não mereço. meu deus.

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  45. Laura,

    o teu comentário está um bocadinho confuso. Não admira...a tenra idade.

    "Homens só para a procriação". Não te esqueças (ou caso não o saibas)para a Igreja Católica, sexo só para procriação.

    Isto fez com que as mulheres (embora seja também algo que vem nos genes para perpetuação da espécie), escolham um homem que seja sobretudo um bom pai para os filhos. O mesmo se deu com gerações e gerações de homens. Tinham a mulher "séria" e boa mãe em casa, e a(s) outra(s) para a rambóia.

    É claro que num panorama destes, as mulheres usassem a igreja como "tubo de escape" e inerente vinha a actracção pelo padre. Coisa que também lhe servia muito bem a ele, porque não tinha direito a mais nada. Gerava-se uma certa tensão no ar que dificilmente iria mais longe. Porque só vivia e se alimentava de duas fugas em frente.

    Os homens vem se queixavam que as mulheres passavam muito tempo na igreja, mas desde que tivessem os filhos alimentados, a roupinha tratada e a comidinha na mesa...estava-se bem.

    Mas isto era antigamente. Agora há os blogues. E quem não tem uma boa foda (ai o inferno)em casa (tem cuidado com eles), chateia beatas em jardins.

    Já me disseram cá em casa que tenho de mudar o nome a isto. Passar a ser "jardim proibido" em vez de jardim de luz.

    É que tu e o anónimo não tarda nada estão pegados.
    Como diz por aí outro anónimo "ele não quer, mas não sai."

    E eu sou tímida porquê?

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  46. E continuam a referir-me, eu não sabia que os blogs eram locais de engate se calhar são, para os necessitados, (imbecilidade minha não ter feito um manifesto de intenções no inicio já que as pessoas parece que não sabem interpretar), e não confronto de ideias, quando as pessoas são adultas. Essa da mulher beata e da mulher amante gostei, mas voces vivem de estereotipos como ja tinha reparado, Por uma ou outra situação ser assim tiram logo uma regra, como cientistas são péssimas. Eu bem digo, e ainda por cima são insensiveis ao toque, quanto mais ao resto. Acontece-me cada uma.

    Sem direito a contraresposta

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  47. MC,
    não vale a pena estar a discutir essas coisas aqui. Só estava a mostrar ao labreguito que não intimida ninguém. Ele lá diz que não dá direito a contra resposta. A verdade é que mal pode esperar por uma. Agora que cheirou o prazer do sexo, não se consegue ir embora.

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