2009-06-16

confrontos

A minha história pessoal também se cruzou hoje, com a história da justiça neste país. Um caso em que sou queixosa, teve hoje mais um episódio, numa saga de treze anos. Encolho os ombros e lamento o desperdício de meios para tão parcos resultados. No meu caso, nulos, direi mesmo. Mais uma cidadã de costas voltadas à justiça, Sr. Procurador.

uma mulher, um livro


A Assírio & Alvim editou, englobado na colecção "teofanias", as cartas de Etty Hillesum. Cheia de espanto, leio logo na primeira:


Há já seis meses que te conheço. Tu, uma pessoa cómica, querida, terrível; agora foste perseguido pela História mundial até ao nosso pequeno país e aqui vives numa rua tranquila, em duas pequenas divisões que só são agradáveis e bonitas quando te encontras nelas. Foste uma infracção colossal na vida de várias mulheres holandesas. Ensinas-nos que o amor por todas as coisas é mais belo que o amor por uma só pessoa. E é bom que nos eduques nesse sentido. Já que as mulheres se debatem sempre por uma só pessoa e não pela humanidade: de facto, a verdadeira emancipação feminina ainda está por começar. Talvez a mulher ainda nem sequer tenha nascido como ser humano. Sabes, deste-me muitas forças, mas também me tiraste muitas. Estás sempre no meu pensamento, como ser humano e como homem, e quando, por fim, conseguir uma relação verdadeiramente pura contigo, muito será esclarecido, em simultâneo, no meu relacionamento com todos os homens e a humanidade. E, pensando em ti, cresço e amadureço, mas, por vezes, não é fácil, sabes? Disseste uma vez que eu era para ti um desafio, mas tu também o és para mim. Que bom estares aí. Até brrreve.


Surpreendentemente belo e expressivo. Gostei de me encontrar nestas palavras. Na necessidade de se aprender a amar o "todo". A mulher muitas vezes se perde na sua "missão" particular.


2009-06-05

gostava mesmo de saber:

(Cecília Bartoli)

qual a margem de segurança para a mulher manter a diferença em relação ao homem.

quem é o nosso Deus?


Fico a saber, que vários grupos de jovens, se propõem rezar um milhão de terços diários, por Portugal. Até oito de Dezembro. Data em que irão a Vila Viçosa, entregar, simbolicamente, a tarefa cumprida.


Depois, digo eu, é esperar que Deus (por intermédio de Nossa Senhora da Conceição) cumpra a parte dele. E salve Portugal.


2009-06-03

também quero


..."de isolar-me no silêncio onde as perguntas não se fazem e calam-se as respostas."



razões para votar no domingo:



É notório o desinteresse dos portugueses nas eleções do próximo domingo. E os que se interessam, não sentem confiança na diversidade de propostas apresentadas pelos diversos partidos e grupos de cidadãos, em campanha. Mas, mesmo assim, o desafio é inverter a corrente. E, ao contrário de algumas vozes sempre prontas ao desatino, a única forma de se construir um projecto europeu, é mesmo votar.


No espectro das grandes questões europeias, uma delas é a da pobreza e exclusão social. No conjunto dos cidadãos da Comunidade Europeia, um grande número ainda não participa no desenvolvimento económico, social e cultural. O nosso dever como cidadãos é integrá-los. Como? Começando por eleger os agentes políticos receptivos a essa inserção.



Sérgio Aires, consultor na Rede Europeia Anti Pobreza / Portugal - REAPN, lamenta que a "pobreza e exclusão social não esteja na Agenda Europeia"


A REAPN está presente em Bruxelas há cerca de 20 anos. Num trabalho equivalente a "uma maratona onde não se sabe quantos quilómetros faltam" a REAPN é um dos interlocutores da Comissão Europeia para as questões de pobreza e exclusão social. As suas funções estendem-se ainda ao contacto com os governos europeus para incluir nas agendas a questão da pobreza.


O consultor da REAPN não prevê uma mudança. "A própria estratégia da Comissão Europeia aposta no maior crescimento económico para combater a pobreza". Isso é "mais do mesmo", explica Sérgio Aires, sublinhando que "esta não é a vida para ultrapassar as questões de pobreza. Ainda mais este crescimento que é desigual".


Sérgio Aires indica que a pobreza e exclusão social devem ser critério para a votação nas próximas eleições.


2009-06-01

quem nos (des)governa:

(...)

Um pobre alemão não é igual a um pobre português. As estatísticas referem dados relativos.

Isto releva a ineficiência da política portuguesa. O povo português revela-se muito tolerante no que respeita à pobreza social e à falta de responsabilidade do Estado. (...)

A política não se preocupa com a compensação social, com um compromisso entre pobres e ricos, entre regiões pobres e ricas, assistindo-se ao desequilíbrio crónico. Os espertos encostam-se aos partidos, que, por sua vez, ocupam os sectores do Estado onde se ganha melhor.

E no meio de tudo isto os nossos políticos ainda têm coragem de sair para a rua e mostrar os seus dentes brilhantes. Pavoneiam-se nas televisões como se fossem benfeitores do povo português, quando administram mal o país. Trabalham para si e fazem bem aos do partido sem responsabilidade de estado. Cada vez se ostenta mais os galardões das ideologias e se vê mais vaidade encenada num país reduzido a estádio de futebol. (...)



António Justo, aqui