2009-08-27

com os irmãos muçulmanos


Não ambicioneis aquilo com que Deus agraciou uns, mais do que aquilo com que (agraciou) outros, porque aos homens lhes corresponderá aquilo que ganharem(247); assim, também as mulheres terão aquilo que ganharem. Rogai a Deus que vos conceda a Sua graça, porque Deus é Onisciente.


(Do Sagrado Alcorão, 4ªSurata- 32)
imagem-Reuters 24/8/2009

2009-08-26

com o patrocínio das "chaves do Areeiro"

Anda por aí uma discussão pegada (no facebook até já lançaram uma causa - que eu subscrevi) sobre os caroços e a empregada da menina Patrocínio. Discussão bobinha. Como bobinha é a menina. Mas tirem de lá o "cavalinho da chuva", para deitar abaixo a participação das mulheres na política. Não é que algumas não se "ponham a jeito" de diferentes formas. Mas eles, dominando pelos séculos dos séculos, asneiam forte e feio. Descaroçar uma maior participação das mulheres , também neste campo, vai levar o seu tempo. Mas vai acontecer, ah, se vai!

suave doçura

2009-08-25

ó tempo volta para trás...




O Presidente da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa) já se congratulou, e apoiou, o veto de Cavaco Silva à nova Lei das "uniões de facto". Sempre prontos a voltar ao tempo onde baptizar era obrigatório para existir.

morrer para o que é velho

(André Kertész , 1984-1985)




Sair da igreja

Sair da igreja
deixar a celebração
porque não se aguenta mais
porque não podemos continuar
por causa do excesso de intensidade e de sobranceria
do que é considerado dever aí ser feito
em contraste com o desaire aflitivo do que de facto
se passa
deixar sem escândalo, sem contestação, com tristeza
e o desejo resistente que de novo se eleve
como? como?
a luz do grande poema onde se inauguram todas as coisas.


2009-08-23

musical

Gosto sempre das sugestões musicais do Luís, aqui fica o link para uma: Jef Buckley "Hallelujah"

más surpresas no jornal que já foi o melhor...

De regresso de um fim-de-semana especial para avós - o Gabriel a fazer tudo o que se espera de um bébé de vinte dias e os pais a deixarem-me mimá-lo muito, muito, compro o jornal Público para ter um pouco de informação sobre o que se passa no mundo.

Verifico com pesar que, em vez do artigo de opinião de Bento Domingues, escreve um padre de nome Gonçalo Portocarrero de Almada, sobre o vírus da gripe A.
Num tom e forma, aparentemente, politicamente incorrectos, desdenha e insurge-se contra algumas medidas de prevenção durante o acto litúrgico, emanadas da Nota Pastoral (dos bispos portugueses) sobre o assunto.

Diz o senhor padre Portocarrero:"O vírus da gripe A só exerce a sua perniciosa acção nas igrejas. Ou seja é um vírus tipicamente anticlerical (tenta fazer humor e dar um arzinho da sua graça de padre papa-hóstias e a defender a sacristia dos terríveis anticlericais): daí o A que se distingue de todas as outras gripes que são menos beatas, na medida em que também frequentam ambientes laicais; mais ecuménicas, porque também atacam fiéis de outras crenças; e até mesmo mais politicamente correctas, porque, contagiando também ateus e agnósticos, provam que não discriminam as suas vítimas por razões religiosas."

E mais isto:"Importa ainda expressar a mais profunda indignação pelo facto de o Papa Bento XVI, não satisfeito com a sua gritante insensibilidade na questão do preservativo, insistir em promover comportamentos de risco, pois, como é sabido, só dá a comunhão aos fieis que, ajoelhados, a recebem na boca."

Também não sou eu que vou deixar de, com o ênfase e descrição habituais, dar o abraço da paz ou deixar de comungar do Pão Eucarístico (água benta não uso desde a minha primeira comunhão) por causa do medo do vírus. Mas acho muita gracinha, a estes politicamente incorrectos de cabeção e batina, que se julgam na contra corrente, mas alinham na ortodoxia mais segura, sendo como se diz "mais papistas que o Papa". Fosse eu comungar das mãos do Papa e logo se via se me punha de joelhos e lhe estendia a língua. Como se isso fosse o mais importante do acto.

2009-08-21

Gozai um óptimo fim-de-semana




AUSENCIA


Habré de levantar la vasta vida
que aún ahora es tu espejo:
cada mañana habré de reconstruirla.
Desde que te alejaste,
cuántos lugares se han tornado vanos
y sin sentido, iguales
a luces en el día.
Tardes que fueron nicho de tu imagen,
músicas en que siempre me aguardabas,
palabras de aquel tiempo,
yo tendré que quebrarlas con mis manos.
En qué hondonada esconderé mi alma
para que no vea tu ausencia
que como un sol terrible, sin ocaso,
brilla definitiva e despiadada?
Tu ausencia me rodea
como la cuerda a la garganta,
el mar al que se hunde.


Jorge Luis Borges in "Poesía completa"
(Dedicado a alguém que se manifesta em ansioso "deserto". Eu vou passar o fim-de-semana a inebriar-me com a ternura que é o Gabriel)

2009-08-20

Pierre Teillard de Chardin


Na última revista IHU on-line (uma óptima revista formativa) é dedicado largo espaço a Pierre Teillard de Chardin (1881-1955). Este padre jesuíta e teólogo, figura importante da Igreja Católica do século que passou, "é conhecido por construir uma visão integradora entre ciência e Teologia."


No meu caso, uma personagem quase desconhecida, mas uma das que, há muito, quero conhecer e aprofundar. Vou ler de fio a pavio as páginas que lhe são dedicadas.




Um breve depoimento sobre ele:"O que parece extra ordinário nele é a sua fé inquebrantável, sua confiança encarniçada no movimento da vida, na aventura humana. Ele jamais se refugia na retaguarda, mas corre aos postos avançados, ao front, persuadido de que o futuro é sempre possível e que este futuro deve necessariamente ser melhor que o presente. Não para cada ser humano individualmente, mas ao menos falando globalmente".

Teillard de Chardin também teve os seus "confrontos" com o Vaticano. A forma como expôs o tema do pecado original, valeu-lhe a censura e foi instado a fazer a afirmação no dogma, destituído cargo que tinha e partir para o Oriente.
Este episódio, não me aproxima mais nem menos de Teillard de Chardin, mas dá-me sempre um amargor muito grande pela falta de liberdade e afirmações pessoais na Igreja Católica.

Nina Simone

2009-08-18

a sedução do silêncio

diário breve

Depois de apanhar o melhor transporte de Lisboa - o primeiro autocarro que me traz de volta às Caldas, posso, aqui, limpar a manhã de hoje.
F. tem repetido nos últimos tempos, que sou a mais forte da família. Obrigada. "Em terra de cegos quem tem um olho é rei." Mas ganhei a reputação (culpa minha; ouço, ouço e exponho-me quase nada. Só para os mais próximos baixo as reservas) e há que mantê-la. E, no entanto, a melhor forma de vencermos os medos é expor-mo-nos.

Li o Luiz Pacheco durante duas longas horas, num corredor a fazer de sala de espera. Não conseguindo, a intervalos, deixar de observar a família mais a namorada de um jovem de mais ou menos vinte anos que ia para a consulta pela qual eu esperava. Os pais mostravam ansiedade: a mãe falava em pequenos segredos para o marido, que se levantava amiúde e olhava para um e outro lado do corredor. O rapaz permanecia com a cabeça baixa, apático aos sorrisos da namorada que evidenciava estar a leste do ambiente que a rodeava. Ainda bem para ela , e um regalo para mim. Exalava uma beleza de adolescente inócua e ao mesmo tempo exuberante.

Chamam por mim para a consulta, uma médica um pouco mais velha do que eu, pergunta-me pelo RX ao tórax. Vou fazer a seguir - respondo eu. - Não pode - e mais um chorrilho de recriminações, responde ela. Tenho que ir ao serviço de radiologia, fazer o RX e voltar para a consulta. Para isso, tenho de passar pela família e mais o jovem, e lastimo interiormente ir fazê-los esperar ainda mais.
Ralham comigo no serviço de radiologia por não ter marcado o exame. Digo-lhe que achei que tinha ficado marcado, tal como os outros. Até me disseram que era no mesmo dia da consulta. (Aguenta-te, Maria. Antes de ficares doente devias ter tirado um curso de burocracia hospitalar.)

Lá volto à bendita consulta, já com o estômago às voltas de fome. Esqueço-me sempre de levar mantimentos, para fazer um piquenique, numa das "agradáveis" salas de espera (vulgo corredor) hospitalares.

Começam então as perguntas da praxe: já foi operada? tem ou teve familiares com doenças graves? e que medicamentos está a tomar? - coversyl para a tensão e dois antidepressivos. Levanta a cabeça e pergunta como se estivesse a fazer de juiz no tribunal: - e porque é que os está a tomar? Passaram-me um seriado de palavrões pela mente, mas sem fazer uso de nenhum, e depois de pensar a seguir por que raio tinha de expor a minha vida, ali, naquele exacto momento e com aquela pessoa? Fiz uma síntese muito breve a explicar que a vida para mim é importante demais para não a viver com a qualidade possível. E achei que, neste momento, precisava de químicos e pedi-os. Acabou por dizer que tinha feito bem.

O Luiz Pacheco arranjava forma de ganhar uma notita, contando o seu dia-a-dia. Eu, se ganhar um leitor atento, já ficarei satisfeita. Não ganhando, fico na mesma.


2009-08-16

é possível respeitar a dignidade humana e aceitar a possibilidade da Eutanásia?

Otem uma consciência clara e uma decisão de opinião firme, sobre a Eutanásia. Eu não tenho. As nossas vidas e experiências, da mesma, são diferentes. O Zé é capelão hospitalar. Lida todos os dias com a vida e a morte de modo extremo. Tem de fazer juízos, decidir, pronunciar-se com clareza. Será que isso o condiciona? Talvez.

Eu tenho opiniões vagas. Nunca foi preciso, nem para mim, nem para familiares próximos, confrontar-me com tal decisão.

Juan Masiá, um jesuíta que dá algumas dores de cabeça aos hierarcas da Igreja Católica, está em Santander a assistir a um curso de Eutanásia e suicídio assistido declarou que:


“es compatible una postura que desde la perspectiva religiosa defienda la autonomía, defienda el respeto a la dignidad, y esto es compatible con el tema de la despenalización y la solicitud de eutanasia”.

Defende, ainda, que não se devem fazer imposições de conduta a políticos sobre o que devem votar ou fazer. Porque “no es cristiano imponer lo que se debe pensar”.

2009-08-15

e uma musiquinha para terminar

o meu niquinho sobre a cena da bandeira

Sim e não, caro Luís. Os gestos de rebeldia são importantes neste país de sacanas engravatados e engalfinhados, cada um, a tratar da sua vidinha.

Aceitamos educação paupérrima, saúde terceiro mundista. (Cada vez que me lembro que na última visita ao IPO de Lisboa, exultei com os bancos de napa azul marinho numa sala de espera, onde cada um mastigava a ansiedade para dentro, enquanto na tv passava a senhora de Fátima e o padre comentador fazia o discurso do costume - isso irritou-me um bocadinho e mergulhei com afinco no Húmus do Raul Brandão - mas, dizia eu, exultei com uns bancos de napa. O resto vou comendo calada. Não fosse uma cara simpática, de vez em quando, nalgum lugar de atendimento e aquilo seria pior que o Inferno de Dante. E a gente ali anda, feitos carneirinhos mal fodidos, sem ousar reclamar, exigir que não nos fodam mais, porque para isso já basta o resto.

O que é que isto tem a ver com os marialvas que foram larapiar a bandeira? Tem que o gesto deles não tem nada de rebelde. O que fizeram não vale mais, do que pular o muro e roubar as maçãs do vizinho. Ou pôr os cornos ao melhor amigo (as trinta páginas do Pacheco já estão a fazer efeito). Se exultamos com gestos de rebeldia destes, merecemos os políticos que nos governam.

não é, apenas, o amor, é a vida que é fodida

Passeava, com familiares, no parque da cidade. No meio de uns arbustos estava deitado um homem a dormir ou inanimado. Olhámos, instintivamente, em volta, todos passavam indiferentes à cena. Interpelei um homem que passava, depois outro que era preciso fazer alguma coisa. - Deixe-o estar. Isso logo passa. - E se não passa? o chão está encharcado e não deve ser preciso muito mais para uma pneumonia. A resposta é um indiferente encolher de ombros. Demandámos à procura dos serviços responsáveis para tratar da situação.

Tinha acabado de dar um pulinho à Bertrand e comprado o Diário Remendado do Luiz Pacheco. Um bêbedo letrado ou iletrado perde o estatuto de homem? Parece que sim.

2009-08-12

no caminho de Damasco

Hoje armei-me de sonsa e montei o cavalo da virtude, para enfrentar uma situação desconfortável. Fui descoberta num ápice e confrontada. Ganhei admiração por uma pessoa que desconsiderava e, verifiquei mais uma vez, que nada vale mais do que a honestidade, nas relações que estabelecemos. Cair do cavalo é bom, quando aprendemos.

contos para meditar # 3


O díscipulo pergunta:
-Mestre, onde está a verdade?
- Na vida do dia-a-dia.
- Mas eu, na minha vida diária, não vejo qualquer verdade - protesta o díscipulo.
- Essa é a diferença, que uns vêem e outros não.




in "Os melhores contos espirituais do Oriente"
Ramiro Calle


2009-08-11

isto não é só veneno

Este blogue também é amigo. Talvez os senhores Castos da tal Federação, precisem duma ajudinha...
A imagem é da Reuters. Londres, Agosto 2009. Mas não é preciso ir tão longe.

asininos terroristas

São os senhores da Federação Portuguesa pela Vida (FPV) que num comunicado, fazem as seguintes afirmações sobre as disposições da nova lei de Educação Sexual, publicada em Diário da República a 6 de Agosto.:

“A Federação Portuguesa pela Vida recorda que o facto de não vermos as vítimas dos nossos actos não torna esses mesmos actos menos maus. O facto de não vermos a criança abortada não lava as nossas mãos; não vermos as crianças destroçadas pela educação sexual desenhada por tarados sexuais não lava as nossas mãos; não ver os cancros da mama provocados por uma distribuição cega e massificada de hormonas sintéticas nas escolas não lava as nossas mãos."

É impossível dialogar e assumir qualquer compromisso, com pessoas que falam deste modo, sobre este tema da Educação Sexual.
Creio que mingúem os leva a sério. E isto só serve, para os próprios se considerarem, superiores em relação à restante sociedade.
Lamento sempre que sejam tão minuciosos com a moral sexual e tão míopes com os graves problemas de injustiça. E outros.

2009-08-07

eu iria mais longe...


Parece que a FIFA, não gosta de manifestações religiosas nos jogos de futebol (entenda-se todos os gestos de crendice tais como: mãos ao alto, sinais da cruz com lambuzadura de dedos a seguir e outras) e já avisou que não quer nada disso no mundial de 2010. Acho bem.


A seguir proíba todos os os outros gestos, do farto cardápio gestual, dos diversos jogadores. Bem como: palmadinhas no rabo, moches no relvado etc. Tudo coisas que bons pais de família não fazem.

um arranjinho para ti, um para mim...


Assim, vistos a confortável distância, é curioso ver os arranjinhos na composição das listas, às próximas eleições.


E os que diziam que se iam - que não queriam nem podiam mais (já disseram muitas vezes) - e agora ficam e ficam. E os amuos e os beicinhos em bico. Só vendo.

2009-08-04

uma nova luz

Com 3,685 Kg (reparem no preciosismo) nasceu, ontem, o Gabriel. Filho da Ana e do Vitor e meu neto.
Sim, acredito em milagres. O amor fez mais um milagre nesta família.
O Gabriel é lindo, lindo. É verdade. Não são só os meus olhos de avó que o testemunham. O maravilhoso é descobrir uma nova e totalizante experiência de amor. Estamos todos diferentes. O Gabriel trouxe uma nova e diferente luz.

2009-08-02

e o tempo que já passou...tanto




Agora que o Inverno já está de regresso (1º de Agosto, primeiro de inverno) fique-nos a recordação de verões azuis. Alguns, bastantes, já.

quando a palavra não é alimento

Não vou à missa à espera de ouvir profundas reflexões temáticas, que transportem a alma aos píncaros do arrebatamento e do êxtase. Para isso, vou lendo autores que me seduzem para a sede de Deus. E nem precisam de ser crentes, sequer.

Mas lamento um discurso simplista e repetitivo a cada domingo, que torna a celebração rotineira e "vazia".

um privilégio

O Henrique voltou a publicar em blogue o que escreve. E este jardim tornou-se mais luminoso.

deveras lamentável

Juan Masiá Clavel, vai deixar de escrever no blogue. Porque o que escreve incomoda os que detêm o poder. Vive nalgum país totalitário? Não! É um padre católico.