Há imagens das quais nos é difícil separar. Separar é dizer pouco. Porque estão de tal modo enraizadas em nós, que uma ruptura com as mesmas, equivale a uma violação com sangue lágrimas e profundo desgosto. Para evitar isso (ninguém gosta da dor), ignoramos, iludimos, adiamos a crise que nos levaria a enfrentar a mudança.
Quem andou na catequese, e quem não andou de algum modo acedeu ao mesmo, recebeu em primeiro lugar a imagem de um Deus Criador, Todo Poderoso, lá no alto a vigiar-nos. Crescemos, amadurecemos, adquirimos saberes e essa imagem de Deus já não responde aos nossos anseios. Poderemos, então, enveredar por várias situações; uma delas, comum, é pretendermos entrar num dualismo com Deus. Numa competição. Deus já não é aquele que vigia, é aquele que eu, com as minhas capacidades, hei-de vencer. Coloca-se Deus como concorrente do homem.
Temos outro caminho à nossa disposição - deixar de crer num Deus do "alto" e acreditar num Deus próximo, dentro do nosso coração (a vida do homem).
O Deus que cria é o Deus que salva. E cria-nos para sermos co-criadores com ele. Deus não é inimigo da inteligência do homem. Com ela, o homem participa na obra da criação. O que Deus realiza, realiza no mundo e não à sua margem.
A fé em Deus não cala as interrogações do homem. A fé é relação, logo é dinâmica. A fé não fecha o homem em si mesmo, coloca-o em diálogo permanente consigo mesmo e com o "Cosmos".
A experiência da fé pode levar-nos a acreditar num Deus assim expresso por Adolphe Gesché:
"Deus capaz do ser humano,
enamorado pelo ser humano
desejante e apaixonado pela nossa bondade
e por nossa grandeza
(...) esse Deus é finalmente um Deus
admíssivel, (experimentável)
e crível."
Agora já só falta um pequeno passo.
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ResponderEliminarSe
ResponderEliminar" A fé em Deus não cala as interrogações do homem "
seria de evitar afirmações do tipo
"não creio que um homem vá resolver esta questão"
No passado disses-se em nome da fé que os pobres homens nunca diriam algo relevante acerca da estrelas. Pelos vistos ainda se acha que nunca dirão algo relevante acerca do livre arbitrio. Se a fé nos leva a ler quase só obras religiosas, fecha-nos ao mundo
e cala muitas das nosasa interrogações...
ON,
ResponderEliminarcompletamente a leste do 1º comentário. :) ?
Ser mulher dá-me alguns privilégios. Não pretendo prescindir deles. :)
"não creio que um homem vá resolver esta questão"
É bem possível que o que eu pensei quando escrevi isto, não corresponda ao que deduziste do mesmo.
Tal como quando a Adélia Prado escreve: "O mundo é inintelígivel".
São dizeres sobretudo emotivos. Claro que o mundo se diz, se aprende, se realiza, se conhece, se renova...mas as ciências não conseguem explicar a falta de amor. Ou o mesmo. Se explicam eu não sei.
Há interrogações para as quais ainda não encontámos resposta. Homens nasceram e morreram e elas continuaram iguais. Era mais nesse sentido que eu falava.
Todos os dias se afirmam coisas no mundo e nós na nossa vida e no dia seguinte, o seu contrário...e o mundo continua a girar. Eu vivo bem com isso. Por ser mulher, talvez.
a fé leva-nos a muito mais do que leituras. Ou a leituras de livros. Ler a própria vida é já grande leitura.
Ainda hoje atendi uma mulher de sessenta e tal anos que não sabia ler. Confessou-o meio envergonhada. Senti várias coisas: pena, raiva...mas um respeito muito grande por uma pessoa que não sabia ler o valor que tinha a pagar e confiava que o que eu lhe dizia estava certo.
Agora já só falta um pequeno passo
ResponderEliminarpara aceitares o ateismo.
"São dizeres sobretudo emotivos. Claro que o mundo se diz, se aprende, se realiza, se conhece, se renova...mas as ciências não conseguem explicar a falta de amor. Ou o mesmo. Se explicam eu não sei."
e se explicarem, não queres saber?
"Há interrogações para as quais ainda não encontámos resposta."
e há muitas para as quais as respostas são dadas todos os dias. Todos os limites que foram apresentados para as areas onde se podia encontrar respostas foram ultrapassados.
Queremos ou não saber as respostas?
Queremos ou não que essas respostas sejam encontradas.
Ás vezes parece que não queres.
Será que naõ queres mesmo?
"agora só falta um pequeno passo para aceitares o ateísmo"
ResponderEliminarPor todos os deuses... o que é que isto quer dizer? Que não aceito as ideias e que alguém se declare ateu? não me reconheço nessa posição.
Que me declare ateia? bom, se isso algum dia acontecer, acontecerá. não é o caso presente.
Decididamente, não estou a conseguir fazer-me entender: eu não rejeito qualquer tipo de conhecimento. Racionalmente, não!
Nem rejeito respostas, se dei a entender isso, não era essa a intenção.
Ainda ninguém conseguiu apresentar um "retrato" de Deus. Aceito isso, numa perspectiva de fé e de esperança. Era esse o sentido do que eu dizia.
Não podes deduzir isso apenas pelo que escrevi sobre o autor que sugeriste. Por acaso tens o livro para me emprestar? ou oferecer, estamos em época de generosidade obrigatória.
amanhã vou a Lisboa, não tenho como destino nenhuma fnac...mas nunca se sabe.
agora, já se sabe:)
ResponderEliminartropeçaste nalguma?
fnac?
ResponderEliminarnem me digas. saí tão variadinha da maldita máquina que tinha combinado encontrar-me com uma pessoa, ela não pode e eu agradeci aos deuses, queria era meter-me a caminho das caldas e mais rápido possível.
Já vinha quase a chegar quando me lembrei que tinha duas filhas e era melhor sossegá-las. :) acho que fui convincente. (nâo muito que elas passaram o dia a telefonar-me.)
Cheguei ao multibanco e meti um cartão que não devia, A máquina ficou-me com ele. Achei que era o da conta que queria utilizar e fiquei sem dinheiro. Hoje fui ao banco e o funcionário disse que eu devia ter o cartão. Fui à carteira e tinha. bonitas figuras de senilidade :)
O mundo é dos loucos e eu estou lá.