2008-10-29

aqui, d'elrei!

(Thomas Hart Benton, "Politics, Farming an the Law" )


Os senhores patrões da indústria, querem os políticos reunidos, por causa do aumento do salário mínimo nacional. Usando o velho chavão comunista, tem que se dizer:"mas querem os trabalhadores a pagar a crise?" Como se houvesse outro remédio...




"seja um idiota"


Pois é. Quando me olho no espelho ou para a tela do computador percebo que não tenho mais vida. Percebo que está tudo enfiado aqui dentro. Será isso que quero para mim? Será isso que queremos para nós?
Pensem bem. Sentados diante de telas o dia inteiro na ilusão de que o mundo está aqui dentro enquanto que, na verdade, essa coisa virtual já nos pegou de tal forma que não sabemos mais se somos daltónicos, insensitivos, gelados, compulsivos, exibicionistas, actores sem palco, directores sem elenco, escritores sem páginas e pintores sem tela.
Vivemos num vácuo que nem astrónomos conseguem explicar, porque, como diz o dito popular, o buraco é mais em baixo.


Gerald Thomas

Pertinente, no mínimo. Como diz S. Paulo:"cada um examine-se a si próprio". Tenho sempre presente, em reflexão, esta comunicação virtual. Tem as suas virtudes e os seus defeitos, como tantas acções da nossa vida. Dar-lhe um espaço exagerado, que condicione a comunicação presencial, é usar mal um meio que deve servir para abrir horizontes e não condicioná-los.

2008-10-27

Cardeal Martini e a sexualidade sem receitas dogmáticas

"Ningún obispo ni sacerdote ignora hoy que se da la cercanía corporal de las personas antes del matrimonio. Aquí tenemos que cambiar de mentalidad, si es que queremos proteger la familia y promover la fidelidad matrimonial. Con ilusiones o prohibiciones no se puede ganar nada. Entre mis amigos y conocidos he podido ver cómo los jóvenes salen de vacaciones y duermen juntos en una misma habitación. A nadie se le ocurría ocultarlo o plantear problemas al respecto. ¿Debería yo decir algo? Es difícil. No puedo entenderlo todo, aunque percibo que, tal vez, en este punto está surgiendo un nuevo respeto mutuo, un aprender unos de otros y una convivencia más intensa de las generaciones... Yo quiero acompañar este desarrollo con benevolencia, formulando preguntas y con oración“

“Creo, dice, que no es tiempo de intentar dar respuestas de validez general... las respuestas solo caen en terreno fértil si antes se ha puesto sobre la mesa una pregunta... En estas cuestiones tan profundamente humanas como la sexualidad y la corporalidad no se trata de recetas, sino de caminos que comienzan en el hombre y que conducen hacia delante. ... No podemos exigir de los niños y jóvenes todo lo que sería ideal. Poco a poco encontrarán su camino. Los caminos no pueden dictarse desde arriba, desde escritorios o desde púlpitos.... Lo decisivo es que promovamos a los cristianos en su capacidad individual de juicio”.

Juan Masiá, citando Cardeal Martini

papauué

ingénuo, saudosista e bárbaro.


César das Neves ainda não se desligou do tempo em que se dizia, e agia, do seguinte modo:"O lugar da mulher é no lar. O trabalho fora de casa masculiniza." (Revista Querida, 1955). Tudo o que vá além desta forma de estruturar a família e a sociedade, é a hecatombe para o economista.

Assim ele vê a aprovação da recente lei do divórcio. Que ele não goste da lei e o manifeste, com todo o direito da sua parte. Não escreva é crónicas apocalípticas, a fazer opinião, como se a razoabilidade e o desenvolvimento estivessem do lado dele, e a barbárie do lado de quem já há muito aprendeu que a responsabilidade só cresce na liberdade. Não é dificultando as leis do divórcio que vamos ter casamentos melhor realizados e famílias mais coesas.

Alinhar divórcio, promiscuidade, aborto, eutanásia, pornografia, prostituição e holocausto judeu como passíveis da mesma gravidade moral e ética, é uma barbaridade só possível na cabeça de César das Neves.


2008-10-26

um pouco surpresa

com a referência às mulheres, nas propostas finais do Sínodo. Na Igreja Católica, tratadas como seres invísiveis, repara-se, enfim, que de modo próprio “sabem suscitar a escuta da Palavra, a relação pessoal com Deus e comunicar o sentido do perdão e da partilha evangélica”.

E um pequeno(grande) passo: que “o ministério de leitor seja aberto também às mulheres, para que na comunidade cristã seja reconhecido o seu papel de anunciadoras da Palavra”.

notícia - www.ecclesia.pt/

Ser

Deambulas por entre os dias das estacas
e do arame farpado
vibração do desejo inominável
inviolável
em todo o seu corpo de propulsões
rumo sem rumo, ascensão sem ascensão
árvore que se ergue, solitária,
no píncaro da montanha,
por baixo dela só o abismo
com as suas legiões de destruição
com os seus mares cavernosos, caninos,
incomensuráveis

Penetras,
sem qualquer temor,
as regiões mais pantanosas dos matagais
e incendeias a trepidez das árvores mortas
com as chagas abertas dos teus pés
com o teu grito fresco de dor
com os olhos desventrados;
e com o sangue correndo-te pela testa
pulsando-te nos punhos
fazes estremecer os astros
abalas o relentim dos motores
a segurança dos casulos de betão

A terra, as aves, as árvores, os bichos
da noite e da madrugada
conhecem as relíquias dos teus sinais
a certeza das incertezas
e num rio em turbilhão perfuras o
horizonte dos desertos
és o seu mana, a consolação
dos que acreditam que só o caminho
alimenta o caminho
que só a dor amacia a dor
que só o silêncio fala a verdade
em toda a sua inicial nudez


Luis Costa,
3 poemas e menos um para Konstantino Kaváfis
www.triplov.com/

aceitar-(se)

(Thomas Banks, The falling titan, 1786)

O homem está dividido dentro de si. A vida volta-se contra si própria através da agressão, do ódio e do desespero. Estamos habituados a condenar o amor-próprio; mas aquilo que pretendemos realmente condenar é o oposto do amor-próprio. É aquela mistura de egoísmo e aversão por nós próprios que permanentemente nos persegue, que nos impede de amar os outros e que nos proíbe de nos perdermos no amor com que somos eternamente amados. Aquele que é capaz de se amar a si próprio é capaz de amar os outros; aquele que aprendeu a superar o desprezo por si próprio superou o seu desprezo pelos outros.

Mas a profundidade da nossa separação reside, justamente, no facto de não sermos capazes de um grande amor, clemente e divino, por nós próprios. Pelo contrário, existe em cada um de nós um instinto de autodestruição, tão forte como o nosso instinto de autopreservação. Na nossa tendência para maltratar e destruir os outros existe uma tendência, visível ou oculta, para nos maltratarmos e nos destruirmos. A crueldade para com os outros é sempre também crueldade para com nós próprios. Deste modo, o estado de toda a nossa vida é o distanciamento dos outros e de nós próprios, porque estamos distanciados da Razão do nosso ser, porque estamos distanciados da origem e do objectivo da nossa vida. E não sabemos de onde viemos nem para onde vamos. Estamos separados do mistério, da profundidade e da grandeza da nossa existência. Ouvimos a voz dessa profundidade, mas os nossos ouvidos estão fechados. Sentimos que algo radical, total e incondicional nos é exigido; mas rebelamo-nos contra isso, tentamos fugir à sua urgência e não aceitamos a sua promessa.

Paul Tillich, in 'És Aceite'

www.citador.pt

o mandamento do amor

(Adam Elsheimer, Louvre-Paris)



"Se receberes como penhor a capa do teu próximo,terás de lha devolver até ao pôr do sol,pois é tudo o que ele tem para se cobrir,é o vestuário com que cobre o seu corpo.Com que dormiria ele?Se ele Me invocar, escutá-lo-ei,porque sou misericordioso». (Êxodo)


Perdoa-nos, ó Deus, a nossa passividade perante a avidez do mundo. À promessa da tua misericórdia, permanecemos indiferentes e acomodados. Inventamos nomes técnicos como - crise financeira - e esquecemos as suas vítimas e a origem da mesma: a cupidez que habita o coração do homem. Não nos deixes cair no mal da indiferença.

2008-10-25

não vendendo as ideias...graças a Deus!


O cabelo da candidata republicana a vice-presidente dos EUA, Sarah Palin, com a franja recta, a parte superior avolumada e os cachos ondulados, conquistou adeptos entre os que festejam o Halloween e algumas mulheres judias ortodoxas.

em fuga...

(Francis Bacon, "man dog")


A questão, agora, é compreender onde nos reconhecemos então. O que resta deste homem transformado pela história em representação da própria história? Na solidão autodestrutiva, na surdez descomedida, como encontrar nossa identidade?

Estamos, como Kepler, isolados por e em nossos próprios discursos. Sem deuses, sem diálogos, sem respostas, pois perdemos a capacidade de fazermos perguntas. Silêncio e ausência. Se tivesse que resenhar sobre nossa identidade hoje, a partir do espectáculo, diria que estamos fadados a fracassar em sermos nós mesmos.

aqui

2008-10-23

viver e criar dívidas

(Lucien Freud, 1951/2)

Encontrarmo-nos diante das coisas liberta o espírito. Encontrarmo-nos diante dos homens, de dependemos deles, avilta, e tal acontece, quer esta dependência tenha a forma da submissão, quer a da autoridade. Porquê estes homens entre mim e a natureza? Nunca ter de contar com um pensamento desconhecido... (porque, nesse caso, somos abandonados ao acaso). Remédio: fora dos laços fraternos, tratar os homens como um espectáculo e nunca procurar a amizade. Viver no meio dos homens como no vagão de Saint-Etienne a Puy... Sobretudo nunca permitir-se desejar a amizade. Tudo se paga. Conta só contigo.




Simone Weil, in 'A Gravidade e a Graça'

2008-10-22

aqui vou eu...


Malinha feita, vou-me lesta, recolher os prédios "Dardos" com que os queridos Nuno e Sabine, tiveram a amabilidade de me agraciar. A vida está difícil, mimos não se recebem todos os dias e vindo de quem vêm, têm ainda mais sabor. Obrigada, lindos!

quem confessa a verdade...merece castigo!

Nada disso. Refiro-me aos casos em que se fala verdade para encobrir uma mentira maior. Numa segunda entrevista de emprego, sou interrompida pelo entrevistador, para pronunciar de forma lapidar:"A sociedade portuguesa é marcadamente machista!"
Abri mais os olhos para ter a certeza de que não tinha sonhado, e era o homem cinquentão, jeitoso, cordial, sentado à minha frente, que estava a fazer semelhante afirmação.
Caí do limbo onde já navegava quando, para completar uma referência que fiz sobre as minhas filhas (na ficha de inscrição era perguntado se tínhamos familiares a cargo), acrescenta, célere:"Já estão despachadas!"

2008-10-21

ai, os malvados


pré-embrião, embrião...bioética, segundo, Juan Masiá

Concebir, en vez de concepción. Estar embarazada, en vez de embarazo. Dar a luz, en vez de nacimiento. Los verbos indican acción, proceso y duración.

Tras el encuentro del espermatozoide con el óvulo se inicia la fecundación, que dura más de 20 horas. El cigoto comienza la división celular, se llama mórula al tercer día, con 16 células. Entre el cuarto y séptimo día se prepara la anidación. En el blastocisto, a partir del día sexto, se esboza una masa celular interna (embrioblasto), que dará lugar al feto, y una capa exterior (trofoblasto) que será la placenta.
Con la implantación se completa la concepción al retener la mujer el óvulo fecundado hecho embrión.


El blastocisto posee individualidad meramente genética, pero aún no es un individuo multicelular. Dos pre-embriones pueden fundirse en uno o dividirse un pre-embrión en dos. Hacia el día 14 se forma el disco embrionario que, entre los días 15 y 18, se hace trilaminar. La aparición de la cresta primitiva, inicio del futuro sistema nervioso es un primer umbral decisivo.
Entre la tercera a la octava semana la interacción embrio-materna es constitutiva de la nueva realidad, llamada feto a partir de la octava semana.
Ante un proceso como el alba no es posible trazar una línea nítida de antes y después del comienzo. Tendremos que contentarnos con expresiones como “no antes de…” o “no después de…”, “no antes de la tercera semana, no después de la octava”.


Juan Masiá, teólogo


No blogue do autor há um texto em que rechaça a visão da Conferência Episcopal Espanhola, para estes temas.

vida com sentido



Madeleine Cinquin, faleceu com noventa e nove anos. Nascida na Bélgica, aos seis anos ficou orfã de mãe e mais tarde com a oposição da família fez-se religiosa. Foi professora em colégios religiosos e, aos setenta e dois anos, começou a sua entrega aos mais pobres na cidade do Cairo. E seguidamente em França integrando o movimento dos "Sem tecto". Faleceu em França a mulher, cuja independência de pensamento, fez frente muitas vezes à hierarquia católica.


Não por acaso, na profissão religiosa, adoptou o nome de Emmanuelle (Deus connosco).




notícia - www.periodistadigital.com/

tudo o que a vida é



Disseram-me num dia de Outono:"Esperava que viesses!". Palavras, cujo significado irrompe cheio de sentimento, acção e encontro feliz. Foi naquele dia, e continua a ser, uma definição da minha vida. Do sentido que procuro para ela. Espero confiadamente que a pessoa que a disse e todas as que já passaram e passarão pela minha vida, junto com Deus, me recebam um dia na eternidade sem ocaso, e eu ouça de novo:"Esperava que viesses!"


Dedico este post à Helena. É muito bom ser lida, de forma tão completa, como o fazes. Um abraço cheio de ternura cúmplice.

imagem- garden in Berlim
Outubro 2008
Reuters - Tobias Schwaz

2008-10-20

o mundo (im)possível?!

(chavesimprensalivre.blogs.sapo.pt/)

( Balão vermelho, Paul Klee)


EU E DEUS SOMOS UM BALÃO VERMELHO INFINITO

Vivo com Deus numa casinha pobre,
Caiada de azul e roxo, e ambos somos crianças
Desiludidas e cheias de lágrimas, por desgosto
Da incompreensão para a pureza da Alma
E da Criação, de que apenas as crianças
Possuem o segredo.

Sonhamos. É tudo o que fazemos. Sonhamos
E esse Sonho frutificará um dia e não
Se dirá que Deus é fonte do Mal, porque ele
É pequenino e vive na irrealidade,
Para a qual tudo em Espírito evoluirá um
Dia.

Eu e Deus somos um balão vermelho infinito,
Num jardim para crianças e nós damos
Milho aos pombos da eternidade -
Que é um beijo de Amor para sempre.
Temos sono. Deixem-nos dormir
Para colorir melhor o que ainda não nasceu.


Fernando Botto Semedo
Vintém das Escolas, 2002

2008-10-19

«Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.» Mt 22,21


Na actualidade não há imperadores que se apresentem como Deus, mas deparamos-nos com certas estruturas religiosas monárquicas e imperiais que longe de serem espelho da vivência da comunhão entre os irmãos e irmãs, pretendem impor a exploração dos pobres ao melhor estilo do império. Por isso, ao ler este texto sob a óptica dos dias actuais, temos que dizer com voz profética: “à estrutura oficial religiosa o que é dela” e a “Deus o que é de Deus”, ou seja, “a Deus Pai e a seu Reino toda a nossa entrega e fidelidade”.
Serviço bíblico Claretiano

2008-10-18

A Bíblia

Afinal, a Bíblia escreve sobre a história dos homens, no seu melhor e no seu pior, na busca do absoluto. É preciso entender que ela é um livro religioso e não científico e só no seu todo é que se reclama da verdade. Ora, se toda a religião tem como ponto de partida e de "definição" a pergunta essencial: o quê ou quem traz libertação, salvação, sentido final?, então, quando se pergunta pelo fio hermenêutico essencial e decisivo para a interpretação correcta dos livros sagrados, ele só pode ser o do sentido último, da libertação-salvação total. Só a esta luz é que são verdadeiros. Em tudo o que neles se encontra de menos humano ou até de desumano, revela-se o que Deus não é e o que o Homem não deve ser.

Anselmo Borges in DN

a Verdade...

A velha questão de Pilatos - «O que é a verdade?» - é mesmo uma questão velha, mal formulada e ultrapassada. Por isso, Jesus não respondeu. Nós não perguntamos «O que é a verdade?», mas «Quem é a verdade?». A verdade não é uma coisa ou uma ideia, mas uma pessoa que ama até ao fim. Esta verdade pessoal, é óbvio que devemos cultivá-la e testemunhá-la sempre, sejam quais forem as coordenadas geográficas, religiosas ou culturais em que vivamos. Seja o mundo plural ou singular. Amar o outro, diferente de mim, até ao fi m, é a verdade. E é verdadeiramente esta a atitude que conta. Não se trata, vê-se bem, de querer impor qualquer coisa seja a quem for.



António Couto, bispo, aqui

2008-10-17

17 de Outubro - Dia Internacional da Erradicação da Pobreza


A pobreza não é uma fatalidade - é uma injustiça, que ofende toda a humanidade. E só pode gerar o mais vivo inconformismo.
imagem BBC-Awad Elhamazani, Arábia Saudita

2008-10-15

Os números na Igreja Católica

Diz que os livros de baptismo são "invioláveis", não se lhes aplicando as leis relativas à protecção de dados, pelo que ninguém pode exigir que neles seja anotado que não é, ou que deixou de ser, católico. Desde que alguém tenha sido baptizado (e o baptismo, durante o franquismo, era obrigatório), fica católico para sempre mesmo que não queira. Lá como cá, a Igreja brande as estatísticas baptismais para falar em nome de maiorias praticamente absolutas e não lhe interessa que se descubra quantas ovelhas tem efectivamente o rebanho, ou quantas são, afinal, ateus, agnósticos, baptistas, metodistas, presbiterianos, ortodoxos, iurds, manás, testemunhas de Jeová, muçulmanos, budistas, bah'is, ou outra coisa qualquer. É tudo católico, e pronto.


Concordo na generalidade com o Manuel António Pina. Sei como os números são importantes na Igreja Católica. Mas, aludindo à realidade de Portugal, e mesmo de Espanha, são muito poucas as pessoas que desejam anular os registos de baptismo, ou apostatar. Preferem dizer que são católicas não praticantes. Por estas e por outras, é que o baptismo só deveria ser celebrado na idade adulta.

como sou

“Estou convencido de que as páginas deste diário me mostram como sou: ruidoso, cheio da algazarra de imperfeições e paixões, e das feridas abertas deixadas pelo pecado, cheio de defeitos, invejas e tormentos, cheio de meu próprio vazio intolerável."

Thomas Merton

2008-10-14

ecos do Sínodo

O bispo-auxiliar e vigário-geral de San Cristóbal de las Casas, México, Dom Enrique Díaz, afirmou perante a assembléia sinodal no Vaticano, que é preciso ter "fidelidade" à Palavra de Deus quando se defendem os oprimidos e os que sofrem, e que entre estes últimos estão os indígenas da América Latina.

love...

(Reuters/Kevin Lamarque, 13/10/2008, Casa Branca)


A lua que prometi, está ali
E o sol só amanhã
E a terra aos seus pés
A flor que eu te prometi, está ali
Guardada pra te dar
E você nem sei, não vi...

E o futuro prometido eu vim cobrar
Você jurou me amar
E me fazer feliz

...
(Victor e Léo)

da botânica da vida...

Sabes que as plantas são como nós? Quando possuem raízes a mais para o espaço onde estão confinadas, sufocam, precisam de desenlear as raízes e criar novas guias, arejar e ficar mais leves. Nós também precisávamos que nos mudassem de vaso para uns maiores onde coubessem todos os nossos silêncios e frustrações, vasos grandes, enormes, com um pouco de prado e de montanha, algumas ondas de mar e - porque não? - uma ou duas estrelas, das pequeninas, que brilham como vagalumes.

Tens toda a razão, vizinho!

2008-10-12

a justiça dos justos

À minha sensibilidade de mulher cristã e, vamos lá, de beata ingénua e sonhadora (isto não é uma confissão), preocupa menos que os grandes violadores e criminosos da história, recebam o castigo dos seus actos, do que as vítimas recebam a justa reparação.

Tenho esperança de que Deus assim providenciará.

A justiça de Deus não consiste, apenas, em castigar os culpados, mas em reparar toda a injustiça. A forma de a reparar é através do amor. E os culpados só repararão as faltas cometidas, com uma acção de amor. Não servem para nada, portanto, as nossas condenações redutoras.

2008-10-11

"Porque o Senhor falou"

(Reuters/Alexei Druzhimin (Russia)


Leitura do Livro de Isaías



Sobre este monte,
o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos
um banquete de manjares suculentos,
um banquete de vinhos deliciosos:
comida de boa gordura, vinhos puríssimos.
Sobre este monte,
há-de tirar o véu que cobria todos os povos,
o pano que envolvia todas as nações;
destruirá a morte para sempre.
O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces
e fará desaparecer da terra inteira
o opróbrio que pesa sobre o seu povo.
Porque o Senhor falou.
Dir-se-á naquele dia:
«Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação;
é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança.
Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou.
A mão do Senhor pousará sobre este monte».

2008-10-09

o sucesso que nos convém.

Digo-vos, pois: Pedi e ser-vos-á dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; 10porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra, e ao que bate, abrir-se-á.11Qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente? 12*Ou, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?13*Pois se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lho pedem!» (Lc 11,9-13)

Queixamo-nos com muita frequência da surdez e indiferença de Deus, aos nossos pedidos e apelos. Porque teimamos em pedir pães, ovos, sucessos fáceis e imediatos, em todas as vertentes da nossa vida. Não é isso que Deus tem para dar. Isso contrariaria a essência da nossa vida. Somos seres a realizar-se. Precisamos é do Espírito de Deus a agir em nós. A moldar o nosso coração, para o sucesso que nos convém.

O Espírito Santo é a oportunidade de sermos livres. De vivermos, sem sermos subjugados pelo que nos divide, mas pelo que nos unifica.

o fracasso do capitalismo...

Não se mede o fracasso do capitalismo por suas crises financeiras, e sim pela exclusão - de acesso a bens essenciais de consumo e direitos de cidadania, como alimentação, saúde e educação -, de 2/3 da humanidade.

engordar o porquinho



Confesso que me passa muito ao lado a actual crise financeira. Crises conheço eu desde que deixei de molhar as fraldas. Mas sei ver quando se começam a formar os glutões do amanhã. E para isso arranjo uma história para contar:

Quando peço umas moedas para facilitar um troco, abre o porta moedas e vira-o para baixo, para eu ver que está cheio, mas é de ar. E com orgulho justifica:"agora nunca tenho moedas. O meu netinho, de dois anos, tira-mas todas. Diz ele que é para engordar o porquinho"

2008-10-08

"Quem sou?"




Frequentemente me dizem que
saí do confinamento de minha cela
tranquilo, alegre e firme
como um senhor de sua mansão de campo.
Quem sou?
Frequentemente me dizem
que costumo falar com os guardiões da prisão confiada,
livre e claramente,
como se eu desse as ordens.
Quem sou?
Também me dizem
que superei os dias de infortúnio
orgulhosa e amavelmente, sorrindo,
como quem está habituado a triunfar.

Sou, na verdade, tudo o que os demais dizem de mim?
Ou sou somente o que eu sei de mim mesmo?
Inquieto, ansioso e enfermo,
como uma ave enjaulada,
pugnado por respirar, como se me afogasse,
sedento de cores, flores, canto de pássaros,
faminto de palavras bondosas, de amabilidade,
com a expectativa de grandes feitos,
temendo, impotente, pela sorte de amigos distantes,
cansado e vazio de orar, de pensar, de fazer,
exausto e disposto a dizer adeus a tudo.
Quem sou?
Esse ou aquele?
Um agora e outro depois?
Ou ambos de uma vez?
Hipócrita perante os demais
e, diante de mim mesmo, um débil acabado?
Ou há, dentro de mim,
algo como um exército derrotado
que foge desordenadamente da vitória já alcançada?
Quem sou?
Escarnecem de mim essas solitárias perguntas minhas;
seja o que for,
Tu o sabes, ó Deus: sou Teu!

Dietrich Bonhoeffer

tal qual Deus

"Tem soluções para tudo e respostas para todas as perguntas" É o Mourinho, treinador luso, avaliado por um gajo do futebol com um nome esquisito.
E passa o Papa a vida a dizer que a descrença cresce no mundo...não vê futebol, nem conhece o Mourinho!

2008-10-07

verdadeiramente bom:

isto mesmo!

actual

retrato

os corruptos continuam em cena
do alto da sobranceria
dominam o mundo e o poder
incólumes - sem justiça nem deveres -
tudo maculam tudo vendem
invencíveis e omniscientes
até que o pó chegue

Helena Faria Monteiro

a vida é isto

Não fala, tem o lado direito do corpo paralisado, está reduzida a um terço do que era, mas o olhar adquiriu uma vivacidade que eu nunca lhe conheci. Como se nos dissesse de cada vez que nos olha: estou viva! Lutem por mim, porque eu ainda não desisti.

2008-10-05

quando a dor esmaga, esmaga a todos

A Joana Lopes, alude a uma notícia sobre um estudo científico (pseudo, a meu ver) que põe em comparação, a dor entre crentes e não crentes. Sendo que, nos crentes, é menos intensa.

Imediatamente me lembrei duma conversa deste fim-de-semana. O acaso colocou-me sentada ao lado de uma mulher de sessenta e tal anos que atendeu uma chamada de telemóvel que eu, pela proximidade, não pude deixar de ouvir.
Encetei eu o diálogo e ela foi manifestando os motivos da ansiedade que eu tinha adivinhado pelo teor do telefonema. Vinha de uma visita ao marido internado há quatro semanas nos Cuidados Intensivos de um Hospital. Tinha sido operado ao coração e estava a correr mal. Há dois anos tinha sido a um cancro no ouvido. E há dois dias que, completamente esgotado, só dizia que queria morrer. Ela, católica fervorosa, ameaçou-o com Deus e Nossa Senhora e que não ousasse pensar em tal coisa. Timidamente, disse-lhe que o cansaço dele era perfeitamente compreensível. Vi nos olhos húmidos dela, o medo de perder quem amava. Mentalmente, zanguei-me mais uma vez com uma Igreja que prega um Deus desumano e desencarnado.

E o Deus da paz estará convosco



Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses

Irmãos:
Não vos inquieteis com coisa alguma.
Mas, em todas as circunstâncias,
apresentai os vossos pedidos diante de Deus,
com orações, súplicas e acções de graças.
E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência,
guardará os vossos corações
e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.
Quanto ao resto, irmãos,
tudo o que é verdadeiro e nobre,
tudo o que é justo e puro,
tudo o que é amável e de boa reputação,
tudo o que é virtude e digno de louvor
é o que deveis ter no pensamento.
O que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim
é o que deveis praticar.
E o Deus da paz estará convosco.

"Portugal vive tempos díficeis"


Obrigadinha, Sr Presidente, ainda não tinhamos reparado. De qualquer modo: Viva a República!