2008-08-28

o amor e o partir a louça


O DN de hoje publica um artigo de opinião de Pedro Lomba sobre a violência doméstica e a nossa incapacidade de lhe percebermos todos os contornos.



São assustadores os números de mortes por violência doméstica. São inquietantes as proporções que a mesma toma - hoje não podemos mais dizer que é falta de cultura, coisa de classes desfavorecidas, de faixas etárias mais altas. É um fenómeno que atravessa toda a sociedade e todas as idades.

Ao contrário do Pedro Lomba, não gosto de presenciar nem desejava ser mediadora de casais desavindos.

Da infância, entre outras, trago a recordação de uns vizinhos que, de quando em vez, realizavam uma cena de louça totalmente partida (pelo meu vizinho) e nove meses depois, nascia mais um filho. Nasceram muitos. Lembro-me que numa determinada fase da minha infância, associei às terríveis dores que adivinhava decorrerem do parto, um momento de catarse de louça partida, nove meses antes. Por algum tempo, achei que nunca iria ser mãe.

Mas o que me mói nisto tudo, é que para lá dos momentos de renovação do louceiro, eram um casal muito amigo, imensamente divertidos e bons pais. A minha vizinha, hoje viúva, recorda com a maior saudade o seu António. Bom, que me lembre, ele só partia a louça...

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