2009-05-28

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a uma "qeixaria" do Confessionário:



Caros Padres

Este diálogo apenas permite apontar de forma muito limitada para questões muito complexas. Mas vou tentar sintetizar. Vou sobretudo fazer perguntas. As mesmas que faço a mim própria.
As pessoas são, em geral, desconfiadas. Sobretudo, em relação ao que elas sentem como poder. E os padres, para as pessoas, representam poder.
Nesta questão que estamos a discutir existem duas vertentes importantes: a estrutura da Igreja Católica e a pessoa do padre.
O que é a Igreja, hoje? O que é uma comunidade paroquial?
O que é que as pessoas procuram na Igreja? E o que é que a Igreja tem para dar? Há equilíbrio nesta procura/oferta?
Os sacramentos que a Igreja celebra são celebrações de fé ou artigos de consumo como se encontra em qualquer mercado?
Agora a pessoa do padre:
Geralmente aceitamos bem relações onde nos sentimos gratificados e somos aceites. Já temos mais dificuldade em lidar com a rejeição. Mas somos adultos, e sabemos que encontramos as duas situações. Seremos tanto mais equilibrados se soubermos relacionarmo-nos tanto com as pessoas (ou situações) que nos gratificam tanto com as que nos põem em causa.
Mas o principal, ainda, é que nos aceitemos a nós próprios como somos. Que saibamos ver o que há em nós de bom e de mal. Nem sempre o fazemos bem. E quando não o fazemos, também não aceitamos que os outros o façam em relação a nós.
A coisa mais difícil e mais complicada é mostrarmo-nos como somos. Só o fazemos com um ou dois eleitos na vida. E às vezes nem isso. Mas se não nos mostramos como verdadeiramente somos, como é que queremos ser compreendidos como tal?

Muito sinceramente, meus queridos padres, acho que os padres são peritos nessa arte de se esconderem. Por uma razão que compreendo: as pessoas só querem ver na pessoa do padre, o bem. Depois, isto torna-se um círculo viciante. E perigoso. Não é bom para ninguém.
Não se pode ser amigo de toda a gente. Isso não existe. Nem somos obrigados a mostrar o mais íntimo de nós mesmos a qualquer pessoa. Mas quanto mais verdadeiros formos no que mostramos de nós, mais hipóteses temos de construir verdadeiras relações. Relações baseadas na confiança. E não sob o signo de qualquer medo.

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