2008-10-15

Os números na Igreja Católica

Diz que os livros de baptismo são "invioláveis", não se lhes aplicando as leis relativas à protecção de dados, pelo que ninguém pode exigir que neles seja anotado que não é, ou que deixou de ser, católico. Desde que alguém tenha sido baptizado (e o baptismo, durante o franquismo, era obrigatório), fica católico para sempre mesmo que não queira. Lá como cá, a Igreja brande as estatísticas baptismais para falar em nome de maiorias praticamente absolutas e não lhe interessa que se descubra quantas ovelhas tem efectivamente o rebanho, ou quantas são, afinal, ateus, agnósticos, baptistas, metodistas, presbiterianos, ortodoxos, iurds, manás, testemunhas de Jeová, muçulmanos, budistas, bah'is, ou outra coisa qualquer. É tudo católico, e pronto.


Concordo na generalidade com o Manuel António Pina. Sei como os números são importantes na Igreja Católica. Mas, aludindo à realidade de Portugal, e mesmo de Espanha, são muito poucas as pessoas que desejam anular os registos de baptismo, ou apostatar. Preferem dizer que são católicas não praticantes. Por estas e por outras, é que o baptismo só deveria ser celebrado na idade adulta.

2 comentários:

  1. Mas alguém acredita no poder real dessas hordas de católicos? Entre os números e a realidade, os padres são os primeiros a conhecer a diferença. As igrejas só enchem no 15 de agosto, e para baptizados, casamentos, funerais.
    Não é com uma cristandade destas que se muda o mundo...
    E ninguém se deixa enganar com estatísticas sobre o número de baptizados.

    Há muito que se sabe que é preciso missionar de novo a Europa.

    Na Alemanha paga-se impostos para a igreja - e não é pouco. De modo que não existem tantos católicos (ou protestantes) não praticantes. Ser católico custa umas largas dezenas de euros por mês (enfim, conforme os rendimentos), pelo que ninguém fica lá por acaso.

    Olha... pela primeira vez (enfim, pela segunda: a primeira foi quando ouvi o padre da minha paróquia portuguesa pedir que abrissem os cordões à bolsa porque a conta da luz ainda não tinha sido paga) dei-me conta que este sistema tem vantagens.

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  2. Ninguém acredita, Helena. Mas os números saltam sempre que se quer pôr em confronto Igreja e Sociedade. Aparece nos discursos para valorar a posição da Igreja. Dentro, faz-se o choradinho.

    A questão monetária ainda não se põe. A Igreja ainda tem muito activo. Mas não se manterá sempre assim. Em Portugal, como a "maioria" é católica e o resto é paisagem, são precisos os tais números para pedir o apoio do Estado.

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