2008-08-12

que valor atribuir às coisas?

Dois factos recentes (coisinhas de nada, como a seguir mostro) levaram-me a questionar qual o valor que, normalmente, atribuo às coisas. Por norma, atribuo-lhes dois valores - o real e o simbólico. Os dois são importantes, para mim. Difícil é equilibrá-los.

O valor real, sugere que não desperdice e não desvalorize. Permite-me a estabilidade e racionalidade necessárias, na hora de fazer escolhas. Mas o valor simbólico é que me impulsiona, faz crescer, motiva. No fundo, é o que mais me satisfaz.

O primeiro facto passa-se numa passeata pela cidade. Paro numa montra e um modelo de saia desperta-me a atenção. O preço está dentro das minhas posses. A loja está aberta e até posso comprar. Mas no minuto seguinte a estas observações, penso que não quero gastar esse dinheiro e que as saias de que disponho são suficientes para o resto do verão. Sigo contente com a minha resolução.
A paragem seguinte foi na montra da livraria. Ainda não tinha percorrido metade dos títulos expostos e já um me estava a seduzir. Entrei com a resolução de passar uma vista de olhos (visto que apesar de conhecer o autor, não conhecia o livro) e comprar. Comprei esse e mais outro. O que perfez o valor da saia. Não achei que desperdicei dinheiro. Se tivesse comprado a saia, já não pensava de igual modo.

O segundo caso aconteceu por ter postado um poema de Vinicius de Moraes, e alguém me ter sugerido uma versão musicada dele, de um compositor e cantor cubanos. Gentilmente, até me mandou por e-mail a capa do CD. Não o consegui adquirir logo, mas na última visita à Fnac, consegui encontrá-lo. A pessoa que me deu a sugestão já morreu. Cada vez que ouço o CD, inexoravelmente, faço memória dessa pessoa. Que nunca conheci pessoalmente, mas que ganhou importância na minha vida.

1 comentário:

  1. :D há algo de comum com a minha maneira de ser (embora eu explique as coisas de forma diferente).

    eu não tiro prazer do acto da compra. tiro prazer da coisa comprada. e no primeiro caso, poderia incluir a compra de roupa que não é necessária. posso massajar o ego e a vaidade, momentaneamente, ao mimar-me com roupa. mas a satisfação passa muito rapidamente. por vezes é mesmo só ao comprar que existe, ao vestir já se dissipou. no segundo caso incluo a compra de livros. independentemente de como decorreu a compra (se quem mo vendeu percebia ou não de livros, se foi mais barato ou mais caro, se demorou ou não, se foi numa livraria, feira do livro ou noutro sítio, mais ou menos agradável), independentemente de eu gostar mais ou menos da edição, de ter sido agradável ou apenas prático o acto de comprar, independentemente disso, os livros são objectos que têm uma vida útil longa, interessante, complexa, evolutiva.

    se ainda por cima, adquiro coisas com um valor simbólico e afectivo grande, melhor.

    os objectos são referências do nosso mundo. não são essenciais, mas povoam o espaço que habitamos, e podem fazê-lo de forma civilizada, civilizante, enriquecedora.

    abraço,
    nuno.

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