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com um cheirinho de murta
Uma conterrânea, faz uma recolha fabulosa, das plantas silvestres desta região.
São as minhas preferidas. Gosto de jardins desordenados e naturais. Tenho, actualmente, a graça de encher os olhos, todos os dias, destas belezas. E sentir-lhes o perfume. E invejar os insectos vorazes que entram por elas adentro e se banqueteiam.
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Nunca é demais falar do mesmo:
"Houve um tempo em que sonhava com uma Igreja que segue o seu caminho na pobreza e na humildade, uma Igreja que não depende dos poderes deste mundo. Sonhei com o extermínio da desconfiança. Com um Igreja que dá espaço às pessoas que pensam mais longe. Com uma Igreja que anima sobretudo aqueles que se sentem pequenos e pecadores...
... "A Igreja deve ter a coragem de se reformar." "A Igreja precisa permanentemente de reformas." "Porque eu próprio sou tímido, digo a mim mesmo na dúvida: coragem!"
...É verdade que não poucas mulheres criticam justamente a Igreja porque se sentem discriminadas. Martini reconhece que "a nossa Igreja é um pouco tímida" e que o Novo Testamento trata melhor as mulheres do que a Igreja. A direcção de comunidades por mulheres é bíblica e não pode excluir-se o debate sobre a sua ordenação.
A Igreja de Cristo é a favor do Homem, da justiça e do Deus vivo. Mas não tem o monopólio de Deus. "Não podes tornar Deus católico." Por isso, a Igreja dialoga com os crentes das outras religiões e igualmente com os não crentes, também para conhecer as suas razões.
Anselmo Borges no DN, sobre o último livro do cardeal Martini
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assim esperamos:
2008-06-27 em 6/27/2008 06:55:00 PM
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capítulo miminhos:
Meu caro picheleiro:
Numa coisa tem razão: a mulher é um ser generoso por excelência.
A generosidade na mulher nunca é restrita. É ampla e diversificada. É perfeitamente capaz de se entregar às lides amorosas, sexuais para os cavalheiros, e enfiar a chupeta no pequeno, escutar a mais velha no quarto ao lado, espreitar pelo canto do olho se anda sogra por perto e pensar na ementa do próximo jantar. E quase no último grito do clímax ainda pensar nos despachos do escritório.
Tem razão, no capítulo miminhos, um fosso se abre entre machos e fêmeas.
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Para o picheleiro de serviço:
2008-06-26 em 6/26/2008 10:59:00 PM
Abundantes vezes, a mulher se entusiasma na alegria de ter encontrado o brinquedo. Descobre, porém, que lhe saiu o menino para cuidar. E entreter. Mande sempre, caríssimo.
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(Harriet Andersson in "Através de um espelho" de Ingmar Bergman)só me lembro do escuro.
tentei escrever-te estes dias com a água da chuva.
falar-te do frio.
as horas morrem-me no chão.
sei que estou cada vez mais doente . as árvores
entraram-me pelo coração.
as rosas adormecem.
uma fonte de luz brota de noite no meio da casa.
é o teu silêncio que o diz.
não quero pensar.
esperar que os pássaros voem. te reconheçam.
esta noite. e outra.
até que me venham morrer na boca.
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as alegrias da maternidade
2008-06-25 em 6/25/2008 10:27:00 PM
A M. mandou-me uma foto com um novo penteado e uma cor flamejante. Imagino que ande a experimentar penteados. Mas não me deixei enganar. Devolvo-lhe mensagem a demonstrar que não me conseguiu enganar, nem de modo virtual. Creio que gostou de saber, que não é possível enganar uma mãe.
Por estes dias, recordo com insistência uma coisinha branca, bem pequenina, com um tufo de cabelo de rato completamente indomável e com um cheiro que, só para senti-lo, valeu a pena ter nascido. Vai fazer trinta anos.
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por uma cristologia inclusiva:
...
Os cristãos têm especial dificuldade no diálogo com as religiões. Sustentam a crença de que são portadores de uma revelação única e de um Salvador universal, Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado. Em alguns, esta crença ganha foros de fundamentalismo, dizendo, sem atalhos, que fora do Cristianismo não há salvação, repetindo uma versão de cariz medieval. Outros, a partir da própria Bíblia e de uma reflexão teológica mais profunda, sustentam que todos os seres humanos, também o cosmos, estão permanentemente sob o arco-iris da graça de Deus. Para os primeiros onze capítulos do Gênesis, nos quais não se fala ainda em Israel, como "povo eleito", todos os povos da Terra, são povos de Deus. Isso permanece válido até os tempos atuais.
Ademais, dizem as Escrituras que o Espírito enche a face da Terra, perpassa a história, anima as pessoas a praticarem o bem, a viverem na verdade e a realizarem a justiça e o amor. O Espírito chega antes do missionário. Este, antes de anunciar sua mensagem, precisa reconhecer as obras que este Espírito fez no mundo e prolongá-las.
O Cristo não pode ser reduzido ao espaço palestinense. Ao assumir o homem Jesus de Nazaré, o Filho se inseriu no processo da evolução, tocou a realidade humana e ganhou uma dimensão cósmica. Coube ao teólogo franciscano Duns Scotus na idade média e a Teilhard de Chardin nos tempos modernos apontar que o Filho está presente na matéria e nas energias originarias e que foi densificando sua presença na medida em que se realizava a complexidade e crescia a consciência até irromper na forma de Jesus de Nazaré. Esta individuação não diminiu seu caráter divino e cósmico, de forma que pode irromper, sob outros nomes e sob outras figuras que revelam em suas vidas e obras a cercania do mistério de Deus. Para evitar certa "cristianização"do tema, podemos falar, como o fazem grandes tradições, da Sabedoria/Sofia. Ela está presente na criação, na vida dos povos e especialmente nas lições dos mestres e sábios. Ou se usa também a categoria Logos ou Verbo que revela o momento de inteligibilidade e ordenação do universo. Ele não fica uma Energia impessoal, mas revela suma subjetividade e suprema consciência.
Leonardo Boff, teólogo
artigo completo aqui
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o silêncio
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stop com as obsessões!
2008-06-21 em 6/21/2008 02:16:00 PM
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Aquilo que nele mente
Rebeldia é o que põe
E só depois de informado
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as mulheres do jardim 8 - Dorothy Day
2008-06-18 em 6/18/2008 05:59:00 PM
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comprovadíssimo:
2008-06-17 em 6/17/2008 11:46:00 PM
O homem é um animal de hábitos.
A imagem é a do post abaixo.
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Masturbação
2008-06-16 em 6/16/2008 09:10:00 PM
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Moral sexual
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mais ou menos assim:
-"Vossa Eminência está com óptimo aspecto! O branco fica-lhe mesmo bem".
-"Obrigada, amigo. Quero louvar a sua luta pela defesa da moral e dos bons costumes"
-"Oh! coisita de nada. É só no tempo que me sobra de começar uma guerra aqui, mais despejar uns mercenários acolá"
-"Ah! uma conversa entre os dois homens mais poderosos do mundo, tem mesmo de ser coisita amena e amorosa."
Imagem-Reuters
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ser david
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que grande ciganada!
2008-06-13 em 6/13/2008 11:50:00 PM
Hoje foi dia de ciganos. Sem querer ser racista (defensora da raça, certo?) ;), digamos que o cuidado e atenção têm de ser redobrados, triplicados, sei lá...com a dica de um amigo, andei a ler os comentários num blogue de confissão católica...meu deus e nossa senhora me valham...que grande ciganada! deixam os verdadeiros a milhas.
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Um bom exemplo
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A doutrina até há. Consciência também. Falta...
2008-06-12 em 6/12/2008 07:08:00 PM
por vezes, a coerência necessária.
"O critério é sempre a pessoa humana
Têm sido reconhecidas e analisadas as dificuldades sociais e económicas da região, em especial no que toca às empresas e ao desemprego de muitos trabalhadores. Igualmente se verificam novos surtos emigratórios, em busca do trabalho que aqui escasseia. Reconhecem-se abandonos da escolaridade, atrasos na qualificação técnica e lacunas na formação especializada, precisamente onde mais urgente se torna para o desenvolvimento. É neste contexto que lembro o ponto essencial do discurso do Papa João Paulo II no Porto: a dignidade da pessoa humana, como referência constante da análise que se faça e da solução que se procure em qualquer situação social e económica.
...
Garantir trabalho, promover a habilitação escolar e profissional, desenvolver a formação contínua e obviar à ociosidade forçada, tudo são garantias de uma sociedade realmente desenvolvida. Longe de serem um dispêndio mais para quem tenha de gerir os recursos públicos ou privados, são o melhor investimento social e económico a médio e longo prazo e caracterizam uma sociedade saudável, a nível local, regional ou nacional e até europeu.
2. Trata-se essencialmente duma questão de cidadania, que a todos nos envolve a esse título, crentes ou não-crentes. Transportando uma tradição que une a causa de Deus e a causa do homem, a Igreja Católica tem tirado daí as necessárias consequências sócio-económicas. Reforça o que devia ser uma convicção básica e comum: a transcendência de cada pessoa, no que é e no que realiza, a respeitar convenientemente. Na sua primeira encíclica o Papa Bento XVI situou nestes termos a intervenção da Igreja: “A doutrina social da Igreja discorre a partir da razão e do direito natural, isto é, a partir daquilo que é conforme à natureza de todo o seu humano. […] A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política para realizar a sociedade mais justa possível.
D. Manuel Clemente, bispo do Porto
fonte - ecclesia
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freira expedita

Há dias, era noticiado que duas freiras septuagenárias tinham sido expulsas de um convento italiano. Motivo: desobediência. Também a congregação da Companhia de Jesus andou a fazer umas declarações de pedido de desculpas. Motivo: alguma insubordinação ao Papa.
Agora, lê-se no DN, que uma freira resolveu pôr a congregação de onde foi expulsa, em tribunal Cível, para pedir uma indemnização pelo trabalho prestado, e por unilateralmente prescindirem dos seus serviços.
Apenas três testemunhas de defesa foram chamadas, ontem, à sala de audiências do Tribunal da Guarda, no caso que levou uma ex-leiga da Liga dos Servos de Jesus a reclamar uma indemnização à instituição, depois de expulsa. O caso remonta a Março de 2001, quando Maria de Fátima Diogo foi chamada a um conselho extraordinário da instituição, onde foi informada que o melhor era sair da Liga dos Servos de Jesus.
Nenhuma instituição ou entidade, seja ela religiosa ou laica, está acima dos direitos humanos e das leis civis. Pelo contrário, quanto mais fielmente forem cumpridos e realizados, mais coerentes com o Evangelho se tornam. Não é lícito invocar alguma lei divina, para se cometerem atropelos à dignidade das pessoas. A Igreja Católica nem sempre tem isto presente. E não vale dizer que se deve sacrificar o indíviduo pela instituição. Isso não passa de uma atitude farisaica e anticristã. No Evangelho, o primado é sempre da pessoa. Por isso, Jesus chamou Zaqueu, Mateus, Tiago, Filipe, Maria Madalena..
Do evangelho da liturgia de hoje:
20Porque Eu vos digo: Se a vossa justiça não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino do Céu.» (Mt 5,20)
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e não vi o futebol
2008-06-11 em 6/11/2008 11:35:00 PM
e se eu disser que tenho o frigorífico cheio de "frescos", não me afectou nada (a curto e médio prazo) a hipótese de as bombas não pingarem combustível, descobri uma nova flor no jardim de aroma e beleza ímpares, posso admitir que não preciso de mais nada, para adormecer feliz.
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"qual o livro bíblico que escolheria e porquê?"
Armando Silva Carvalho, Poeta
O Livro de Job. Por razões muito pessoais da minha vida. Sobretudo isso. Sempre que o leio, Job ajuda-me a encontrar uma possibilidade de resistir.
Carlos Pontes Leça, Consultor do Serviço de Música da Fundação Gulbenkian
Escolho o Evangelho de João, porque é nele que eu encontro de uma forma «incrível» a expressão da intimidade que existe entre Cristo e o Pai. Bastavam esses capítulos 13 a 17, onde tudo é dito por Jesus aos seus discípulos. Não podemos aspirar a mais!
Francisco Sarsfield Cabral, Director de Informação da Rádio Renascença
Marinho Antunes, Sociólogo
O Apocalipse. É um livro que me deixa fascinado. Obriga-me a ver que a Palavra de Deus não é a minha nem a nossa Palavra. Deixa-me sempre surpreendido. Faz-me buscar. E isso é fascinante.
Nuno Crato, Matemático
fonte-ecclesia
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infelizmente não é caso único:
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bailados
2008-06-07 em 6/07/2008 03:54:00 PM
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real/virtual
Um interessante artido de frei Betto, frade dominicano e escritor:
Do mundo virtual ao espiritual
Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: "Qual dos dois modelos produz felicidade?"
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: "Não foi à aula?" Ela respondeu: "Não, tenho aula à tarde". Comemorei: "Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde". "Não", retrucou ela, "tenho tanta coisa de manhã..." "Que tanta coisa?", perguntei. "Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina", e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: "Que pena, a Daniela não disse: "Tenho aula de meditação!"
Estamos construindo super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um superexecutivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: "Como estava o defunto?". "Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!" Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais…
A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A palavra hoje é ‘entretenimento’; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: "Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!" O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald’s…
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: "Estou apenas fazendo um passeio socrático." Diante de seus olhares espantados, explico: "Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz."
retirado de adital
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católicos e a Bíblia
2008-06-06 em 6/06/2008 06:44:00 PM
A Igreja portuguesa não está apenas perante um problema de vocações ou, sequer, de diminuição de praticantes. É que mesmo os católicos com prática activa da fé estão mais distantes das actividades da paróquia e da própria Bíblia.
87,65% com a Bíblia em casa, o universo potencial de leitores da Bíblia é grande, segundo os números oficiais. 13,4%, só a lêem até duas vezes em cada ano - ou não chega mesmo a pegar nela, uma taxa reduzida, 9,3% lêem todos os dias.
Num país de terços e devoções, onde a leitura não faz parte dos hábitos diários dos portugueses, numa Igreja hierárquica piramidal, não admira que um dos signos importantes da vivência da fé, passe à margem da prática dos crentes. Na praxis católica ainda se concebe a Igreja como o sítio onde uns têm que dar e outros que receber.
O consumismo religioso é largamente encorajado, por uma hierarquia que faz da obediência, um dos pontos basilares da vida da fé. Sendo a Bíblia um signo de difícil assimilação, vai ficando como objecto de culto, quando não, apenas decorativo.
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andamos todos, sr. Gaspar
2008-06-04 em 6/04/2008 05:29:00 PM
- Bom dia, Sr. Gaspar. Como vai?
- Bom dia, menina. Cá vou indo...colado com cuspo...
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numa relação não existem anónimos
2008-06-03 em 6/03/2008 09:07:00 PM
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a Bíblia
2008-06-01 em 6/01/2008 06:22:00 PM
O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática "Dei Verbum", diz no nº 11:"As coisas reveladas por Deus, contidas e manifestadas na Sagrada Escritura, foram escritas por inspiração do Espírito Santo...Todavia, para escrever os livros sagrados, Deus escolheu e serviu-se de homens na posse das suas faculdades e capacidades, para que agindo Ele neles e por eles, pusessem por escrito e como verdadeiros autores, tudo aquilo e só aquilo que Ele queria."
12 - Como, porém, Deus na Sagrada Escritura falou por meio dos homens e à maneira humana, o intérprete da Sagrada Escritura, para saber o que Ele quis comunicar-nos, deve investigar com atenção o que os hagiógrafos quiseram realmente significar e que aprouve a Deus manifestar por meio das suas palavras.
Daqui se deduz claramente que a Bíblia não é para ser lida em sentido literal e fora do seu contexto de "história da salvação". Devem atender-se aos estilos literários, contextos históricos, sociais etc. Como diz o Concílio:"Deve ser lida e interpretada com o mesmo espírito com que foi escrita" (História da salvação)
A palavra Bíblia provém do grego "biblfon" ("livro"); sendo um plural deveria traduzir-se por "livros". A Bíblia é uma colecção de livros que forma sendo escritos ao longo de 1.100 anos. Sendo os primeiros textos escritos por volta do séc X a.C. e os últimos cerca do ano 100 d.C.
Divide-se a Bíblia em duas grandes partes: o Antigo e o Novo Testamento. A palavra "testamento" é a tradução latina do grego "diatheke" e do hebraico "berit" (aliança). Porque a grande "mensagem" da Bíblia é a história da salvação. Nela se retratam as grandes alianças que Deus foi estabelecendo com a humanidade. Desde Noé, Abraão, Moisés...até Jesus Cristo (a Nova e eterna Aliança). É patente nos vários livros, que da parte de Deus a Aliança é sempre renovada e actualizada. Da parte dos homens inúmeras vezes quebrada.
A selecção de textos feita pelos judeus foi um processo longo. Não nos é possível aferir de forma clara quais foram os critérios usados para determinar se determinado livro era ou não inspirado por Deus. A título de exemplo, alguns grupos não aceitavam os livros escritos em grego como sagrados.
Para os cristãos, definir o cânone dos livros inspirados foi ainda mais difícil. Uns queriam apenas aceitar o cânone reduzido dos judeus, outros queriam um cânone mais alargado, porque os achavam importantes para a teologia e para a piedade. Foi o Concílio de Trento que aceitou definitivamente o cânone alargado.
Na estruturação do cânone bíblico, foram tidos em conta a reflexão teológica, doutrinária, apologética da Igreja desses tempos. Acredito que muitos mais textos fossem revelação de Deus. O cânone foi estruturado por homens, não por anjos. Em Cristo, Deus experimentou a condição humana, nas suas fraquezas e glórias. Na Palavra que nos quis comunicar, sujeitou-se a todos os condicionalismos experimentados pelos homens. Se a Bíblia desta forma, já se nos torna difícil de descodificar, imaginemos Deus revelar-Se tal qual é! E pensemos que as coisas mais simples, são as que temos mais dificuldade em ver.
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porque hoje é dia da criança
outros afirmam:
a sua invisibilidade é aparente
mas nunca toquei deus nesta escama de peixe
onde podemos compreender todos os oceanos
nunca tive a visão da sua bondosa mão
Al Berto - A invisibilidade de Deus
imagem-fr.trekarth.com/
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