2008-07-27

coitadinha da classe média: façam uma ONG para a proteger|

O senhor Alberto Gonçalves, sociólogo, acha que a pobreza é um desporto. E se é pobre porque se quer. Até pode ser, algumas vezes. Mas não o é para a maioria das situações.
Pode fazer-se demagogia à vontade com uns ciganos na Quinta de Fonte, mas isso não esgota o problema da pobreza.


"E não admira que muitos dos necessitados passeiem o relativo conforto que boa parte da classe média não possui. Depois de perder o salário a pagar a casa em que vive e os impostos a financiar as casas em que os necessitados vivem, a classe média não fica abonada. O exercício designa-se por justiça social e, confinado aos aglomerados dos subúrbios e aos gabinetes da administração pública, convém que passe despercebido ao mundo exterior. De vez em quando, como na Quinta da Fonte ou no Aleixo, os frutos da justiça social transbordam um bocadinho e o mundo contempla a redistribuição na sua glória plena. Suspeito que o mundo não gosta do que vê."

7 comentários:

  1. O AG não é flor que se cheire e "cheira-me" a que se enganou no nome do partido que cita. Mas não deixa de ter alguma razão. A nossa sociedade, que era composta sobretudo de classe média, é cada vez mais parecida com o quinto mundo: ricos cada vez mais ricos e todos os outros a caminhar para a probreza.
    Beijos.

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  2. lino,

    claro que estou a provocar q.b.. As coisas não se resumem assim, num título de post.

    E a construção de bairros sociais, também é capaz de não ser a política mais correcta para que os cidadãos tenham acesso a habitação digna.

    Combater a pobreza tem de ser um esforço em várias frentes. Sendo a primeira (quanto a mim) a da educação. Mas como é que se educa se as pessoas não têm o mínimo para subsistir? É a pescadinha de rabo na boca.

    Agora, irrita-me seriamente, quererem investigar um beneficiário do Subsídio de Reinserção Social, só porque tem telemóvel, e a investigação ao Banco do sr jardim Gonçalves deu no que deu. E é irmos por aí fora.

    Hoje atendi um senhor (cidadão português) que me dizia:"Prefiro pagar e não vir a precisar do que o contrário". Uma pessoa que ganha pouco mais que o ordenado mínimo nacional. Mas isto é raro. Uns só querem receber e nunca pagar. E outros; "cada um que se desenrasque", o famoso sistema liberal.

    beijos :)

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  3. “quererem investigar um beneficiário do Subsídio de Reinserção Social, só porque tem telemóvel”

    Não, não é por só ter telemovel é por ter telemovel, plasmas, computadores electrodomesticos, rendas simbolicas, bons carros. E apesar disto tudo, não pagar impostos, irs, iva, rendas, que segundo números ja atingem milhares de euros etc. etc. etc.. então quem paga todas estas benesses? Os ciganos são feirantes, tudo o que vendem na feira é sem recibos, sem iva, sem irc, sem declaração as finanças, quando muito pagam uma licença camararia pela ocupação do espaço na feira, depois também são traficantes de armas e de droga. A quem foram apreendidas a maior parte das armas? Quem vimos nos nas tv´s em pose de disparo? Tem acesso a rendimentos minimos garantidos, a saúde pública e tudo o mais, mas não contribuem para isso com nada para a sociedade. Coitaditos são vitimas da sociedade que os põe em guetos e lhes da casas em bairros sociais, (que eles depois destroiem para dizer que não tem condições de habitabilidade, e querem umas casas novas como algumas imagens da quinta da fonte demonstraram com paredes interiores derrubadas, aquilo não foram tiros, aquilo foram bazucas, a sociedade que lhes arranje já casas novas, e quem conserta aquelas destruidas? O erário público concerteza). Apesar de condenados muitas vezes por marginalidade continuam a receber rendimentos minimos. Quem paga estas benesses para os pobres? A classe media e alta, pois se não fosse ela os pobres são tão pobres que nem tem rendimentos para atingir escalões em que a obrigatoriedade da quotização seja digna desse nome.

    Antes de se lamentar com a triste sina de alguns e a vitimização, eduquem-nos a ser cidadãos como nós, a procura e compra de casa, no acesso a crédito bancário, no aprender a usar a casa, na ajuda a encontrar emprego, uma pessoa onde encontra ciganos empregados, contam-se pelos dedos, na ida das crianças à escola, no pagamento de impostos pois beneficiam de protecção social para a qual não contribuem, em por de lado o ajuste de contas e resolução de conflitos pela violencia entre eles.

    Enfim isto só para referir a quinta da fonte mas se querem combater a pobreza financiando-a com impostos ( concordando eu com a redestribuição por esta via, mas não com o exagero de subsidios para toda a vitimização sem qualquer criterio e selecção ) sobrecarregndo quem ja sustenta o sistema, eu estou mesmo disponivel para isso.

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  4. caro anónimo,

    não quero "branquear" ninguém. Existirão, decerto, situações anómalas nos destinatários dos subsídios. Há pessoas no terreno para fazerem a devida fiscalização. Por acaso, era interessante termos números dos valores atribuídos. Para fazer comparações com outros gastos do Estado.

    Há imprecisões naquilo que diz. Para ser feirante é necessária a inscrição na respectiva repartição de Finanças. Qualquer Autarquia minimamente organizada, não promove mercados, sem que os vendedores sejam inscritos com actividade comercial. Para ser atribuido o respectivo cartão de feirante têm de fazer prova disso. Se o resultado do exercício são apenas prejuízos e não lucros, sabemos todos que não é situação exclusiva dos indíviduos de etnia cigana.

    Têm armas? parece que têm. apreendam-nas. comerciam droga? também. estão obrigados às mesmas leis dos restantes cidadãos.

    Quinta da Fonte: não é um reduto de seres celestiais. Pelo menos alguns. Mas aproveitar isso para legitimar o "cada um governe a sua vidinha".

    Sabemos que o Estado precisa dos impostos dos que os podem pagar para, entre outras coisas, apoiar os mais desprotegidos socialmente.

    Não chega isto para erradicar a pobreza. É preciso trabalhar outras vertentes. Fala da educação, mas isso não se consegue à força, nem segundo os nossos tempos. Tem de se respeitar o ritmo das pessoas. Ou eles, por serem pobres, não têm esse direito?

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  5. (“Fala da educação, mas isso não se consegue à força, nem segundo os nossos tempos. Tem de se respeitar o ritmo das pessoas. Ou eles, por serem pobres, não têm esse direito?”)

    So para esclarecer um ultimo pormenor, mercados não são feiras ambulantes.

    Mais um pormenor, na minha cidade a integração foi tentada por contágio, não deu.

    Fizeram ai por lisboa uma manifestação com “personalidades importantes” Victor melicias, Maria barroso etc etc, assim citando só estes porque me ficaram na memoria, para haver paz no bairro, suponho que nenhuma dessas personalidades vive ou escolheria viver, mas isto sou eu a supor, em semelhantes companhias e porque? Vou dar o exemplo da minha cidade.

    Voce havia de ter por exemplo, vizinhos ciganos, e não quero com isto dizer que não haja um ou outro exemplo que funcione, a regra é que não funciona, a excepção talvez, se vivesse num prédio, como eu conheci inquilinos desses, cidadãos não ciganos, que tem o seu emprego e a sua vida “normal”, e em que a camara numa de integração, na boa, pensando como muita gente, nos seus critérios de humanidade, achando que a integração se dava melhor se pequenos núcleos familiares fossem inseridos na sociedade aprendendo assim os hábitos sociais da maioria por contágio com os outros vizinhos, e fossem perdendo os maus habitos proprios da comunidade de onde eram procedentes, e que se opunham a integração, era melhor do que manter um bairro só de familias ciganas onde nada mudaria a não ser o espaço fisico, mas em que este se transformaria de novo num territorio cigano, por isso, inseria x familias ciganas por predio, pagando-lhes a renda aos senhorios, comprando etc. Começou o pandemónio, acontece que a escolaridade é fundamental e isso leva gerações e os patriarcas ciganos não favorecem este aspecto educacional para as suas gerações mais novas, pois isso acaba também com o modo de ser cigano. As tantas da noite havia musicas, barulhos, sons, desacatos e quem tem que levar uma vida de cumprir horários de trabalho normais e não de feirantes, passadores, traficantes. levantar as sete ou oito da manhã, não pode dar-se ao luxo de passar a noite a ouvir isto. Vai dai dirigem-se a porta das tais familias “menos barulho fazem favor” “ que? mas que puta madre”. Pois é, não se respeita ninguém , nem a policia. A verdade é que a camara arrepiou caminho neste tipo de integração.

    Outra questão que não favorece a integração é que esses tipos de comunidade desvalorizam o mercado habitacional a volta. Eu li que ai na qunita da fonte algumas habitações tinham sido adquiridas em sistema de cooperativa, por pessoas que não tem nada a ver com essas etnias. Quando se falou que a camara ia ai instalar esssas comunidades, os proprietarios que puderam e não foram na cantiga da camara que negou tal pretensão venderam em tempo util e compraram noutro lado, os que ficaram acreditando nas promessas camararias não conseguem vender e tem que aguentar a má vizinhança, em italia passou-se um fenomeno semelhante o mercado imobiliario desvalorizou todo a volta.

    A acção fundamental é uma questão educativo / cultural, porque mesmo se se estabilizarem ou semi-estabilizarem, integrarem, muitos conservam uma cultura do movimento, itinerante. E isso dificulta e colide com a nossa estabilidade e ideal de ter tudo seguro, estável. Há uma componente nómada e muitos não querem mudar, criam conflitos intra-étnicos, o que obriga a que as famílias se desloquem sempre que há problemas. Como esta a acontecer ai pela quinta da fonte, com os recentes conflitos intra etnicos, os ciganos ja querem fugir dai e criam pretextos


    Ja agora um testemunho cigano


    Exmos Srs Jornal de Notícias

    Sou cigano de 30 anos, a frequentar o 2º ano de Direito na Faculdade Direito de Lisboa, e venho por este meio transmitir-vos uma pequena abordagem ao tema supra.

    Com efeito, para além de todas as dificuldades culturais, sociológicas e psicológicas que envolvem a realidade de uma criança diferente, existe mais concretamente a barreira que é o núcleo íntimo familiar que a circunscreve. Se um pai ou uma mãe não incentivarem ou se antes, desincentivarem o prolongamento dos estudos a uma criança, se lhe coarctarem a possibilidade de vir a ter sonhos próprios, se lhe concederem uma facilidade a curto prazo (que será a liberdade de não ter de estudar), se a chamarem a outros deveres, nomeadamente para com a cultura , família e trabalho, se souberem que poderão ser severamente discriminados, e se lhe mostrarem as dificuldades porque passam os "outros" e as consequências de se perderem anos a estudar até a uma idade adulta (p.e: 18, 20 anos), para se ter, depois, de enfrentar uma vida de semi-escravo às Ordens de Chefes e Patrões que imperam sem sentimento ou compaixão para com os subordinados, a quem tratam como inferiores em vez de semelhantes - sendo que geralmente,numa comunidade cigana, o que conta mais não é o Poder mas sim a Razão e os "Bons Costumes", e onde a honra, a vergonha e outros valores têm muito mais peso do que têm na sociedade actual, (irracionalmente fria de tão racionalmente virada para a Economia sobrevalorizada -com a perda dos valores liberais). Se havendo até uma alienação estúpida da sociedade, nesta luta desenfreada pela sobrevivência, em que uns "atropelam" outros, "lambem as botas", e adulteram com facilidades tremendas em nome de um pouco mais de "espaço e conforto" neste mundo, onde vivem vazias e sem sentido, perdidas cada vez mais, sempre à procura de mais conforto, vivendo cada vez mais frívolamente e carnalmente, chegando a uma desesperança tal que muitos acabam por ter de se medicar ou drogar, ou beber, ou abandonar o lar em nome da Liberdade que julgam alcançar, sem no entanto conseguirem outra coisa senão a entrega total à banalidade interior. Se, dizia eu, os miúdos se debaterem com isto, torna-se difícil quererem tentar ser Doutores. Ajudaria que se vez de nos descredibilizarem e rejeitarem enquanto pessoas válidas, aprendessem connosco "algo" para a vida.

    Eu tento, AINDA, alcançar o melhor dos dois mundos. (Tenho muitas mazelas).

    A ideia será, primeiro, incentivar os pais e depois, quando os professores falarem a mesma "língua" (entenda-se, transmitirem as mesmas convicções quanto à útilidade da escola), os filhos deixarão de ser paralisados ou asfixiados como o é um Border-liner, nas suas motivações pessoais.

    Mas a ideia em voga só será legitima intrínsecamente, quando a justiça se revelar. Quanto às críticas acima narradas, p.e.

    Se é verdade que os estudos podem ser uma excelente arma para a vida, podem também tornar-se numa grande decepção tendo em conta os sacrifícios que se fazem e o tempo que se perde em nome deles, e o caminho pouco são a que nos levam nesta selva desumanizada da sociedade laboral actual, que faz as pessoas viverem como meras imagens ocas, descaracterizadas, de auto-estima arruinada.

    Claro, não sou contra os estudos. Mas faço aqui a minha análise das dificuldades do cigano em ("querer") integrar-se em tal sociedade.

    Cordialmente,

    31/01/08
    VÍTOR SERRANO

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  6. eu referia-me a mercados e feiras ambulantes. Ninguém pode transportar qualquer produto sem a devida documentação e fim a que se destina. os produtores hortículas, por exemplo, têm de se fazer acompanhar com declaração da respectiva Junta de Freguesia a declarar que o são. Se não acontecerem estas duas situações, os bens são apreendidos, caso encontrem alguma brigada de fiscalização.

    Sou sensível a todas as situações que descreve. Eu já disse que não pretendia branquear nada. É um desafio muito grande a integração de algumas pessoas de etnia cigana. Mas é um esforço que se deve fazer.

    Sobre ciganos a fazerem barulho em prédios, também é coisa em que não têm exclusividade. Eu sou uma priviligiada que nunca vivi em nenhum. Mas sou sensível a essas situações.

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