2008-06-16

Moral sexual


Para bem compreendermos e melhor nos situarmos, há que saber um pouco de história.Toda a moral sexual católica foi 'construída' no pressuposto de que só o homem é que é 'activo' na procriação: só ele é que tem a 'semente' que, uma vez depositada no terreno fértil da mulher, dá um novo ser. O homem, tem, assim, 100% de 'responsabilidade'. O sémen é 'sagrado' porque é o princípio de vida. Nunca se imaginava que o homem fosse infértil. Se não havia filhos, era porque a mulher, e só ela, era infértil.Daí nasceu a doutrina de que, tudo o que interrompesse o 'ciclo vital' da fecundação era pecado grave. Assim como era pecado grave a masturbação ou o uso de preservativo, ou a pílula (ela tornava o 'terreno' infértil). Tudo o que se referisse ao sexo era considerado de 'matéria grave'.Todos sabemos como a ciência evoluiu enormemente. Sabemos que o homem e a mulher têm 50% de 'responsabilidade' cada um. E sabemos muito mais coisas que não se sabiam anteriormente. Hoje até já sabemos que nem tudo o que diz respeito ao sexo é pecado grave. A ciência ajudou-nos a ter consciência disso mesmo.O grande problema da Igreja está em ter dificuldade em 'sair' do princípio pelo qual re tem regido até hoje. É que, ao sair, terá de 'reconstruir' todo o edifício da moral sexual, construído até hoje. Mas lá chegará. Pode levar algum tempo, mas acabará por acontecer. Assim como hoje já ninguém é capaz de acusar de pecado grave alguém que se suicide (a psicologia diz-nos que essa pessoa que atenta contra a vida está doente; e eu ainda sou do tempo em que não se dava funeral religioso a um 'suicida').Talvez eu não tenha sido capaz de esclarecer nem que seja um pouco. Mas, se soubermos história, isso nos levará a não sermos "mais cristãos que Jesus Cristo". E isto não é relativismo. Mas sim ter a noção da realidade do que somos e do que são as instituições humanas (e que, por isso, também são divinas).


O migalhas escreveu este óptimo comentário no Confessionário

Sem comentários:

Enviar um comentário