2009-01-29

o inferno, questão em aberto

A temática do inferno continua, para meu espanto, a suscitar controvérsia e discussão. Da doutrina sobre o inferno, priviligia-se mais o elemento mitológico (condenados, juízo, penas eternas) do que o teológico - exclusão da comunidade do Deus vivo.

Sinto que para muitas pessoas, essa visão mitológica, torna mais fácil a rejeição de Deus. Quem deseja acreditar num Deus vingativo, surdo aos apelos humanos, capaz de condenar o Homem por um único pecado grave cometido? Qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade humana será capaz de de fazer melhor do que um Deus assim. Creio que é mais fácil a atitude de rejeitar do que a de aderir, por isso é tão difícil passar a mensagem cristã da "Boa Nova".

Crer no Deus de Jesus Cristo é aderir à fé num sentido positivo. Não vivo mais inquieta com uma possível condenação divina. Sei que não são as boas obras que pratique que me vão justificar, mas a confiança de que "todos os momentos da minha vida estão nas mãos de Deus" (Sl 31).

Mas poderá Deus tratar do mesmo modo a vítima e o assassino? Vai Deus salvar todos os homens mesmo os que não o desejam? Se acreditamos na liberdade, temos de presumir que não. Que acontece então a essas pessoas? Eu não me consigo imaginar a ser uma delas. Muito menos conseguiria desejar isso para alguém. Tenho então de presumir que falar do inferno é falar de algo que escapa à capacidade de conhecimento humano. Aceito deixar a Deus a decisão para estas questões para as quais não conheço respostas. Faço minhas as palavras de Paulo aos Romanos:"Quem é que conhece os pensamentos do Senhor? Quem pode dar conselhos a Deus?"

2 comentários:

  1. Não te percebo! Então citas lá em baixo um viking que morreu antes do Concílio Vaticano II, dizes que é muito sério e agora sais-te com esta? :)

    Beijos

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  2. lino,

    o medo do inferno fez muitos cristãos. pelo menos de nome. ;)

    mas não podemos reduzir a hipótese do inferno a isso. ela entra nas formulações religiosas por razões mais profundas, que eu acho que coerentemente se devem manter. alguém viverá essa exclusão? não sei. eu quero crer que não.

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