2008-07-23

onde encontrar hoje o lugar da salvação?


Nota-se nos discursos da hierarquia católica, a preocupação pela nova configuração da Igreja. Se grandes acontecimentos/lugares de culto - Fatima, Lourdes, Santiago de Compostela, encontros mundiais da juventude - apresentam grandes concentrações de fiéis católicos, a fixação a uma paróquia/comunidade, vai sendo cada vez mais irregular. Até momentos celebrativos como baptizados, casamentos, primeiras comunhões, são cada vez em menor número.


O discurso da hierarquia da Igreja, é sempre a colocar os motivos , em causas externas à Igreja e em erros que encontram nas pessoas e no mundo. Se em alguns casos têm razão, não o terão em todos.

Também se tenta culpar sempre o tempo actual, como se o passado da cristandade fosse de igrejas cheias e práticas assíduas. A prática religiosa acompanhou sempre a história humana em que estava inserida. Hoje passa-se o mesmo.
Como canta José Mário Branco a partir de um poema de Luís de Camões:"...o tempo é composto de mudança...", não nos cabe, portanto, estar sempre a olhar o passado, mas compreender e aproveitar este tempo que temos.
O cristianismo acenta em duas bases que mutuamente se convocam - a dimensão pessoal da fé (relacionamento pessoal com Deus) e a comunitária. Nenhuma sobrevive sem a outra. Os locais onde se exercitam parece que estão a mudar. Não é mais o templo, nem o adro da igreja.

O teólogo Jean-Yves Leloup analisa e perspectiva de um modo diferente, para onde se podem encaminhar os passos da fé.

Doravante sabemos: todos os caminhos não levam mais a Roma, a Jerusalém ou à Meca... todos os lugares sagrados do Oriente e do Ocidente, todas as santas montanhas foram analisadas, exploradas, devastadas; só restam velhos e piedosos mercadores, múmias, grandes pessoas trajando roupas fora de moda; símbolos das nossas vidas anteriores ou mortas. Aí ainda são celebrados cultos sem êxtase, na presença de deuses todo-poderosos e muito propriamente empalhados, arquivos de civilização e de fés preciosas e em vias de desaparecimento.
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Procuramos apenas um “lugar tranquilo”... uma praia deserta, sem dúvida, que não encontraremos nem no Rio, nem em lugar algum se ela já não estiver, primeiro, em nosso coração e em nossa cabeça antes de comunicar-se a todos nossos membros... uma praia de silêncio...

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