Até o individuo mais distraído (estou a referir-me aos habitantes do hemisfério Norte e Ocidente, sobretudo) já reparou que estamos em crise. Crise financeira, crise económica e todas as que daí derivam. Em tempos de crise material, e na busca de soluções, a religião tende a tornar-se uma resposta às expectivas. As pessoas apercebem-se de que os sistemas económicos que garantiam o bem-estar e davam a ilusão de realização (o Homem ocidental satisfaz-se com o acesso aos bens de consumo) afinal são falíveis e finitos.
Quando falo de religião, estou a referir-me ao cristianismo, preferencialmente, porque é o que conheço melhor. Dimana do cristianismo o seguinte:"vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro nos céus" (Mc 10,21) . A riqueza material é posta como secundária para a felicidade. O sentido da vida não se encontra em possuir, mas em partilhar.
É a Igreja, hoje, capaz de passar esta mensagem de forma credível? Temo que não. A Igreja que nos primeiros séculos se reunia à margem dos templos, passou a ganhar visibilidade e poder. A ser a antítese daquilo que prega.
A Igreja confessa ter ansiado pela segurança e pela tranquilidade, pela paz, pela posse da honra a que não tinha direito, e de assim ter estimulado, e não refreado, a cupidez dos homens. Dietrich Bonhoeffer - Ética, pág. 107
Bonhoeffer escreve esta crítica num tempo histórico muito próprio - segunda guerra mundial e vigência do nazismo - mas não quer dizer que esta crítica não possa ser imputada à Igreja e ao cristianismo na sua totalidade. O cristianismo saído das catacumbas sempre se quis impor a um papel que não lhe pertence. Segundo Bonhoeffer (e os Evangelhos) esse papel cabe a Cristo.
fizeste-me rir, MC.
ResponderEliminarquando ouço falar dos bons exemplos cristãos, lembro-me sempre do franciscano Melicias, cujos votos de pobreza, são camisas e fatos de marca...
abraço
não vamos por aí, Luís
ResponderEliminaro padre franciscano pode ter algum rico que tem as mesmas medidas... :)
abraço