2008-09-30

então ele é isso:

Via Religionline descobri que, afinal, o senhor é Cónego.

um folhadinho de maçã para ti...


um folhadinho para mim...e mais outro...e outro...calma, chega para todos! Que quereis vós? aqui não se distribuem casinhas.

post do nojo


Vi ontem, durante sete segundos e meio, o programa Prós e Contras. Uns senhores e senhoras falavam de compromisso, contracto, interesses, culpa/culpas, direitos, partilha/partilhas, de um modo exaltado e com ar de quem já repetiu aquilo vezes sem fim. Enquanto desligava a TV, pensei: Era melhor que se decidissem já pelo divórcio. Não há conciliação possível.
imagem-Eleuza de Morais

Abolição da pena de morte

O presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, cardeal Renato Raffaele Martino ao 3º Congresso Internacional de Ministros da Justiça, que se realiza hoje em Roma sobre o tema: "Da moratória à abolição da pena capital". O congresso é promovido pela comunidade católica romana de Santo Egídio. O cardeal Martino destaca que a pena capital é "um instrumento que se revela cada vez mais não só contrário aos grandes valores cristãos, que constituem a base dos direitos universais do homem, mas também a sua total ineficácia

2008-09-29

Meu caro João:


Não é preciso ousar muito para fazer o que o meu caro fez: pôr em paralelo a militância católica e a comunista. As duas têm alguns pontos em comum. Ambas prometem a salvação. Mas fico pela católica porque tem um prazo de validade maior - a eternidade. Assim sendo, bastam-me as leituras católicas.

2008-09-27

Ninguém nos leva a ousar


Na Igreja Católica investe-se muito em informação, em formação e em discursos, onde a novidade é nula. É um repetir ad eternum das mesmas fórmulas e propostas que já se esgotaram há muito, frente à realidade do mundo.


A proposta da Igreja para os crentes, é segurá-los o mais possível - vão ficando os idosos e crentes submissos. Mas deveria ser libertá-los e ensiná-los a ousar. É essa a mensagem evangélica. É esse o compromisso baptismal.

2008-09-26

desperdiçar um orgasmo - esse instante de eternidade?

Isso é que é uma blasfémia! Abusaram dos "valium"...

“El orgasmo, que es la sacudida que experimenta el cuerpo con la satisfacción del placer sexual, es derecho exclusivo de casados. Una persona soltera no puede ni procurárselo voluntariamente ni aceptarlo si lo experimenta voluntariamente. A veces el orgasmo se produce imprevistamente. En ese caso tampoco es lícito saborearlo voluntariamente…”

Não é possível...


Uma das batalhas da Igreja Espanhola contra o Governo é a nova disciplina de Educação para a cidadania em contraponto à de Educação e Moral católicas. Para fazer frente ao novo ensino foi editado um compêndio intitulado: "Para salvarte. Compendio de las verdades fundamentales de la religión católica", O compêndio tem o privilégio de um "Nihil obstat" e "Imprimatur" do Vigário geral do Episcopado.

Pode ler-se nele o seguinte:


"Y puede conducir a la locura". Louco será quem tomar como sérias estas afirmações.
imagem-herikavale.wordpress.com/

2008-09-25

Quer conhecer a Deus?

“ Quer conhecer a Deus? Aprenda a compreender as fraquezas e imperfeições dos [irmãos]. Mas como pode você compreender a fraqueza alheia se não entender a sua própria? Como pode ver o sentido de suas próprias limitações se não tiver recebido de Deus a misericórdia, que lhe dá o conhecimento de si mesmo e Dele? Não basta perdoar os outros: é preciso perdoar com humildade e compaixão. Perdoar sem humildade é um escárnio: supõe que somos melhores do que os outros."

reflexoes-merton.blogspot.com/

Infalíveis e perfeitos

É frequente, demasiado frequente, que os crentes assumam um discurso e pose, de gente perfeita e infalível. Os não crentes, recusando isso (e muito bem), acabam muitas vezes a exigir que os crentes assim sejam. Uns acham-se Deus. Os outros negam Deus por causa deles. Não sei onde começou esta idolatria. Mas devia acabar-se com ela.

O cardeal Rouco a querer lavar as mãos...

( Vale de los Caídos)

imagem-João Caetano Dias (fotografiasjcd.wordpress.com/

Não se pode ser Cristo

www.malvados.com/br

A que Senhor serve o cardeal?

Bento XVI bem podia dar umas explicações sobre laicidade ao Presidente da CEE, Rouco Varela. Anda o cardeal muito zangado com o governo do PSOE, e cheio de medo de perder alguns privilégios. Logo, servem todos os meios para atacar:



El cardenal arzobispo de Madrid y presidente de la Conferencia Episcopal Española (CEE), Antonio María Rouco Varela, ha vuelto a cargar contra el Gobierno socialista acusándole, entre otras cosas, de acabar con la vida de “medio millón de niños y de personas subnormales”.

2008-09-24

Nação valente


Neste jardim à beira-mar plantado, e, por estes dias, invadido por "magalhães", ficamos a saber que o "Lagartagis, o zoo de borboletas mediterrânicas que funciona no Jardim Botânico de Lisboa, está fechado ao público. A falta de dinheiro obrigou a responsável a fechar o jardim, mantendo só as visitas educativas a crianças" (Público )

Não conheço suficientemente os contornos do "negócio magalhães". Acho importante que as crianças tenham acesso às novas tecnologias de informação. Preocupa-me que muitas das nossas crianças vivam em lares onde nunca entra um jornal diário, livros muito menos, e nem falo da centralização dos diversos meios de cultura nas grandes cidades.


A crise no jardim das borboletas, é mais uma a juntar às outras todas. Pode parecer coisa menor (em contraponto à falta de meios na saúde, educação, justiça, segurança), mas não é. O aprender a cuidar, saber usufruir os bens que a natureza nos disponibiliza é essencial para o normal desenvolvimento dos indivíduos e do planeta.

2008-09-23

Crer em Deus, "Todo-Poderoso"?

Desde há muito que se propagaram as dúvidas sobre um ser "todo-poderoso" directamente responsável.
Eu próprio confesso que, depois de Auschwitz, do Gulag e de duas guerras mundiais, já não consigo falar com toda a convicção de "Deus todo-poderoso", detentor "ab-soluto" do poder, "des-prendido", intocado por todo o sofrimento, que, todavia, dirige tudo, faz tudo ou pelo menos poderia fazer tudo, se quisesse, e que face a catástrofes naturais e crimes humanos não intervém, simplesmente permanece calado, e calado e calado...
...
1. Se as condições dos tempos modernos (Hegel e as repercussões) levam a que Deus tenha de ser pensado partindo de um entendimento moderno e uniforme da realidade, Deus só pode ser pensado no mundo e o mundo só pode ser pensado em Deus. Deste modo, a acção de Deus no mundo não pode ser entendido sob a forma do infinito e da relatividade, mas apenas como infinito no finito e como absoluto no relativo. Portanto:

2. Deus não age de cima ou de fora como movimentador imóvel, como arquitecto ou relojoeiro, sobre o mundo. Pelo contrário, age como a mais real das realidades internas do processo da evolução do mundo, o qual possibilita domina e completa. Deus não age sobre o processo do mundo, mas sim no processo do mundo:em, com e entre os seres humanos e as coisas. Deus é ele próprio origem, meio e fim do processo do mundo!

3. Deus não age apenas relativamente a pontos ou a lacunas do processo do mundo especialmente importantes. Pelo contrário, age como força primordial, criadora e perfeita e, consequentemente age como condutor do mundo imanente e superior ao mundo, respeitando totalmente as leis da natureza, cuja origem é ele próprio.

Hans Kung, Credo

2008-09-22

e como uma desgraça nunca vem só...


...uma escritora psicóloga, ou vice-versa, resolve arrumar a questão "casamento" do seguinte modo: "A questão é que, ao contrário do homem, a mulher não é moderna, é clássica , e quer compromisso, quer família. O homem sempre foi moderno. O casamento inventou-se para o agarrar."


Resumindo, o casamento, essa invenção pré histórica de prisão domiciliária, foi inventada pela mulher, que é um ser pré-histórico do passado, do presente e por todos os séculos, dos séculos, ámen.

Seria caso para dizer, que é mais um caso de feitiço que se vira contra o feiticeiro, porque, geralmente, quem fica agarrado bem sabemos quem é...


"Deve ser horrível ser Deus"


Pois deve. Mais ainda se algum santo, anjo ou arcanjo resolver levar junto de Deus Nosso Senhor, o DN das segundas com os artigos apologéticos de João César das Neves.




O artigo desta semana é a coisinha mais triste que eu possa conceber sobre Deus e a humanidade. Tenta enveredar pela senda humorística sem levar o mínimo jeito para tal. Eu faço, por aqui, muitas vezes a mesma figura, mas tenho noção...e isto é para meia dúzia de carolas que me dão o prazer de virem ler o que escrevo. Agora, escrever um artigo de opinião, num jornal nacional, tão mal amanhado como o desta semana, é falta de coisas mais graves. Para começar, o professor que tanto gosta de falar em laxismo, facilitismo e outros "ismos" adorados pela direita, mostra um profundo desconhecimento bíblico, antropológico, histórico, teológico e catequético. Sim. Porque ele quer dar uma lição de catequese a todos os incréus e crentes fraquinhos que não alinham na visão do deus "grande Patrão", "Big Chefe" que ele com tanto afã proclama.

Não entendo como é que se pode apresentar Deus como "tão evidente, compreensível", e ao mesmo tempo "infinitamente acima de tudo". Está aqui uma contradição intransponível. Se existe um Deus que eu posso abarcar na sua totalidade, não pode estar infinitamente acima de mim.
César das Neves parece que nunca leu a Bíblia. Ela está recheadinha de casos de busca incessante do homem por Deus, de correspondência dos homens a essa procura. E de outros tantos ou mais em que o homem permanece surdo aos mesmos apelos. O que César das Neves pretende apresentar como um problema da modernidade (ele não fala explicitamente disso mas eu já sei onde levam as reflexões dele) é um problema que atravessa toda a história da revelação divina.
César das Neves fala em Deus Amor, mas parece ignorar o que isso seja. (Eu também, claro!) Deus não deu por acabado o acto da Criação. Não entregou a vida nas mãos dos homens e a seguir disse: desemerdem-se. Não habita infinitamente lá nas alturas, não nos olha de longe, mas co-habita connosco. Fez-se um de nós, porque - dizem os Padres da Igreja - quer que sejamos Um Nele. Resumindo, graças a Deus, que os retratos que o César das Neves pinta dele, estão infinitamente longe do que Ele possa ser.

(cartoon de António Martins, Grande Reportagem)

2008-09-21

já vestiram a camisola:



Os fornecedores do capitalismo e do “choque e espanto”, os conquistadores de Bagdá, os destruidores de Nova Orleans, aqueles que são os “condutores do nosso Senhor” (através de “W”. Bush, através de quem Deus fala), abraçaram o socialismo! Pelo menos para os ricos.


Gerald Thomas

austeridade:


2008-09-19

o amor é:

Quem decide avaliar dos outros segundo a Lei, encontra nas Escrituras matéria para o fazer. Mas se o move, antes de tudo, o exemplo do Mestre, não pode ignorar os apelos amorosos que se encontram nas mesmas. Nós, seres humanos, somos complicados. Mas o amor é simples:

Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que atara à cintura.

Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros
. (Jo 13, 5-14)

das flutuações

(Winona Ryder, "Girl, Interrupted)

Porque ao contrário de mim, vocês têm um objectivo, uma pessoa ao lado de quem se sentar, ou talvez uma ideia, ou a própria beleza...Não sei. Mas assim as horas e os dias passam como os ramos das árvores, passam como o suave verde do bosque diante do cão que corre atrás da sua presa. Mas para mim não existe nenhuma presa, um corpo que me incite a procurá-lo. E não tenho rosto. Sou como a espuma que desliza sobre a praia ou o luar que cai ao acaso sobre uma lata, os picos do cardo marinho, um osso, ou um barco meio carcomido. Um torvelinho arrasta-me para o fundo das cavernas, flutuo como um pedaço de papel ao longo de infindáveis corredores e tenho de apoiar a mão na parede para poder voltar para trás.


Virginia Woolf, "As Ondas"

A esquizofrenia nos discursos da Igreja Magisterial:

La geografía y geometría no son ni sanas ni malsanas. Las matemáticas no son católicas ni anticatólicas, son matemáticas, sin más. La laicidad es laicidad, y punto.

Lo que no impide que un cura enseñe geografía. El P. Albert Dou SJ, (que ofrece a Dios el silencio de su enfermedad a los 93 años en la enfermería de S. Cugat, “orando pro Ecclesia et Societate”)fue catedrático de matemáticas y pensador de filosofía de las ciencias, reconocido en la universidad pública por la laicidad, a la vez que fue siempre fiel en el ejercicio de su ministerio; pero jamás se le ocurriría hablar de “matemática católica” o de “geometría “sana y abierta”, ni de bautizar la trigonometría con incienso y agua bendita. Albert Dou es un ejemplo notable de cómo se puede vivir la identidad científica y la ministerial sin mezclas sospechosas ni esquizofrenias.

Las adjetivaciones son especialmente sospechosas cuando afectan a la identidad presuntamente amenazada. Cuestionan más la identidad quienes la tienen en crisis. El problema que tienen con la laicidad quienes la temen como al “Coco” no es quizás problema de la laicidad, sino del pánico que tienen a perder su identidad quienes desencadenan agresividades para ocultar miedos. Tal ha sido en la historia de la teología el escudo de las apologéticas.
La retórica de las adjetivaciones es corriente en los políticos al hacer compromisos y en los documentos eclesiásticos cuando tratan de fagocitar presuntas tendencias consideradas funestas (sí, “fagocitar” es el término técnico, aunque suene pedante).
Se condena la teología de la liberación, pero se proclama favorecer “una sana y bien entendida teología liberadora”.

Se pone en guardia frente al psicoanálisis, pero se admite “una sana contribución de la psicología profunda al estudio de la sexualidad, dentro de los justos límites de la moral”.
Se rehabilita a Darwin y se afirma la compatibilidad del relato bíblico con un “sano y correcto evolucionismo”, pero a condición (como hizo Juan Pablo II) de admitir una intervención directa creadora de un alma por parte de Dios en la filogénesis y en la ontogénesis (Fue lo que hizo Juan Pablo II, con rasgos de antropología dualista, en el documento que presuntamente rehabilitaba a Darwin).

Se proclama la libertad de investigación y la necesidad de confrontar los retos de la ciencia, pero “dentro de una correcta y fiel interpretación del magisterio eclesiástico”.
Se insiste en la exclusividad cristiana, pero se proclama su compatibilidaqd con las “sanas parcelas de verdad” existentes en otras religiones (inclusivismo, es decir, fagocitación).
Si el presidente francés se empeña en adjetivar ambiguamente la laicidad, habrá que recomendarle, para que se corrija, que tome unas clases de educación para la ciudadanía.

Juan Masiá, aqui

Todos somos luz e sombra

Hoje seria um bom dia para desdizer o que disse ontem. E daria razão aos que sentenciam que as mulheres são incoerentes por natureza. E até citaria Millôr Fernandes:"As pessoas só são admiráveis enquanto não as conhecemos bem."
E nem valia a pena acrescentar que nós também decepcionamos. Somos juízes e julgados. A verdade é que as causas da decepção não apagam tudo o que de bom se viu. Todos somos luz e sombra. Só isso. E não é preciso sermos admiráveis - só gente.

2008-09-18



(Ingres, Madame Devaucay)



dedicatória

bela como uma manhã de Setembro:
serena e húmida.

Congressso "Evolução biológica:factos e teorias"

O Vaticano apresentou esta Terça-feira um congresso internacional sobre as teorias da evolução, 50 anos após a publicação de “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin.

O evento, que terá lugar em Roma, reunirá especialistas em ciência, filosofia e teologia a nível mundial, católicos e não católicos. O Congresso conta com o apoio do Conselho Pontifício da Cultura cujo presidente, D. Gianfranco Ravasi, recordou que Darwin nunca foi condenado pela Igreja Católica e que fé e a teoria da evolução não são incompatíveis.
A iniciativa decorre de 3 a 7 de Março de 2009 e é organizada pela Universidade Pontifícia Gregoriana e pela Notre Dame University (Indiana, EUA). O título deste congresso será “Evolução biológica: factos e teorias”, prometendo-se uma abordagem crítica à obra de Darwin.

uma história do lado de lá, mas que já vai acontecendo por cá.

O jornalista Maurício Stycer pega numa história do quotidiano do Brasil, para fazer a apologia do Homem sem redenção. É um céptico. Cita Millôr Fernandes que é outro. Eu continuo a achar que o ser humano é capaz de se superar a cada dia. Muitas das mudanças que acontecem interiormente são subtis, não dão nas vistas, não fazem primeiras páginas e abertura de noticiários. Mas acontecem. O ser humano é viável!


"A história do ladrão de Passo Fundo é, de longe, a melhor do dia. Indignado, ao descobrir um menino de cinco anos dormindo dentro do carro que ele planejava roubar, o ladrão desistiu da empreitada, telefonou para a polícia e pediu para darem um recado ao pai:

- Fala pro filha da puta do pai dele pegar ele e levar pra casa o piazinho… E diz pro filho da puta do pai dele que a próxima vez que eu pegar aquele auto e tiver um piá eu vou matar ele.

Recado ouvido, a delegada que investiga o caso, Claudia Crusius, mostrou-se sensibilizada:
- Ouvi dizer que o tom era de indignação. É por isso que não se pode perder a esperança na humanidade.


Não sei, não… Continuo achando, como Millôr Fernandes sempre disse, que “o ser humano é inviável”. Pessimista diplomado, Millôr é autor de outras preciosidades sobre o tema, que reproduzo abaixo, em homenagem ao ladrão de Passo Fundo e à delegada que cuida do caso:

O otimista não sabe o que o espera.
Brasil, condenado à esperança.
Canalhas melhoram com o passar do tempo (ficam mais canalhas.)
O brasileiro é o único ser humano que acredita que pode se aperfeiçoar.
Um otimista é uma pessoa que não tem certeza sobre o futuro desse país.
No Brasil o otimista dorme com medo de acordar pessimista.
Nunca ninguém perdeu dinheiro apostando na desonestidade.
Um pessimista é o único que está preparado para ser otimista quando seu pessimismo der certo."


Maurício Stycer

2008-09-16

"somos todos pós-modernos?"


A resposta é sim se comungamos essa angústia, essa frustração frente aos sonhos idílicos da modernidade. Quem diria que a revolução russa terminaria em gulags, a chinesa em capitalismo de Estado; e tantos partidos de esquerda assumiriam o poder como o violinista que pega o instrumento com a esquerda e toca com a direita?
Nenhum sistema filosófico resiste, hoje, à mercantilização da sociedade: a arte virou moda; a moda, improviso; o improviso, esperteza. As transgressões já não são excepções, e sim regras. O avanço da tecnologia, da informatização, da robótica, a gloogleatização da cultura, a telecelularização das relações humanas, a banalização da violência, são factores que nos mergulham em atitudes e formas de pensar pessimistas e provocadoras, anárquicas e conservadoras.


Na pós-modernidade, o sistemático cede lugar ao fragmentário, o homogéneo ao plural, a teoria ao experimental. A razão delira, fantasia-se de cínica, baila ao ritmo dos jogos de linguagem. Nesse mar revolto, muitos se apegam às "irracionalidades" do passado, à religiosidade sem teologia, à xenofobia, ao consumismo desenfreado, às emoções sem perspectivas.
Para os pós-modernos a história findou, o lazer se reduz ao hedonismo, a filosofia a um conjunto de perguntas sem respostas. O que importa é a novidade. Já não se percebe a distinção entre urgente e importante, acidental e essencial, valores e oportunidades, efémero e permanente.
A estética se faz esteticismo; importa o adorno, a moldura, e não a profundidade ou ao conteúdo. Ao pós-moderno é refém da exteriorização e dos estereótipos. Para ele, o agora é mais importante que o depois.
Para o pós-moderno, a razão vira racionalização, já não há pensamento crítico; ele prefere, neste mundo conflitivo, ser espectador e não protagonista, observador e não participante, público e não actor.


O pós-moderno duvida de tudo. É cartesianamente ortodoxo. Por isso não crê em algo ou em alguém. Distancia-se da razão crítica criticando-a. Como a serpente Uroboros, ele morde a própria cauda. E se refugia no individualismo narcísico. Basta-se a si mesmo, indiferente à dimensão social da existência.
O pós-moderno tudo desconstrói. Seus postulados são ambíguos, desprovidos de raízes, invertebrados, sensitivos e apáticos. Ao jornalismo, prefere o shownalismo.
O discurso pós-moderno é labiríntico, descarta paradigmas e grandes narrativas, e em sua bagagem cultural coloca no mesmo patamar Portinari e Felipe Massa; Guimarães Rosa e Paulo Coelho; Chico Buarque e Zeca Pagodinho.


O pós-modernismo não tem memória, abomina o ritual, o litúrgico, o mistério. Como considera toda paixão inútil, nem ri nem chora. Não há amor, há empatias. Sua visão de mundo deriva de cada subjectividade.
A ética da pós-modernidade detesta princípios universais. É a ética de ocasião, oportunidade, conveniência. Camaleônica, adapta-se a cada situação.
A pós-modernidade transforma a realidade em ficção e nos remete à caverna de Platão, onde nossas sombras têm mais importância que o nosso ser, e as nossas imagens que a existência real.

Frei Betto

vítimas inocentes da ganância desmedida:

(Reuters, Jianan Yu)


É trágico ver que até a vida humana está sujeita às leis do mercado. Na China, do modo mais ignóbil.

O escândalo do leite contaminado na China que provocou a morte a dois bebés continua a produzir as suas réplicas. Há já 1200 crianças com doença declarada. Ontem, foram efectuadas várias detenções relacionadas com este caso e a televisão estatal anunciou que o produto químico foi detectado em 69 marcas de leite, produzido por 22 companhias.

Que laicidade é que o Papa deseja?

Uma laicidade subjugada à religião?! Não, obrigada. Onde é que fica, assim, o respeito pelo "outro"? A Igreja tem de se convencer que não detém o monopólio da ética e da moral. O chamado "mundo" também tem valores.

Esa laicidad tiene que ser “sana”. ¿Y en qué consiste una laicidad “sana”? Si nos atenemos al programa de gobierno que el propio Ratzinger presentó ante el Jefe del Estado Italiano, la laicidad es “sana” cuando no excluye las referencias éticas que tienen su último fundamento en la religión. Por tanto, este papa afirmó sin titubeos, desde el comienzo de su pontificado, que, en todo cuanto se refiere a los comportamientos éticos, la referencia última, o sea la última palabra, la tiene la religión.

Jose Maria Castillo, teologo

2008-09-14

No amor a salvação


Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n'Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele». (Jo, 3)

2008-09-13

mais sexo fraco - forte, a diversão continua

Discurso de Deus a Eva:

"Minha cara,eu te criei porque o mundo estava meio vazio, e o homem, solitário. O Paraíso era perfeito e, portanto, sem futuro. As árvores, ninguém para criticá-las; os jardins, ninguém para modificá-los; as cobras, ninguém para ouvi-las. Foi por isso que eu te fiz. Ele nem percebeu e custará os séculos para percebê-lo. É lento, o homenzinho. Mas, hás de compreender, foi a primeira criatura humana que fiz em toda a minha vida. Tive que usar argila, material precário, embora maleável. Já em ti usei a cartilagem de Adão, matéria mais difícil de trabalhar, mais teimosa, porém mais nobre. Caprichei em tuas cordas vocais, poderás falar mais, e mais suavemente. Teu corpo é mais bem acabado, mais liso, mais redondo, mais móvel, e nele coloquei alguns detalhes que, penso, vão fazer muito sucesso pelos tempos a fora. Olha Adão enquanto dorme; é teu. Ele pensara que és dele. Tu o dominarás sempre. Como escrava, como mãe, como mulher, concubina, vizinha, mulher do vizinho. Os deuses, meus descendentes; os profetas, meus public-relations, os legisladores, meus advogados; proibir-te-ão como luxúria, como adultério, como crime, e até como atentado ao pudor! Mas eles próprios não resistirão e chorarão como santos depois de pecarem contigo; como hereges, depois de, nos teus braços, negarem as próprias crenças; como traidores, depois de modificarem a Lei para servir-te. E tu, só de meneios, viverás.Nasces sábia, na certeza de todos os teus recursos, enquanto o Homem, rude e primário, terá que se esforçar a vida inteira para adquirir um pouco de bens que depositará humildemente no teu leito. Vai! Quando perguntei a ele se queria uma Mulher, e lhe expliquei que era um prazer acima de todos os outros, ele perguntou se era um banho de rio ainda melhor. Eu ri. O homem e um simplório. Ou um cínico. Ainda não o entendi bem, eu que o fiz, imagina agora os seus semelhantes.Olha, ele acorda. Vai. Dá-me um beijo e vai. Hmmmm, eu não pensava que fosse tão bom. Hmmmm, ótimo! Vai, vai! Não é a mim que você deve tentar, menina! Vai, ele acorda. Vem vindo para cá. Olha a cara de espanto que faz. Sorri! Ah, eu vou me divertir muito nestes próximos séculos!"

Millôr Fernandes- "Esta é a verdadeira história do Paraíso"



e o sexo fraco


Num programa de TV, o repórter entra num salão de cabeleireiro. Uma cliente atrapalha-se ao dizer o nome. Explica logo de seguida o motivo da atrapalhação: é recém-divorciada e ainda não se habituou a usar o nome de solteira. E aproveitando a câmara à frente resolve contar ao país e ao mundo como se sente uma mulher livre e diferente. E porque as palavras nestas coisas ficam sempre aquém do que se vive, e o momento era da imagem, conta que depois de divorciada começou a fazer madeixas e fez duas tatuagens e mostra os golfinhos que tatuou no ombro. A outra ficou por mostrar - umas rosas ao fundo das costas, e ainda, as iniciais dos nomes dos filhos.


Fiquei muda de espanto. Conheço muito bem os efeitos terapêuticos de um novo penteado. Mas depois de tirar uma aliança do dedo e fazer uma redução nos apelidos, ir marcar-se ad eternum...imagino os contestatários da lei do divórcio a encolher os ombros. É que foi o que fiz.

o heróico sexo forte

O Manuel teve ontem uma fase importante no processo de desmame - o primeiro dia da pré. Quando perguntei ao fim do dia como tinha corrido, obtive a confirmação de que o rapaz vai rolando sobre rodas na estrada da vida. Já são três anos de prática.
Resoluto, entrou na carrinha de transporte escolar e sentou-se compenetrado, com a expressão de quem sabe que aquela viagem era o começo de qualquer coisa que não tinha mais volta. Não era preciso dizerem nada um ao outro para saberem o que ambos sentiam.
Ao intervalo o pai não resistiu e foi ver como estava a correr o dia ao rapaz. Mostrou como já era capaz de ir sozinho ao WC, e, como o pai demorasse a voltar costas, despediu-o dizendo: - Tchau, pai! Tenho de ir brincar com os meus novos amigos.
O pai, depois de um dia de tensões novas e desconhecidas, confidenciava-me o óbvio: olhou atentamente para todos os meninos da sala, e não tinha dúvidas - o filho era o mais lindo de todos.

pungente sexo forte


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2008-09-11

um perfuminho celestial: Rokia Traoré

"a urgência do nosso tempo é afectiva"

(Los hermanos-Pablo Picasso)


Isabel Varanda, professora da UCP, no primeiro Congresso da Pastoral Social, relança alguns tópicos para uma Nova Evangelização.

"No mundo presente, a intervenção social da Igreja “só será pertinente” e realizará com “eficácia aquilo que anuncia” se “investir no despertar da dimensão espiritual do Ser Humano”.

"O mundo de hoje sofre de iliteracia emocional (déficit na educação das emoções)”

“a urgência do nosso tempo é afectiva”.


Notícia Ecclésia

11 de Setembro de 2001

Uma nova forma de terror globalizado.

A alegria

O sofrimento não tem
nenhum valor
Não acende um halo
em volta de tua cabeça, não
ilumina trecho algum
de tua carne escura
(nem mesmo o que iluminaria
a lembrança ou a ilusão
de uma alegria).

Sofres tu, sofre
um cachorro ferido, um inseto
que o inseticida envenena.
Será maior a tua dor
que a daquele gato que viste
a espinha quebrada a pau
arrastando-se a berrar pela sarjeta
sem ao menos poder morrer?

A justiça é moral, a injustiça
não. A dor
te iguala a ratos e baratas
que também de dentro dos esgotos
espiam o sol
e no seu corpo nojento
de entre fezes
querem estar contentes.


Ferreira Gullar

2008-09-09

"É a Igreja Católica compatível com a fé?"

É a pergunta de Maite Garcia, a respeito de várias opções pastorais e disciplinares da Conferência Episcopal Espanhola. E no resto do mundo? A questão, honestamente, tem de se pôr. E a resposta é variável.


Los sacerdotes manifiestan en sus homilías que la violencia, el consumismo, las drogas, así como la desmedida libertad sexual que existe hoy día, es debido a la falta de valores que padece esta sociedad. Y me pregunto: ¿qué está haciendo la Iglesia para paliar este “desenfreno”? Porque lo que estamos observando es que cada vez que se pronuncia lo único que consigue es crear polémica y malestar.



http://www.redescristianas.net/2008/09/09/¿es-la-iglesia-catolica-compatible-con-la-femaite-garcia-escritora/

"A função essencial da Igreja não é a moral"

AE- Com algumas questões consideradas fracturantes na agenda política, como vai actuar a Comissão Episcopal?


CA - A função essencial da Igreja não é moral, é de transformação de vida das pessoas segundo o critério do Evangelho. Será necessário um caminho de abertura de diferença para que, mesmo que a nível exterior os valores sejam postos em causa, as comunidades cristãs não se desorientem com isso e possam dizer que as propostas que se fazem, são propostas de maior felicidade e maior qualidade de vida para todos.

Carlos Azevedo, bispo
Declarações no Congresso Pastoral Social em Fátima


Registo com agrado as palavras do bispo. Só lamento a persistência na linguagem "exterior" e "interior" ou "dentro" e "fora". Isto é excesso de paroquialite. As pessoas que formam as comunidades cristãs são as mesmas que se movem nos diversos contextos sociais. A Paróquia, Diocese...não é um reduto. É o lugar do encontro e da celebração. A Igreja não é um lugar à parte nem um local de eleitos. A nossa ligação com o mundo começa dentro de nós mesmos.

2008-09-06

e da jasmine

(Jasmine Trinca)

e eu beata do jasmim


Prefiro as máquinas que servem para não funcionar:

quando cheias de areia de formiga e musgo - elas

podem um dia milagrar de flores.


(Os objetos sem função têm muito apego pelo abandono.)


Também as latrinas desprezadas que servem para ter

grilos dentro - elas podem um dia milagrar violetas.


(Eu sou beato em violetas.)


Todas as coisas apropriadas ao abandono me religam a Deus.

Senhor, eu tenho orgulho do imprestável!


(O abandono me protege.)


Manoel de Barros

em tempos de dispersão:

20*Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles.» (Mt 18,20)



No es ningún secreto que la reunión dominical de los cristianos está en crisis profunda. A no pocos la misa se les hace insufrible. Ya no tienen paciencia para asistir a un acto en el que se les escapa el sentido de los símbolos y donde no siempre escuchan palabras que toquen la realidad de sus vidas.

Algunos sólo conocen misas reducidas a un acto gregario, regulado y dirigido por los eclesiásticos, donde el pueblo permanece pasivo, encerrado en su silencio o en sus respuestas mecánicas, sin poder sintonizar con un lenguaje cuyo contenido no siempre entienden. ¿Es esto «reunirse en el nombre del Señor»?

¿Cómo es posible que la reunión dominical se vaya perdiendo como si no pasara nada? ¿No es la Eucaristía el centro del cristianismo? ¿Cómo es que la Jerarquía prefiera no plantearse nada, no cambiar nada? ¿Cómo es que los cristianos permanecemos callados? ¿Por qué tanta pasividad y falta de reacción? ¿Dónde suscitará el Espíritu encuentros de dos o tres que nos enseñen a reunirnos en el nombre de Jesús?


José António Pagola

2008-09-03


PRIMEIRA ELEGIA

Quem se eu gritasse, me ouviria pois entre as ordens
Dos anjos? E dado mesmo que me tomasse
Um deles de repente em seu coração, eu sucumbiria
Ante sua existência mais forte. Pois o belo não é
Senão o início do terrível, que já a custo suportamos,
E o admiramos tanto porque ele tranqüilamente desdenha
Destruir-nos. Cada anjo é terrível.
E assim me contenho pois, e reprimo o apelo

De obscuro soluço. Ah! A quem podemos
Recorrer então? Nem aos anjos nem aos homens,
E os animais sagazes logo percebem
Que não estamos muito seguros
No mundo interpretado. Resta-nos talvez
Alguma árvore na encosta que diariamente
Possamos rever. Resta-nos a rua de ontem
E a mimada fidelidade de um hábito,
Que se compraz conosco e assim fica e não nos abandona.
Ó e a noite, a noite, quando o vento cheio dos espaços
Do mundo desgasta-nos o rosto -, para quem ela não é /sempre a desejada,
Levemente decepcionante, que para o solitário coração
Se impõe penosamente. Ela é mais leve para os amantes?
Ah! Eles escondem apenas um com o outro a própria sorte.
Não o sabes ainda? Atira dos braços o vazio
Para os espaços que respiramos; talvez que os pássaros
Sintam o ar mais vasto num vôo mais íntimo.

Sim, as primaveras precisavam de ti. Muitas estrelas
Esperavam que tu as percebesses. Do passado
Erguia-se uma vaga aproximando-se, ou
Ao passares sob uma janela aberta,
Um violino se entregava. Tudo isso era missão.
Mas a levaste ao fim? Não estavas sempre
Distraído pela espera, como se tudo te ansiasse
A bem amada? (onde queres abrigá-la
Então, se os grandes e estranhos pensamentos entram
E saem em ti e muitas vezes ficam pela noite.)
Se a nostalgia te dominar, porém, cantas as amantes; muito
Ainda falta para ser bastante imortal seu celebrado sentimento.
Aquelas que tu quase invejaste, as desprezadas, que tu
Achaste muito mais amorosas que as apaziguadas. Começa
Sempre de novo o louvor jamais acessível;
Pensa: o herói se conserva, mesmo a queda lhe foi
Apenas um pretexto para ser : o seu derradeiro nascimento.
As amantes, porém, a natureza exausta as toma
Novamente em si, como se não houvesse duas vezes forças para realizá-las.
Já pensaste pois em Gaspara Stampa
O bastante para que alguma jovem,
A quem o amante abandonou, diante do elevado exemplo
Dessa apaixonada, sinta o desejo de tornar-se como ela?
Essas velhíssimas dores afinal não se devem tornar
Mais fecundas para nós? Não é tempo de nos libertarmos,
Amando, do objecto amado e a ele tremendo resistirmos
Como a flecha suporta à corda, para, concentrando-se no salto
Ser mais do que ela mesma? Pois parada não há em /parte alguma.

Vozes, vozes.
Escuta, coração como outrora somente os santos escutavam:
até que o gigantesco apelo levantava-os do chão;
mas eles continuavam ajoelhados,
inabaláveis, sem desviarem a atenção: eles assim escutavam.
Não que tu pudesses suportar a voz de Deus, de modo algum.
Mas escuta o sopro, a incessante mensagem que nasce do silêncio.
Daqueles jovens mortos sobe agora um murmúrio em direção /a ti.
Onde quer que penetraste, nas igrejas
De Roma ou de Nápoles, seu destino não falou a ti, /tranqüilamente?
Ou uma augusta inscrição não se impôs a ti
Como recentemente a lousa em Santa Maria Formosa.
Que eles querem de mim? Lentamente devo dissipar
A aparência de injustiça que às vezes dificulta um pouco
O puro movimento de seus espíritos.

Certo, é estranho não habitar mais terra,
Não mais praticar hábitos ainda mal adquiridos,
Às rosas e outras coisas especialmente cheias de promessas
Não dar sentido do futuro humano;
O que se era, entre mãos infinitamente cheias de medo
Não ser mais, e até o próprio nome
Deixar de lado como um brinquedo quebrado.
Estranho, não desejar mais os desejos. Estranho,
Ver tudo o que se encadeava esvoaçar solto
No espaço. E estar morto é penoso
E cheio de recuperações, até que lentamente se divise
Um pouco da eternidade. - Mas os vivos
Cometem todos o erro de muito profundamente distinguir.
Os anjos (dizem) não saberiam muitas vezes
Se caminham entre vivos ou mortos. A correnteza eterna
Arrebata através de ambos os reinos todas as idades
Sempre consigo e seu rumor as sobrepuja em ambos.

Finalmente não precisam mais de nós os que partiram cedo,
Perde-se docemente o hábito do que é terrestre, como o /seio materno
suavemente se deixa, ao crescer. Mas nós que de tão grandes
mistérios precisamos, para quem do luto tantas vezes
o abençoado progresso se origina - : poderíamos passar /sem eles?
É vã a lenda de que outrora, lamentando Linos,
A primeira música ousando atravessou o árido letargo,
Que então no sobressaltado espaço,
do qual um quase /divino adolescente
escapou de súbito e para sempre,
o vazio entrou
naquela vibração que agora nos arrebata e consola e ajuda?


Rainer Maria Rilke

Traduções do poeta paraense Paulo Plínio Abreu,
publicadas no jornal "Folha do Norte" entre os anos de 1946 e 1948,
realizadas em parceria com o antropólogo alemão Peter Paul Hilbert

2008-09-02

"Olhar o mundo como dom de Deus."


Eis, pois, como o cristão deve entender o plano de Deus sobre a criação: um projecto de aperfeiçoamento e humanização continuada, conduzindo a um mundo cada vez mais habitável e acolhedor para todos os filhos de Deus e todas as suas criaturas. Tal não se fará sem cansaço e sofrimento e apenas se realizará plenamente nos tempos escatológicos. Pode, no entanto, ser já antecipado, sempre que o homem cuida, agradecido, dos bens que lhe foram concedidos. (www.ecclesia.pt/)

Olhar o mundo como dom de Deus, era a intenção de oração do Papa para o mês de Agosto. Mas como é projecto para esta vida e a que virá, pode-se continuar... e que falta faz esta visão na Igreja!

Dai a César o que é de César...

...a mí me ha preocupado mucho el problema de las relaciones de la Iglesia con el Poder Civil. Como si se tratase de dos poderes. Algo tan distinto a lo que pensó Jesús para su Iglesia. Siempre me molestó esto de codearnos con las autoridades y de ir a pedirles favores, porque los favores se pagan… Y yo prefiero tener libertad para predicar la verdad y denunciar las injusticias cuando haga falta. ¡Qué mal que le hizo a la Iglesia el bueno de Constantino y sus sucesores, (el Imperio), cuando se convirtió de perseguidor en protector de la Iglesia.


Toda injerencia del Poder Político en los asuntos de la Iglesia siempre ha resultado funesta. Un caso concreto y bien triste han sido ciertas presiones en el caso del nombramiento de los Obispos. Casos que, por desgracia, no se puede decir que pertenezcan sólo al pasado. Yo me cansé de decir que estos contubernios, -que eufemísticamente llamo “matrimonios” y/ o “concubinatos” entre la Iglesia y el Poder Civil-, siempre terminan mal. Demasiada experiencia de ello tiene la Iglesia.


Por esto me parece tan importante la independencia de la Iglesia de todos los poderes de este mundo, sean ellos políticos o económicos. ¡Cuánta mayor autoridad tiene una Iglesia pobre! Y cuánto gana en testimonio. Porque la Iglesia no es una empresa, que se mide por los números y la eficiencia. Los cálculos de la Divina Gracia van por otro camino. Como el misterio pascual de Jesús, que mediante su muerte (humanamente un fracaso), venció al mundo. Conquistó la vida.



Joaquín Pina, bispo emérito, Aqui