2008-08-26

Adão e Eva - segundo Ariel Álvarez Valdez

Hoje sabemos que o homem não foi formado nem do barro nem de uma costela; que ao princípio não houve apenas um casal, mas vários; e que os primeiros homens eram primitivos, não dotados de sabedoria nem perfeição.
Porque a Bíblia relata desta maneira a criação do homem e da mulher? Simplesmente porque se trata de uma parábola, de um relato imaginário que pretende deixar um ensinamento às pessoas.


Esta parábola foi composta por um anónimo catequista hebreu, a quem os estudiosos chamam de “yahvista”, próximo ao século X A.C. Naquele tempo não se tinha nem idéia da teoria da evolução. Porém como o seu propósito não era dar uma explicação científica sobre a origem do homem, mas sim fornecer uma aproximação religiosa, elegeu esta narração na qual cada um dos detalhes tem uma mensagem religiosa, segundo a mentalidade daquela época.


O yahvista, sem pretender ensinar cientificamente como foi a origem do homem, posto que não o sabia, quis indicar algo mais profundo: que todo homem, quem quer que fosse, é uma obra directa e especialíssima de Deus. Não é mais um animal da criação, mas um ser superior, misterioso, sagrado e imensamente grande porque Deus em pessoa teve o trabalho de fazê-lo.


Porém, o momento culminante da narração e de alguma maneira o centro de todo o relato, é constituído pelo detalhe da mulher formada através da costela de Adão.
O nosso autor emprega aqui uma belíssima imagem para deixar aos leitores uma lição grandiosa. Para criar a mulher, Deus não tomou um osso da cabeça do homem, pois ela não está destinada a mandar no lar; mas também não a fez do osso do pé, porque foi chamada a ser servidora do homem. Ao dizer que a cria de sua costela, ou seja, de seu lado, a coloca na mesma altura que o varão, no mesmo nível e com idêntica dignidade.


A Bíblia não ensina como foi a origem real do homem e da mulher porque o escritor sagrado não sabia.


P. Ariel Álvarez Valdez

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