2009-05-18

um deus à medida:

Escreve o Luís Januário, e eu concordo inteiramente:



Eles pediram a Deus que salvasse Portugal da guerra. Em 1940 o nazi fascismo ocupava a Europa, bombardeava a Inglaterra, perseguia implacavelmente os judeus, e o país entrava no décimo quarto ano de suspensão das liberdades. Os bispos portugueses não pediram a Deus para que a barbárie fosse derrotada. Fizeram um pedido privado ao seu pequeno deus nacional, que poupasse Portugal.



18 comentários:

  1. E mesmo esse deus nacional não nos salvou da guerra colonial.
    :-(

    ResponderEliminar
  2. penso o tal deus e os seus acólitos, disfarçados de bispos, preferiram assistir a tudo de camarote, porque não sabiam muito bem para que lado haviam de pender, apesar de fazerem figas para que o Hitler se tornasse senhor do mundo...

    mas como eram bons no teatro e sabiam-na toda, acabaram por se sair bem na fotografia, tiveram foi de fingir que se iam converter à democracia...

    abraço MC

    ResponderEliminar
  3. Eu tenho dificuldade em concordar com esta crítica.

    Primeiro, quando eu faço uma promessa, é para que a minhanossassenhora (sublinhar "minha") me cure o meu cancro, ou algo do género, não é para que ela tire o cancro do mundo inteiro. Nesta coisa de pedidos, Deus nem sequer é nacional, é cá uma coisa só minha (sublinhar "coisa").

    Vão lá ver os altares de ex-votos e promessas por esse país adiante: ninguém pede para melhorar o SNS, é mesmo só aquela perninha, aquele joelhinho, aquela criancinha.

    Depois, a barbárie. Que barbárie? A nazi ou a comunista?
    Às tantas, vão ver que os bispos pediam para que a guerra não chegasse a Portugal porque nem sequer estavam de acordo quanto ao lado certo da barricada...

    Obviamente que o "meu" Deus não é assim. Nunca rezo para pedir que as coisas aconteçam assim ou assado, e muito menos faço promessas.

    Mas tenho o direito de criticar aqueles que as fazem? Rir-me dos que vão a Fátima de joelhos para agradecer?
    Não vou por aí.
    Desde que me deixem a liberdade da minha Fé, deixo-lhes a deles.


    Quanto ao papel dos bispos: se calhar, as informações que lhes chegariam na altura seriam mais assim "em 1940 o valoroso Hitler respondia corajosa e abnegadamente à ameaça comunista, lutava contra o lobby dos protocolos dos sábios de sião (eu sei que isto é forjado, mas eles sabiam?) e Salazar lutava abnegadamente para endireitar o país e dar-lhe um rumo, que bem precisava depois daquele período tão conturbado dos anos vinte."

    Por outro lado, é bom que se fale de tudo isto. Nasci nos anos sessenta, mas bebi no ar que me rodeava anti-semitismo q.b. para perceber que a vida dos judeus, vinte anos antes, não seria grande motivo de preocupação. Ainda há poucos meses ouvi em Portugal referências um tanto elogiosas a Hitler, e outras bastante críticas sobre os judeus ("tomam conta disto tudo" - e eu a pensar que isso eram o LGBT...)
    Ainda há dias havia comentários vergonhosos num artigo do Sol, a propósito dos prisioneiros de Auschwitz que esconderam uma garrafa numa escola.
    Há necessidade urgente de educar o pessoal - mas não me parece que o meio mais eficaz seja bater numa promessa feita por clérigos de um país habitado sobretudo por analfabetos a viver em condições miseráveis, num momento de crise e medo.

    ResponderEliminar
  4. Luis Eme,
    não me cheira que o "tal deus" estivesse a fazer figas para o Hitler ganhar...

    Pois, agora podemos perguntar "e onde é que Deus estava quando Auschwitz aconteceu?"
    - mas essa frase já tem direitos de autor, e é para os lados do Vaticano.

    ResponderEliminar
  5. Luís,

    não, não fica melhor. Mas é importante que se discutam estas coisas.Sendo crente católica revejo-me nas tuas palavras. Mas assumo o que a Igreja católica faz e diz. Mesmo que seja a tender para o disparate (estou a ser benevolente :)), muitas vezes.

    Não disse nada no teu blogue, mas o quadro do Cerejeira é a "cereja em cima do bolo" :)

    Um beijo também para ti

    ResponderEliminar
  6. Marco,

    pois! mas quem morreu nessa guerra? Ainda me lembro de ir a alguns funerais de vizinhos e aquilo era apenas fatalidade, ninguém se revoltava. Aceitava-se, pronto! E os outros eram lá de longe e de outra côr. Ainda hoje são.

    ResponderEliminar
  7. Luís E.,

    não gostas mesmo dos senhores bispos. :)

    Bom, mas parece que a Igreja católica não reagiu como seria justo reagir. Mas também não entro nessa crítica porque não tenho conhecimentos para isso. Só por isso.

    abraço

    ResponderEliminar
  8. mas eu tenho, MC, investiguei bastante e já escrevi sobre o assunto.

    a posição de Salazar sempre foi ambigua durante toda a guerra, mas tinha mais medo dos democratas e da democracia que de Hitler e de Franco.

    em relação à igreja e ao cristo rei, Cerejeira teve a ideia em Outubro de 1934, quando esteve na América Latina no congresso eucarístico internacional que se realizou em Buenos Aires e passou pelo Rio de Janeiro.

    passados dois anos (junho de 1936) Cerejeira apresentou a proposta no II congresso diocesano do apostolado da oração, no templo de S, Domingos, que teve como resposta uma vibrante aclamação de toda a Assembleia...

    como para o conseguir precisava da aprovação e cooperação deo episcopado de todo o país, Cerejeira aproveitou a oportunidade das comemorações do centenário da Rainha Santa isabel, realizadas em Coimbra no mês seguinte para o conseguir, o que aconteceu.

    de seguida foram distribuidos cartazes com o sagrado coração de Jesus erguendo-se sobre o mapa de Portugal de braços abertos e com o coração à vista, à porta das igrelas e de todos os sitios onde fosse possível, além de duzentas mil listas de subscritores...

    isto aconteceu três anos antes do começo da II Guerra Mundial.

    em relação ao não gostar de bispos, MC, tenho uma grande dificultar em respeitar quem está normalmente ao lado dos poderosos, ao contrário da prática de Jesus...

    ResponderEliminar
  9. Helena,

    obrigada pelos teus comentários. E discordância.

    Fique claro que não quero ser nenhuma purista da fé católica. Embora tenda a armar-me um bocadinho em tal. (Não tenho espelhos em casa, é o que é).

    Aqui, nem o Luís (lendo o texto todo dele, verifica-se isso) nem eu pretendemos aludir à fé pessoal de ninguém.

    A Igreja é uma estrutura vísivel, o seu episcopado é uma face de realce dessa visibilidade, e as opções que tomam abarcam uma responsabilidade diferente do que qualquer pessoa particular. Têm uma representatividade muito maior.

    Seria talvez interessante ler a homilia que o cardeal Saraiva Martins. Está no site da ecclesia. Dá para perceber de forma mais abrangente o real significado do santuário de Cristo-Rei.
    Pois é, é um santuário. De mau gosto e megalómano demais para o meu gosto.

    A fé precisa da religião. Precisa de ritos e estruturas materiais. Mas para que elas nos levem a mais e melhor fé. Senão...

    Vamos a números:

    não sei quanto implicou a construção do santuário. Sei que foi com as generosas ofertas de católicos pobres e acríticos ao pedido dos seus bispos.

    Passados cinquenta anos, levou obras de restauro que custaram 1 milhão de Euros (que ainda devem. Mal. muito mal). E para estas comememorações gastaram-se duzentos mil euros.

    Queixou-se o reitor do santuário que em cada mil pessoas que visitam o mesmo, só nove entram na capela. Os outros vão ver as vistas. Lindas, como todos sabemos.

    "Ver as vistas" também pode ser comtemplar, mas será?

    Fixo-me, para já, nestes pontos.

    ResponderEliminar
  10. o link para a homilia para quem possa interessar:

    http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=73109&seccaoid=9&tipoid=181

    ResponderEliminar
  11. quem quiser ler mais um católico a manifestar-se em relação a este tema, vá aqui:

    http://thaliquando.blogspot.com/2009/05/938-festividades-50-anos-de-cristo-rei.html

    O Thiago tem a proximidade e serenidade necessárias para uma leitura desapaixonada e isenta. E vai sempre ao "miolo", eu acho.

    ResponderEliminar
  12. MC,
    por causa da bloguice perdi os dois últimos comboios que tinha de apanhar. Hoje saio para Munique, e vou ver se não me atraso...
    Por isso: obrigada pelo link, mas não tenho tempo para ler, de momento. Voltarei cá na segunda feira.

    Só um pequeno comentário: sempre me disseram - e penso que havia um certo tom de orgulho na voz - que o Cristo Rei foi pago pelas "mães de Portugal". Wow.
    Se calhar até passaram fome para contribuir, mas o orgulho de terem erguido aquele monumento fantástico (outros dirão: mamarracho horrível) é um dado que não podemos desprezar.
    Penso, por exemplo, no esforço de construir as catedrais, e no orgulho do burgo por ter a catedral maior da região.
    Ou na satisfação das mulheres que passam a noite acordadas para fazer um tapete de flores para passar o andor.
    Ou ainda na minha vizinha, que não tem para comer (literalmente) mas deu não sei quanto dinheiro para alindar a igreja da paróquia, e ficou toda orgulhosa de ver o seu nome na lista dos beneméritos.

    ResponderEliminar
  13. Luís,

    não tenho muito para te dizer. Um bispo devia ser um pastor de uma comunidade. O que está próximo. Sobretudo dos que mais precisam a todos os níveis. Tenho cinquenta anos de prática de igreja e nao vejo nada disso.

    Ainda há dias um bispo estava a ser entrevistado na televisão e tinha uma cruz ao peito que escandalizava pela ostentação. Deve ter sido oferecida por católicos bem intencionados, mas há gente que tem de empenhar os "ouros" para poder comer. E isto é apenas um aspecto...há mais.

    ResponderEliminar
  14. gospel,

    comenta pela primeira vez e tenho de discordar de si. :)

    Isto não é um excelente blog. Dá-me gozo manter isto, mas não é por nenhuma excelência.

    Mas obrigada pelo comentário simpático (e impulsivo) ;)

    e sinta-se em casa.

    ResponderEliminar
  15. Helena,

    presumo que seguiste mesmo para Munique. Não vou ficar aqui a falar sozinha ;) tenho uma reputação a manter.

    Falamos depois...

    ResponderEliminar
  16. já voltei!
    já voltei!

    Vamos cá outra vez?

    ResponderEliminar