a fé nos diz que não há dois princípios, um bom e um mau, mas há um só princípio, o Deus criador, e este princípio é bom, só bom, sem sombra de mal. E por isso também o ser não é uma mistura de bem e de mal; o ser como tal é bom e por isso é bom existir, é bom viver. Este é o alegre anúncio da fé: só há uma fonte boa, o Criador. E por isso, viver é um bem, é algo bom ser um homem, uma mulher, é boa a vida. Depois segue um mistério de escuridão, de noite. O mal não vem da fonte do mesmo ser, não é igualmente originário. O mal vem de uma liberdade criada, de uma liberdade abusada.
Bento XVI, 3 de Dezembro 2008
www.zenit.org/
...e cá está ele para evitar que nós abusemos essa liberdade!
ResponderEliminarÉ um querido...
ResponderEliminaro Papa agradece o "querido" :))
ResponderEliminarColoquei esta citação mais para reflexão pessoal do que para outra coisa. A citação está inserida na catequese do Papa sobre o pecado original.
Por um lado gostei da linguagem, direi airosa, sobre o tema. Embora eu só tenha tido acesso a esta tradução brasileira.
Por outro lado, não fico convencida, que a questão do mal seja fruto da escolha/liberdade humana. Também não consigo conceber um Deus Criador e Redentor, origem do mesmo. Fico num impasse. No diabo, não acredito :))) Sou uma "boazinha". :)
A questão da liberdade...há ou não? S. Paulo diz que sim: "Sei que tudo posso, mas nem tudo me convém" Há pessoas que não podem tudo. Ou nem podem nada. Quem acorda e adormece com fome não é livre. Uma coisa que não é acessível a todos pode ser considerada um bem universal? como sou crente acrescento: dado por Deus?
Ou então vamos por Fernando Pessoa:"a renúncia é libertação" Mas eu só posso renunciar a algo que possuo. Se nunca cheguei a ter como posso dizer que renuncio?
(cada vez estou mais baralhada) :)
Sim, o Papa acha que não se pode abusar da liberdade. Eu posso matar, mentir, difamar...mas existe a lei.
Com todo o respeito, S. Paulo não percebia nada sobre o livre arbitrio. Na verdade nunca ninguém escreveu algo minimamente credível sobre o assunto durante vinte seculos. Um dos poucos livros sofríveis sobre o assunto é
ResponderEliminarA liberdade evolui,
de Daniel Dennet.
Todos queremos crer (menos os protestantes) que o livre arbitrio existe. O problema é explicar como. Quase todos os progressos do conhecimento apontam na direcção oposta. Basta pensar no Freud.
Se eu tivesse pachorra para acabar o livro do Dennet e tivesse um blogue, fazia um post sobre isso.
Daqui a uns anos talvez o Dennet faça um livro menos mau sobre o assunto...
bom, se vamos ficar à espera do Dennett, estamos mal...não creio que um homem vá resolver esta questão.
ResponderEliminarHá quem afirme que a liberdade é existencial. Eu quero fazer profissão de fé nisso. Arcar com todas as suas consequências é que já não sei...
Eu não vou minimizar o Freud mas também não lhe quero dar a última palavra neste assunto.
Se olhamos ao espelho e só vemos o umbigo...
quando ganhares pachorra podes muito bem escrever algo sobre este tema. Sabendo que certezas só na matemática. ou nem isso?
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarOs homens resolvem mesmos questões. O Freud mostrou que em certas situações agimos compulsivamente, desprovidos do livro arbitrio. Até agora muito poucos, para além do Dennet, disseram alguma coisa de jeito no sentido de explicarem como seria possivel tal coisa. Outro pode vir a dizer algo de jeito é o Damásio.
ResponderEliminarFoi um matemático que avançou a primeira explicação para a coexistencia do livre arbitrio com o determinismo do mundo. Um senhor chamavado René Descartes. Mas o dualismo cartesiano alma-corpo já não é minimamente defensavel.
Era assim um pecado tão grande ires a uma FNAC folhear o livro do Dennet? Depois confessavas-te e eras perdoada. Eu no outro dia fui a um baptizado...
gosto sempre quando estas nossas discussões blogosféricas começam a encaganitar-se...estou eu a tratar dum post sério sobre a Igreja e começas tu a mandar-me confessar...
ResponderEliminareu sei que os homens resolvem...aliás é o que mais gostam de fazer.
Freud: uma coisa é agir compulsivamente outra é ter capacidade de decisão. Por isso é que a lei contempla a figura dos inimputáveis. Isto não será igual para todos os índividuos. De qualquer modo, estamos a discutir isto de uma forma muito basilar e fragmentária.
Tirando o dualismo alma/corpo não será possível manter na mesma a coexistência do livre arbítrio e determinismo? é uma pergunta que eu acho fundamental nesta discussão. Eu não tenho o mínimo esboço de resposta.
Não há Fnac nas caldas. Gastar uma ida a Lisboa para me enfiar numa fnac (que nos últimos tempos andam decepcionantes) não estou para aí virada. E eu precisava de mais do que uma simples olhadela no livro.
Já espreitei no Google e vi que o homem é ateu, mas não preciso de me ir confessar por ler umas páginas do que ele tenha escrito. :)
A confissão é algo mais sério.
não foste o padrinho...suponho :)
ressalvo que uma discussão onde não haja ironia, provocação, emoção e outras coisas mais, é uma discussão fraquinha.
ResponderEliminarlogo, sinto-me e sei que estás à vontade... ateu :)
Vamos lá repetir sem ironia aquilo que já disse com ela:
ResponderEliminarSerá só o mal que resulta do livre arbitrio? Não é essa posição a forma mais comoda de justificar a intromissão nos assuntos alheios?
Haverá bem sem escolha?
Então qual é a razão da distinção?
o livre arbítrio é a escolha livre. Do bem e do mal. A questão que está subjacente às tuas questões é a questão "Deus". Escreverei alguma coisa nesse sentido. Num post. Sem pretenções de te dar alguma resposta. Continua a ser na linha da reflexão pessoal. As tuas perguntas ajudaram a contextualizar.
ResponderEliminarPercebo a tua relutância em relação à voz da Igreja. Muitas das vezes é usada para manipular, não para libertar (ou ajudar a libertar). Quando faz isso, não é voz de Deus.