2008-11-25

A Palavra de Deus

Como diz T. Adorno "nada há de inofensivo". Também a experiência religiosa acaba por ser contaminada por aquilo que são os interesses dos que a vivenciam.
Na história do cristianismo, obedecendo a interesses pastorais imediatos, muitas vezes, a Igreja desfigurou a Palavra de Deus para anunciar a sua.

Hoje, um pai dizia-me que tinha um filho de vinte e oito anos que era uma pessoa extraordinária. Desde cedo se revelaram nele qualidades, que levaram a mãe a desejar que ele fosse padre. E a manifestar-lho várias vezes. Ele respondia da melhor forma que encontrava que não desejava tal coisa porque gostava era de mulheres.
Há pouco tempo surgiu-lhe um cancro linfático. A mãe, talvez para arranjar uma desculpa para o que a não tem - a doença -, começou a dizer que era castigo de Deus por ele não ter optado pela vocação de padre. O pai não sabia que dizer.
Eu, veementemente, disse-lhe que nenhum Deus merecia o amor de algum homem, se fizesse tal coisa.

Poder-se-á dizer que isto é fruto de uma religiosidade popular e pouco esclarecida. Mas não chega, é também fruto da doutrinação da Igreja.

4 comentários:

  1. nunca te falte a honestidade

    consigo, com todos, com Deus

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  2. Tens toda a razão, MC.
    Um deus com maus ou bons humores humanos, nunca poderia ser Deus. (a minúscula e a maiúscula são propositadas).
    Eu sei do que falo. Encontro muitos desses deuses por aqui.

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  3. nunca me/nos falte a fé, a esperança e o amor

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  4. Claro que deves encontrar, Migalhas. Com mais capacidade de manobra do que eu.

    esta conversa surgiu no contexto de trabalho. Apetecia-me abraçar aquele pai dorido, mas...não ficava bem. Iam achar que eu não estava boa... :)

    O inverso também acontece: uma família achar que foi tocada por alguma graça especial só porque um filho decide pela vocação de padre. A Igreja cultiva isto. Cultiva mal, quanto a mim.

    beijos

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