2008-06-16

Masturbação


Eis o centro do corpo
o nosso centro
onde os dedos escorregam devagar
e logo tornam onde nesse
centro
os dedos esfregam - correm
e voltam sem cessar

e então são os meus
já os teus dedos

e são meus dedos
já a tua boca

que vai sorvendo os lábios
dessa boca
que manipulo - conduzo
pensando em tua boca

Ardência funda
planta em movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde

E todo o corpo
é esse movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde

E todo o corpo
é esse movimento
em torno
em volta
no centro desses lábios

que a febre toma
engrossa
e vai cedendo a pouco e pouco
nos dedos e na palma


Maria Tereza Horta
imagem- Tamara Lempicka

3 comentários:

  1. Bonito poema da Teresa Horta. A Tamara Lempicka (ou a modelo dela?) vestiu-se de freira para o perfume da Ana Salazar? ):
    Beijos

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  2. és um rapaz esperto, lino. :)

    mas eu conto porque é que esta gente entrou no jardim.

    Hoje fui a Lisboa. De à dois anos para cá, assim que passo as portagens do Bombarral, entro em apeneia. Só volto a respirar assim que torno a vê-las em sentido contrário. Este efeito tem repercussões à priori e a posteriori. Ontem já estava a ficar "apanhadinha". :)
    Vou sempre de "expresso", enquanto espero o autocarro vou observando as pessoas que lá circulam. Vejo sempre umas freiras, que mudando a cor do fato, o efeito é sempre o mesmo: gente envergonhada de ser mulher.
    Chego a Caldas e que vejo eu? Um poster igual a este numa montra. Uma aparição!!! Vê-lo e amá-lo foi obra de um minuto. Cada vez gosto mais da minha terrinha. E desgosto de Lisboa, sorry... :(

    Se encontrasse uma freira assim, pedia-lhe um pouco de silêncio... :) (meu deus, hão-de vir padres ler isto)

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  3. até me esquecia dos teus beijos...também para ti. :)

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