humana condição
Manifestas-me o cansaço dos teus dias. A rotina, a mudança esperada e que tarda a chegar. O vazio que se prolonga pelos que te são próximos e os ecos de desumanização que te chegam dos que estão distantes. E basta ouvirmos 5 minutos de notícias para sentirmos como o mundo está longe de ser o paraíso. Não desvalorizei nem minimizei nada do que me disseste. Mas penso que consegui semear algumas sementes de esperança no teu coração. Com carinho redobrado e toda a doçura possível pedi-te que valorizasses tudo o que de bom já possuis e reconheces nos outros. Sabes-me crente no Cristo vivo. É nele que fundamento a minha esperança e confiança. É nele e por Ele, que te mostro que é uma ventura estar vivo. Confia...
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dia do pai
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Feliz Páscoa
2008-03-18 em 3/18/2008 04:26:00 PM
imagem retirada daqui
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um pequeno raio de luz
Assim que atendo, diz-me de chofre:"A sua amiga morreu". A Maria Eduarda tinha noventa e dois anos, não surpreende que tenha chegado a sua Páscoa definitiva. Mas, para mim, não foi indiferente que tenha acontecido logo neste tempo litúrgico. Se foi um acaso, mera coincidência... a mim fez-me centrar, por aquilo que acompanhei da sua vida, no que é essencial e acessório da mesma. O essencial é tudo o que fica para além do que fazemos, possuímos e somos. Da Maria Eduarda, ficou-nos uma confiança e fé ilimitadas. Uma ternura transbordante, uma serenidade contagiante. Dela podia-se dizer com verdade:"Era um raio de luz numa igreja em ruínas."
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orar
...Orar é deixar-se amar por Deus. É deixar o silêncio de Deus ressoar em nosso espírito. É permitir que ele faça morada em nós. Sem cair no farisaísmo de achar que a minha oração é melhor do que a sua, como aquele fariseu frente ao publicano (Lucas 18,9-14). Quem ora procura agir como Jesus agiria. Sem temer os conflitos decorrentes de atitudes que contradizem os antivalores da sociedade consumista e individualista em que vivemos.
Fri Betto
ler o artigo completo aqui
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o segredo
2008-03-14 em 3/14/2008 04:46:00 PM
Um amigo fala-me do livro "O Segredo". Lembro-me de já ter ouvido falar, como fórmula mágica e eficaz de sucesso na vida. Como conheço o suficiente da mesma, para saber que não existem receitas mágicas de "pronto-a-viver", relevo. Mas não evito de pensar nos sucessos que tenho alcançado, de cada vez que me sussurras ao ouvido: "És maravilhosa".
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dentro do orçamento:
Uma Maria da Luz, dizia uma tarde destas na SIC (num daqueles programas para quem não sabe onde gastar o tempo): "Deus concede-me tudo o que eu lhe peço." (Comecei logo a desdenhar. Irritam-me todos os simplismos em relação a Deus). Mas era uma Maria da Luz sábia, porque a seguir a uma breve pausa, acrescentou:"Desde que esteja dentro do Seu orçamento".
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eu e mais...
Dou-me bastante bem comigo própria. Já me é mais difícil fazê-lo com as diversas imagens que os outros têm de mim. Por norma, estranho sempre a imagem que me devolvem. Erro de avaliação dos outros? Talvez! Mas se num primeiro momento, sou impelida para a rejeição, logo levo em conta que é na relação com o(s) outro(s) que construo a minha identidade.
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pecados capitais:
recomendo que se acrescente mais um à lista: nada de palavras de consolo que redundam em frases assassinas. Tipo: "A D. Celeste diz que se fartou de chorar a primeira vez que se olhou ao espelho. Mas ela é casada...tem o marido..."
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um testemunho, um grito de alerta: Ingrid Betancourt
2008-03-07 em 3/07/2008 04:37:00 PM
Prisioneira das Farc. Um símbolo de mulher que resiste à violência e ao poder arbitrário. A liberdade, já!
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o feminino
Olhar a nossa sociedade não é fácil, muito menos ser mulher com sonhos e projectos numa sociedade ainda fortemente machista. Mas olhar é a acção primeira do mundo feminino que prefere observar, analisar para depois fazer suas escolhas.
É a mulher que indaga, busca explicações e se emociona com as notícias de violência e com qualquer dor alheia. Raras excepções calculam apenas danos materiais ou morais.
Colocar-se no lugar do outro ou da outra ainda é o papel principal da mulher, seja ela jovem ou idosa. É ela que percebe a fome no rosto da criança, a dúvida no olhar do aluno, os problemas dos filhos.
Será, contudo, esse olhar um privilégio apenas da mulher? Com certeza não, mas é, sem dúvida, o papel que lhe coube quando o machismo muitas vezes não permite ao homem chorar, ser delicado ou complacente.
Embora os homens tenham contribuído para a revolução cultural, a mulher precisou assumir um certo feminismo político dividida entre a emoção e a razão.
Encontramos na discussão sobre a relação de género a complexidade da convivência desses dois universos: masculino e feminino. No entanto, descobriu-se mais do que uma complexa relação, uma realidade complementar em que ambos aprendem e ensinam.
Mesmo chegando, teoricamente, a um grau de harmonia, não é possível ignorar o olhar feminino que norteia a sociedade, esta construída com os desequilíbrios humanos, insensatez e, sobretudo, pensada com a dinâmica do poder. Olhar que elucida, alenta e humaniza.
O olhar feminino arrebata e consegue fazer os homens se enxergarem mais e identificarem suas inseguranças e dores. Talvez este seja o único caminho para a verdadeira igualdade de género, quando o feminismo não se tornará mais necessário e as diferenças no campo profissional e na formação desaparecerá.
No momento em que uma mulher olha para a vida, estabelece uma comunhão de sensações, afectos e entendimentos porque quer experimentar conscientemente a liberdade de viver. Liberdade que nem homens, nem mulheres conhecem na sua essência e por isso insistem em magoar e reprimir uns aos outros.
Infelizmente, vivemos todos numa sociedade que não é livre. Homens e mulheres são reféns da violência, do vício, do fanatismo, da politicagem e da exploração.
O olhar feminino busca, apesar de tudo, um espaço para a cumplicidade entre homens e mulheres, onde a vivência social ganha uma nova leitura do ponto de vista político, econômico e cultural.
Imperdoável seria esse olhar perder-se num feminismo fechado e idealizar uma guerra nas diferentes áreas de actuação da mulher. Mais irreparável seria o olhar masculino não mais enxergar o romantismo, a poesia e o afeto em seu par.
Contudo, lembrando a comemoração do dia internacional da mulher, acho importante desejar aqui que homens e mulheres conquistem, a cada dia, a felicidade com o olhar voltado para um compromisso mútuo, com base na honestidade e na compreensão das diferenças.
Maria Rosa Coutinho
mariarosacoutinho@yahoo.com.br* Professora universitária de Sociologia
publicado em Adital
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palavras para o dia que aí vem...
2008-03-05 em 3/05/2008 05:52:00 PM
Não tenhas medo do amor. Pousa a tua mão
devagar sobre o peito da terra e sente respirar
no seu seio os nomes das coisas que ali estão a
crescer: o linho e genciana; as ervilhas-de-cheiro
e as campainhas azuis; a menta perfumada para
as infusões do verão e a teia de raízes de um
pequeno loureiro que se organiza como uma rede
de veias na confusão de um corpo. A vida nunca
foi só Inverno, nunca foi só bruma e desamparo.
Se bem que chova ainda, não te importes: pousa a
tua mão devagar sobre o teu peito e ouve o clamor
da tempestade que faz ruir os muros: explode no
teu coração um amor-perfeito, será doce o seu
pólen na corola de um beijo, não tenhas medo,
hão-de pedir-to quando chegar a primavera.
Maria do Rosário Pedreira
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são assim os nossos dias...
no mesmo dia em que sei que Rouco Varela é o novo presidente da Conferência Episcopal Espanhola, descubro que o Migalhas criou um blog na língua de nuestros hermanos. Como diz o povo:"Uma mão lava a outra".
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mea culpa
2008-03-04 em 3/04/2008 05:01:00 PM
Como católica apostólica romana, tenho vergonha da forma como tem agido a grande maioria dos bispos espanhóis, na actual campanha eleitoral.
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dar vez à esperança
...Estou lendo uma biografia de Dietrich Bonhoeffer, intitulada, muito significativamente, "Deveríamos ter gritado". Bonhoeffer, teólogo e pastor luterano, profeta e mártir, foi assassinado pelo nazismo, no dia 9 de abril de 1945, no campo de concentração de Flossenbürg. Ele denunciava a «Graça barata» à qual reduzimos muitas vezes nossa fé cristã. Advertia também que «quem não tenha gritado contra o nazismo não tem direito a cantar gregoriano». E chegava finalmente, já nas vésperas do seu martírio, a esta conclusão militante: «Tem que se parar a roda bloqueando seus raios». Não bastava então socorrer pontualmente as vítimas trituradas pelo sistema nazi, que para Bonhoeffer era a roda; e não nos podem bastar hoje o assistencialismo e as reformas-remendo frente a essa roda que para nos é o capitalismo neoliberal com os seus raios do mercado total, do lucro omnímodo, da macro-ditadura econômica e cultural, dos terrorismos do estado, do armamentismo de novo crescente, do fundamentalismo religioso, da devastação ecocida da terra, da água, da floresta e do ar.
...Não podemos ficar estupefatos diante da iniqüidade estruturada, aceitando como fatalidade a desigualdade injusta entre pessoas e povos, a existência de um Primeiro Mundo que tem tudo e um Terceiro Mundo que morre de inanição. As estatísticas se multiplicam e vamos conhecendo mais números dramáticos, mais situações infra-humanas. Jean Ziegler, relator das Nações Unidas para a Alimentação, afirma, carregado de experiência, que «a ordem mundial é assassina, pois hoje a fome não é mais uma fatalidade».
...Mas a Utopia continua. Como diria Bloch, somos «criaturas esperançadas» (e esperançado-ras). A esperança segue, como uma sede e como um manancial. «Contra toda esperança esperamos».
...Frente ao descrédito da política, em quase todo o mundo, nossa Agenda Latinoamericana 2008 aposta por uma nova política; até «pedimos, sonhando alto, que a política seja um exercício de amor». Um amor muito realista, militante, que subverta estruturas e institui-ções reacionárias, construídas com a fome e o sangue das maiorias pobres, ao serviço do condomínio mundial de uma minoria plutocrata.
...É tempo de paradigmas. Creio que hoje se devem citar, como paradigmas maiores e mais urgentes, os direitos humanos básicos, a ecologia, o diálogo inter-cultural e interreligioso e a convivência plural entre pessoas e povos. Estes quatro paradigmas nos afetam a todos, porque saem ao encontro das convulsões, objetivos e programas que está vivendo a Humanidade maltratada, mas esperançada ainda sempre.
...Irmãos e irmãs, que raios vamos quebrar em nossa vida diária?, Como ajudaremos a bloquear a roda fatal?, Teremos direito a cantar gregoriano?, Saberemos incorporar em nossas vidas esses quatro paradigmas maiores traduzindo-os em prática diária?
Recebam um abraço entranhável na esperança subversiva e na comunhão fraterna do E-vangelho do Reino. Vamos sempre para a Vida.
Pedro Casaldáliga Circular 2008
(sublinhados meus)
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