2008-07-07

ter útero não define a mulher

Pode parecer, mas este blogue ou a autora, melhor dizendo, não tem nenhuma agenda feminista pessoal. Embora, seja muito fácil de constatar, e até a blogosfera é disso um exemplo (os blogues mais lidos, mais citados) que os homens ainda têm um papel de exercício de poder, de visibilidade, superior às mulheres. Não estou a atribuir culpas ou fracassos. Apenas a afirmar o óbvio.



Sendo católica, também não posso deixar de dizer que na minha Igreja, a mulher não é tida como igual ao homem. Sendo sete os sacramentos da Igreja, qualquer mulher apenas pode receber seis. O homem pode celebrar os sete. Isto é um exemplo; a fé não é validada pelo número de sacramentos recebidos. Nos vários documentos da Igreja, ainda não foi adiantada nenhuma razão teológica, doutrinária, dogmática para que assim seja. Apenas razões de tradição e disciplinares.
Não se nega a dignidade da mulher, exaltam-se algumas das suas qualidades, e apela-se sempre ao facto de que, tendo um útero, tem a sua vocação definida - a maternidade.
Se nos homens, a vocação à paternidade não anula qualquer outra vocação específica, não vejo porque nas mulheres tenha que ser limitativa.



Depois, não acredito em desígnios de género. Acredito em vocações pessoais. Uma mulher só porque tem útero, não tem, obrigatoriamente, que ser mãe. Ou, se não o for, sentir-se menos mulher por isso. Sei que existe essa pressão na sociedade. Ou não seja a nossa sociedade, ainda de cariz fortemente patriarcal. Vários homens afirmam isto mesmo, sem rodeios. Muitos outros, fingem que não vêem, ou não lhes interessa e não acham relevante.

17 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  2. (estava cheio de gralhas porque foi escrito à pressa)

    Repito:

    Quer-se isso porque a Igreja Católica precisa; ou quer-se ordenação de mulheres porque a igualdade de géneros em tudo o obriga?

    A MC está a falar para a Igreja, ou para o mundo? Por necessidade de quem?

    É que necessidades pessoais acima das necessidades da Igreja e, ainda por cima, necessidades de protagonismo de poder- são vaidades e soberba.

    E necessidades laicas, de combates proselitistas no mundo, só poderão ser úteis à Igreja se forem explicadas e teorizadas a partir dela.
    1- as mulheres têm muitos papeis a desempenhar dentro da Igreja. O único que não têm é a duplicação (vigário) de Cristo na cerimónia da liturgia. Porque Cristo foi homem e não mulher.
    A experiência contrária foi feita pelos protestantes e o resultado está à vista- a dissolução no mundo não parece ter vantagem.

    --------------

    A questão do útero não foi entendida.

    Ninguém falou em útero, à letra, para se dizer que a função das mulheres é exclusivamente ter filhos ou que quem os não tem é menos mulher.

    Falou-se como imagem de "criação" a par de serem, por vocação, "contadoras de histórias".

    E isto, apenas no sentido em que há um preenchimento inato- que se manifesta numa forma de ser diferente dos homens, onde a necessidade de "fazer obra por via do Poder é secundarizada pela propensão para o discurso das memórias que dispensam esse ocupar de Poder.

    Os homens não dão à luz, a capacidade de acção e poder pode compensar (em termos de inconsciente colectivo) essa diferença.

    Apenas isto. Nunca teria a ideia estúpida de que fomos apenas feitas para o choco ou que só criamos por gravidez.

    Criamos é de outra forma onde sempre me pareceu que as lutas por disputa de carreira e triunfos de Poder com o sexo oposto eram desnecessárias. Ou então meras variações que não correspondem a uma matriz.

    Vou ver se reponho um post das barbadinhas com acrescentos, para brincar um pouco com a historieta.

    (outra coisa- vivi os tempos da queima dos soutiens e sei que foi absoluta palhaçada. Sempre me impus em igualdade de trato, começando por ter feito o exame da 4ª classe de calções, em tempos de Salazar e sempre andar de calças quando até era proibido nos liceus.

    Também conheci as feministas, algumas até figuras públicas que foram minhas colegas. E a diferença é que eu sempre tive educação liberal e trato paralelo com rapazes em bandos de rua sem precisar de causas.

    Em contrapartida elas até tiveram muitas histórias de "perdições de marianismo" mas depois vingaram-se ao sacarem os tachos no poder.

    Isso é que nunca me interessou e sabia que o preço era esse. A liberdade, incluindo de não entrar em grupos de causas, também tem o seu preço.

    Agora que existe machismo existe. Os homens feministas são os piores.

    ResponderEliminar
  3. «Sei que existe essa pressão na sociedade. Ou não seja a nossa sociedade, ainda de cariz fortemente patriarcal. »

    Felizmente, felzimente. As mulheres são o inferno umas das outras. Ainda bem que temos homens a mandar em nós.

    Não existe convívio entre géneros diferentes que seja neutro. Esta é a minha teoria. Só se houver homossexual no meio.

    De resto, o trato entre os 2 géneros e a diferença deles é absolutamente necessária. Nem que seja num simples emprego. Sei o pavor qeu passam amigas minhas em actividades onde já não há homens. Acabam sempre no psiquiatra no fim do ano.

    Mas há outra enorme verdade. A nossa vantagem e até autonomia ou capacidade de "levar a água ao moinho" deriva de uma "arte". E essa arte consiste precisamente em deixar o mando para eles.

    Se eles acharem que são eles que mandam, fazem o que nós queremos.

    E isto é válido mesmo sem relação amorosa. Nas de camaradagem e nas de trabalho.

    A menos que se tenha nascido com dons de virago. Mas isso já é outra história. Uma virago só manda em géneros neutros.

    ResponderEliminar
  4. A história da tradição patriarcal é muito importante. Porque não há patriarcalidade a meias. Pode é haver quem tenha de arcar com os 2 papéis.

    Agora se se encontra estímulo em fazer de escravo e carregar com o fardo soxinho às costas, força. Mas depois não se queixem.

    Porque de uma coisa estou certa. Pode haver mulheres que assumam lideranças e chefias e outras que não gostem disso e lá conseguem manter as suas capacidades de serem mulheres.

    Não lhes cresce a barba por tão pouco.

    Agora um homem que fique com dependente desse patriarcado feminino, não só perde a barba como o "resto". E é em 3 tempos.

    ResponderEliminar
  5. Zazie,

    valeu a pena fazer os posts, só para ter estes comentários. Uma delícia. Não estamos assim tão distantes uma da outra... ;)

    Não acho que um bando de fêmeas sem macho se desoriente. tem de haver é sempre alguém que assuma a liderança.

    Eu falo para a Igreja. O mundo é outra coisa.

    As necessidades são da Igreja e do mundo. A Igreja em primeiro lugar e o mundo ganhavam com a ordenação das mulheres.

    Os problemas nas Igrejas anglicanas, não é por terem ordenado mulheres. São lutas de poder e protagonismos. Que aconteceriam igualmente na Igreja Católica. Mas eles existem na mesma entre bispos e padres. Não é uma questão de género, mas de pessoas. Os anglicanos têm uma organização mais de acordo com os primórdios da Igreja quando não havia a estrutura romana. Tem vantagens e desvantagens.

    As mulheres já presidem a celebrações dominicais da Palavra. Não podem consagrar. Uma das questões apresentadas é a que referes. Mas que valor tem? Um padre nunca é um Cristo. Ou o é tanto como tu e eu. Essa razão não tem sustentação nenhuma. O padre pode consagrar porque o bispo lhe impõe as mãos. Pode de igual modo fazê-lo a uma mulher.

    Compreende-se perfeitamente que Cristo fosse homem. Se a Incarnação fosse numa mulher quem é que lhe dava credibilidade? Naquele tempo. Hoje, no nosso mundo ocidental, seria diferente.

    O feminismo ainda é necessário. Não tanto nas nossas sociedades, mas no Islão, por exemplo, sabemos o que é a mulher e como é considerada.

    Obrigada pelos teus comentários. O tema é bastante rico.

    ResponderEliminar
  6. ainda mais umas linhas...

    o meu percurso até foi parecido com o teu. E apesar de eu ser de um mio rural e tu urbano, acabámos por ter experiências parecidas. Quanto à queima dos soutiens é que não assisti. Acho que ainda nem usava ;)

    ResponderEliminar
  7. Toda essa questão da Igreja ultrapassa-me porque eu não a conheço por dentro. Até admito que sim, que pode ser questão em aberto.
    Não sei. Também admiro muito homens que vão para frades ou mulheres para freiras. E até acho que seria bom voltar-se a ter os conversos. Os casados dentro da instituição, como dantes havia.

    Eu é que nunca me imaginei a fazer uma coisa dessas. Mas nunca se sabe. Em idade avançada, os prazeres até podem ser tão poucos, que no convento se resolva a questão com papinhos de anjo

    ":OP
    .........

    Quanto ao bando de fêmeas sem macho é mesmo assim. Estava-me a rir porque momentos antes tinha-me telefonado uma amiga outra vez a entrar em depressão à custa do problema das colegas galinhas na escola. Numa escola onde só existe um homem e meio. O meio é maricas.

    Ora estas coisas é que devem ser uma tristeza. Eu não sei. tenho uma vida desde a infância sempre rodeada de homens. E no trabalho é o mesmo, sempre calhou de ser.

    Mas acho que a feminização de uma série de funções de poder e acção é uma coisa péssima. A justiça efiminada, a ter sempre grandes ataques de histerismo para salvar o mundo é a pior coisa numa actividade onde o que é preciso é racionalidade, acima de tudo.

    Eu não queria nunca ser mandada por uma mulher.

    É a única certeza que tenho. E os únicos cargos de chefia que cheguei a ter foram precisamente para evitar isso. Se é para ser mandada, então antes ser eu a chefe que de mim não há-de vir implicação para ninguém e assim defendo-me.

    ";O))

    ResponderEliminar
  8. Agora a educação das meninas onde tudo era proibido porque só podiam brincar aos jantarinhos com as bonecas, nem sei o que é. Eu só brincava com pistolas e em gangues de rua.

    E isto foi em pleno salazarismo. E até exigi fazer ginástica de maillot, quando era obrigatório andar com aquelas ceroulas até meio dos joelhos e saias plissadas e o caralho a quatro.

    Vivi essa anormalidade às avessas. E nunca me impediram. Por isso é que e garanto que as gajas dos soutiens eram umas parvas.

    Uma delas até foi minha colega num colégio particular e lembro-me bem que tinha chiliques sempre que aparecia o prof de desenho ou um electricista. Ficava histérica por ver um homem.

    Depois deu-lhe para o fiminismo tardio a queimar soutiem e a seguir sacou um bom tacho numa secretaria de Estado.

    ResponderEliminar
  9. Agora no islão e até entre os indianos e negros imigrantes claro que sim. Tive contacto com muitos e sei como é. Aliás, a tradição de clã onde as mulheres nem devem estudar e trabalhar só para a família é perfeitamente a mesma entre indianos.

    Essas coisas são lixadas. Isso sim. E é cá, já bem modernizados. Fará nas terras deles.

    Mas são coisas com que se tem que ir devagar.

    Excepto nos espancamentos dos filhos. Nisso é que não pode haver tibiezas e nisso é que as há. Porque as crianças não dão voto.

    E voltávamos à treta daquela conversa do Fritzl e do fanatismo de causas ideológicas da Helena se eu cedesse aos instintos de má-língua feminina

    ";O)

    ResponderEliminar
  10. Isto para dizer que tudo é relativo e as grandes vítimas são sempre os mais fracos.

    As crianças, os animais, o feto que não tem voz na matéria. Ou até a natureza, reduzida a valor material de propriedade, ou o património religioso estigmatizado pela pancada ateia.

    Estas tretas dizem-me muito mais. Ainda que não milite por nenhuma delas.

    ResponderEliminar
  11. "Mas acho que a feminização de uma série de funções de poder e acção é uma coisa péssima. A justiça efiminada, a ter sempre grandes ataques de histerismo para salvar o mundo é a pior coisa numa actividade onde o que é preciso é racionalidade, acima de tudo."

    devemos ter o cuidado de não entrar em dicotomias. Eu nunca defenderia a feminização a granel.
    Não defendo que se troquem pura e simplesmente os homens por mulheres em determinadas funções e lideranças.
    Homens e mulheres são diferentes. E essa diferença deve existir. Defendo que deve haver equidade e equilíbrio no exercício do poder.

    Se nos homens a racionalidade é um bem. Não quer dizer que o seja de modo absoluto. Também faz falta a paixão, a emotividade, a afectividade, que nos homens (pelo menos na maioria) é menos evidente. Só a racionalidade não resolve tudo. A emotividade também não. Completam-se.

    ResponderEliminar
  12. Precisamente. Era isso que estava a dizer. Há funções onde são precisas certas características e não outras. E no mando e justiça a racionalidade é o principal.

    Uma justiça efiminada é aquela que não ata nem desata e que não consegue ser objectiva.

    A assistência social, por exemplo, precisa de quem seja capaz de "assistir" e não apenas de fazer burocracia. Faz sentido ter até mais mulheres. Têm mais jeito para isso.

    ResponderEliminar
  13. Otermo ostracizar ganhou conotações depreciativas mas foi por via da sua adulteração.

    Ostracizar é fazer sentir o não grado de determinados comportamentos numa sociedade. E é absolutamente necessário para que se saiba ser responsável pelos actos.

    Não quer dizer mais do que isto. o inverso é anomia e achar que não existe culpa, porque deriva sempre tudo de qualquer coisa abstracta, como "o sistema".

    Mas estas coisas só se podem falar com conhecimentos dos factos.

    O gajo podia apenas estar a queixar-se de estar sozinho. E os filhos um mero aproveitamento para choradinho.

    Não dá para dizer nada.

    ResponderEliminar
  14. o caraças, o raio do musaranho tornou a sabotar-me o Zé Grandão.

    ResponderEliminar
  15. E agora é que vi. Tu tens umas campainhas muito bonitas no avatar. É tão raro encontrar as sementes.

    ResponderEliminar
  16. ok. sobre o ostracizar. Não, o homem não me pareceu querer fazer choradinho. Foi muito sóbrio. Eu idem. Nem podia ser de outro modo.

    As campainhas, são uma recordação da minha infância. a minha mãe adorava-as.

    aqui são uma mostra da minha feminilidade. :)

    ResponderEliminar