2008-12-11

entre risos e ditotes


No pronto-a-comer está um grupo de mulheres (e um único homem) sentados a almoçar, sento-me à frente delas. O espaço é pequeno e ouço as conversas. Vão lançando frases de provocação umas às outras. Coisas ligeiras. Uma resolve diagnosticar que a outra está com complexo de Édipo, mas ao contrário. Outra corrige e diz que é de Electra. A que foi objecto do diagnóstico não percebe e diz algo como se fosse um derivado de eletrodoméstico. Explicam-lhe soletrando que é E-LE-TRA. Ela repete. Noutra mesa ao lado, quatro avós riem desalmadamente como se fossem adolescentes.

A pouco e pouco, desfaço-me da couraça vestida ao acordar, saiem-me do cérebro os batuques da ressonância e sinto-me uma entre mulheres. À medida que mastigo o bife, engulo as gargalhadas delas tomando-as como minhas e digo entre dentes: já passou, estou nas Caldas, o parque está do outro lado da rua e a vida segue.

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