2008-08-04

a rotina mata mais do que a morte:

Tinha uma vida rotinada ao minuto de coisas para fazer. Alterar a ordem das mesmas, tornava caótica a sua vida de noventa e três anos. Era notório que era a sua protecção contra o medo da morte - de algum modo, sentia que ainda controlava o ritmo da vida.
Acordar, tomar banho, pequeno-almoço, primeiros remédios (media ansiosamente a tensão para saber se devia tomar mais um comprimido. Fazê-lo, era fonte de enorme ansiedade -sempre era mais um), leituras da manhã, almoço...(sempre as mesmas coisas às horas certas)...um dia, a meio da manhã, um aneurisma deu-lhe cabo da ordem ciosamente guardada. Tenho a certeza que, na Luz, enfim, já agradeceu por ele.

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