2008-09-18

uma história do lado de lá, mas que já vai acontecendo por cá.

O jornalista Maurício Stycer pega numa história do quotidiano do Brasil, para fazer a apologia do Homem sem redenção. É um céptico. Cita Millôr Fernandes que é outro. Eu continuo a achar que o ser humano é capaz de se superar a cada dia. Muitas das mudanças que acontecem interiormente são subtis, não dão nas vistas, não fazem primeiras páginas e abertura de noticiários. Mas acontecem. O ser humano é viável!


"A história do ladrão de Passo Fundo é, de longe, a melhor do dia. Indignado, ao descobrir um menino de cinco anos dormindo dentro do carro que ele planejava roubar, o ladrão desistiu da empreitada, telefonou para a polícia e pediu para darem um recado ao pai:

- Fala pro filha da puta do pai dele pegar ele e levar pra casa o piazinho… E diz pro filho da puta do pai dele que a próxima vez que eu pegar aquele auto e tiver um piá eu vou matar ele.

Recado ouvido, a delegada que investiga o caso, Claudia Crusius, mostrou-se sensibilizada:
- Ouvi dizer que o tom era de indignação. É por isso que não se pode perder a esperança na humanidade.


Não sei, não… Continuo achando, como Millôr Fernandes sempre disse, que “o ser humano é inviável”. Pessimista diplomado, Millôr é autor de outras preciosidades sobre o tema, que reproduzo abaixo, em homenagem ao ladrão de Passo Fundo e à delegada que cuida do caso:

O otimista não sabe o que o espera.
Brasil, condenado à esperança.
Canalhas melhoram com o passar do tempo (ficam mais canalhas.)
O brasileiro é o único ser humano que acredita que pode se aperfeiçoar.
Um otimista é uma pessoa que não tem certeza sobre o futuro desse país.
No Brasil o otimista dorme com medo de acordar pessimista.
Nunca ninguém perdeu dinheiro apostando na desonestidade.
Um pessimista é o único que está preparado para ser otimista quando seu pessimismo der certo."


Maurício Stycer

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