2008-09-22

"Deve ser horrível ser Deus"


Pois deve. Mais ainda se algum santo, anjo ou arcanjo resolver levar junto de Deus Nosso Senhor, o DN das segundas com os artigos apologéticos de João César das Neves.




O artigo desta semana é a coisinha mais triste que eu possa conceber sobre Deus e a humanidade. Tenta enveredar pela senda humorística sem levar o mínimo jeito para tal. Eu faço, por aqui, muitas vezes a mesma figura, mas tenho noção...e isto é para meia dúzia de carolas que me dão o prazer de virem ler o que escrevo. Agora, escrever um artigo de opinião, num jornal nacional, tão mal amanhado como o desta semana, é falta de coisas mais graves. Para começar, o professor que tanto gosta de falar em laxismo, facilitismo e outros "ismos" adorados pela direita, mostra um profundo desconhecimento bíblico, antropológico, histórico, teológico e catequético. Sim. Porque ele quer dar uma lição de catequese a todos os incréus e crentes fraquinhos que não alinham na visão do deus "grande Patrão", "Big Chefe" que ele com tanto afã proclama.

Não entendo como é que se pode apresentar Deus como "tão evidente, compreensível", e ao mesmo tempo "infinitamente acima de tudo". Está aqui uma contradição intransponível. Se existe um Deus que eu posso abarcar na sua totalidade, não pode estar infinitamente acima de mim.
César das Neves parece que nunca leu a Bíblia. Ela está recheadinha de casos de busca incessante do homem por Deus, de correspondência dos homens a essa procura. E de outros tantos ou mais em que o homem permanece surdo aos mesmos apelos. O que César das Neves pretende apresentar como um problema da modernidade (ele não fala explicitamente disso mas eu já sei onde levam as reflexões dele) é um problema que atravessa toda a história da revelação divina.
César das Neves fala em Deus Amor, mas parece ignorar o que isso seja. (Eu também, claro!) Deus não deu por acabado o acto da Criação. Não entregou a vida nas mãos dos homens e a seguir disse: desemerdem-se. Não habita infinitamente lá nas alturas, não nos olha de longe, mas co-habita connosco. Fez-se um de nós, porque - dizem os Padres da Igreja - quer que sejamos Um Nele. Resumindo, graças a Deus, que os retratos que o César das Neves pinta dele, estão infinitamente longe do que Ele possa ser.

(cartoon de António Martins, Grande Reportagem)

2 comentários:

  1. É completamente lamentável... Será que Cesar das Neves está bom da cabeça? Há medida que se vai lendo o artigo ficasse com a sensação de que o homem endoidou de vez.

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  2. li algures, num blogue, uma brincadeira em que se trocava a palavra "Deus" por JCN, no artigo. Dá um bom perfil do economista. Aquilo é só umbigo.

    Lamento muito que se dê espaço num jornal para se escrever um artigo tão ruim. Mas o JCN é a coqueluche para muitos católicos - clero e leigos. Que lhes faça bom proveito.

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